Às vezes, é preciso deixar o bom senso de lado
Existem duas maneiras principais de tornar possível o impossível. A primeira é ter bom senso. A segunda, acredite, é não utilizá-lo.
Se fizermos a seguinte pergunta: “Qual é a qualidade que poucos possuem, mas que todos julgam possuir?”, a resposta mais óbvia será: bom senso. Faça uma pesquisa. Pergunte a dez pessoas do seu relacionamento se elas julgam ter bom senso. Essa é uma das poucas questões da vida em que há unanimidade nas respostas. Todos os seus amigos, sem nenhuma exceção, irão dizer a você que são pessoas de bom senso. Mas, como você os conhece bem, concluirá que não é bem assim...
Se quiser continuar a pesquisa, faça a mesma pergunta a uma pessoa que você comprovadamente sabe que, se há uma qualidade que ela não tem, essa qualidade é o bom senso. Porém, essa pessoa totalmente desprovida de bom senso também dirá que a possui.
Mas, afinal, o que é uma pessoa de bom senso? É aquela pessoa ponderada. É aquela que, ao necessitar tomar uma decisão em relação a determinada questão, sabe ponderar, isto é, tem habilidade para segmentá-la e atribuir pesos adequados a cada parte da questão em análise.
Na análise de um problema, a pessoa de bom senso enxerga à sua frente uma pizza fatiada. Cada fatia representa um ângulo do problema a ser analisado. E, assim, a pessoa de bom senso valoriza cada um dos ângulos e toma a decisão mais conveniente, que, como qualquer decisão, certamente desagradará a uns e outros (algo que a pessoa de bom senso tem plena consciência, pois ela sabe respeitar e entender as diferenças individuais).
A pessoa de bom senso também tem consciência de que, uma vez tomada determinada decisão, terá que “trabalhar” os descontentes, pois, caso isso não seja feito, eles poderão influir negativamente no resultado da ação a ser executada.
Sabe a pessoa de bom senso que o descontente em relação a determinada decisão geralmente torce (muitas vezes de forma inconsciente até) para a ocorrência do insucesso.
Utilizar o bom senso é a primeira das duas principais maneiras de tornar possível o impossível. Agora, vamos à segunda e mais importante forma de, neste tempo de descontinuidade, conquistar o impossível: não utilizar o bom senso.
Não utilizar o bom senso? – Não é paradoxal fazer tal afirmação, uma vez que contraria o que afirmei logo no início deste artigo?
Acontece que não vivemos mais em um mundo em que as ocorrências seguem uma lógica linear. Conviver com paradoxos, agir muitas vezes de forma não-lógica (pelo menos considerando a lógica dos velhos tempos) devem ser características básicas do líder atual. O líder que sempre segue a corrente simplesmente faz o que todos fazem. E, quando uma empresa faz o que todas fazem, ela não inova. E quem não inova não consegue tornar possível o impossível.
Peço especial atenção para a afirmação a seguir: “Não utilizar o bom senso”.
Perceba que não escrevi “não ter bom senso”. Em vez de não ter bom senso, escrevi não utilizar o bom senso, o que é bem diferente. A pessoa de bom senso pode, por sua conveniência, não utilizá-lo às vezes.
A pessoa de bom senso precisa ter consciência de que assim como em muitos momentos basta utilizar o bom senso – como naqueles em que é necessário resolver problemas, inovar, tornar possível o impossível –, também existirão momentos outros – em número cada vez mais crescente – em que não utilizar o bom senso é a melhor saída. É aquele momento em que você se desprende das normas, ignora as regras, enfim, é o momento em que você contraria o bom senso, deixando-o de lado.
Tornar possível o impossível é conseqüência da inovação. E a inovação é fruto da criatividade que, por sua vez, manifesta-se mais facilmente quando utilizamos uma certa irreverência, isto é, quando nos libertamos de normas e regras. Por isso é importante deixar o bom senso de lado se quisermos criar um ambiente de certa irreverência, se quisermos tornar possível o impossível.
