Vitória\ES

 

EGOÍSMO:

FONTE DE TODOS OS MALES SOCIAIS

Natalino d'Olivo

Os problemas pessoais, tão discutidos atualmente, não são somente do governo. Os problemas são nossos também. Cada um de nós tem uma tarefa a desempenhar na sociedade. O excelso Mestre Jesus disse: "A cada um segundo as suas obras". Assim, não é justo voltarmos as costas aos problemas sociais, deixando a responsabilidade de resolvê-los ao governo, com o pensamento errado de que os eles são frutos do regime. Não é a mudança do regime que vai melhorar a situação do nosso povo. O problema prende-se à consciência, à evolução espiritual. Enquanto houver EGOÍSMO haverá sempre injustiça social, porque o egoísmo é cego e não conhece direito alheio. Se não houver mudança mental, não poderá haver mudança social. Daí o afirmarmos que o fator da evolução história não é econômico e a solução não está na mudança do regime, mas é o grau de desenvolvimento das forças fundamentais do homem e sua aplicação e solução está na educação moral, verdadeiramente cristã.

Na verdade, quando nos desabafamos contra as injustiças sociais, acusando o regime, revelamos falta de compreensão da evolução histórica da liberdade e da tendência egoística dos espíritos inferiores. Não é contra o regime que devemos lutar nem contra quem quer que seja, mas contra o egoísmo, contra a petrificação do sentimento, contra a cristalização mental, contra o mal, por todos os meios possíveis, procurando sempre dar o exemplo, pois a solução precisa começar em nós. Como podemos exigir que outros sejam justos, quando ainda somos injustos? como exigir que outros pratiquem a lei quando ainda a infligimos?

Nesta oportunidade transcrevemos o parágrafo 785 do Livro dos Espíritos:

"Pergunta: Qual o maior obstáculo ao progresso?

Resposta: O orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre. À primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual reduplica a atividade daqueles vícios, desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas, que, a seu turno, incitam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o espírito. Assim é que tudo se prende, no mundo moral, como no mundo físico e que do próprio mal pode nascer o bem. Curta, porém, é a duração desse estado de coisas, que mudará à proporção que o homem compreender melhor que, além da que o gozo dos bens terrenos proporciona, uma felicidade existe maior e infinitamente mais duradoura."

Diante do exposto que não será lícito julgarmos uma situação como a que atravessamos, que tem suas raízes ao longo da história, por alguns fatos isolados. Será que temos realmente a visão do conjunto para julgar o problema? Pelo texto acima, verificamos que o problema não é tão grave quanto parece. A transformação virá e é necessário que trabalhemos para isso. Mas o nosso trabalho é para transformar moralmente os homens e não o regime. Nossa tarefa é a mais difícil, mas trará resultados positivos. Não somos conservadores, porque não concordamos também com essa situação social. Mas achamos que não haverá solução completa sem o fator moral. E a Doutrina Espírita oferece poderosa argumentação e forças extraordinárias para esse trabalho dignificante.

Deolindo Amorim, em seu livro O Espiritismo e os Problemas Humanos - cap. XXXVI, página 177, nos ensina:

"O Espiritismo, sem se descuidar do aspecto espiritual que lhe é notoriamente essencial, não despreza o aspecto econômico da existência humana. Mas a doutrina espírita prescreve a reforma moral como fundamento de toda a reforma social".

Veja, o prezado leitor, como que Deolindo se expressa. Observe bem a última frase e não tenha dúvida de que a nossa tese está fundamentada. Há quem pensa que Deolindo Amorim está pregando socialismo. Porque pensa de forma socialista, quer confundir a mais bela obra que até agora conhecemos na literatura espírita, referente ao assunto. E quem duvidar ainda de nossa assertiva, leia o seguinte tópico do referido escritor:

"Não precisamos buscar luzes fora do Espiritismo, nas horas de incertezas ou inquietação espiritual, uma vez que a doutrina tem base filosófica para guiar a razão e remover as perturbações interiores diante das transformações inevitáveis por que passa o mundo." (Cap. XXVII).

Se o leitor não estiver satisfeito, leia também o capítulo VII do livro: Grandes e Pequenos Problemas, onde o guia espiritual do autor Angel Aguarod afirma que a solução do problema está na ética. Para equilibrar o capital e o trabalho ele aponta um terceiro elemento: - AMOR.

Segundo os livros mais credenciados que possuímos na literatura espírita, como vimos, os fatos sociais são analisados e enquadrados no Espiritismo, porque o Espiritismo em comparação com outras doutrinas, é muito mais completo, claro, conciso e oferece ao homem tudo o que ele precisa para viver bem na Terra e no Além após o desencarne. É preciso, pois, que nossos leitores se convençam de que a doutrina espírita também prega justiça social e com mais segurança porque mostra os dois aspectos do homem: o material e o espiritual.

(Extraído de "Correio Fraterno do ABC" - Ano 2 - agosto 1969)

www.correiofraterno.com.br
Transcrição: Ivan Iapell


Voltar
espiritismocapixaba@oi.com.br - Veja meu livro de visitas