Adriani Geralda Ribeiro, Profissional Atuante na Area de Saúde, Professora de Cursos tecnicos na Area de Enfermagem, Medium Atuante no Grupo de Fraternidade Espírita Irmã Clotildes no Centro de Vitória/ES, entre outras muitas atividades...

Benefícios pagos com a ingratidão


Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XIII – Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita.


item 19 - Benefícios pagos com a ingratidão.


Adriani Geralda Ribeiro


Vamos começar nossas reflexões sobre o tema lembrando os significados que encontramos nos dicionários de língua portuguesa para os vocábulos abaixo:


be.ne.fí.cio – benfeitoria, favor, graça, mercê, serviço gratuito, ganho, proveito, lucro.


ca.ri.da.de - amor ao próximo; benevolência; bondade; compaixão, beneficência.


in.gra.ti.dão - qualidade de quem é ingrato;
falta de gratidão.


gra.ti.dão - qualidade de quem é grato, agradecimento, reconhecimento por benefício recebido.


Vamos então, já conhecendo o significado de cada palavra, tentar responder algumas perguntas. Tente responder cada pergunta antes de ler o texto. Após a sua resposta faça a leitura.


Porque as pessoas ajudam?


Obrigação – algumas pessoas ajudam as outras por se sentirem obrigadas, quando, por exemplo, devem um favor e se sentem obrigadas a pagar esse favor, outro exemplo acontece na relação pais e filhos, na qual os pais se sentem na obrigação de ajudar aos filhos, “se eu não ajudar aos meus filhos o que as pessoas vão dizer de mim?” ou ainda “que pai/mãe sem sentimento sou eu que não ajudo aos meus filhos?” “Se eu não ajudo nem aos meus filhos vou ajudar a quem? Enfim as pessoas vêm no ajudar uma obrigação, e por isso ajudam... este não deveria ser o motivo para que as pessoas ajudem aos outros...


Egoísmo – muitas pessoas pensam no que vão ganhar ao ajudar alguém. Nas oportunidades de ajudar ao próximo logo pensam “o que eu vou ganhar com isso?” “Qual benefício eu vou ter com essa ajuda?...” claro que este também não é o melhor motivo para as pessoas ajudarem...
Vaidade – as pessoas vaidosas ajudam para se vangloriarem que ajudaram alguém, são do tipo “ele melhorou de vida graças a mim...” “Ele só é o que é hoje por minha causa, que sempre estive ajudando em todas as situações” esse tipo de pessoa alarma para todos os lados suas “boas ações”. Este motivo também não é o correto...


Felicitar ao próximo – finalmente chegamos ao motivo correto pelo qual as pessoas devem ajudar às outras... Algumas pessoas ajudam por sentirem que a pessoa que recebe a ajuda será mais feliz, ou seja, sua ajuda irá minimizar a dor do outro, vai diminuir seu sofrimento, vai aliviar sua carga na jornada... e este é o motivo que deve nos impulsionar para o socorro aos nossos irmãos, o socorro desinteressado, ajudar “sem segundas intenções”.


Devemos ter em mente os ensinamentos de Jesus, quando nos dizia que fora da caridade não há salvação. Pode ser que nosso interesse em ajudar seja salvar nossa alma, mas esse interesse não deve passar pela obrigação, pelo egoísmo ou pela vaidade, mas sim em priorizar o bem estar do nosso irmão. Algumas perguntas podem vir aos nossos corações nesses momentos, vejam só, tente novamente responder antes de ler o texto:


• Mas... e quando a caridade não é reconhecida pelos outros? E então nesse caso não devo ajudar? A resposta será sempre positiva, devemos praticar a caridade independente de receber o reconhecimento do outro, afinal se praticamos a caridade esperando reconhecimento estamos entrando na seara da vaidade.
• E quando os benefícios praticados aos outros são pagos com a ingratidão? Ainda assim devemos beneficiá-los, pois se assim não acontecer estamos deixando que a ingratidão do outro determine o nosso comportamento de não ajudar ao próximo... ou seja a atitude errada de um não pode ser motivo de mudança para pior dentro de cada um de nós... devemos sempre tentar melhorar nossas atitudes e não regredir. Às vezes as pessoas ficam magoadas porque as outras não reconhecem sua ajuda, ou agradecem de forma considerada ingrata... “fiz tanto para ele e é assim que ele me agradece...”
• Devo deixar de fazer caridade por receber ingratidão? Ainda que as pessoas não reconheçam ou que paguem a ajuda recebida com ingratidão, não devemos deixar de praticar a caridade. Algumas pessoas até preferem não fazer a caridade para não lidar com os ingratos. Mais uma vez equívoco.


