Aborto - Crime e Conseqüências
"O maior destruidor da paz no Mundo hoje, é o aborto"
"Ninguém tem o direito de tirar a vida; nem a mãe,
nem o pai, nem a conferência, ou o Governo."
Madre Tereza de Calcutá
(Mensagem à Conferência na ONU ). (1)
O termo aborto que, cientificamente indica o produto
do abortamento, foi popularmente usado como sinônimo deste, confundindo-se
assim, a ação com o resultado dela, o ato de abortar com
seu cadáver, o aborto. Apesar da ressalva, usaremos indistintamente
neste trabalho, dado a consagração do termo, uma ou outra
denominação com a mesma finalidade.
Assim, aborto ou abortamento seria a expulsão
do concepto, antes da sua viabilidade, esteja ele representado pelo
ovo, pelo embrião ou pelo feto; a expulsão do feto viável,
antes de alcançado o termo, denomina-se parto prematuro. É
pois, a interrupção da gravidez antes da prematuridade
_ abortamento; durante _ parto prematuro; completada _ parto a termo;
ultrapassada _ parto serotino. (2)
Pode ser o aborto, sob o ponto de vista médico,
espontâneo ou provocado, e a diferença está na intenção,
pois que este último é devido a interferência intencional
da gestante, do médico ou de qualquer outra pessoa, visando o
extermínio do concepto. Neste trabalho, por motivos óbvios,
só nos referiremos ao aborto provocado.
Incidência
Segundo dados da Organização Mundial
de Saúde ( OMS ), feitos por estimativa e antes de serem publicados,
já foram divulgados pela Rede Nacional Feminista de Saúde
e Direitos Reprodutivos ("Dossiê Aborto Inseguro"),
através do jornal "O Globo", é na América
do Sul onde ocorre o maior número de abortos clandestinos no
mundo, vindo em segundo, a América Central e em terceiro, a África.
O Brasil é o campeão mundial, pois aqui são consumados
1,4 milhão de abortos clandestinos por ano, mais do que todos
os outros países da América do Sul reunidos. Meninas e
jovens de até 19 anos fazem 48% das interrupções
legais da gravidez, segundo a nossa rede pública. Dados do Fundo
das Nações Unidas para a População (FUNUAP),
mostram que em conseqüência de complicações
deles, morrem por ano nos países da América Latina (inclusive
no Brasil), seis mil mulheres, consistindo na terceira causa de morte
materna, depois das hemorragias e da hipertensão. Relatório
do Instituto Alan Gutmacher (Folha de S. Paulo: 14/03/99), mostra que
a maior incidência por percentagem de abortos (36%), acontece
nos países desenvolvidos, graças a permissão da
lei, sendo deles também a maior taxa de gravidez não planejada
(49 %), mas englobam apenas 28 milhões de mulheres grávidas
por ano. Os países subdesenvolvidos apresentam planejamento melhor
(36% dos nascimentos não são previstos) e menos abortos
(20%), entretanto representam 182 milhões de grávidas.
No Brasil, segundo o mesmo instituto, a cada 1.000 adolescentes grávidas,
32 recorrem ao aborto. Somente a República Dominicana (onde também
é proibido) e EUA (onde é legalizado), têm taxas
maiores: 36.
Conclui ainda o relatório que nos EUA, onde
23 de cada 100 mil mulheres já praticaram o aborto, existe uma
preocupação do Congresso, que prevê crescimento
populacional negativo na próxima década, falta de mão-de-obra
e colapso de sistema previdenciário em vinte anos. Outro dado
importante é que 63% das mulheres norte-americanas chegam aos
18 anos já tendo praticado sexo. Só na Dinamarca (72%)
e na Islândia (71%) o percentual é maior. O próprio
instituto reconhece que parte das mulheres só fazem sexo por
saberem que não terão filhos (seja porque usam métodos
contraceptivos, seja pela prática do aborto). Equivale dizer,
que naqueles países onde o aborto foi legalizado, ganhando o
nome, dado por eles, de "aborto seguro", o número de
abortamentos vem aumentando assustadoramente e não menos assustador
foi a diminuição do número de gravidezes programadas,
denotando ambos, o aumento da "irresponsa-bilidade segura".
As Conseqüências
O aborto é um crime hediondo que produz uma
série de conseqüências espirituais, periespirituais,
físicas, psicológicas e legais.
a) Conseqüências espirituais e perispirituais:
estão relacionadas ao crime, com repercussões para o criminoso
e a vítima.
Para o criminoso.
Em trabalho publicado na Revista Internacional de
Espiritismo (Mar. 2000), referimo-nos a programação genética
reencarnatória, (3 à 9 e 18) já que "não
existindo o acaso, tudo na reencarnação, acontece sob
a égide de Deus, o Senhor da Vida. Sendo esta programada, os
Espíritos Superiores atuariam como construtores ou geneticistas,
no fluxo da vida (ver no gráfico da Fig. 1, em azul), selecionando
o óvulo e o espermatozóide que originarão o ovo;
sempre que possível participa nesta seleção genética
o Espírito reencarnante, sendo o grau de comando dos Espíritos
Superiores, inversamente proporcional ao estágio evolutivo do
Espírito.
