Vitória\ES

 

Nos momentos difíceis

Sempre que o madeiro da obrigação te pese nos ombros feridos, pensa nos que sofreram antes para que desfrutes os bens de agora.

Descerra os olhos da alma e fita de novo os que te armaram de força e entendimento para o caminho!...

A infância e os benfeitores das horas primeiras!... Medita no tempo em que saíste do aconchego doméstico para as lides maiores da encarnação na Terra, como quem parte de um cais florido para a travessia de mar revolto. Os que viste passar descuidados, nas embarcações do egoísmo, encerra­dos no reconforto próprio, não te ficaram no painel da lembrança, senão como sombras vagas que o tempo esbateu... Entretanto, por muito se te haja mudado a mente, nela está como que insculpida a fogo os que suaram e choraram para que sejas hoje o que és!...

Não te entregues à doentia ansiedade dos que desejam parar a maquina do tempo, rebelados contra a renovação necessária ao aprimoramento da vida, mas, de quando em quando, concede um mo­mento às boas recordações... Delas se levantam os alicerces morais em que te equilibras. Reencontrarás com elas, quais flamas inspiradoras, os gestos anônimos dos que te ajudaram em silêncio; o devotamento dos que acreditaram em tuas promessas e esperanças, estendendo-te mãos socorredoras; a confiança dos que não te desdenharam a meninice, conversando contigo acerca da Verdade; e, sobre­tudo, a abnegação dos que te corrigiram amando, no recinto inesquecível do lar, quanta vez sufocando as mais belas aspirações da alma, para que não te faltasse calor de bom exemplo!...

Reflete nos que te ficaram na memória, à feição de luminosos sinais de rumo para a jornada!... Eles nos ensinam que não existe realização sem trabalho e fidelidade sem sacrifício... Eles te conferirão resistência à frente do desânimo, falar-te-ão de novo ao coração sobre a luz que te confiaram para que o porvir não afunde nas trevas... Pensa naqueles que perseveraram no bem para que o mal não te dominasse o caminho, e, abraçando o trabalho que te cabe na edificação da Humanidade Melhor, compreenderás que o mundo não deve coisa alguma aos que passaram por ele cogitando unicamente de si.


EMMANUEL

(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 19-2-65, em Uberaba, Minas.)

Fonte: Reformador – setembro, 1965

Responsável pela transcrição: Wadi Ibrahim

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