Vitória\ES
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Educação e Sexo
Juvanir Borges de Souza Está permanentemente em pauta, nos últimos anos, o debate sobre a educação sexual da Criança e do Jovem. Em nosso pais , o problema sempre ficou adstrito ao âmbito dos lares. Cogita-se, no entanto, agora, de introduzir nas escolas, mesmo na primária, o ensino sexual. São diversos os enfoques da questão. Nem sempre felizes. Não resta dúvida de que seria desejável o esclarecimento das crianças, desde cedo, sobre questões do sexo, desde que elucidadas, estas, com a naturalidade e inocência que lhes são inerentes e liberadas de tabus milenários, adulterantes e distorcivos, responsáveis por graves prejuízos para indivíduos e coletividades. Uma das pretensões dos que reivindicam o ensino sexual nas escolas públicas primárias, freqüentadas normalmente pelas crianças até à faixa dos dez anos, é o de torná-lo matéria obrigatória e autônoma, dentro de um currículo. Essa colocação, nas circunstâncias atuais, representa sério retrocesso na educação diante das conseqüências a que daria lugar em face do despreparo generalizado dos educadores. No vasto contexto educacional, sem dúvida, ocupará o estudo do sexo o devido lugar. Entretanto, não se justifica o especial destaque de um dos seus aspectos. Em outras palavras, o ideal seria a conjugação do ensino sexual com o ensino moral, 'quer seja na instrução em geral, quer na escola profissionalizante ou especializada. A preocupação exagerada em nossos dias com as questões focalizadas neste sentido conduz muitas pessoas despreparadas, moral e intelectualmente, a se arvorarem em orientadores sobre matéria que elas próprias desconhecem. É triste constatar a confusão que fazem entre o conhecimento decorrente de suas experiências pessoais com o sexo e a natureza verdadeira e profunda dessa força criativa por excelência. Entregar a educação de crianças a orientadores improvisados será grave erro, com seríssimas conseqüências à edificação moral do Espírito, que desabrocha para uma nova experiência terrena. Há muito que meditar nesse terreno, antes de se oficializar qualquer diretriz. Cuidemos que a norma educacional considere o sexo com naturalidade e clareza, mas com prudência, pela enorme importância que ele encerra, encarando-o respeitosamente como energia de vida e criatividade, sem incorrer no risco de considerá-lo mero agente de satisfação dos apetites dos sentidos e dos instintos de grosseira animalídade. Voltemos as vistas para as lições ministradas pelos verdadeiros mestres que podem encarar a questão com a visão global da problemática humana, sem envilecê-lo nem degradá-lo, atentas às justas manifestações a que se destina ante os superiores desíguinios da criação. Como responder aos desafios da atualidade, nesse terreno? Quase se poderia dizer que o homem antes dos dias atuais não havia ainda atinado com a excelência do sexo, considerando-o até então apenas unilateralmente e de forma desvirtuada, sem descortinar-lhe as santificantes implicações. Se a questão pudesse ser apreciada isoladamente pelos grupos humanos, segundo sua filosofia de vida ou mentalidade religiosa, os espíritas não teríamos maiores dificuldades em enfrentar os graves problemas derivados ou oriundos do conhecimento deformado, quando não do completo desconhecimento do assunto. A Doutrina oferece seguros ensinamentos a respeito, através de notáveis instrutores e intérpretes das leis divinas, em seus desdobramentos perceptíveis ao homem. Acontece, porém, que o que se visa, na atualidade é a programação do ensino da matéria nos colégios, a partir da escola primária. Isso eqüivale a dizer que todas as camadas sociais, todos os grupos, religiosos ou não, serão atingidos pelo ensino que vier a ser adotado. A grande preocupação que nos assalta se origina do fato de que a maioria absoluta da sociedade está influenciada pelo materialismo utilitário, levando as novas gerações a sofrerem continuamente os reflexos de uma educação calcada em princípios contrários à verdadeira natureza do homem, que é também de essência espiritual. Ora, se ao lado dos prejuízos da orientação educacional, cujas principais diretrizes se voltam de preferência e quase que exclusivamente para a instrução e o ensino profissionalizante, sem maior detença nos fatores intrinsecamente constitutivos dos padrões de conduta da moral cristã, vierem juntar-se desfigurações desastrosas no campo da sexualidade, então estaremos a braços com dificuldades enormes e crescentes, oriundas da incompreensão, da irresponsabilidade e da ignorância. Urge, pois, que os espíritas levemos o saber que a Doutrina nos prodigaliza, no âmbito do sexo, à consideração das várias correntes de pensamento, procurando influir na opinião para que as soluções sejam as desejáveis e condignas, favorecendo uma educação abrangente dos fundos reclamos do ser, e não deformante, parcial e contrária aos autênticos objetivos da formação evolutiva e da reforma moral. A Infância tem o direito de acesso à educação verdadeiramente cristã, ao qual corresponde o dever indeclinável da sociedade de proporcionar-lhe o ensejo de aperfeiçoar-se