| Provas da Existência
de Deus
Edson Falcão
Coletânea de textos e artigos debatendo a existência de Deus
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Capítulo 1
DEUS EXISTE?
Introdução
Convenhamos que a pergunta "Deus existe?" esta mal formulada.
Equivale a perguntar: "a existência existe?" o que se
constitui um disparato contra-senso. Mas este desafio que a segunda lição
do curso decide enfrentar quando procura responder as seguintes perguntas
básicas: Por que algumas pessoas não crêem em Deus?
Que diz a bíblia sobre a existência de Deus? Quais as cinco
evidências racionais da existência de Deus? Deus é
uma força cósmica, ou um ser pessoal? Quais são os
seus atributos? Qual é a maneira correta de O adorarmos? Por que
é importante conhecê-lo?
Início
Conta-se que uma noite, a bordo do navio, os soldados de Napoleão
discutiam sobre a origem do nosso mundo, mas passavam por alto o criador.
Eram ruidosos e arrogantes em sua incredulidade. Passando por ali e ouvindo
por acaso a conversação, Napoleão apontou para as
estrelas, que resplandeciam contra o negro firmamento, e fez-lhes uma
pergunta simples: "cavalheiros, podem me dizer quem as fez?"
Eles emudeceram. A perplexidade que lhes acometeu bem ilustra o que disse
Abraham Lincoln: Posso compreender como seria possível um homem
olhar com ares de superioridade para a terra e ser um ateu, mas não
posso conceber como poderia levantar os olhos para o céu e dizer
que não há Deus".
A EXISTÊNCIA DE DEUS
No entanto, muitas pessoas honestas não conhecem a Deus. Acreditam
que ele seja produto das superstições e crenças antigas
de um povo primitivo; um Deus de ira e poder, capaz de destruir povos
inteiros através de dilúvios e pestilências, um mito.
Outras procuram ignorar a existência de Deus devido a má
representação de Deus que receberam por parte de religiões
pagãs e mesmo pseudo-cristãs. Decepcionaram-se com a incoerência
entre profissão de fé em Deus e a prática dos seguidores
desse Deus. Afinal de contas, o mínimo que se espera de um produto
é que corresponda à propaganda que dele se fez. Outras pessoas
acham que simplesmente podem riscar Deus de suas vidas. "Quem é
o Senhor, para que eu ouça a sua voz…? Não conheço
o Senhor,," dizia o insolente faraó do Egito. E desse brado
desafiador tem encontrado eco ao longo dos séculos, nos corações
de muitos seres humanos, de sorte que é considerável o número
dos que abertamente adotam o ateísmo, hoje em dia.(salmos 14:1;
Isaías 45:9-12; II Pedro 3:5).
A existência de Deus nas escrituras, entretanto é algo implícito,
uma verdade primária assumida, óbvia, fundamental. Tanto
é verdade que elas não apresentam argumentos para afirmá-la
ou comprová-la. Para os escritores bíblicos a existência
de Deus era realidade inquestionável, acima de toda contestação.
Este é o ponto de partida, tanto lógico como escriturístico,
de nosso estudo. Lógico porque o fato de Deus existir está
implícito em todos os outros ensinamentos da bíblia; escriturístico
porque disso nos persuade o 1º verso da bíblia: "No princípio
Deus.." Gênesis 1:1.
CINCO EVIDÊNCIAS DE QUE DEUS EXISTE
Podemos encontrar pelo menos cinco evidências racionais da existência
de Deus:
1. A CRIAÇÃO INANIMADA ATESTA A EXISTÊNCIA DE DEUS.(Salmos
19:1-2)
Crer que o universo surgiu por acaso faz tanto sentido quanto crer que
os livros se formam sozinhos pelas leis da soletração e
da gramática. Quando se vê uma bela casa logo se pensa em
quem construiu. Se alguém lhe dissesse que ela não foi construída
por ninguém, mas que simplesmente apareceu ali, acreditaria nisso?
É claro que não. Como disse certo escritor: "porque
toda casa é construída por alguém." É
uma afirmação óbvia. Todos concordam, então
por que não aceitar a conclusão lógica a que chegou
o mesmo escritor bíblico: "Mas que edificou todas as coisas
é Deus". Hebreus 3:4. Qualquer um que tenha bom senso terá
de, mais cedo ou mais tarde, admitir a necessidade da existência
de um criador. O princípio da causalidade mesmo certifica que todo
fenômeno tem uma causa. Esta é uma verdade incontestável,
a existência de uma causa primária! Albert Einstein, o maior
físico do século XX, admitiu: " Para mim basta…meditar
na maravilhosa estrutura do universo a nós vagamente perceptível,
e tentar compreender humildemente nem que seja uma infinitésima
parte da inteligência manifesta na natureza."
2. A CRIAÇÃO ANIMADA ATESTA A EXISTÊNCIA DE DEUS.(Romanos
1:20)
Embora exista uma enorme diversificação de seres vivos,
o padrão biológico é essencialmente o mesmo, apresentando
apenas diversos graus de simplicidade ou complexidade orgânica.
Esta é uma forte evidência de que todos os seres vivos procedem
de um mesmo projeto. Está hoje demonstrado cientificamente que
a vida só procede de uma vida preexistente. Todos os avanços
da nova ciência médica e cirúrgica no tratamento e
prevenção de doenças infecciosas baseiam-se nesta
grande e inegável lei da biogênese. Ao consultarem o que
poderia ser chamado de livro da criação divina, os cientistas
são forçados a reconhecer que uma vida maior deu origem
a todos os seres viventes. "Não há a mais leve evidência
de que a matéria possa surgir de matéria inanimada."
(Prof. Conn). Deus criou a vida, Ele é a fonte de vida. "Nele
nos movemos, vivemos e existimos." Atos 17:28. Cada respiração,
cada pulsar do coração é uma prova do cuidado de
Deus. É também dele que depende tudo, desde as mais rudimentares
formas de vida até as mais complexas. Não existe outra maneira
de explicar a presença de vida sobre a terra. A realidade inevitável
do poder e complexidade da criação macroscópica e
microscópica aponta, sem dúvida para Deus.
3. A CONSCIÊNCIA HUMANA ATESTA A EXISTÊNCIA DE DEUS.
Entre os povos mais avançados até os mais primitivos e degradados
da terra podemos encontrar neles consciência, isto é, a faculdade
de aprovar ou condenar ações numa base moral. Diz Paulo:
"Os gentios, que não tem lei, fazem por natureza as coisas
da lei, eles embora não tendo lei, para si mesmos são lei.
Pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando
juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os,
quer defendendo-os." Romanos 2:14,15. Naturalmente a consciência
das pessoas que se encontram longe de Deus, acha-se contaminada, obliterada,
cauterizada (I Timóteo 4:2; Tito 1:15), sendo-lhe necessário
ser purificada pelo sangue de Cristo (hebreus 9:14; 10:2-10,22). Por mais
insensibilizadas que sejam suas consciências, porém, todos
os homens possuem um senso comum do direito e do errado, não apenas
causa de ensinos morais que tenham recebido, mas porque, como declarou
Immanuel Kante, grande filósofo alemão, "há
dentro de nosso interior a lei moral". "Há entre os gentios,
almas que servem a Deus ignorantemente, a quem a luz nunca foi levada
por instrumentos humanos… Conquanto da lei escrita de Deus, ouviram
sua voz a falar-lhes por meio da natureza, e fizeram aquilo que a lei
requeria." A existência de uma lei implica a existência
de um legislador. Foi Deus quem idealizou uma norma de conduta para o
homem e a escreveu na mente humana.
