Vitória\ES
|
ALMA
ESCRAVA Por que me arrasto como um triste duende, Em miserabilíssimos despojos?” Era o ser encarnado que falava, Amarguradas queixas da alma escrava, No mais horrendo dos martirológios.
Como pude descer nos labirintos, Onde os lobos vorazes dos instintos Nos consomem nos dentes esfaimados; E por que idealizando puros gozos, Busco na carne abismo tenebrosos, Abominado todos os pecados?“
“Sou no mundo um fantasma solitário, Só porque, um dia, um espermatozoário Uniu-se, ansioso, ao óvulo fecundo. E emergindo as ânsias e dos partos, Suguei, unindo a boca a uns seios fartos, Substâncias misérrimas do mundo...”
“Desde esse dia tormentosos e aflito De intensa dor, envergo o sambenito De matérias iguais aos polipeiros, Entre as disposições hereditárias, Chorando as mesmas dores milenárias Dos que gemeram nesses cativeiros!”
Nada, contudo, lhe respondeu, de perto... A alma, porém, sozinha, no deserto, Viu sobre o mundo um monte de destroços; Sentiu, no além, a vida verdadeira, Mas contemplando, pela Terra inteira, A carne infame, chocalhando os ossos!... LIRA IMORTAL -Francisco Cândido Xavier |