Vitória\ES
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O VÔO DE UMA ALMA DOMÉRIO DE OLIVEIRA Yvonne do Amaral Pereira, minha velha e saudosa amiga, com a qual mantive longa correspondência, Médium Notabilíssima. Além de possuir diversas faculdades mediúnicas, uma delas a psicografia, também tinha a capacidade de projetar-se espiritualmente, para além dos limites do seu corpo somático. A bondosa irmã Yvonne, hoje no Mundo Maior, deixou-nos uma vasta obra psicografada. Em um de seus livros, Nas Telas do Infinito, encontramos subsídios valiosos, para que melhor possamos avaliar o mecanismo da nossa passagem desta existência física para a existência espiritual. Esse seu livro magnífico, divide-se em duas partes, a saber: a primeira parte reporta-se a uma novela ditada pelo dr. Bezerra de Menezes, “Uma História Triste”, e a segunda reporta-se a uma outra novela: “O tesouro do Castelo”, narrada pelo Espírito Camilo Castelo Branco. As novelas apresentam aspectos filosóficos da nossa Doutrina e se fundamentam nas leis naturais que comandam a evolução normal das criaturas. Lendo esse livro magnífico, Nas Telas do Infinito, sentimos que as balizas da Doutrina plantadas por Kardec, por certo, foram devidamente respeitadas e como archotes iluminaram os pensamentos destes dois nobres Espíritos. No primeiro capítulo da segunda parte, nossa querida irmã Ivonne, com toda a clareza que lhe é peculiar, presta o seu valioso e insuspeito depoimento, de como o Espírito, em estado normal, pode deixar o casulo da matéria. O desprendimento não é tão simples como imaginamos. Pra que tenhamos bom desprendimento, mais ou menos normal, temos que possuir uma boa formação moral. Temos, também, que contar com a boa assistência dos nossos amigos e parentes que nos antecederam na viagem de regresso ao continente de origem. Pedimos vênia aos nossos amigos leitores para relatarmos esse fenômeno tão importante, com as próprias palavras da irmã Yvonne: “De súbito, insólita comoção, que impôs Pesplexidade singular às minhas percepções mediúnicas, avisa-me de que veneráveis amigos do plano invisível vêm buscar-me para glorioso giro pelo Espaço, acalentado por seus desvelos e proteção. Pressinto mesmo, adejando pelo meu pequeno e pobre quarto de dormir, por entre vibrações dulcíssimas, que enternecem minha alma, o vulto delicado de um Amigo do Além, envolvido em ondas de sugestiva fragância... Em curto espaço de tempo, o corpo se me enrijece... Cerram-se-me-os dentes... Gelidez impressionate, incomodativa, provocando dormência e até dores musculares, lentamente se insinua e me domina a organização carnal, acovardada contraio-me, porque tenho a vaga sensação de que a própria morte que sobre meu ser físico estende as roupagens do eterno silêncio.Oh! Deve ser muito semelhante a esse o crítico momento o expirar. Noite plena...Inconsciência...Vácuo...Esquecimento...Aniquilamento...Resolve-se agora, o meu Espírito, quase libélula presa no casulo, para deixar o corpo. Luta penosa e exaustiva. Correntes outras, não menos vigorosas, dele me arrancam em solavancos violentos. Isso me tortura, depedaça-me o cérebro, abala-me o coração, deixa-me confusa, atordoada... E sofro dolorosamente...Ainda um pouco... E, já agora, sinto-me livre, respiro! Desabafo! Movimento-me com leveza. Lucidez extraordinária aclara-me a mente, sem que advenha qualquer resquício de surpresa. Apenas enorme senação de felicidade e alegria...Tenho a singular oportunidade de contemplar meu corpo enrijecido e pálido. Curvo à beira do leito, volto a examinar meu próprio corpo que insiste em me atrair. Dúvida aflitiva advém: terei desencarnado? Interrogo-me. Tenho depois a veleidade de achar-me encantadora, contemplando a tessitura do meu corpo espiritual. Monólogo: É meu Perispírito! Como é lindo!”... ...................................................................................................... “De repente, sem que me apercebesse da transição, vejo-me fora do aposento, suspensa no espaço, e, acima de minha cabeça, o firmamento estrelado, levemente azul... “Não obstante, vejo com freqüência o aposento em que ficou meu fardo carnal. Há um traço de luz, como faixa, que se desprende do meu Ser Espiritual e se projeta sobre o corpo, transmitindo ao cérebro as impressões que me vão sendo oferecidas”. (Apud. Nas Telas do Infinito obra mediúnica, 1ª edição, FEB, fls.62 - usque - 65). Transcrevemos, apenas, fragmentos da valiosa assertiva da irmã Yvonne. Neste ângulo, evidencia-se sua notável projeção espiritual. A experiência por ela vivida, por certo, vale como processo de uma autêntica desencarnação. As informações que colhemos neste seu livro e, em especial, no primeiro capítulo da segunda parte, valem como aviso prévio para todos nós. O nosso decesso não é tão simples, como supomos. Temos que nos preparar e muito. Se ela, Yvonne A. Pereira, criatura suficientemente evangelizada, médium de grande gabarito, Espírito já amadurecido, teve uma luta “penosa e exaustiva”para se desvincular do corposomático, com toda aquela assistência espiritual, o que não acontecerá a nós, pobres Espíritos, ainda imantadosnas mazelas das imperfeições...Por isso mesmo, cientes e conscientes das palavras da Irmã Yvonne, temos logo, que nos preparar para a morte é aquela passagem obrigatória, irresistível para todos. E, para que possamos fazer a nossa “passagem”com dignidade e educação, temos que nos aprimorar espiritualmente, praticando o bem e evitando o mal.Para suavizarmos o fardo da morte, temos que moldar os nossos atos segundo os modelos de Amor e bondade do nosso Mestre Jesus. Temos que agasalhar o precioso ensinamento do eminente Lacordaire: “Sobretudo, sede bons, a bondade mais que tudo conquista os homens”. O melhor título que podemos apresentar é o diploma da bondade e do amor. Com este diploma nas mãos seremos aprovados e amparados pelos bondosos Espíritos Superiores. Fonte: O Semeador Maio 1999 |