Vitória\ES

 

Assistência Fraternal
J. Alexandre

Hoje, aceitamos a urgência da assistência fraterna.

Temos por certo, após os chamamentos constantes da Doutrina Espírita, que encontraremos a presença de Jesus no companheiro em dificuldades, na família em sofrimento, no desnudo que roga por um abrigo, na gestante que perece à míngua de todo socorro.

Queremos ajudar.

Nossos olhos, porém, demoram-se nos portais das grandes instituições de benemerência. Um sentimento de frustração nos possui, porque nos reconhecemos desprovidos dos grandes recursos para as grandes obras.

Essas obras também são necessárias.

A Doutrina, contudo, é cristalina.

Se uma sala apropriada ajuda a organização, nada substituirá, jamais, o calor humano que deveremos transmitir aos que choram e sofrem.

Se uma equipe de boa vontade atende a uma faixa apreciável de desprotegidos, em época alguma estará em situação de dispensar a apagada e modesta presença de um companheiro que tenha preces na alma e mãos no trabalho.

Se uma diretoria assegura ordem e disciplina, em tempo algum se anulará o gesto de amizade, as lágrimas discretas de piedade, a pronta assistência de uma simples alma empenhada em amparar outra alma em desesperação.

Não nos condicionemos às edificações de alvenaria.

Caridade é amor que se corporifica.

O amor, em si, tem por sede a alma.

E sempre é tempo de amar.

Não conseguiremos, evidentemente, solucionar todos os problemas do mundo. Mas estaremos acendendo a luz da esperança no âmago de quem sofre e que, talvez, já esteja sufocado pelo buril da solidão.

Sejamos fraternos aqui e agora.

Jesus, a exemplo, não deixou na esteira de seus passos nenhum sinal material de sua presença entre nós. Levantou, contudo, o sol de um novo dia para toda a Humanidade.

Operou com amor e por amor.

Sigamo-lo.

Brasil Espírita - Fevereiro de 1972

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