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As Semelhanças que Deus fez entre o Homem,os Bichos e as Plantas!

Jorge Rizzini

- E as plantas, mamãe?
-Que plantas?
-Elas também têm semelhanças com os animais?
Dona Rosa olhou Paulinho e respondeu:

As plantas também têm algumas semelhanças com o homem e com os bichos. Aliás, tudo o que tem vida se assemelha um com o outro. Vejamos as semelhanças que as plantas têm com os animais.

A primeira semelhança é esta: as plantas “bebem” água, nós também bebemos.

_ Que coisa interessante! Apertou Lili, espantada.

-Verdade, sim, continuou Dona Rosa. Em muitos aspectos as plantas se assemelham ao homem, Não foi a toa que um velho filósofo, não me lembro quem, certa vez disse que as plantas eram “animais com raízes”. Outra semelhança é esta: os animais e o homem suam, de seus poros saem gotinhas de água; pois as plantas também têm seu suorzinho! Vocês repararam?

- Eu já reparei, sim! Exclamou Loló. Muitas vezes eu percebi aquela samambaia do quintal suar! Prossiga, mamãe, estou gostando bastante da aula!

- Vejamos outras semelhanças. Dentro das veias dos animais e do homem circula o sangue; pois dentro das plantas circula a seiva, que outra coisa não é senão o sangue vegetal! As plantas também têm filhos (cada semente é um filhinho), pois nós, homens e animais, também temos filhos! As plantas, como todos nós, ficam velhas e morrem: e qual o animal que não fica velho e morre?

- Tudo isso é notável, mamãe! Disse o Zéca admirado.

Eu acho que aquele velho filósofo tinha razão: as plantas parecem mesmo “animais com raízes”. Francamente, se elas não tivessem raízes, que as prendem ao chão, talvez andassem de um lado para o outro, como os animais...

- O mais notável vocês vão ouvir agora, continuou Dona Rosa, tirando os óculos.

Saibam vocês que as plantas têm instinto! Inteligência elas não possuem, mas algumas têm instinto muito desenvolvido. Vocês nunca ouviram falar de uma planta chamada “Sensitiva”?

-Eu conheço a “Sensitiva”, disse Paulinho. É só alguém pôr o dedo nela, que ela dobra na mesma hora as folhas.

- Muito bem, meu filho.

É verdade. É o instinto de defesa! Ela se defende, fechando as folhas. Outra prova de que as plantas, também, têm instinto de conservação, isto é, tudo fazem para não morrer, está no seguinte fato: coloquem uma planta, já “grandinha”, no nosso quintal. Depois que ela estiver bem forte, bem resistente, não a reguem mais.

- Ela morre, mamãe! Exclamou Paulinho. Sem água ela morre.

- Esperem! Ao invés de jogar água na planta, joguem um pouco de água, todos os dias numa outra direção. Não muito longe da planta, é claro. Sabem então o que acontecerá? As raízes da planta, se estiverem se desenvolvendo para frente, darão a volta e virão para trás, onde vocês jogaram a água!

-É espantoso, mamãe! Exclamou Loló, olhando Dona Rosa.

- É espantoso, mas é a verdade! Os botânicos, que são homens que estudam as plantas, provam isso! Aliás, essa experiência qualquer um pode fazer. O primeiro botânico a fazer, parece que foi Charles Bonnet. Essa experiência prova que as plantas, como os animais e o homem, lutam por não morrer.

Chama-se a isso “instinto de conservação”. A semelhanças entre as plantas e os animais são inúmeras. Querem ver agora outro fato impressionante?

- Queremos! Disseram todos, espantados com o que Dona Rosa ensinava.

- No mês passado nós falávamos que a alma dos animais, um dia, será alma humana, não foi? Pois saibam, também, que há plantas, que são “mais animais” do que plantas! Sim, meus filhos!

Existem plantas que são “quase” animais!.

-Como é possível isso, mamãe? Quis saber Loló, franzindo a testa.

- Plantas que se alimentam de insetos?!