4. O PLANO E A ORDEM DO UNIVERSO ATESTAM A EXISTÊNCIA DE DEUS.
Apenas de um criador inteligente poderia derivar-se o universo. Não
por acidente que os planetas, os sistemas solares e galáxias, giram
cada qual em sua órbita, harmonicamente e guardando entre si relação
perfeita; não é por acidente que 107 elementos químicos,
diferentes, se combinam, se ligam uns aos outros, nas mais variadas formas,
dando origem a todo tipo de matéria encontrada na natureza, não
é por acidente que na fotossíntese, as plantas clorofiladas
utilizam a luz solar, o dióxido de carbono, a água e os
minerais para liberar oxigênio e produzir alimentos, e poderíamos
ir mais além, demonstrando por meio sólidos e irrefutáveis
argumentos que a ordem natural nao foi inventada pela mente humana…
A existência da ordem pressupõe a existência de uma
inteligência organizadora. E essa inteligência não
pode ter sido outra senão Deus.
5. A CRENÇA UNIVERSAL NA EXISTÊNCIA DE DEUS ATESTA SUA EXISTÊNCIA.
A crença de que Deus existe é praticamente tão difundida
quanto a própria raça humana, embora muitas vezes se manifeste
de forma pervertida ou revestida de idéias supersticiosas. A maior
parte dos ateus parece imaginar que um grupo de teólogos se tenha
reunido em sessão secreta e inventado a idéia de Deus, apresentando-a
depois ao povo. Mas os teólogos não inventaram a Deus como
também os astrônomos não inventaram as estrelas, nem
os botânicos as flores. È certo que os antigos mantinham
idéias erradas acerca dos corpos celestes, mas esse fato não
nega a existência dos corpos celestes. E visto que a humanidade
já teve idéias defeituosas acerca de Deus, isso implica
que existe um Deus acerca do qual podiam ter noções erradas.
Eis em suscintas palavras os argumentos que podemos aduzir. Não
fique porém, a impressão de que a existência de Deus
depende de uma demonstração racional. Nem para provar todas
as coisas podemos usar o método científico. Há uma
ciência muito mais profunda que precisamos aprender: a ciência
da fé.
ATRIBUTOS DE DEUS
Se há uma fonte autorizada e gabaritada para dizer-nos que tipo
de pessoa é Deus, esta fonte é, sem dúvida a bíblia.
Em suas páginas encontramo-lo descrito como criador, mantenedor,
legislador, rei, pai, juiz, senhor, etc. Todos estes termos nos ensinam
determinadas verdades sobre ele. São termos que não se demoram
em descrições filosóficas sobre sua natureza, mas
que singelamente nos mostram quem ele é, revelando-nos o que ele
faz. Um ser capaz de criar, comunicar-se e amar. Em toda a escritura encontramos
muitas declarações concernentes a Deus e seus atributos:
1-ATRIBUTOS ABSOLUTOS - Dizem respeito a natureza íntima de Deus,
independente de qualquer outra coisa.
DEUS É REAL - Ele existe, disse Jesus: "Fui enviado por aquele
que de fato existe." João 7:28. Todos nós dependemos
de pelo menos de duas pessoas para existir, nossos pais. Deus não,
sua existência é auto-causada, ele existe por si mesmo. Eis
porque ele pode, com auto-suficiência, dizer de si próprio:
"Eu sou o que sou". Êxodo 3:14. Apesar de ser uma realidade
espiritual, Deus pode assumir qualquer forma visível, entretanto
homem algum jamais viu sua face.(Êxodo 33:20; Mateus 1:23; 11:27;
João 1:18). Porque existe por si mesmo, é-nos dito que ele
é o autor e conservador da vida.(números 16:22). A vida
que possuímos não nos pertence, mas é derivada daquele
que é a fonte de vida, tanto física quanto a eterna. Em
Deus acha-se a vida original, não emprestada nem derivada. Se quisermos,
poderemos obtê-la, não em troca de coisa alguma nem por compra,
mas nos é dada como dom gratuito pela fé em Cristo, como
nosso salvador pessoal.
DEUS É IMUTÁVEL - (Malaquias 3:6) Positivamente ele não
muda, tanto na duração, como em natureza, caráter
ou vontade. "Pois eu o Senhor não mudo" (Neemias 23:19;
I Samuel 15:29; Jó 23:13; salmos 33:11; provérbios 19:21;
Isaías 46:10; hebreus 6:17; Tiago 1:17).
DEUS É SANTO - Ele é perfeita excelência moral e espiritual,
Ser perfeitamente puro, imaculado e justo em si mesmo (josué 24:19;
salmos 22:3 ;99:9; isaías 5:16; joão 17:11; I tessalonicenses
5:23).
DEUS É INFINITO - Ele está além da plena compreensão
da mente humana. A criatura jamais poderá tornar-se igual ao criador
ou entender-lhe a mente. (romanos 11:33-36). Mas ele é acessível(atos
17:26; salmos 145:16), podemos experimentar o poder de seu amor e estar
certos de que ele nos responde e cuida de nós.
2- ATRIBUTOS RELATIVOS - Dizem respeito aos predicados divinos, referentes
ao tempo e a criação.
DEUS É ETERNO - Deus é descrito na bíblia como existindo
de eternidade em eternidade, para sempre (neemias 9:5; salmos 90:2; apocalipse
10:6) e como sendo o rei dos séculos, imortal, invisível
e único Deus (I timóteo 1:17). Ninguém o criou, ele
não tem princípio nem fim(colossenses 1:17). Deus não
está condicionado pelo tempo, pelo contrário, o tempo está
em Deus. Para ele o passado, o presente e o futuro são uma e a
mesma coisa. Parece não haver lógica nisso, não é?
E não há mesmo. Deus acha-se acima de toda lógica
humana. Como poderia a mente finita compreender um ser infinito?!
DEUS É ONIPRESENTE - Ele está presente em todos os lugares
simultaneamente, pelo seu espírito, e permanentemente observa suas
criaturas e age sobre elas. Diz-se que habita no céu, por ser ali
o lugar onde se faz maior manifestação de sua presença(salmos
139:7-10; eclesiastes 5:2; isaías 57:15; 29:15; jeremias 23:23,24).
Não obstante, não podemos nunca encontrar uma solidão
em que Deus não se ache.
DEUS É ONISCIENTE - Ele sabe tudo, conhece todas as coisas(I joão
3:20)
DEUS É ONIPOTENTE - Ele tudo pode(gênesis 18:4), em sua mão
há toda força e poder para realizar o que lhe apraz. Por
isso recebe muitas vezes, nas escrituras, o título de todo-poderoso.(salmos
62:11, efésios 3:20-21; apocalipse 1:8).
DEUS É VERAZ - Deus sempre fala a verdade, aliás ele próprio
é a verdade. Sua palavra não é passível de
contestação. Os homens costumam ser mentirosos, mas Deus
não. Ele é digno de fé. Apraz-lhe que nele confiemos(romanos
3:4).
DEUS É ÚNICO E EXCLUSIVO - Existe um só Deus (isaías
45:5). Como criador do universo somente ele pode dizer com autoridade
que o Senhor é Deus, e não há outro. (I reis 8:60).
Nas religiões animistas de algumas tribos, bem como no budismo,
hinduísmo e xintoísmo, há milhões de deuses,
que de fato não são deuses, mas caricaturas pagãs
surdas, mudas, cegas e mortas. É muito fácil criar um deus,
quando uma pessoa rejeita o verdadeiro Deus, ela cria o seu próprio.