espiritualmente, através da assimilação do que há de melhor no mundo. E o melhor, no caso, são os princípios da moralidade cristã, a que nenhuma escola filosófica, nenhuma pedagogia pôde ultrapassar. Cada encarnação vale por nova oportunidade de reajustamento de transvies do pretérito. Os primeiros sete anos de novo "mergulho na carne" são os mais adequados às correções reeducativas, no terreno sexual inclusive, sendo, por isso mesmo, a melhor fase para a renovação e ratificação de erros e desvios de outras vidas, no passado. Essa simples lembrança dos ensinos espíritas mostra a importância excepcional de eles serem ministrados no lar e na escola de moral cristã, nos anos primeiros da vida do ser renascido, ou reencarnado. Já não basta à Infância oferecer-se-lhe tão-somente escola, onde a instrução é a preocupação maior; mister se faz complementar-lhe a formação com a aplicação dos recursos da educação global, propiciando-lhe o preparo, como Espírito imortal, em nova etapa de aprimoramento consciencial. Por isso, será sempre afoiteza e imprudência concentrar o ensino unilateralmente num único ângulo da educação, negligenciando aspectos outros. Evidenciar o sexo, por exemplo, separando-o como disciplina do ensino, sem correlacioná-lo com a educação integral, será soltar a Criança e o jovem aos equívocos e perigos da monocultura em assunto que já constitui problema em si mesmo. Temos geralmente incidido no engano de que nos basta o desenvolvimento'intelectual, relegando a plano secundário o cultivo do que é bom, justo e verdadeiro, como se essas aquisições fossem supérfluas e perfeitamente dispensáveis no cômputo dos valores do nosso. patrimônio espiritual. É o grande erro da escola. Ensina letras, números, rudimentos de ciências físicas e naturais, omitindo a moral. A tendência continuará sendo o preparo de cidadãos com o saber, adquirido nos bancos escolares, mas sem o direcionamento ético-religioso, cristão, imprescindível. Entende-se que o lar deve suprir a omissão da escola tradicional. Mas a grande verdade é que nem sempre os lares, principalmente:nos dias atuais, oferecem condições satisfatóriás para tal. Daí o descalabro de que todos nos queixamos, querendo ignorar que o mal maior está no abandono das diretrizes da moral às gerações novas. O Movimento,Espírita no Brasil, alertado pelos Orientadores Espirituais, propõe-se a contribuir positiva e objetivamente para alterar esse quadro. Seu empenho em evangelizar, à luz da Doutrina Espírita, a Criança e o Jovem, tem sentido eminentemente educacional, amplo, autêntico. Objeta-se que essa Evangelização é simples clrota de água no oceano dos desacertos e da conturbação do mundo. Façamos, no entanto, a nossa parte, como na estória do gavião que pretendia apagar o fogo da floresta com as gotas de água carregadas em suas penas. Se não conseguirmos modificar, sozinhos, a situação moral do planeta, pelo menos poderemos despertar a atenção das autoridades e dos órgãos governamentais, dos organismos e instituições para as soluções corretas e justas que o Cristo nos faculta pelo seu Evangelho de Luz, que o Espiritismo está revivescendo em essência e simplicidade. Não devemos permanecer indiferentes, abúlicos, alegando fraqueza, quando o Senhor da Vida confiou-nos tantos talentos. Despreocupemo-nos com a governança do orbe, que não nos pertence; mas cuidemos das pequenas - grandes tarefas que nos compete executar e ante as quais não devemos omitir-nos. Já não resta dúvida quanto à necessidade e inevitabilidade de novos rumos. O modelo educacional, calcado em bases materialistas, ou religiosas - convencionais, produziu os resultados que aí estão, expostos à visão de todos. A própria instituição da família, de inspiração divina, vê-se atingida em seus fundamentos, e já deixa de oferecer os meios seguros de educação às gerações hodiernas. A mais eloquente prova dessa afirmação é a atual sociedade, com múltiplos e chocantes problemas humanos - licenciosidade, permissividade, drogas, violência, contestação formal e inconsistente, niilismo, terrorismo , mostrando-se-nos cada vez mais convulsa e incoerente. A crise generaliza-se. Por isso, urge que pais, mestres, professores, dirigentes, todos os que têm parcelas de responsabilidade na formação dos caracteres, se unam para, nos lares e nas escolas, optar por um novo modelo de educação que encare o homem como ser também de natureza espiritual que é, com livre-arbítrio, razão e consciência. Lembremos o grande Léon Denis : "Como a educação da alma é objeto da Vida, importa em resumir seus preceitos em palavras: aumentar tudo quanto for intelectual e elevado. Lutar, combater, sofrer pelo bem dos homens e dos mundos. Iniciar seus semelhantes nos esplendores do verdadeiro e do belo. Amar a Verdade e a Justiça, praticar para com todos a caridade, a benevolência - tal o segredo da felicidade presente e futura, tal o Dever, tal é a fé que o Cristo legou à Humanidade." "Falar de governo e administração,
no campo sexual, aos que ainda se desvairam em manifestações
poligâmicas, seria exigir do silvícola encargos tão-somente
atribuíveis ao professor REFORMADOR, FEVEREIRO, 1979 |