Vitória\ES

 

O TEMPLO DO AMOR

ELMIRA RIBEIRO LIMA

Ao Leopoldo Cirne

O ferro morde o chão, voraz, deixando o indicio.

Rasga do sólo a flôr em sulcos alinhados...

De pedra, areia e cal, em blocos combinados,

Levanta-se do pó o corpo do edificio!

Abrem-se para o azul os batentes rasgados

Das janellas... e o sol, dourando o frontespicio,

Enche a casa de luz... e a luz é o beneficio

Que ella tambem concede aos pobres desherdados!

Bendita obra de paz, ella no seio abriga

O rico, o pobre, o crente e aquelle que não siga

A fé robusta e sã... mas que lhe pede amor

Santelmo ás gerações que brotam no futuro,

Arco-iris diamantino — é como um palinuro

Fulgindo pelo céo aos naufragos da dor!

Belém, de janeiro de 1911.

Reformador, 15 de Março, 1911
Responsável pela transcrição: Wadi Ibahim

Mantida a ortografia original.

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