Vitória\ES

 

AOS CARAS AMIGOS

Augusto Cezar Filho

Caras, vocês mandam o sarrafo pra cima de nós e saem da linha grossa, perguntando porque ficamos supernoticiosos depois de largar o pijama de madeira.

Ninguém precisa pensar que estamos grilando a cuca dos outros.

O negócio é que ninguém fica de pés juntos.

Enquanto na Terra, todos damos um chega-pra-lá na zebra que nos põe na horizontal e quase todos chegamos aquí num crepe danado, engrupidos e tantãs.

Se vocês desaparecessem mesmo nos carangos e magrelas em que costumam estraçalhar a lata, era o caso de fecharmos o bico, mas vocês escapolem daí, papeando grosso e pitam por aquí numa bananosa de lascar o cano.

Vocês se cuidem.

Azarão dá em qualquer lugar.

Não estamos dando malhação.

Acontece que todos os que dão a cara por aquí, entrados na pua, dão muito trabalho e não podem dar nos cascos.

Alguém dirá que Deus ajuda.

E ajuda mesmo. Mas procurem ver um campo que o homem deixa às moscas. Quanto o empresário da terra larga Deus sozinho, mato e bicharia dão às pancas.

Assim somos nós.

Deus nos concede carangos e motocas, mas se deixarmos Deus sozinho dentro delas, o resultado é espinafração, catimbo, sururu e desencarnação.

E depois disso ninguém pense que vai encontrar maré mansa.

A morte é uma solenidade marcada para tempo próprio, mas se o dono das rodas aumenta o sebo da gasolina para a velocidade dos campeões, os problemas que aparecem não estão no gibi.

Não vão achar finórios ou quimbas, nem gruja ou livramento.

Cada um tem de mandar a sua brasa ou mostrar o piá que pode.

Quem pinta por aquí, não parte pra galega. Não adianta ficar bronqueando ou por conta da vida.

Andem no caprichado.

Meus cupinchas, se vocês tiverem que abotoar o paletó, que estejam no caminho certo.

Nada de milonga ou moleza, porque quem quiser melhoradas, onde estamos, tem muito apito pra ouvir e pedreiras pra cachorro.

Quem puder escutar ou quem quiser emprestar os ouvidos pra nós, tomem conhecimento disso.

Descanso é pra lesmas e assim mesmo só até que o trator não apareça.

Pensem nisso.

Não estamos botando banca de profetas.

Vivam sem pensar, em excesso na morte, mas saibam conduzir a vida nas trilhas retas, conforme o figurino.

Não acreditem nessa história de sono eterno, coisa que nem as lagartas no casulo conseguem achar, porque, quando menos esperam, são postas pra jambrar na condição de borboletas.

Creio que falei e se não tiver falado como eu queria, aquí fica o fim de papo.

Psic. Chico Xavier - Lv. Falou e Disse


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