Vitória\ES

 

MEDIUNIDADE E DISCERNIMENTO

“Desenvolver a mediunidade” será conceito adequado para significar a expansão das faculdades psíquicas. Isso, conquanto saibamos seja imprescindível o aprimoramento das qualidades individuais, para que os dotes medianímicos não sejam malbaratados.

Será possível, no entanto, desenvolver a mediunidade como quem desdobra uma peça de pano?

Não desconhecemos que todas as formações da vida se subordinam a leis de ritmo e cresci­mento. Porque o ovo seja levado à chocadeira, isso não quer dizer que se deva elevar o ambiente térmico a cem graus, na suposição de que assim a ave nascitura apareça formada de um dia para outro. Há que dosar o calor, porquanto a máquina coopera no serviço da galinha, mas não substitui a Natureza.

Ocorrem análogas circunstâncias nas realizações de ordem moral. Um rapaz terá pronunciada vocação para a engenharia, mas isso, só por si, não lhe confere autoridade para assumir a direção de uma empresa chamada a garantir o interesse público. E’ indispensável que ele se submeta às disciplinas do estudo, até que senhoreie fielmente a aplicação dos princípios matemáticos e científicos à técnica das construções, a fim de que os recursos da engenharia se manifestem, através dele.

Assim também, na mediunidade. Amemo-la e cultivemo-la com entusiasmo, entesourando discernimento, sem a preocupação de frutos extemporâneos que apenas serviriam para lançar a árvore da boa intenção à estranheza ou à zombaria do próximo, quando o próximo não se mostre habilitado a compreender o intercâmbio espiritual, sempre grave e complexo.

Desenvolvamos a mediunidade, mas estude­mos e estudemos para honorificá-la nas boas obras.

Estimular poderes psíquicos sem educá-los, começando pela educação do instrumento que os expressa, seria o mesmo que espalhar milhões de letras do alfabeto, no piso de uma casa, exigindo que elas se ajustem por si próprias, com­pondo avisos e ensinamentos no chão.

EMMANUEL

(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 26-6-64, em Uberaba, Minas.)

Fonte: Reformador – janeiro, 1965

Responsável pela transcrição: Wadi Ibrahim

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