E esse deus é exatamente como essa pessoa gostaria de ser, no seu
íntimo. Seu deus é a corporificação de seus
desejos e paixões sob forma de imagens, estátuas, credos
e religiões. Deuses irascíveis, vingativos, sanguinários,
invejosos, imorais, mesquinhos, feitos a imagem e semelhança do
homem. Nada que se compare a descrição dos desejáveis
característicos do Deus verdadeiro, fornecido pela bíblia
"Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em
beneficência e verdade, que usa de beneficência com milhares,
que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado.Êxodo
34:6,7. Unicamente o Senhor é Deus, portanto só ele deve
ser adorado, nada e ninguém a não ser Deus merece nossa
adoração e reverência, nem mesmo os santos homens
e mulheres da bíblia, nem mesmo os anjos.(apocalipse 22:9).
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Capítulo 2
Refutação - A validade dos argumentos utilizados para "provar"
a existência de Deus
A grande maioria da população mundial crê em Deus.
E, defendendo seu ponto de vista, apresenta vários argumentos para
"comprovar" a existência Dele. Vamos analisá-los
e concluir se são válidos para comprovar a existência
de Deus:
"Deus existe porque eu sinto Sua presença em mim".
Neste argumento, torna-se evidente que, através dos sentidos, a
pessoa percebe a presença de Deus. Todavia, será que tudo
que a gente percebe é verdadeiro? Não. Vamos dar exemplos
dessa afirmação:
Suponhamos que uma pessoa X não tenha conhecimentos sobre o Sistema
Solar, sobre a posição e sobre o movimento da Terra no espaço.
Observando o céu, ela "percebe" o Sol se movimentando,
enquanto a Terra "permanece parada". Isso é percebido
por qualquer um, mas será a realidade? Claro que não: sabemos
que a Terra gira em torno do Sol.
Suponhamos então que essa mesma pessoa visse o céu numa
noite estrelada. Não sei se o leitor já percebeu, mas parece
aos sentidos dessa pessoa (ou qualquer outra) que estamos no centro de
uma "bola" de vidro, e que as estrelas estão fixas, nas
"bordas" dessa abóbada (os antigos acreditavam que a
Terra estava localizada numa espécie de redoma, e que as estrelas
se situavam nas extremidades desta). Estará essa percepção
correta? Óbvio que é errônea, já que as estrelas
não são fixas (estão em movimento constante) e não
existe nenhum hemisfério acima de nossas cabeças.
E, como último argumento: a nossa sensação de calor
e frio. Nossos sentidos nos sugerem que o calor e o frio são opostos
(ou seja, duas faces de uma moeda), como fogo e água. Mas os cientistas
já perceberam que o que nós chamamos de "frio"
significa pouco calor, variando apenas a agitação térmica
das moléculas. Mais uma vez, os sentidos nos enganam.
Estes casos acima nos permitem concluir que não devemos confiar
nos nossos sentidos, que eles nos "pregam peças". Então,
o argumento que "Deus existe porque sinto Sua presença",
logo, não é válido para provar a existência
de Deus.
"Deus existe porque atende às minhas preces e realiza meus
desejos".
Esse é o argumento mais fácil de se refutar. Ora, se ele
existe porque atende às minhas preces, então, se ele não
atendesse às minhas preces, ele não existiria? É
difícil de acreditar.
Entretanto, vamos supor que eu pedisse a Deus e "Ele" realizasse
um pedido meu. Isso, tampouco, consistiria numa prova que Ele existe.
Por dois motivos. Primeiro: é de conhecimento de todos que a mente
humana possui poderes extraordinários. Há pessoas que conseguem
arrastar móveis com o pensamento, ler o pensamento alheio e levitar
somente acreditando realmente que são capazes de tal. E a ciência
já estuda tais fenômenos, estruturando a parapsicologia.
As pessoas muitas vezes associam algo que não compreendem (como
pedir alguma coisa e esta ser concretizada) com a idéia de Deus.
É porque não conseguem conviver com a idéia que o
homem ainda não possui conhecimentos suficientes para explicar
aquele fenômeno. Assim pensava-se antigamente sobre a chuva, a eletricidade,
o fogo: eram fenômenos feitos por Deus, simplesmente pela única
razão que não compreendiam esses fenômenos e precisavam
associá-los a uma inteligência superior e onipresente.
O segundo motivo: é impossível realizar os desejos de todas
as pessoas. Se todos quisessem parar de trabalhar, quem iria produzir
algo? Quando se obtém um emprego (porque "Deus" quis),
você está, literalmente, "tirando" outra pessoa
que ocuparia o seu emprego se você não existisse. Quando
se diz: "Graças a Deus que o homem que morreu não foi
meu filho", deve-se dizer que o mesmo "Deus" que evitou
a morte de seu filho, provocou a morte de outro, mostrando que, desse
modo, não se comprova a existência de Deus.
Enfim, o argumento "Deus existe porque atende às minhas preces
e realiza meus desejos" não pode ser utilizado para comprovar
uma suposta existência de Deus.
"Deus existe porque está escrito na Bíblia".
Quanto a isso, nos limitamos a fazer uma pergunta: por que a Bíblia
está certa? Como você tem certeza que Deus falou a Moisés
e aquela história toda? Pela mesma e perigosa razão pela
qual Galileu foi injustamente reprimido: toma-se algo (nesse caso, a Bíblia),
como verdade absoluta. Mas muitos fatos afirmados por ela são inadmissíveis
para a lógica. Vamos, por exemplo, tomar a afirmação
dela que diz que nós todos descendemos de Adão e Eva.
Essa é a teoria da Bíblia: Deus criou um casal que se reproduziu
e gerou descendentes, e nós estamos entre eles. Essa teoria contraria
diversas leis da lógica. Vamos começar pelas mais fáceis.
Em primeiro lugar, todos nós sabemos que quando dois irmãos
ou dois parentes muito próximos procriam, os filhos nascem com
alto índice de anomalias e defeitos (como ausência de braços,
retardamento e outros). Ora, se os filhos de Adão e Eva eram irmãos
entre si, como se reproduziram normalmente? E não responda que
foi porque Deus quis porque assim você está admitindo uma
verdade absoluta.
Em segundo lugar, a teoria da Bíblia não explica como nasceram
os brancos, os negros, os amarelos, os louros, enfim, toda a diversidade
de aparências entre as pessoas (a ciência explica pela lei
da Evolução Natural de Darwin).
E, em terceiro e último, a teoria que derrubou definitivamente
a idéia do casal primeiro: a teoria da Evolução de
Darwin (ela continha alguns erros, que hoje foram aperfeiçoados,
caracterizando o mutacionismo). Porque essa teoria, em vez de afirmar
que é impossível o homem descender de um casal único,
ela descobriu que nós descendemos de um antepassado comum aos macacos.
E nela se encontra mais um exemplo do mal que é aceitar uma verdade
como absoluta: um professor que ensinava essa teoria foi preso (nos Estados
Unidos, início do século), porque esta teoria estava errada(?),
pois ia contra a Bíblia e a Bíblia não podia estar
incorreta. Hoje, qualquer aluno de biologia estuda essa teoria, face às
várias provas já demonstrando que ela corresponde à
realidade. Vamos estudar os conceitos básicos dessa teoria:
1 - As variações surgem nos indivíduos de uma espécie
bruscamente, em conseqüência de alterações do
material genético transmitido de pais a filhos através dos
gametas. As modificações impressas aos indivíduos
nessa condição são também hereditárias
e se constituem em mutações.