Mas, atenção: embora em muitos momentos possamos reprimir o bom senso para que a criatividade tenha espaço para aflorar e tornar possível o impossível, sempre devemos solicitá-lo quando precisamos colocar em ação as idéias inovadoras que nos ocorreram.
Alkíndar de Oliveira é consultor de empresas e fundador e professor da Escola de Líderes, da Escola de Vendas e da Escola Oratória. É autor dos livros Torne Possível O Impossível, em vias de ser editado e sobre o qual inspirou-se este artigo, e Viver Bem É Simples, Nós é Que Complicamos.
A Força do Rádio e da Televisão na Divulgação da Doutrina Espírita
Em Obras Póstumas, disse Allan Kardec (em seu Projeto 1.868):
“Dois elementos devem concorrer para o progresso do Espiritismo; estes são: o estabelecimento teórico da Doutrina e os meios para popularizá-la.
Uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das idéias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião”.
Percebeu que Allan Kardec falou em “popularizar a Doutrina”?
Certamente popularizar a Doutrina não é ter Centros Espíritas apenas para alguns poucos escolhidos.
Percebeu que Allan Kardec também falou em “uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados”.
Você já leu alguma publicidade espírita no jornais “Folha de São Paulo”, “Estadão”, “O Globo”, “Jornal do Brasil”, que são os jornais mais divulgados do país?
Estamos sendo espíritas “fazedores” ou espíritas “faladores”?
Uma pergunta: se na época em que viveu Allan Kardec houvesse televisão será que ele não teria dito “uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados e nos canais de televisão de maior audiência”?
Certamente que sim, pois a Doutrina Espírita é evolutiva.
Você já viu alguma publicidade de 2 minutos por semana nos intervalos do Jornal Nacional explicando, de forma didática e criativa, o que é o Espiritismo?
Mas isto é caríssimo. Certo. Mas nada além do que a criatividade e a união de todas as associações espíritas representativas não pudessem resolver. A solução é união e criatividade.
Dois minutos por semana na televisão, em horário nobre, durante 6 meses, faria todos conhecerem o que é o verdadeiro Espiritismo. E as igrejas que falam inverdades sobre nossa doutrina teriam que explicar para seus seguidores tudo o que falaram de impropriedades. Seria uma revolução cultural. Além do que aumentaria substancialmente os seguidores do Espiritismo.Mas o que se vê no meio espírita? Forças aglutinando-se para terem atitudes “fazedoras”?
Não.
O que se vê, com raras exceções, são instituições e associações representativas do Espiritismo geralmente trabalharem dentro de quatro paredes, sem abrirem os olhos para a necessidade do trabalho espírita lá fora, no mundo que circunda suas quatro paredes.
Os líderes espíritas precisam fazer um curso de criatividade.
No livro Reflexões Espíritas ( Editora Leal, psicografia de Divaldo Pereira Franco), disse o espírito Vianna de Carvalho: “Na hora da informática com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretexto pueris, em que se disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação, porquanto o único antídoto à má Imprensa, na sua vária expressão, é a aplicação dos postulados espíritas”.
Certo amigo espírita disse-me “Alkíndar, nós estamos falando para nós mesmos”. E é verdade. Enquanto Jesus divulgava sua doutrina procurando atingir um público cada vez maior, nós nos contentamos com nossos fechados congressos e com nossas palestras para nosso pessoal.
Três.
Isto mesmo.
Apenas três.
Dizendo de outra forma: 0,12 Rádio Espírita por estado!
Talvez seja porque não dá “Ibope”.
Engano de quem assim pensa. Está, sim, faltando ousadia aos espíritas. Há uma crescente - e muito mal explorada - demanda.
Vejamos se programas espíritas dão IBOPE:
A Federação Espírita do Paraná comprou o espaço de 1 hora em uma das Rádios FM de Curitiba-PR para colocar no ar um programa espírita. Resultado: líder do horário. Em Itajubá-MG há na Rádio local um programa semanal espírita de 30 minutos, também líder do horário. A Rádio Espírita do Rio de Janeiro transmite aos domingos pela manhã um programa espírita de 1 hora, também líder do horário.