Estabelecem-se, outrossim, fortíssimos compromissos,
entre os pais e o Espírito reencarnante e vice-versa. Colaboram
os Espíritos simpáticos e tentam interferir negativamente
os Espíritos inimigos, de acordo com as possibilidades das sintonias."
O produto deste magnífico trabalho de corporificação
da espiritualidade é o ovo, que originará os 70 trilhões
de células do corpo físico, indo servir de roupagem ao
Espírito reencarnante, como veículo possuidor de todas
as dimensões necessárias e suficientes, colocadas a seu
serviço para executar sua proposta reencarnatória e conduzi-lo
à evolução espiritual.
O aborto não é uma solução,
é um adiamento doloroso, uma porta aberta de entrada no crime
e no mal, e um rompimento de compromissos estabelecidos pelo Espírito,
ora delituoso, com Deus, com o reencarnante e em última análise
consigo mesmo. (Fig. 1; em vermelho)
Quem quer que venha a praticar ou colaborar com esse
delito, predispõe-se a alterações significativas
do centro genésico, em seu perispírito, com conseqüências
atuais e posteriores, na esfera patológica de seus órgãos
sexuais e também, por vezes, dos centros de força (chacras)
coronário, cardíaco e esplênico com todas as repercussões
pertinentes. Nos estamos preparando hoje a reencarnação
de amanhã; um aborto provocado agora se refletirá no chacra
genésico, e será mais além o aborto espontâneo,
pois a paternidade e a maternidade não valorizadas hoje, o serão
com certeza amanhã, noutra encarnação, mas agora
por um processo educativo, que passa pela dor e pelo sofrimento redentor.
Em igual patamar, como conseqüência, estão a prenhez
tubária, a placenta prévia, o descolamento prematuro de
placenta, a esterilidade, a impotência, entre outras causas que
atingem a esfera do aparelho reprodutor masculino e feminino.
Para a vítima
O único caso em que é aceito o aborto,
pela Doutrina Espírita, é quando existe risco insuplantável
para a vida da mãe. (13). Em todos os demais casos considera-se
ser este compromisso inquebrantável, sob o ponto de vista moral
e portanto consciencial espiritual, quer na prova dolorosa do estupro,
quer nos fetos acárdicos e anencéfalos, ou qualquer argumento,
como o direito de escolha da mulher e sua plasticidade, falta de recursos
financeiros, etc. A luta entre o "devo mas não posso e o
posso mas não devo", nada mais é do que "todas
as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm"
( 1ª Epístola de S. Paulo Apóstolo aos Coríntios,
cap. VI, verc. 12 )
A reação da vítima, o Espírito
reencarnante, varia de acordo com seu grau evolutivo, da decepção,
quando aproveita a reencarnação malograda para sua purificação,
à obsessão, e dadas as circunstâncias, é
mais provável que reajam da segunda forma, sintonizando-se às
vezes com verdadeiras falanges de Espíritos obsessores:
"(...) ódio aos que se recusaram em recebê-los
no novo berço, e quando não lhes infernizam a existência
terrena, em longos processos obsessivos, aguardam sequiosos de vingança,
que façam o transpasse, para então tirarem a forra, castigando-os
sem dó nem piedade." (14)
Conseqüências físicas
Conseqüências físicas imediatas:
consideraremos aqui as de ocorrência médica, que acontecem
nessa encarnação.
Estima-se que a morte da gestante ocorra em 20% dos
casos de abortamento provocado na clandestinidade e além disso
descrevem-se; perfurações do útero com cureta,
sondas, velas, etc.; anemia aguda, decorrente de hemorragias provocadas
por estas últimas, por abortamento incompleto (restos ovulares)
e demais traumatismos da vagina, do útero e das trompas; infeções
inclusive tétano, abcessos, septicemias, gangrenas gasosas; esterilidade
secundária; lesões intestinais; complicações
hepáticas e renais pelo uso de substâncias tóxicas.(2)
Assim, o aborto quando não determina a morte,
pode imprimir marcas indeléveis no corpo físico e, como
vimos, também no corpo perispiritual.
Conseqüências psicológicas
Não se pode fugir da nossa consciência,
nem pretextar ignorância das Leis Morais pois elas estão
ai impressas (9), e quando se pratica este tipo de crime, desperta-se
o sentimento de culpa, o arrependimento e às vezes o remorso,
a nos perseguir por toda vida física e extra-física. O
arrependimento é a ante-sala da reabilitação, e
quando dinâmico, canalizado para ações construtivas,
pode levar, via reforma íntima e trabalho regenerador, e não
raro espelhado na adoção, a minimização
de nossas faltas. O remorso é a lamentação interior
inoperante, comple-tamente estático, que como um ácido
corroe o recipiente onde é guardado, provocando a viciação
mental, a mente em desarmonia, que é porta aberta aos processos
obsessivos. ( 5)
Conseqüências legais
Não nos estenderemos sobre o tema, lembrando
que "nem tudo que é legal é moral e nem tudo que
é moral é legalizado." (16)
O aborto é um crime, e se não é
admissível que morram mulheres jovens, menos admissível
ainda é que se assassinem covardemente os mais jovens ainda e
mais indefesos, praticando- o. O assunto é tratado nos artigos
124 à 128 do Código Penal determinando penas que vão
de 1 à 10 anos.