2 - Se algumas mutações determinam a manifestação
de caracteres indesejáveis, outras, entretanto, tornam os indivíduos
mais adaptados para as exigências do meio ambiente, fazendo-os mais
aptos para vencer na luta pela vida.
3 - Como conseqüência da luta pela vida, resulta um seleção
natural dos mais adaptados ou mais aptos e a extinção dos
menos aptos.
Assim a ciência consegue explicar, satisfatoriamente, as mudanças
que ocorrem nas espécies. Por isso, cada animal é adaptado
ao ambiente em que vive. Por isso existem peixes que suportam grandes
pressões vivendo em grande profundidade e aves perfeitamente adaptados
para o vôo. As sucessivas evoluções tornaram possível
as adaptações.
Você pode dizer que os cientistas podem estar enganados; quem sabe
eles não estudaram a fundo a questão?
Felizmente, eles estudaram a questão profundamente, encontrando
muitas provas que a evolução é real. Vamos ver as
principais delas:
Provas anatômicas - O estudo da anatomia comparada revela fatos
surpreendentes que falam a favor da evolução. Observe, por
exemplo, que a grande maioria dos mamíferos (e não só
dos mamíferos, mas também dos demais vertebrados terrestres,
comos sapos, lagartos, crocodilos, aves) possui membros pendáctilos,
isto é, com 5 dedos. Por quê? Não seria de pouco senso
considerar esse fato apenas como uma "coincidência"? Se
fosse verdade a Teoria da Criação Especial, pela qual Deus
teria criado todos os seres a um só tempo, cada um independente
do outro, não seria mais compreensível que os animais pudessem
variar infinitamente nas suas estruturas, sem qualquer padrão de
repetição? A "padronização estrutural"
das espécies só tem uma explicação: o parentesco
que as une no tempo, através da evolução.
Provas embriológicas - A embriologia comparada também fornece
provas que reforçam a teoria da evolução. Já
no século passado, Ernst von Baer chamava a atenção
para a semelhança que existe entre embriões de espécies
diferentes nos estágios iniciais de desenvolvimento. Por que razão
o embrião de um peixe, o de um anfíbio, o de um réptil,
o de uma ave e o de um mamífero, incluindo o embrião humano,
se assemelham em certo momento de sua formação? Que outra
razão justifica essa semelhança senão o verdadeiro
parentesco que os liga ao tronco inicial do qual resultaram todos os vertebrados
atuais?
Provas bioquímicas - A busca de provas que contribuam para a confirmação
da teoria da evolução assume nos dias atuais um caráter
cada vez mais profundo e vigoroso. Agora, nos laboratórios das
grandes universidades americanas e européias, os cientistas procuram
desvendar a semelhança que aproximam seres de espécies muito
distantes na complexidade bioquímica de suas células e de
seus organismos. Sabe-se que as enzimas são substâncias produzidas
pela atividade celular sob controle específico de genes. Ora, a
cada dia descobrem-se novas enzimas que estão presentes ao mesmo
tempo em organismos muito distantes uns dos outros nos sistemas de classificação
dos seres. Várias enzimas digestivas do homem têm sido encontradas
nas células de animais inferiores. A tripsina, por exemplo, enzima
proteolítica integrante do suco pancreático e da atividade
intestinal, está presente em numerosos animais, desde os protozoários
até os mamíferos.
O mesmo ocorre com relação aos hormônios. Os hormônios
tireiodianos do gado bovino podem ser administrados com absoluta segurança
a seres humanos portadores de hipotireiodismo. Entre a hemoglobina humana
e a do chipanzé não há nenhuma diferença.
Mas, entre a hemoglobina humana e a do gorila, já se observa duas
trocas de aminoácidos. A hemoglobina do macaco Rhesus tem 12 aminoácidos
trocados em relação à nossa hemoglobina e 43 em relação
à do cavalo. Como explicar a variação seqüencial
dos padrões moleculares que ditam as normas desta fantástica
biologia interna dos organismos se não admitirmos o mecanismo da
Evolução como a melhor das justificativas?
Provas cromossômicas - Numerosos cientistas dos grandes laboratórios
de pesquisa do mundo têm dedicado seus esforços no sentido
de fazer um cariotipagem comparada entre organismos diversos. A comparação
entre os cariótipos de espécies diferentes também
parece confirmar que há um parentesco entre seres de grupos diversos.
Isso é feito pela análise do números de cromossomos
nas células de animais e de plantas e por um estudo comparativo
entre esses cariótipos. As diversidades de banana bem conhecidas
(banana-ouro, banana-prata, banana-maçã, banana-d'água,
banana-da-terra) revelam cariótipos de 22, 44, 55, 77 e 88 cromossomos,
o que indica que resultam de mutações por euploidias (respectivamente;
2n=22; 4n=44; 5n=55; 7n=77; 8n=88). Já o trigo tem variedades com
14, 28 ou 42 cromossomos, que correspondem a indivíduos haplóides,
diplóides e triplóides, respectivamente. Nas plantas, essas
mutações cromossômicas são muito comuns e mostram
a evolução das espécies.
Gorilas, chimpanzés e orangotangos possuem todos o cariótipo
de 2n = 48 cromossomos. O homem possui 2n = 46, o que faz os geneticistas
presumirem que tenha havido a fusão de dois pares de cromossomos
no cariótipo humano em relação ao dos antropóides.
O gibão (macaco asiático) possui um constante cromossômica
de 2n = 44. Deduzimos, então, que o gibão, o gorila e o
chimpanzé são todos parentes afastados do homem (mas nem
tão afastados assim!...). Outro exemplo: o rato tem 42 cromossomos
nas suas células diplóides, mas o camundongo só possui
40. Essa diferença de apenas um par não é sugestiva?
Enfim, tudo indica que o estudo do cariótipo comparado das espécies
pode servir para mostrar o grau de parentesco entre aquelas que se mostram
mais vizinhas dentro dos sistemas de classificação dos seres.
E isso é suficiente para representar uma palavra a mais no arsenal
de provas que confirmam a evolução.
Provas zoogeográficas - Qualquer observador atento poderá
notar que as faunas do hemisfério norte (América do Norte,
Europa e Ásia) são bastante semelhantes entre si, num flagrante
contraste com as faunas das terras do hemisfério sul (América
do Sul, África e Oceania), que são sensivelmente diferentes
umas das outras. No primeiro caso, os cervídeos (rena, alce, veado
galheiro, as raposas, os castores, os lobos, etc.), apenas com algumas
diversidades regionais, próprias dos grupamentos alopátricos.
Já no segundo caso, a fauna da América do Sul (onças,
pequenos macacos, tatus, preguiças, tamanduás e uma grande
diversidade de aves), a fauna da África (leões, tigres,
rinocerontes, zebras, girafas, elefantes, gorilas etc.) e a fauna da Oceania
(canguru, quivi, ornitorrinco etc.) revelam profundas diferenças.
É interessante questionar a razão desse contraste.
Os geólogos são unânimes em afirmar que todos os continentes
da Terra estiveram há muitos milhões de anos atrás
fundidos num só, chamado de Pangéia. Há, talvez,
200 milhões de anos, a Pangéia se fragmentou em blocos,
originando a Laurásia e a Godwana. Esses dois imensos blocos passaram,
lentamente, a deslizar sobre a vasta massa de material incandescente,
que fica abaixo da crosta terrestre. A Laurásia, de situação
setentrional, originou a América do Norte, a Europa e a Ásia.
A Godwana, situada meridionalmente, também se fragmentou, por sua
vez, dando origem a América do Sul, a África, a Oceania
e a Antártica. Essa conclusão passou a constituir a chamada
teoria da derivação continental ou do deslizamento continental.