Como vimos existem sim algumas medidas em prol da divulgação da Doutrina Espírita. Mas são - por enquanto - medidas isoladas.
Veja um exemplo de sucesso na cidade do Rio de Janeiro: a CAPEMI patrocina, aos domingos pela manhã, um programa espírita na TV Bandeirantes com uma hora de duração. É “O Despertar do Terceiro Milênio”. Certa vez o seu coordenador, o excelente orador Geraldo Guimarães, disse-me “Alkíndar, só estamos perdendo para o Globo Rural. O nosso programa já está em segundo lugar em audiência no Rio de Janeiro!”. Veja só, como de fato demanda existe.
Outra boa notícia: há pouco tempo soube que o programa coordenado por Geraldo Guimarães e produzido pela excelente equipe de Joel Vaz (que é um dos entrevistadores do programa) já não está mais em segundo lugar em audiência. Esta em PRIMEIRO! Já passou o GlOBO RURAL!
(O programa “O Despertar do Terceiro Milênio”, de ótima qualidade, está sendo retransmitido aos domingos pelas manhã – via antena parabólica – no horário das 9h às 10h, canal de 11 a 15).
Por que os espíritas não se unem para aumentar a potência da Rádio Boa Nova, de São Paulo? Têm uma boa programação. Mas eu, que moro na cidade de São Paulo, não consigo ouvi-la em casa. E isto certamente ocorre com muitas outras pessoas.
Por que os espíritas “fazedores” não se unem para, além de aumentar sua potência, transformar também em FM (hoje é AM) essa Rádio Espírita do nosso estado?
Se quisermos deixar de falar somente para nós mesmos temos que valorizar mais o Rádio e a Televisão. O mesmo Geraldo Guimarães disse-me que em sua vida deve ter feito mais de 3.000 palestras espíritas para um público aproximado de 150.000 pessoas. Em mais de 40 anos de oratória espírita conseguiu atingir um público de 150.000 pessoas. No programa em que coordena na TV Bandeirantes-RIO, de 1 hora de duração, ele – quando participa - fala para 600.000 pessoas!!! Veja bem: Em uma hora de programa Geraldo Guimarães atinge quatro vezes mais público do que seus 40 anos de pregação!!!
Se Jesus voltasse à Terra que mídia será que utilizaria para atingir o maior público possível?
Isto. Você acertou: Televisão.
O capítulo 5 do livro “Boa Nova” (de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, FEB), transcreve as normas de ação que Jesus passou aos seus discípulos para que realizassem a concretização dos ideais cristãos. Em dado momento Jesus falou aos seus discípulos:
“O que vos ensino em particular, difundi-o publicamente; porque que o que agora escutais aos ouvidos será o objeto de vossas pregações de cima dos telhados” (Vide Mateus, capítulo 10, versículo 27, “Os doze e sua missão”).
Numa interpretação atual, será que a expressão “vossas pregações de cima dos telhados” não poderia ser uma antevisão da necessidade da divulgação através da televisão? Pois, o que hoje vemos em cima dos telhados são antenas de televisão. Não é?
Uma outra boa notícia é que a SEDA – Sociedade Espírita de Divulgação e Assistência, que aos domingos das 10h às 12h transmite o programa “Espiritismo Via Satélite”, recebeu da Embratel o canal TV SAT Digital. Agora só está faltando a união dos espíritas em prol de um bom trabalho a ser apresentado por esse canal.
Uma pergunta:
Por que, nosso estado (SP), o mais rico estado do país não tem na televisão um programa espírita num bom horário?
Para quem não sabe num dos últimos livros de Divaldo Pereira Franco o espírito João Cleofas informa que há Sanatórios na espiritualidade que têm como principal clientela espíritas desencarnados arrependidos. Espíritas que não entenderam, quando na terra, que ser espírita, é uma missão.
Diz Allan Kardec no capítulo XVIII do livro “A Gênese”:
“Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto, do que qualquer outra doutrina, a secundar o movimento de regeneração”.