Deus permite que algumas vezes sejamos pagos com a ingratidão, para experimentar a nossa perseverança em praticar o bem.


Para muitas pessoas praticar o bem e a caridade representa pagar grandes somas em dinheiro, fazer grandes ações, ou coisas grandiosas. Não quero dizer que essas não sejam formas de ajudar, sim elas são, mas algumas outras são tão simples que passam desapercebidas por alguns de nós. E às vezes as pessoas se desculpam por não praticar a caridade dizendo “eu não tenho dinheiro para doar aos necessitados” ou “eu não tenho tempo para visitar os doentes”. Será que não podemos através de simples ações tornar o dia de alguém mais feliz? Vejamos essas outras perguntas, lembre-se de tentar responder antes de ler o texto:


Quantas pessoas você cumprimentou hoje? Quem eram as pessoas? Muitas vezes só nos dirigimos àqueles que já conhecemos, ou que temos algum afeto. Que tal cumprimentar o motorista e o trocador do ônibus, desejar-lhes um bom dia, dizer obrigado a alguém que nos serviu no restaurante ou no bar ou na padaria, ou no supermercado, cumprimentar as pessoas quando chegamos à casa espírita ou no nosso trabalho, escola...


Você sorriu para alguém hoje? Para quantas pessoas? Quem eram as pessoas? Como o sorriso modifica o nosso rosto, deixa-nos mais iluminados, mesmo quando temos problemas... quem não tem problemas nessa vida? Um sorriso pode modificar o nosso dia. Lembrando dos doutores do riso podemos perceber que o sorriso e a alegria podem melhorar as nossas defesas contra doenças. Como é gostoso receber um sorriso ao invés de ver um rosto carrancudo com sobrancelhas arqueados de mau humor...


Você abraçou alguém hoje? Quantas pessoas você abraçou? Quem eram? O abraço conforta, transmite calor humano. O abraço fraterno pode ajudar muitas pessoas a se sentirem confortadas, amparadas.


Você já disse eu te amo? Para quem? Quantas vezes? Muitas pessoas sentem dificuldades em expressar seus sentimentos, dizer aos filhos que os ama, ao pai ou à mãe, ao companheiro ou companheira de jornada, ao amigo, a Jesus, ao anjo da guarda, ao mentor, e muitas vezes as oportunidades não voltam para que possamos expressar nossos sentimentos, devemos aproveitar todos os instantes para manifestar, principalmente, os mais nobres sentimentos.


Você ajudou alguém em sua tarefa? Quem era a pessoa? E qual era a tarefa? Como é simples ajudar alguém a levar uma bolsa, a ler uma placa de ônibus, a atravessar uma rua, oferecer o assento ao idoso, tarefas simples e tão fáceis para a maioria de nós e às vezes muito difícil para outros.


E você esperou retribuição? Para quaisquer dessas ações se esperamos o reconhecimento e/ou a gratidão do outro, então nosso objetivo em ajudar baseou-se no interesse, o que foge aos ensinamentos do Cristo.


Para quem te retribuiu, o que você fez? E o que sentiu? Se o sentimento foi de orgulho ou vaidade em ter recebido a gratidão e/ou o reconhecimento, devemos tomar muito cuidado, pois nossa intenção em ajudar não deve ser essa, a intenção em ajudar deve ser fazer o outro feliz, minimizar sua carga, seu sofrimento.


Para quem não te retribuiu, o que você fez? E o que sentiu? ”Nem me agradeceu pelo favor, ingrato...” se o pensamento foi esse, devemos redobrar a vigilância para que nossos corações não nos traia envenenando-nos com a mágoa e o ressentimento. Devemos ajudar sem esperar retribuição... simplesmente ajudar.


Fora da caridade não há salvação


• A caridade deve ser universal, ou seja, fazer o bem a todos, indistintamente.


• A pessoa com o sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com retribuição nenhuma, e sacrifica seus interesses à justiça.


• Um benefício jamais se perde.