Pela deriva continental, as terras do hemisfério sul ficaram logo
separadas. E, progressivamente, a distância entre ela se tornou
cada vez maior. O isolamento das espécies em cada continente foi
total. Hoje, são passados 200 milhões de anos desde que
o isolamento geográfico se instalou entre aquelas populações.
O somatório das mutações e o trabalho da seleção
natural fizeram com que as faunas e floras destes continentes se tornassem
profundamente diversificadas. As terras do hemifério norte, a despeito
de se afastarem também pelo deslizamento continental, mantiveram
ainda contato por muito tempo. Aliás, a Europa nunca se separou
da Ásia. O isolamento que se instalou entre os animais foi em decorrência
da civilização que muito se desenvolveu entre as florestas
européias e asiáticas, separando-as. Por sua vez, a Ásia
se manteve ligada à América do Norte por um istmo que a
comunicava ao Alasca e que submergiu a cerca de vinte mil anos, dando
lugar ao atual estreito de Bhering. Só então houve o total
isolamento das faunas da América do Norte e do bloco asiático
europeu. Como se vê, as terras do norte estão separadas há,
relativamente, pouco tempo. O isolamento entre as suas espécies
é recente e, por isso, elas ainda não se diversificaram
muito. Mais uma prova que depõe a favor da evolução.
Ainda existem mais provas, como as paleontológicas, que atestam
a veracidade da evolução. Mas, para não cansar o
leitor, achamos melhor não colocá-las.
Contudo, pelas provas aqui apresentadas já se observa que a evolução
natural das espécies é a imagem da realidade, portanto é
inaceitável a teoria bíblica do surgimento do homem. E,
admitindo que a Bíblia não estava certa neste ponto, ninguém
pode garantir que Deus existe porque ela o afirma. Logo, o argumento "Deus
existe porque está escrito na Bíblia" não prova
a existência de Deus.
O interessante é que, mesmo reconhecendo a evolução
como um FATO, a maioria dos cientistas americanos acredita em Deus (de
acordo com pesquisas, em torno de 86% dos cientistas americanos acreditam
em Deus). Porém, a concepção que eles possuem em
Deus é diferente daquela concepção de Deus medieval,
que criou Adão e Eva: eles acreditam num Deus que criou o Universo.
Mas observe, caro leitor, que a concepção de Deus mudou!
Se ela muda de acordo com as descobertas da ciência, como podemos
admitir Deus como Invariável, Indiscutível, Pérpetuo
e Constante? Mais algo sugestivo para pensar...
"Deus existe porque Cristo morreu crucificado por amor a todos nós
e a Seu Pai"
Primeiro: como sabemos que Cristo morreu crucificado? Por que a Bíblia
fala?
Contudo, vamos supor que existiu Cristo, e ele morreu por acreditar em
Deus e por amor à gente. Ora, se eu digo que alguém tem
certeza de alguma coisa, é diferente de afirmar que aquela coisa
é verdadeira.. Por exemplo, Sócrates defendia conceitos
próprios dele, que não eram iguais aos conceitos vigentes
naquela época. Por isso, Sócrates foi condenado a morte.
Na prisão anterior a sua morte, seus amigos ofereceram várias
chances para a fuga dele, porém ele se recusou a fugir, dizendo
que assim jamais acreditariam no que ele dizia. Morreu por amor às
suas teorias. Isso não significa que as teorias dele estavam certas(aliás,
muitos pontos de duas teorias eram errôneos).
Então, podemos concluir que o argumento "Deus existe porque
Cristo morreu crucificado por amor a todos nós e a Seu Pai"
não é válido.
"Deus existe porque alguém deve ter criado o Universo".
Esse ponto de vista, durante muito tempo, foi considerado como a "prova
científica da existência de Deus". Descartes foi o filósofo
que mais desenvolveu essa idéia: se tudo tem uma causa, deve existir
um causa primeira, que é Deus.
Agora, uma pergunta: QUEM CRIOU DEUS? Ora, se tudo tem uma causa, então
Deus deve ter sido criado. Aí você me responderia: "Deus
é imaterial, ele é início e fim". Palavras bonitas,
é o que são. Ora, você não consegue conceber
algo concreto, apalpável, sem uma causa, mas consegue conceber
algo invisível, imaterial, "pensante" e "inteligente",
sem uma causa? Não é interessante?
Colocado em outras palavras: não entendemos como tudo começou,
mas não podemos atribuir tudo que não sabemos explicar a
um ser superior. Pois se atribuirmos tudo a Deus, não precisaremos
procurar respostas, e não foi assim que se descobriram, por exemplo,
vacinas, átomos e eletricidade. Foi através do método
científico, o único meio de desenvolver a humanidade.
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Capítulo 3
EXISTÊNCIA DE DEUS
"Ninguém afirma: `Deus não existe' sem antes ter desejado
que Ele não exista".
Esta frase, de um filósofo muito suspeito, por ser esotérico
- Joseph de Maistre - tem muito de verdade.
Com efeito, o devedor insolvente gostaria que seu credor não existisse.
O pecador que não quer deixar o pecado, passa a negar a existência
de Deus.
Por isso, quando se dá as provas da existência de Deus para
alguém, não se deve esquecer que a maior força a
vencer não é a dos argumentos dos ateus, e sim o desejo
deles de que Deus não exista. Não adiantará dar provas
a quem não quer aceitar sua conclusão. Em todo caso, as
provas de Aristóteles e de São Tomás a respeito da
existência de Deus têm tal brilho e tal força que convencem
a qualquer um que tenha um mínimo de boa vontade e de retidão
intelectual.
É para essas pessoas que fazemos este pequeno resumo dos argumentos
de São Tomás sobre a existência de Deus, tendo por
base o que ele diz na Suma Teológica I, q.2, a.a 1, 2, 3 e 4.
Inicialmente, pergunta São Tomás se a existência
de Deus é verdade de evidência imediata. Ele explica que
uma proposição pode ser evidente de dois modos:
em si mesma, mas não em relação a nós;
em si mesma e para nós.
Uma proposição é evidente quando o predicado está
incluído no sujeito. Por exemplo, a proposição o
homem é animal é evidente, já que o predicado animal
está incluso no conceito de homem.
Quando alguns não conhecem a natureza do sujeito e do predicado,
a proposição - embora evidente em si mesma - não
será evidente para eles. Ela será evidente apenas para os
que conhecem o que significam o sujeito e o predicado. Por exemplo, a
frase: "O que é incorpóreo não ocupa lugar no
espaço", é evidente em si mesma e é evidente
somente aqueles que sabem o que é incorpóreo.
Tendo em vista tudo isso, São Tomás diz que:
A proposição "Deus existe" é evidente
em si mesma porque nela o predicado se identifica com o sujeito, já
que Deus é o próprio ente.
Mas, com relação a nós, que desconhecemos a natureza
divina, ela não é evidente, mas precisa ser demonstrada.
E o que se demonstra não é evidente. O que é evidente
para nós não cabe ser demonstrado.
Portanto, a existência de Deus pode ser demonstrada. Contra isso,
São Tomás dá uma objeção, dizendo que
a existência de Deus é um artigo de fé. Ora, o que
é de fé não pode ser demonstrado. Logo, concluir-se-ia
que não se pode demonstrar que Deus existe. São Tomás
ensina que há dois tipos de demonstração:
1) Demonstração propter quid (devido a que)
É a que se baseia na causa. Ela parte do que é anterior
(a causa) discorrendo para o que é posterior ( o efeito).
2) Demonstração quia (porque)
É a que parte do efeito para conhecer a causa.
