Vitória\ES

 

“Por Deus, Por Jesus, Por Maurício”
Brado e Lema da Cruzada dos Militares Espíritas Brasileiros
Expedito Alves de Souza

Fonte: Jornal "Cruzado" no 6893

Uma análise, por mais resumida da vida desse bravo soldado nos obriga a um rápido retrocesso histórico.

Faz dois mil anos, nascia em Belém da Judéia, o Espírito mais puro que Deus enviou à Terra para servir-nos de guia e modelo. Por essa mesma época, dada a sua imensurável expansão territorial, Roma, estabelece a primeira dinastia dos Césares. Nascia, portanto, o tão propalado Império Romano. E foi durante o mandato do seu primeiro Imperador, César Augusto, 27 a C. a 14 d C, que o Cristo de Deus, teve como berço uma manjedoura, porque não encontraram lugar para Ele nas hospedarias da cidade que O viu nascer.

Herodes, representante de César, lhe armou ciladas e provocações. Foi, mais tarde, traído, caluniado, preso e abandonado, para afinal ser condenado à morte humilhante. Sua doutrina de amor e paz foi ferozmente combatida. Seus discípulos foram perseguidos, proscritos, atormentados e mortos. Esse martirológio perdurou para mais de três séculos. A luz divina, porém, jamais poderia ser derrotada. O Cristianismo resistia à tudo. Fortalecia-se e espraiava-se com a rapidez de um raio. Depressa chegou à Roma, à toda a Ásia Menor, à Grécia, às Gálias e à África do Norte. Os textos evangélicos foram redigidos, e a missão de Paulo universalizou os ensinos doutrinários. Estávamos já no ano 54 d C., quando Roma, embriagada de ouro e de ódio, de intolerância e de orgulho, vem de assumir a infeliz posição de cruel perseguidora dos seguidores de Jesus. Sob Nero, os cristãos são oprimidos, torturados, atirados às feras e decapitados nas praças. Sob Vespaziano, seu sucessor, o templo de Jerusalém é destruído e construído em Roma o então famoso Coliseu Romano. A matança, continuou implacável. E foi somente no último quartel do terceiro século, que esse bravo soldado, capitão Maurício, nos deu o mais edificante exemplo de disciplina consciente e perfeita, serena e justa, sofrendo a punição imposta pela vontade desmedida do chefe terreno, e, ao mesmo tempo, obedecendo sem vacilações, com humildade e energia aos ditames da consciência e da razão, como muito bem retratou o Gen. Div. Prof. Augusto da Cunha Duque Estrada.

Concluamos com o episódio.

No ano 284, ascendia a direção do Império Romano, Diocleciano, soldado enérgico e hábil. Para amenizar os inúmeros e graves problemas que se apresentavam no vasto Império com sinais inequívocos de decadência, por ordem desse Imperador, e agindo como seu lugar-tenente, Maximiano Bôgo reúne um exército, do qual fazia parte alguns corpos vindos do Oriente, com a finalidade de debelar a revolta dos bagaúdos, povos germânicos descontentes com a política imperial. Um desses corpos orientais, era formado por soldados cristãos e se encontrava sob o comendo do capitão Maurício, tropa tradicionalmente conhecida como legião Tebana, por ser egressa da região de Tebaida, no alto Egito. Esse legião, acampou em Agauno, área central da Gália, nome esse que foi, mais tarde, mudado para França, pelo rei Cloves, no ano 496. Na época o efetivo da tropa desse bravo militar era de mil homens.

Concluindo, relatamos:

Foi ao alvorecer do dia 22 de setembro de ano 286, um legionário apressadamente entra na tenda do capitão Maurício e fala:

- Comandante, soldados do imperador Diocleciano aproximam-se do nosso acampamento. Já nos encontramos cercados.

Minutos depois, aparece o próprio Maximiniano, o qual interpela o capitão Maurício e intima-o a tomar parte nas cerimonias propiciatórias destinadas a abrandar a cólera dos deuses em favor das armas romanas e o interroga:

- Por que persiste em desobedecer o nosso Augusto imperador ?

- Porque sou cristão e meus soldados também.

Maurício e seus homens recusaram-se a abdicar de seus princípios e a trair a própria consciência. Maximiniano, contrariado, determinou uma primeira dizimação: o sacrifício de um soldado em cada grupo de dez. A ação cruel não surtiu o efeito intimidador. Determinada uma segunda dizimação, esta também fracassou em seus propósitos.

Enfurecido ante a resistência estóica, o representante de César determina o sacrifício dos sobreviventes e todos são decapitados. Escreve-se com sangue, nos campos de Agauno, uma das páginas mais impressionantes do martirológio cristão que a história registrou como tendo ocorrido a 22 de setembro de ano 286.

“Foi esse Maurício, patrono e guia, que a vontade de alto destinou à Cruzada dos Militares Espíritas, para ampará-la, estimulando-a e guiando-a na missão que lhe foi confiada na prática dos evangelhos de Jesus.

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