VARIAÇÕES SOBRE
A CARIDADE
Caridade que anuncia os próprios méritos é
serviço ameaçado pela vaidade.
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Caridade que auxilia para furtar-se às obrigações
do trabalho é inclinação à preguiça.
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Caridade que se expressa para dominar o pensamento e a conduta dos
outros é tirania de espírito.
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Caridade que ampara com o objetivo de mostrar-se superior é
fruto isolado em espinheiro do orgulho.
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Caridade que pede remuneração é fonte poluída
pelo fel da exigência.
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Caridade que dá para receber é bondade com propósitos
subalternos.
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Caridade limitada aos familiares e amigos é tisnada de paixão.
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Caridade que socorre e não perdoa é uma porta de ouro
para a introdução à crueldade.
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Caridade com repetidas lamentações é caminho
para o desânimo.
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Caridade que beneficia desesperando é inquietação
e impaciência.
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A caridade legítima jamais aparece concorrendo aos tributos
da gratidão, nunca reclama, não se ensoberbece, não
persegue, não se lastima, não odeia e nunca desencoraja
a ninguém.
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Se desejamos caminhar em companhia da divina virtude, cultivemo-la,
em silêncio, no coração, à maneira do Herói
do Amor Infinito que, para revelar-nos a caridade pura, entregou-se,
confiante, à Vontade de Deus, pela morte na cruz.
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(De “Indulgência”, de Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito Emmanuel