Se o Espiritismo é, como diz Kardec, a Doutrina mais apta a secundar o movimento de regeneração (que se avizinha), será que devemos deixar só para nós – seguidores do Espiritismo - este vastíssimo conhecimento que a Doutrina Espírita proporciona?
Uma importante observação:
Não pense, caro leitor, que este empenho em despertar a importância da divulgação da Doutrina Espírita seja porque creio que todos devam ser espíritas. Não é isso. Penso que a Terceira Revelação não pode caminhar timidamente como está ocorrendo. Afinal de contas é a “Terceira Revelação”. As pessoas não precisam ser espíritas, mas os postulados espíritas precisam ser conhecidos por todos.
Alguém já disse que o Espiritismo não será a religião do futuro, mas sim, o futuro das religiões.
E isso é tudo.
A Importância da Ação
Certa vez participei como palestrante convidado de um seminário espírita onde procurávamos caminhos para a melhor evolução do Espiritismo. Lancei algumas idéias que, segundo pesquisa posterior feita pela própria comissão organizadora, foram aprovadas pelo público.
Um dos responsáveis pelo evento, julgando que minhas idéias poderiam ser colocadas em prática, convidou-me para ir à Brasília e também a outras regiões do país para começarmos um intenso movimento, no sentido de melhor divulgá-las.
Prontamente, aceitei o desafio.
Aceitei o convite.
Desde 1.997 estou aguardando a concretização do que foi combinado.
A coisa ficou só no convite.
Nós, os participantes daquele seminário, perdemos tempo.
Houve um intenso trabalho prévio para organizar aquele seminário, os palestrantes perderam horas ou dias de estudo e preparo.
Para quê?
Para nada.
Parece que o objetivo era só realizar o seminário.
Percebi, mais uma vez, que o Movimento Espírita é bom ( não vou dizer ótimo ) para preparar previamente um congresso ou seminário, é regular ( não vou dizer bom ) para fazer acontecer o congresso ou seminário, mas não é eficaz para tirar do seminário conclusões e ações práticas, próprias de pessoas fazedoras.
Interessante é que tenho percebido que após o término de um Congresso, a preocupação maior passa a ser a preparação do próximo Congresso. E as ações conseqüentes de um Congresso como ficam?
Nos treinamentos que dou em empresas, a parte mais importante não é o preparo prévio do evento; a parte mais importante também não é o evento em si, a parte mais importante são as ações práticas pós-evento. Será que no Movimento Espírita também não poderia ser assim?
A Maledicência
A maledicência - o falar mal dos outros - é um dos maiores males do nosso século.
Será que gostamos de falar mal dos outros ?
Será que quando afirmamos:
“Não estou falando mal de fulano. Só estou dizendo a verdade”, na realidade não estamos encobertando nosso prazer de falar mal dos outros?
Conhecer-se a si mesmo. Este é o caminho para o nosso aprimoramento.
E com o objetivo de, em relação à maledicência, nos conhecermos melhor, sugiro tirar cópias e aplicar este teste de auto-conhecimento junto aos integrantes dos grupos de estudos do Centro Espírita em que você atua.
Antes de aplicar o teste é conveniente ressaltar aos que se propuserem a participar do mesmo, que é um teste de auto-conhecimento particular. Isto é, ninguém precisa e nem deve comentar o resultado. O objetivo maior é fazer cada pessoa conhecer-se melhor e refletir sobre as conseqüências nefastas da maledicência.
Após a aplicação do teste e resultados do mesmo, faça reflexões, junto ao seu grupo de estudo, sobre:
a) A pergunta 903 do O Livro dos Espíritos.
b) As frases seguintes:
“Não há institutos de pesquisas no mundo capazes
de avaliar a quantidade de infortúnio e delitos desencadeados entre os homens,
anualmente, resultantes de impressões falsas proclamadas como verdadeiras”.