Quando vemos um efeito mais claramente que sua causa, pelo efeito acabamos
por conhecer a causa. Pois o efeito depende da causa, e é, de algum
modo, sempre semelhante a ela. Então, embora a existência
de Deus não seja evidente apenas para nós, ela é
demonstrável pelos efeitos que dela conhecemos.
A existência de Deus e outras verdades semelhantes a respeito dele
que podem ser conhecidos pela razão, como diz São Paulo
Rom. I, 19), não são artigos de fé. Deste modo, a
fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça
pressupõe a natureza e a perfeição pressupõe
o que é perfectível.
Entretanto, alguém que não conheça ou não
entenda a demonstração filosófica da existência
de Deus, pode aceitar a existência dele por fé.
É no artigo 3 dessa questão 2 da 1ª parte da Suma
Teológica que São Tomás expõe as provas da
existência de Deus. São as famosas 5 vias tomistas.
Iª Via - Prova do movimento
É a prova mais clara.
É inegável que há coisas que mudam. Nossos sentidos
nos mostram que a planta cresce, que o céu fica nublado, que a
folha passa a ser escrita, que nós envelhecemos, que mudamos de
lugar, etc.
Há mudanças substanciais. Ex.: madeira que vira carvão.
Há mudanças acidentais. Ex: parede branca que é pintada
de verde. Há mudanças quantitativas. Ex: a água de
um pires diminuindo por evaporação. Há mudanças
locais. Ex: Pedro vai ao Rio.
Nas coisas que mudam, podemos distinguir:
As qualidades ou perfeições já existentes nelas.
as qualidades ou perfeições que podem vir a existir, que
podem ser recebidas por um sujeito.
As perfeições existentes são ditas existentes em
Ato.
As perfeições que podem vir a existir num sujeito são
existentes em Potência passiva. Assim, uma parede branca tem brancura
em Ato, mas tem cor vermelha em Potência.
Mudança ou movimento é pois a passagem de potência
de uma perfeição qualquer (x) para a posse daquela perfeição
em Ato.
M = PX ---->> AX
Nada pode passar, sozinho, de potência para uma perfeição,
para o Ato daquela mesma perfeição. Para mudar, ele precisa
da ajuda de outro ser que tenha aquela qualidade em Ato.
Assim, a panela pode ser aquecida. Mas não se aquece sozinha.
Para aquecer-se, ela precisa receber o calor de outro ser - o fogo - que
tenha calor em Ato.
Outro exemplo: A parede branca em Ato, vermelha em potência, só
ficará vermelha em Ato caso receba o vermelho de outro ser - a
tinta - que seja vermelho em Ato.
Noutras palavras, tudo o que muda é movido por outro. É
movido aquilo que estava em potência para uma perfeição.
Em troca, para mover, para ser motor, é preciso ter a qualidade
em ato. O fogo (quente em ato) move, muda a panela (quente em potência)
para quente em ato.
Ora, é impossível que uma coisa esteja, ao mesmo tempo,
em potência e em ato para a mesma qualidade.
Ex.: Se a panela está fria em ato, ela tem potência para
ser aquecida. Se a panela está quente em ato ela não tem
potência para ser aquecida.
É portanto impossível que uma coisa seja motor e móvel,
ao mesmo tempo, para a mesma perfeição. É impossível,
pois, que uma coisa mude a si mesma.
Tudo o que muda é mudado por outro.
Tudo o que se move é movido por outro.
Se o ente 1 passou de Potência de x para Ato x, é porque
o ente 1 recebeu a perfeição x de outro ente 2 que tinha
a qualidade x em Ato.
Entretanto, o ente 2 só pode ter a qualidade x em Ato se antes
possuía a capacidade - a potência de ter a perfeição
x.
Logo, o ente 2 passou, ele também, de potência de x para
Ato x. Se o ente 2 só passou de PX para AX, é porque ele
também foi movido por um outro ente, anterior a ele, que possuía
a perfeição x em Ato.
Por sua vez, também o ente 3 só pode ter a qualidade x
em Ato, porque antes teve Potência de x e só passou de PX
para AX pela ajuda de outro ente 4 que tinha a qualidade x em Ato. E assim
por diante.
PX ---> AX PX (5) ---> AX PX (4) ---> AX PX (3) ---> AX PX
(2) ---> AX (1)
Esta seqüência de mudanças ou é definida ou
indefinida. Se a seqüência fosse indefinida, não teria
havido um primeiro ser que deu início às mudanças.
Noutras palavras, em qualquer seqüência de movimentos, em
cada ser, a potência precede o ato. Mas, para que se produza o movimento
nesse ser, é preciso que haja outro com qualidade em ato.
Se a seqüência de movimentos fosse infinita, sempre a potência
precederia o ato, e jamais haveria um ato anterior à potência.
É necessário que o movimento parta de um ser em ato. Se
este ser tivesse potência, não se daria movimento algum.
O movimento tem que partir de um ser que seja apenas ato.
Portanto, a seqüência não pode ser infinita.
Ademais, está se falando de uma série de movimentos nas
coisas que existem no universo.
Ora, esses movimentos se dão no espaço e no tempo. Tempo-espaço
são mensuráveis. Portanto, não são movimentos
que se dão no infinito.
A seqüência de movimentos em tempo e espaço finitos
tem que ser finita.
E que o universo seja finito se compreende, por ser ele material. Sendo
a matéria mensurável, o universo tem que ser finito.
Que o universo é finito no tempo se comprova pela teoria do Big
Bang e pela lei da entropia. O universo principiou e terá fim.
Ele não é infinito no tempo.
Logo, a seqüência de movimentos não pode ser infinita,
pois se dá num universo finito.
Ao estudarmos as cinco provas de S. Tomás sobre a existência
de Deus, devemos ter sempre em mente que ele examina o que se dá
nas "coisas criadas", para, através delas, compreender
que existe um Deus que as criou e que lhes deu as qualidades visíveis,
reflexos de suas qualidades invisíveis e em grau infinito.
Este primeiro motor não pode ser movido, porque não há
nada antes do primeiro. Portanto, esse 1º ente não podia ter
potência passiva nenhuma, porque se tivesse alguma ele seria movido
por um anterior. Logo, o 1º motor só tem ATO. Ele é
apenas ATO, isto é, tem todas as perfeições.
Este ser é Deus.
Deus então é ATO puro, isto é, ATO sem nenhuma potência
passiva. Este ser que é ato puro não pode usar o verbo ser
no futuro ou no passado. Deus não pode dizer "eu serei bondoso",
porque isto implicaria que não seria atualmente bom, que Ele teria
potência de vir a ser bondoso.
Deus também não pode dizer "eu fui", porque isto
implicaria que Ele teria mudado, isto é, passado de potência
para Ato. Deus só pode usar o verbo ser no presente. Por isso,
quando Moisés perguntou a Deus qual era o seu nome, Deus lhe respondeu
"Eu sou aquele que é" (aquele que não muda, que
é ato puro).
Também Jesus Cristo ao discutir com os fariseus lhes disse: "Antes
que Abraão fosse, eu sou" (Jo. VIII, 58). E os judeus pegaram
pedras para matá-lo porque dizendo eu sou Ele se dizia Deus.
Na ocasião em que foi preso, Cristo perguntou: "a quem buscais
?", e, ao dizerem "a Jesus de Nazaré", ele lhes
respondeu:
"Eu sou". E a essas palavras os esbirros caíram no chão,
porque era Deus se definindo.