Quando magoados, somos tocados no nosso ressentimento e muitas vezes chamamos o outro de ingrato, aos nossos filhos então, parece que a ingratidão maior é a deles, que nunca reconhecem nossos esforços, nossas abdicações, nossos sacrifícios para beneficiá-los. Quando a ingratidão vem de quem amamos parece que a dor nos é maior. Porém vamos fazer mais algumas perguntas, responda-as antes de ler o texto:


Quem é ingrato?


• Agradecemos pela vida?
• Agradecemos pela oportunidade de estarmos aqui para reparar nossas mazelas, desta e doutras tantas vidas?
– Agradecemos pela saúde, pelas funções harmoniosas de nosso corpo e nossas funções fisiológicas...
– Pela capacidade de ver, ouvir, falar, andar...
– Pelo sol, pelo ar, pelo alimento, pela água...
– Por nossa casa, nossos familiares, mãe, pai, filho, filha...
– Pelos amigos que nos ajudam na jornada?
– Pelo nosso anjo da guarda, mentor...
– Pela natureza, as árvores, as flores, os pássaros, os mares...
Não, na maioria das vezes não nos lembramos de agradecer, somente de pedir, pedir e pedir, poucas vezes agradecemos tantos benefícios que recebemos. Podemos concluir então que somos todos ingratos, ingratos de “marca maior”, “de carteirinha”, e ainda ficamos tachando o outro devido à sua ingratidão.
Conta-se uma história que em certo Natal andava São Francisco pela floresta e pelos caminhos gemendo e suspirando, e, ao perguntarem-lhe a causa de sua tristeza, respondeu: "Como quereis que não chore vendo que o amor não é amado? Vejo Deus inebriado de amor pelos homens e os homens tão ingratos para com esse Deus..."
Nós demos a Jesus males em troca de curas, ódio em troca do amor. E ainda hoje Jesus foi apenas um estrangeiro para muitos dos homens, pois se vê que não é amado nem conhecido de muitos, como se não lhes tivesse feito bem nenhum nem tivesse sofrido nada por eles.
Como podemos combater a ingratidão? Gosto muito desse conto e gostaria que refletíssemos com ele, veja:


O Escorpião
Um mestre oriental viu que um escorpião estava se afogando e decidiu tirá-lo da água. Ao pegar o escorpião teve seu dedo picado.
Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água, e estava se afogando de novo...
O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou.
Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse:
- Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?
E o mestre respondeu:
- A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar.
Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água salvando sua vida.
Moral da estória: Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções.


Quanto de ingratidão podemos atribuir ao escorpião? E quanto de caridade podemos atribuir ao mestre? Em que momento o mestre deixou de ajudar devido a ingratidão do outro? Ele apenas tomou precauções..

A maior precaução que podemos tomar contra a ingratidão é ajudar sem esperar reconhecimento e/ou retribuição... mas, se por acaso aparecerem, o remédio contra a mágoa e o ressentimento é o perdão. Como Jesus faz conosco a todo o momento em que somos ingratos com o Pai.
Tudo o que fizermos pelos nossos irmãos gravar-se-á no grande livro fluídico, cujas páginas se expandem através do espaço, páginas luminosas onde se inscrevem nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos. E esses créditos ser-nos-ão regiamente pagos nas existências futuras. Não nos preocupemos com a retribuição hoje, aqui nessa vida...
Convido os irmãos a refletirem sobre esses assuntos e colocarem-se em posição de auxílio. Convido também a mais uma e última reflexão através de uma prece psicografada pelo Chico Xavier:


A partir de hoje proponho-me a perdoar e a esquecer,
para que nada mais me retenha o passo
e me impeça de tornar-me um verdadeiro vencedor!...
Só assim, se um dia me fizeres renascer no mundo novamente,
eu poderei me levantar forte e determinado sobre os meus pés e,
não obstante todos os sofrimentos que experimentar,
eu serei naturalmente capaz de amar acima de todo desamor,
de doar mesmo que despossuído de tudo,
de fazer feliz aos que me rodearem,
de honrar qualquer tarefa que me concederes,
de trabalhar alegremente mesmo que em meio a todos
impedimentos,
de estender a mão mesmo que só e abandonado,
de secar lágrimas ainda que aos prantos,
de acreditar mesmo que desacreditado,
e de transformar o mundo pela força de minha vontade,
porque só o perdão cerra portas ao mal
e estende o progresso do bem,
modificando paisagens e banindo trevas!
Perdoar é amar e amar é estar Contigo, hoje e sempre!
Prece ditada por André Luiz

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