(W. Vieira, Técnicas de Viver)
“O tempo que se perde na crítica pode ser usado
em construção”
(F. C. Xavier, Sinal Verde)
FAÇA SEU PRÓPRIO TESTE:
“EU E A MALEDICÊNCIA” (extraído do Jornal “O Trevo”, de julho/78. Autoria de Ney Prieto Peres)
1) Ao surgir, numa conversa, comentários sobre um deslize de alguém, você se interessa em ouvir?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)faz perguntas | (5)ouve apenas | (10)corta a conversa |
2) Ao saber de uma infidelidade de parente ou pessoa amiga, apressa-se em levar a notícia adiante?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)comenta com outros | (5)pensa em falar, mas silencia | (10)pondera e cala |
3) Acha divertido e participa animadamente das fofocas entre amigos(as)?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)participa contribuindo | (5)apenas ouve e ri | (10)evita as fofocas |
4) Escandaliza-se ao saber de ocorrências escabrosas envolvendo pessoas conhecidas?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)arregala os olhos e exclama | (5)comenta com outros | (10)não se envolve e silencia |
5) Sente-se atraído(a) pelas conversas ou notícias sobre desastres e crimes passionais?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)busca avidamente | (5)apenas ouve e lê | (10)evita ouvir e ler |
6) Comenta com outros os defeitos de alguém por quem sente qualquer antipatia?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)acentua os defeitos | (5)não chega a comentar | (10)evita ver os defeitos |
7) Sente, às vezes, incontrolável impulso, e deixa transparecer a outros um assunto reservado, confiado por pessoa de sua intimidade?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)não resiste e fala | (5)apenas sente vontade de falar | (10)nem sente vontade nem fala |
8) Dá ouvidos a conversas sobre problemas causados por companheiros, no âmbito do centro espírita em que colabora?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)comenta e dá ouvidos | (5)ouve e silencia | (10)pondera com tolerância |
9) Alguém lhe diz “não gosto de fulano”, “beltrano é mal encarado e presunçoso”. Tendo oportunidade, você conta à pessoa em questão o que ouviu?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)não resiste e transmite o que soube | (5)apenas sente vontade de contar | (10) não conta |
10) Usa, por vezes, expressões do tipo: “aquele cara é um chato”, “veja o que beltrano me fez”, “fulano só quer ser o bom”, etc.?
QUAL A SUA ATITUDE?
| (0)não resiste e comenta a sua opinião | (5)tem sua opinião mas não comenta da pessoa | (10)procura ver o lado bom |
AVALIE-SE COMO SEGUE:
Adicione as pontuações que estão dentro dos parênteses que você assinalou.
Chegue à soma.
Veja o resultado:
De 90 a 100 pontos: muito bom, excelente resultado.
De 70 a 89 pontos: bom, mas deve se cuidar.
De 40 a 69 pontos: sofrível, lute bastante.
De 0 a 39 pontos: sem comentários, esforce-se ao máximo
Extraído do Jornal “O Trevo”, de julho/78. Autoria de Ney Prieto Peres
A Regra de Ouro
Imagine um grande empresário que além de ser um homem de sucesso também fosse um visionário. Imagine que este homem, mundialmente conhecido, resolvesse pesquisar o porquê do sucesso, isto é, resolvesse pesquisar qual seria a razão de determinadas pessoas destacaram-se pessoal e profissionalmente enquanto outras ficam à margem da sociedade.
Imagine ainda que, para conseguir tal intento, este empresário financiasse todas as despesas desta pesquisa durante 25 anos. Durante 25 anos ( um quarto de século! ) seriam entrevistadas pessoas de sucesso. Durante 25 anos seriam catalogadas e pesquisadas as respostas destas pessoas para se chegar a um denominador comum.
Se tal ocorresse, seria uma pesquisa seríssima. E o resultado desta pesquisa deveria ser leitura e estudo obrigatório de todas as pessoas e de todas as escolas.
Mas será que existiu um empresário com tal disposição e visão de futuro?
Existiu.
Seu nome: Andrew Carnegie. Um dos propulsores do progresso dos Estados Unidos da América do Norte. Um legendário homem de negócios.