Do mesmo modo, quando Caifás esconjurou que Cristo dissesse se
era o Filho de Deus, Ele lhe respondeu: "Eu sou". E Caifás
entendeu bem que Ele se disse Deus, porque imediatamente rasgou as vestes
dizendo que Cristo blasfemara afirmando-se Deus.
Deus é, portanto, ATO puro. É o ser que não muda.
Ele é aquele que é. Por isso, a verdade não muda.
O dogma não muda. A moral não evolui. O bem é sempre
o mesmo.A beleza não muda.
Quando os modernistas afirmam que a verdade, o dogma, a moral, a beleza
evoluem, eles estão dizendo que Deus evolui, que Ele não
é ATO puro. Eles afirmam que Deus é fluxo, é ação,
é processo e não um ente substancial e imutável.
É o que afirma hereticamente a Teologia da Libertação.
Diz Frei Boff:
" Assim, o Deus cristão é um processo de efusão,
de encontro, de comunhão entre distintos enlaçados pela
vida, pelo amor." (Frei Boff, A Trindade e a Sociedade, p. 169)
Ou então:
"Assim, Mary Daly sugere compreendermos Deus menos como substância
e mais como processo, Deus como verbo ativo (ação) e menos
como um substantivo. Deus significaria o viver, o eterno tornar-se, incluindo
o viver da criação inteira, criação que, ao
invés de estar submetida ao ser supremo, participaria do viver
divino." (Frei Boff, A Trindade e a Sociedade, pp. 154-155)
É natural pois que Boff tenha declarado em uma conferência
em Teófilo Otono:
Como teólogo digo: sou dez vezes mais ateu que você desse
deus velho, barbudo lá em cima. Até que seria bom a gente
se livrar dele." (Frei Boff, Pelos pobres, contra a pobreza, p. 54)
IIª Via - Prova da causalidade eficiente
Toda causa é anterior a seu efeito. Para uma coisa ser causa de
si mesma teria de ser anterior a si mesma. Por isso neste mundo sensível,
não há coisa alguma que seja causa de si mesma. Além
disso, vemos que há no mundo uma ordem determinada de causas eficientes.
Assim, numa série definida de causas e efeitos, o resfriado é
causado pela chuva, que é causada pela evaporação,
que é causada pelo calor, que é causado pelo Sol. No mundo
sensível, as causas eficientes se concatenam às outras,
formando uma série em que umas se subordinam às outras:
A primeira, causa as intermediárias e estas causam a última.
Desse modo, se for supressa uma causa, fica supresso o seu efeito. Supressa
a primeira, não haverá as intermediárias e tampouco
haverá então a última.
Se a série de causas concatenadas fosse indefinida, não
existiria causa eficiente primeira, nem causas intermediárias,
efeitos dela, e nada existiria. ora, isto é evidentemente falso,
pois as coisas existem. Por conseguinte, a série de causas eficientes
tem que ser definida. Existe então uma causa primeira que tudo
causou e que não foi causada.
Deus é a causa das causas não causada. Esta prova foi descoberta
por Sócrates que morreu dizendo: "Causa das causas, tem pena
de mim". A negação da Causa primeira leva à
ciência materialista a contradizer a si mesma, pois ela concede
que tudo tem causa, mas nega que haja uma causa do universo.
O famoso físico inglês Stephen Hawkins em sua obra "Breve
História do Tempo" reconheceu que a teoria do Big-Bang (grande
explosão que deu origem ao universo, ordenando-o e não causando
desordem, como toda explosão faz devido a Lei da entropia) exige
um ser criador. Hawkins admitiu ainda que o universo é feito como
uma mensagem enviada para o homem. Ora, isto supõe um remetente
da mensagem. Ele, porém, confessa que a ciência não
pode admitir um criador e parte então para uma teoria gnóstica
para explicar o mundo.
O mesmo faz o materialismo marxista. Negando que haja Deus criador do
universo, o marxismo se vê obrigado a transferir para a matéria
as qualidades da Causa primeira e afirmar, contra toda a razão
e experiência, que a matéria é eterna, infinita e
onipotente. Para Marx, a matéria é a Causa das causas não
causada.
IIIª Via - Prova da contingência
Na natureza, há coisas que podem existir ou não existir.
Há seres que se produzem e seres que se destroem. Estes seres,
portanto, começam a existir ou deixam de existir. Os entes que
têm possibilidade de existir ou de não existir são
chamados de entes contingentes. Neles, a existência é distinta
da sua existência, assim o ato é distinto da potência.
Ora, entes que têm a possibilidade de não existir, de não
ser, houve tempo em que não existiam, pois é impossível
que tenham sempre existido.
Se todos os entes que vemos na natureza têm a possibilidade de
não ser, houve tempo em que nenhum desses entes existia. Porém,
se nada existia, nada existiria hoje, porque aquilo que não existe
não pode passar a existir por si mesmo. O que existe só
pode começar a existir em virtude de um outro ente já existente.
Se nada existia, nada existiria também agora. O que é evidentemente
falso, visto que as coisas contingentes agora existem.
Por conseguinte, é falso que nada existia. Alguma coisa devia
necessariamente existir para dar, depois, existência aos entes contingentes.
Este ser necessário ou tem em si mesmo a razão de sua existência
ou a tem de outro.
Se sua necessidade dependesse de outro, formar-se-ia uma série
indefinida de necessidades, o que, como já vimos é impossível.
Logo, este ser tem a razão de sua necessidade em si mesmo. Ele
é o causador da existência dos demais entes. Esse único
ser absolutamente necessário - que tem a existência necessariamente
- tem que ter existido sempre. Nele, a existência se identifica
com a essência. Ele é o ser necessário em virtude
do qual os seres contingentes tem existência. Este ser necessário
é Deus.
IVª Via - Dos graus de perfeição dos entes
Vemos que nos entes, uns são melhores, mais nobres, mais verdadeiros
ou mais belos que outros. Constatamos que os entes possuem qualidades
em graus diversos. Assim, dizemos que o Rio de Janeiro é mais belo
que Carapicuíba. Nessa proposição, há três
termos: Rio de Janeiro, Carapicuíba e Beleza da qual o Rio de Janeiro
participa mais ou está mais próximo. Porque só se
pode dizer que alguma coisa é mais que outra, com relação
a certa perfeição, conforme sua maior proximidade, participação
ou semelhança com o máximo dessa perfeição.
Portanto, tem que existir a Verdade absoluta, a Beleza absoluta, o Bem
absoluto, a Nobreza absoluta, etc. Todas essas perfeições
em grau máximo e absoluto coincidem em um único ser, porque,
conforme diz Aristóteles, a Verdade máxima é a máxima
entidade. O Bem máximo é também o ente máximo.
Ora, aquilo que é máximo em qualquer gênero é
causa de tudo o que existe nesse gênero. Por exemplo, o fogo que
tem o máximo calor, é causa de toda quentura, conforme diz
Aristóteles. Há, portanto, algo que é para todas
as coisas a causa de seu ser, de sua bondade, de sua verdade e de todas
as suas perfeições. E a isto chamamos Deus.
Por esta prova se vê bem que a ordem hierárquica do universo
é reveladora de Deus, permitindo conhecer sua existência,
assim como conhecer suas perfeições. É o que diz
São Paulo na Epístola aos Romanos (I, 19). E também
é por isso que Deus, ao criar cada coisa dizia que ela era boa,
como se lê no Gêneses ( I ). Mas quando a Escritura termina
o relato da criação, diz que Deus, ao contemplar tudo quanto
havia feito, viu que o conjunto da criação era "valde
bona", isto é, ótimo.