Conclusão
" O primeiro dos direitos naturais do homem é
o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o
seu primeiro direito: a vida." (17)
O aborto é um crime nefando, porque praticado
contra um inocente indefeso; o produto da concepção está
vivo, e tem o direito DIVINO de continuar vivendo e de nascer. Transgride-se
assim o V º Mandamento, "Não Matarás".
Errar é humano; assumir o erro, é divino.
O Espiritismo não aceita, nem pactua com a
legalização do aborto, porque legaliza-lo é legalizar
o crime e a irresponsabilidade . O "aborto seguro" com que
acenam, se dizendo defensores da vida da mulher, mesmo se verdadeira,
não passa de uma proposta para o crime, em que saem em desvantagem
as vítimas, os inocentes e indefesos conceptos e aparentemente
premiada a irresponsabilidade, excetuando-se desta os ca-sos de estupro,
no qual também não justificamos o delito, pois mesmo aí
existe um compromisso cármico a ser cumprido.
" Lembrai-vos que a cada pai e a cada mãe,
perguntará Deus: (15)
- Que fizeste do filho confiado à vossa guarda
?".
E quem praticou o aborto responderá:
"- Eu matei meu próprio filho..."
Quem assim dirá, embora reconhecendo a grave
falta em que incorreu, não deve cultuar o remorso ou consumir-se
no sentimento corroente da culpa, que levariam a estagnação,
mas dinamizar-se e orientar sua energia no trabalho regenerador, agora
sim, na defesa da vida, praticando a caridade, dedicando-se ao próximo
e servindo com amor, que alcançariam sua plenitude na dádiva
espelhada da adoção, na certeza de que com esses procedimentos,
encontrará a justiça indulgente e a misericórdia
do Criador.
" Não é na culpa corrosiva nem
no remorso paralisante, mas sim no arrependimento dinâmico que
nos remete à ação e ao amor, afastando-nos do vale
da dor e do sofrimento, que encontraremos o caminho da libertação."
(7)
Bibliografia
(1) FURLAN, Laércio. Respeito ao embrião
e ao feto_ Diga não ao Aborto. "Mundo Espírita".
Jan. 98, pg 2
(2) REZENDE, Jorge. Ed. Guanabara-Koogan, 1963, pg
667.
(3) XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito
André Luiz. Missionários da Luz .FEB 28ª edição;
pg 187 `a 189 e 208.
(4) KÜHL, Eurípides. Genética e
Espiritismo, FEB 1 ª edição, 1996; pg 40.
(5) MIRANDA, Hermínio P. Nossos filhos são
Espíritos, Publ. Lachâtre, 1995. pg. 47.
(6) SOARES, José Luis. Biologia. Ed. Scipione,
1997. Pg 195.
(7) GANDRES, Doris Madeira. Tesouro maior, Revista
Internacional do Espiritismo, Jan. 1999, pg 219.
(8) DENIS, Léon, O Problema do Ser, do Destino
e da Dor, Ed. FEB, 1936, 4ª ed., pg 193.
(9) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, ed.
FEB, 1987: perg.199, 344 358 e 359.
(10) ROCHA, Alberto de Souza. Além da matéria
densa. Ed. Correio Fraterno, 1997, pg. 153. Reencarnação
em foco. Casa Ed. "O Clarim", 1991, pg.104.
(11) LIMA, Inaldo Lacerda de. Reformador, jun. 1987,
pg. 169.
(12) SANTA MARIA, José Serpa. Palavras de viver.
Reformador, Jun 1992, pg.168.
(13) CALLIGARIS, Rodolfo. As Leis Morais . Ed. FEB,
1991, pg. 77.
(14) MOTA JR., Eliseu Florentino. Aborto sob a luz
do Espiritismo. Casa Ed. "O Clarim", 1995, pg. 121.
(15) KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Ed. FEB, 1987, 6ª ed., pg 240.
(16) CARVALHO, Alamar Regis. O Aborto e suas conseqüências,
SEDA-Salvador, Bahía: 31/07/99)
(17) KARDEC Allan, Revista Espírita. Aborto;
direito ou crime?; extraído do site http;//www.cvdee.org.br.,
em 24/11/99.
(18) MOREIRA, Fernando Augusto. Reencarnação
e Genética, Revista Internacional de Espiritismo, março
2000, pg. 56.
Revista Internacional de Espiritismo, Março
de 2000