Vitória\ES
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Oração e contradição
Companheiros inúmeros reconhecem o valor da oração, contudo, apenas se utilizam dela nas mínimas sobras de horário e, ainda assim, repetindo fórmulas de roldão, enfileirando palavras aceleradamente, qual se a prece para eles deva ser como a peça musical vezes e vezes repetida num realejo movido à pressa. Afastemo-nos das contradições. Num dia comum, gastam-se horas, dedicadas à higiene, trato e alimento do corpo e aplica-se, não raro, um minuto, quando se julga possível, ao sustento da alma. Em qual deles a vida imperecível: no corpo ou no espírito? Fora com a ilusão das aparências. Só por não termos um interlocutor visível à frente, não nos sintamos sós, nem distantes. Nossa voz ecoa sempre. Nossas perguntas e petições jamais subsistem sem resposta. Não tateamos o pensamento, isso será razão para afirmar que ele não existe? Fujamos à negligência. Se hoje, para efeito de tratamento, apresentação ou identificação, se estuda, pessoa a pessoa, com paciente meticulosidade, a cor dos olhos, os mais leves sinais físicos e até as simples voltas dos cabelos, nos penteados, porque no concernente à iluminação da própria vida, que constitui o objetivo da prece, se apelará para os recursos de última hora, atabalhoadamente, sem preparação e acalmia no mundo íntimo? Pela oração podemos louvar a Deus. Se o funcionário se propõe a enaltecer o seu superior eventual, ele se apresta devidamente, seleciona as palavras que pronunciará, obedece a regra de encontro marcado, e comparece geralmente antes do tempo previsto para a homenagem, porque exaltar a Deus, que é amor perene, sem prévia disposição ao respeito? Pela oração podemos agradecer a Deus. Se o aluno deseja mostrar gratidão ao seu professor de algum tempo, ele abrilhanta frases, escolhe o local e enfatiza a oportunidade, porque adotar reconhecimento superficial perante Deus, doador da nossa imortalidade, sem a menor preocupação de auto-análise? Pela oração podemos pedir a Deus. Se o filho intenciona solicitar algo a seu pai, assim conhecido numa ligeira existência de oitenta a cem anos, na Terra, ele examina a rogativa, pondera as possibilidades e pesquisa as causas e os efeitos de sua iniciativa, como endereçar requerimentos a Deus, Pai e Criador de nossa existência eterna, sem consideração e discernimento? Inquiramos de nós, sentindo e pensando, sopesando imparcialmente as questões alusivas ao certo e ao errado. Se aceitamos os bens do espírito, porque empregar esforço e técnica somente naquilo que rende fugazes proventos materiais ou sociais? Se acatamos a realidade do outro mundo, porque negligenciar no que tange à vida espiritual que perdura sempre? Indaguemos de nós quanto ao assunto e estudemos a qualidade de nossas respostas.
ANDRÉ LUIZ (Página recebida pelo médium Waldo Vieira, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 26-4-65, em Uberaba, Minas.)
Fonte: Reformador – novembro, 1965 Responsável pela transcrição: Wadi Ibrahim |