Vitória\ES

 

Conselho de Amor

COLEGIADOS, o mundo sempre os conheceu; voltados, quase sempre, para os interesses políticos e econômicos, quando não apenas para atender a propósitos inconfessáveis de indébita dominação. Assim os acordos, as alianças, os triunviratos, as conferências, as organizações, as juntas governativas e os mais diversos tipos de coligações.

Ainda hoje prosperam livremente as oligarquias, as plutocracias, as empresas multinacionais, os holdings e os cartéis, os eixos e os ajustes mais variados.

Nunca deixaram de formar-se, no orbe, os entendimentos e os desentendimentos resultantes das coalizões, realizadas comumente para solucionar conflitos iminentes e obter vantagens imediatas.

Nessa experiência multifária e incessante, em que os seres humanos terrestres exercitam as primeiras tentativas de entendimento verdadeiro, a nível de fraternidade real, os esquemas obedecem, via de regra, muito mais ao oportunismo de Maquiavel, do que ao idealismo de Montesquieu, porque os homens da Terra ainda crêem muito mais nas rapinas da inteligência astuta e inescrupulosa, do que na lealdade dos corações abertos ao amor.

Por tempos, talvez longos, semelhantes acertos e desacertos inquietarão e decepcionarão os terrícolas, até que o, Evangelho do Mestre se torne o grande estatuto das relações entre os Espíritos encarnados neste orbe.

Nem por isso, todavia, deixam de surgir e de e afirmar-se , no planeta, exemplos gloriosos e honestos de confraternização superior, de sinceros e lúcidos colegiados de almas interessadas somente em amar, aprender e servir, com dedicação e com grandeza.

Escrevemos estas palavras para saudar, daqui, na abertura deste novo ano, os seis fecundos lustros de existência e de funcionamento do Conselho Federativo Nacional, da Federação Espírita Brasileira, que é expressão de fraterna coligação de companheiros de realização cristã, unicamente interessados na construção impessoal de uma era nova de paz e de amizade.

Que o Pai Celeste abençoe e inspire sempre a quantos nele trabalham, com desprendimento e com pureza de intenções, a fim de que se preserve e prospere esse Conselho de Amor.

REFORMADOR, JANEIRO, 1980
Transcrição de Mônica V. T. Trajano

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