Andrew Carnegie financiou esta pesquisa e colocou à frente da mesma uma pessoa cujos estudos tornaram-na também legendária. Um nome respeitado por todos os consultores e pessoal ligado a treinamento e desenvolvimento humano: Napoleon Hill.
Napoleon Hill em seu livro “A Lei do Triunfo” ( Editora José Olympio ) ensina-nos em, 16 lições, como ser um homem de sucesso. Uma destas lições é denominada por ele de REGRA DE OURO e, conforme palavras do próprio, deve ser a base de toda conduta humana.
Qual é a regra de ouro?
“NUNCA FAREI AOS OUTROS AQUILO QUE NÃO DESEJARIA QUE ME FIZESSEM”.
Decepcionou-se? Esperava mais que isto? Mas, creia, aí está o princípio dos princípios. Aí está a base real das pessoas que realmente são um sucesso. Esta regra funciona como uma alavanca mágica. Aplique-a e se surpreenderá pelos resultados alcançados.
Usemos da empatia. Isto é, antes de falarmos ou agirmos, coloquemo-nos no lugar do próximo. Criemos o hábito de colocarmo-nos no lugar do próximo e, então, ficará fácil aplicar a regra de ouro.
Do livro “Viver Bem É Simples, Nós É Que Complicamos”, Alkíndar de Oliveira, Editora Didier
A Rotina Devastadora
Cara irmã, caro irmão espírita, necessitamos sair da rotina paralisante.
Sabemos, pelas palavras de Kardec, que o Espiritismo é uma Doutrina inovadora. No entanto, de forma paradoxal, o movimento espírita mantém-se muito atrasado em termos de conceitos de liderança. Não se inova.
Li em abril de 99 um editorial, redigido por um dos destacados líderes espíritas brasileiros, que preocupou-me ( não obstante o seu altíssimo conteúdo, aliás, característica marcante dos textos do referido líder ).
Preocupou-me porque dizia o autor do editorial que o Espiritismo deveria tomar cuidado em não seguir as inovações que estão surgindo.
É bem verdade que ele – o autor – tem lá suas razões. Se sairmos seguindo e adotando tudo o que aparecer de inovador, corremos o risco de desfigurar nossa Doutrina ( tem gente até que acredita que inovar é não seguir Kardec!!! ). Por isso, devemos sim tomar cuidado com as diversas “inovações” que estão surgindo. Cautela, bom senso e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Mas acontece que o autor generalizou. Isto é, ele não enfocou que deveríamos tomar cuidado com certas inovações. Ele generalizou, repito. Dando a entender que devemos deixar tudo como está, que está tudo bem, que – parece-me, pelas suas palavras – o Espiritismo está no caminho certo. Na realidade, se olharmos com olhos de quem observa o Espiritismo de fora para dentro ( não somente de dentro para fora ), perceberemos nitidamente que uma das características marcantes do movimento espírita atual é a ausência de medidas ousadas, consequência da presença de líderes eficientes mas não eficazes.
Portanto, irmãos espíritas, vamos inovar, vamos ser ousados, vamos sair da mesmice.
Como?
Basta seguirmos os 5 procedimentos do líder eficaz, resultado de pesquisa feita pelos norte-americanos Kouzes e Posner ( vide livro O Desafio da Liderança, Editora Campus ).
DESAFIAR O ESTABELECIDO;
INSPIRAR UMA VISÃO COMPARTILHADA;
PERMITIR QUE OS OUTROS AJAM;
APONTAR O CAMINHO;
ENCORAJAR O CORAÇÃO.
Estude as atitudes de Jesus e de Kardec e descubra que ambos foram ousados (e como foram ousados ). Ambos aplicaram todos os 5 procedimentos do líder eficaz.
E nós? Estamos sendo ousados?
Estamos sendo líderes eficazes?
Bingo no Meio Espírita, Mal Necessário?