- Sim, Lili. Essas plantas chegam até a ter malícia, como qualquer animal. Elas caçam o inseto! Preparam uma armadilha e o inseto, bobinho, acaba prisioneiro. Existe uma planta, originária da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, chamada “Dionéia” é uma armadilha. O inseto, despreocupado, se pousar nela acabará morto. A folha irá se fechando, muito mais rápida do que a “Sensitiva”, e com uma força impressionante. O inseto tentará fugir, mas os espinhos não deixarão. A folha só se reabrirá uma ou duas semanas depois, quando a digestão tiver sido feita! E o interessante é que, se cair uma gotinha de água na folha, a “Dionéia” não se mexerá: só se for inseto! Outro fato curioso: se ela estiver bem alimentada, quantos insetos quiser poderão pousar em suas folhas, que nada, lhes acontecerá . A Dionéia só caça o mosquito quando está com fome... Darwin, que foi um dos maiores estudiosos das plantas , observou inúmeras vezes a caçada das dionéias. Outra planta caçadora é a “Rossoli” também chamada “o orvalho do Sol” por ser lindíssima.Se o inseto pousar nessa planta, não mais poderá erguer vôo: suas patinhas ficarão presas num líquido viscoso; e então os filamentos da planta dobram-se como se fossem tentáculos ou braços e prendem fortemente o inseto. Como essas, outras plantas existem . Certas plantas aquáticas, por exemplo, alimentam-se não só de insetos como também de pequeninos animais que vivem debaixo da água.

- Notável , notável! Que coisa espantosa, mamãe! Disse Paulinho, enquanto o Zéca, Lili e Loló pensavam: “A natureza, criada por Deus, nosso Pai, é maravilhosa!”

Dona Rosa fez uma pausa e em seguida disse:

- Vocês acabaram de ver as semelhanças existentes entre as plantas e os animais.

Compreenderam, agora, certas maravilhas da natureza, criadas por Deus. Ora as plantas têm parentesco com os animais; os animais têm parentesco com o homem. Isto quer dizer, meus filhos, que o homem veio dos animais, e os animais vieram das plantas. A natureza prova esta verdade! Tudo, na vida, evolui, progride sem cessar. Assim, o princípio espiritual, que existe nas plantas, um dia, progredirá e se tornará espírito: então, esse novo espírito irá habilitar o corpo de um animal para habitar o corpo de um homem! Chama-se a isto “ evolução do espírito”.

É uma lei da vida. Tudo marcha para a frente, em direção a Deus! Allan Kardec em um dos seus livros, escreveu: “ Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário da Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, é blasfemar da sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas”.

- Tem razão, mamãe! Deus não poderia criar as plantas e os animais apenas para embelezar a natureza!

O espírito dos animais, um dia será espírito de homem: e então poderá compreender o quanto Deus é maravilhoso! Exclamou Loló, sacudindo a cabeça.

-E agora, antes de terminar a aula de hoje, eu quero pedir a todos vocês que não maltratem os animais e nem mesmo as plantas. A Lili, por exemplo, toda a vez que passa pelo canteiro arranca numa folhinha da roseira. Isso não está certo... disse Dona Rosa.

- Eu não faço mais isso, minha filha. As plantas, como vocês já sabem, têm vida: respiram, tomam água, alimentam-se, etc. Têm, até, instinto! Toda vez que você arranca uma folhinha verde, a roseira sente. Isto é uma coisa lógica. Se a coitadinha tem vida!

Paulinho, muito sério, perguntou:

- Se a roseira sente ( e ela sente mesmo!), por que o jardineiro de vez em quando vem aqui podá-la? Isso não está certo. Amanhã mesmo falarei com ele.

-Podar as plantas, meus filhos, está certo, sim. Tirar os galhos desnecessários, afim de que a roseira se desenvolva mais, dê mais rosas, e uma operação benéfica, muito útil.

- Mas se a roseira sente, mamãe! Insistiu Paulinho.

-Ora, meu filho. Então, se você tiver uma grande espinha no rosto, eu não hei de fazer tudo para que ela desapareça? Se for preciso, eu não mandarei um médico tirá-la com o bisturi? Mesmo que você sofra?

- Bem isso é verdade.

- A mesma coisa no que se refere à roseira. Se ela, sem os galhos desnecessárias à roseira, como faz a Lili, isso não está certo...

- Já sei, mamãe, respondeu a menina. Juro que nuca mais tirarei uma folhinha!

- Pois se você jura, eu dou por terminada a aula de hoje. Recreio, criançada!

E Dona Rosa levantou-se da poltrona, enquanto as crianças se abraçavam, contentes com a ação que tiveram.

Revista Kardequinho – Fevereiro de 1965

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