Vitória\ES
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APRENDER, REABILITANDO-SE
MARTINS PERALVA
O estudioso de Espiritismo fala ou escreve que não há duas vidas para a Alma humana, mas, sim, uma só — a Vida do Espírito, ora na carne, ora na erraticidade. Que isso é verdade doutrinária, geralmente aceita e difundida, não há. dúvida. A Vida Consciencial é uma só, que se divide, no entanto, em duas fases ou etapas: a espiritual e a corporal. A Vida Espiritual é um prolongamento, natural, da corporal, quanto a Vida Corporal o é, obviamente, da espiritual, possibilitando-nos a repetição, necessária, de experiências, a coordenação das conquistas morais e intelectuais que formarão nosso acervo redentor. Nossas idéias, todavia, é que variam segundo o plano onde estagiamos. Terra, como consciências reencarnadas, deixamo-nos embalar “pelo mais fácil”, escolhendo, via de regra, o caminho menos doloroso, mas que nos assegure breve chegada. Na Vida Espiritual, as idéias se alargam, se modificam, porque o campo de observação é maior. As Escolas, no plano subjetivo, dispõem de recursos mais poderosos, dando ao Espírito que lá aporta, ao desvencilhar-se dos liames físicos, mais amplas perspectivas, noção mais objetiva dos problemas do ser, do seu destino, da sua felicidade. Se nos for é concedido escolher, na Terra, os meios para atingir determinado fim, escolheremos, geralmente, os menos dolorosos. Optaremos por aqueles que nos derem menos trabalho. Daremos preferência àqueles que menos nos apoquentarem a cabeça. No Mundo Espiritual, para a consciência que alargou seus horizontes perceptivos, os caminhos normalmente desejados, para a futura reencarnação, serão os que oferecerem mais vantagens no sentido da reabilitação, do aprendizado. Mesmo que haja pedras e espinhos na estrada... Enquanto nossa Alma não sentir, como realidade palpitante, o anseio de efetiva perfeição, continuaremos escolhendo, no mundo, os caminhos menos trabalhosos. Quando reencarnados, o objetivo é “chegar depressa”, mesmo sem nada aprender, para desfrutar privilégios e regalias. Quando desencarnados, esclarecidos, o objetivo é “aprender, reabilitando-se”, mesmo que se retarde a chegada. Allan Kardec, o insigne missionário da Codificação Espírita, meditando, sem dúvida, sobre este assunto, formulou a pergunta 266, de “O Livro dos Espíritos”: Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas? E as Entidades Benevolentes, sabendo que tem sido assim a conduta dos encarnados, no curso dos tempos, responderam, sábia e bondosamente: Pode parecer-vos a vós; ao Espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar. O objetivo maior, de quem alarga as fronteiras do entendimento, deve ser, na verdade, escolher as provas que possibilitem “aprender, reabilitando-se”.
Fonte: Reformador – novembro, 1965 Responsável pela transcrição: Wadi Ibrahim |