Pois bem, se cada parcela foi dita apenas boa por Deus como se pode dizer
que o total é ótimo? O total deve ter a mesma natureza das
parcelas, e portanto o total de parcelas boas devia ser dito simplesmente
bom e não ótimo. São Tomás explica essa questão
na Suma contra Gentiles. Diz ele que o total foi declarado ótimo
porque, além da bondade das partes havia a sua ordenação
hierárquica. É essa ordem do universo que o torna ótimo,
pois a ordem revela a Sabedoria do Ordenador. Por aí se vê
que o comunismo, ao defender a igualdade como um bem em si, odeia a ordem,
imagem da Sabedoria de Deus. Odiando a imagem de Deus, o comunismo odeia
o próprio Deus, porque quem odeia a imagem odeia o ser por ela
representado. Nesse ódio está a raiz do ateísmo marxista
e de sua tendência gnóstica.
Vª Via - Prova da existência de Deus pelo governo do mundo
Verificamos que os entes irracionais obram sempre com um fim. Comprova-se
isto observando que sempre, ou quase sempre, agem da mesma maneira para
conseguir o que mais lhes convém.
Daí se compreende que eles não buscam o seu fim agindo
por acaso, mas sim intencionalmente. Aquilo que não possui conhecimento
só tende a um fim se é dirigido por alguém que entende
e conhece. Por exemplo, uma flecha não pode por si buscar o alvo.
Ela tem que ser dirigida para o alvo pelo arqueiro. De si, a flecha é
cega. Se vemos flechas se dirigirem para um alvo, compreendemos que há
um ser inteligente dirigindo-as para lá. Assim se dá com
o mundo. Logo, existe um ser inteligente que dirige todas as coisas naturais
a seu fim próprio. A este ser chamamos Deus.
Uma variante dessa prova tomista aparece na obra "A Gnose de Princeton".
Apesar de gnóstica esta obra apresenta um argumento válido
da existência de Deus.
Filmando-se em câmara lenta um jogador de bilhar dando uma tacada
numa bola, para que ela bata noutra a fim de que esta corra e bata na
borda, em certo ângulo, para ser encaçapada, e se depois
o filme for projetado de trás para diante, ver-se-á a bola
sair da caçapa e fazer o caminho inverso até bater no taco
e lançar para trás o braço do jogador. Qualquer um
compreende, mesmo que não conheça bilhar, que a segunda
seqüência não é a verdadeira, que é absurda.
Isto porque à segunda seqüência faltou a intenção,
que transparece e explica a primeira seqüência de movimentos.
Daí concluir com razão, a obra citada, que o mundo cego
caminha - como a flecha ou como a bola de bilhar - em direção
a um alvo, a um fim. Isto supõe então que há uma
inteligência que o dirige para o seu fim. Há pois uma inteligência
que governa o mundo.
Este ser sapientíssimo é Deus.
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Capítulo 4
Afirmação - Deus Existe
"A fé é o fundamento da esperança, a certeza
daquilo que não se vê." Hb 11,1
Todos nós procuramos a certeza absoluta da existência de
um ser superior, criador de tudo. Creio que não há um ser
humano que nunca se perguntou: Quem criou o mundo em que vivo?
Muitos desistem dessa procura, pois se acham incapacitados de encontrar
a Verdade que está diante de nós, só que as riquezas
mundanas não permitem que vejamos a Sua existência com os
olhos da fé, mas sim com os olhos da razão.
A fé, como já foi dito logo acima na epístola de
Paulo, é a certeza daquilo que não vemos, podendo ser encarada
de modo irracional (com os olhos da fé) ou racional (com os olhos
da razão). Vejamos:
A fé é irracional, pois como cremos no invisível,
não temos razões físicas para provar sua existência,
mas graças ao poder de Deus, podemos sentir sua presença
através de prodígios que só Ele pode realizar em
nossas vidas.
A fé é racional, pois mesmo que não possamos vê-lo,
temos a certeza por razões lógicas da sua existência.
Exemplo:
Muitos "ateus" acreditam em outras idéias que explicam
a criação do universo, como por exemplo a idéia do
"Big-Bang", que consiste em uma grande explosão fazendo
com que as partículas de um todo se espalhassem por todo o planeta.
Mesmo com esta idéia científica, seria necessário
que Alguém agisse para ocasionar a grande explosão. Esse
Alguém que menciono é Deus.
Só um Ser muito poderoso poderia fazer coisas tão bonitas
e perfeitas (como por exemplo: o corpo humano, os animais, os astros,
etc.); obras tão perfeitas como o próprio Construtor.
A Bíblia nos explica de uma maneira simbólica a criação
do mundo feita por Deus, onde nos ensina que Deus é o único
e verdadeiro criador, que usa de nós como instrumento para o aperfeiçoamento
de suas obras.
Através dos fatos mencionados, podemos chegar a uma magnífica
conclusão: DEUS EXISTE!
Basta que abramos os nossos corações para que esse Deus
que tudo criou por Amor Eterno aos seus filhos, faça de nós
obras divinas cheias de fé e felizes em saber que Deus está
no meio de nós.
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Capítulo 5 - Conclusão
Estudando Kardec
A Gênese
Deus - Existência de Deus - Deus existe?
A existência de Deus é um fato admitido não somente
pela revelação, como pela evidência material dos fatos.
Nem sempre é necessário ter visto uma coisa para saber que
ela existe.
Todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente. A Natureza pela
harmonia de suas obras, verificamos que não pode ser controlada
pelo homem e muito menos produzida. Há os que contestam dizendo
que são produzidas por forças materiais, que agem mecanicamente
em conseqüência das leis de atração e repulsão.
As plantas nascem, brotam, crescem e multiplicam-se sempre do mesmo modo,
cada uma dentro de sua espécie, em virtude dessas mesmas leis.
Os astros se formam pela atração molecular e movem-se em
suas órbitas por efeito da gravitação. Tudo isso
é exato, porém essas forças são efeito que
devem ter uma causa. Kardec na Gênese cita como exemplo o relógio,
a engenhosidade do mecanismo, demonstra a inteligência e o saber
do relojoeiro, e afirma que nunca ninguém lembrou de dizer: aí
está um pêndulo muito inteligente!
Dá-se o mesmo com o mecanismo do Universo:
Deus não se mostra, mas afirma-se mediante suas obras.
No livro "Que é Deus" seu autor Eliseu F. da Mota Júnior,
iniciou o capítulo 3º com uma frase do bacteriologista francês,
criador da pasteurização, além de inúmeras
vacinas, Louis Pasteur (1822-1895). "Um pouco de ciência nos
afasta de Deus. Muito, nos aproxima. "Essa colocação
induz a idéia de que um conhecimento científico superficial
serve apenas para distanciar o homem de Deus e, em sentido oposto leva
à conclusão de que todos os profundos conhecedores da Ciência
estão próximos de Deus. O professor Eliseu discorre no seu
livro com muito brilhantismo os mais variados pensamentos de grandes cientistas
contemporâneos. Cita trechos do livro de Stephen W. Hawking, coloca
também vários trechos do livro "A Mente de Deus"
do conceituado cientista inglês, doutorado em física Paul
Davies,: - "Não posso acreditar que nossa existência
neste Universo seja uma mera peculiaridade do destino, a espécie
física Homo não pode importar para nada, mas a existência
da mente em algum organismo em algum planeta do Universo é certamente
um fato fundamentalmente significativo". E terminamos este estudo
ainda com Paul Davies: - "Sem Deus a Ciência não poderá
completar os seus estudos acerca da origem do Universo, da matéria,
da vida e do próprio homem".
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