Até o momento em que escrevi este texto ainda não havia lido, em nosso meio, comentários sobre esse tema. Escrevi-o por crer que cabe aos espíritas interessados na unificação colocar em evidência – no momento apropriado e no local certo – temas que, no campo das idéias, sejam polêmicos. Esse posicionamento nunca deve ser no campo pessoal, pois sempre devemos respeitar as opiniões contrárias. Respeitar não necessariamente significa concordar, mas, sim, aceitar um ponto de vista que nos é contrário. Esse procedimento, isto é, o procedimento de aceitar um ponto de vista de outra pessoa, mesmo não concordando com o seu teor, chama-se (todos nós sabemos) tolerância, um dos pilares – segundo Kardec - da unificação espírita.
Se você é contrário à utilização do bingo no meio espírita, peço-lhe o favor de tirar do seu pensamento que vou procurar neste texto persuadi-lo a mudar de idéia. Exponho abaixo meu ponto de vista mais com o objetivo de mostrar que existem argumentos para tudo. É possível encontrar dezenas de argumentações a favor do bingo no meio espírita e dezenas de argumentações contrárias. Insistir em ser dono da verdade é gerar uma discussão inútil, improdutiva e, principalmente, prejudicial à causa da unificação.
Lembra-se daquele samba antigo que dizia: “O que dá prá rir dá prá chorar, depende só de peso e medida”? Pois é, cabe-nos a sensatez de, para o bem da unificação, entendermos que existem muitas faces da verdade.
No meio espírita, contracenando lado a lado com a pureza doutrinária, há a realidade da dureza monetária. Ambas implacáveis.
Há uma única forma de acabar com a dureza monetária sem afetar a importância da pureza doutrinária. Essa única forma chama-se criatividade.
Muitas vezes imagina-se, como o próprio nome sugere, que criatividade é o ato de criar algo novo. Mas a realidade é que em mais de 90% dos casos nada se cria de novo. Se analisarmos os diversos “atos criativos” que estão por aí, verificaremos que o seu “criador” simplesmente conseguiu enxergar um novo ângulo de algo que já existia. Esse é o seu mérito, e, diga-se de passagem, grande mérito. Um exemplo clássico é a propaganda do biscoito Tostines: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?” que nada mais é do que uma versão da famosa pergunta: “O que veio primeiro, o ovo ou a galinha?”.
Criatividade têm sido na maioria das vezes o ato de dar uma nova roupagem a algo que já existe, mudando completamente o foco e o campo de visão.
Uma das formas criativas que nossos irmãos espíritas estão utilizando para saírem da dureza monetária é dando uma nova roupagem ao tradicional Bingo. Estão inteligentemente – e criativamente – transformando um jogo de azar em jogo de sorte.
Característica do Bingo fora dos Centros Espíritas:
É um jogo onde poucos ganham e a maioria perde. Em outras palavras, é um jogo de azar.
Característica do Bingo patrocinado por Centros Espíritas:
É um jogo onde todos ganham ( sem uma única exceção ) pois, mesmo que a maioria não ganhe o prêmio objeto do bingo, ninguém deixará de ganhar o prêmio maior: que é o de poder contribuir com uma causa nobre em prol do bem do próximo. Em outras palavras, é um jogo de sorte.
O espírita precisa deixar de ser preconceituoso, pois, numa análise racional, não é a ferramenta utilizada que determina uma boa ou má ação. Por exemplo, analisemos o uso de uma faca por dois indivíduos, um assassino e um homem de bem. Para o assassino a faca pode ser o instrumento do homicídio, para o homem de bem a faca pode ser o instrumento para cortar o pão e alimentar os seus irmãos.
Descartes, no seu Discurso do Método, disse que “para chegarmos à verdade, é preciso, uma vez na vida, que nós nos desliguemos de tudo que aprendemos, e começar tudo de novo”. Procuremos despirmo-nos de nossos preconceitos em relação ao Bingo.
Façamos a nós uma pergunta e reflitamos sobre ela:
Se na divulgação do bingo no meio espírita sempre é dado ao participante o direito de saber a que se destina sua arrecadação ( ajudar uma creche, por exemplo ), se na realização do bingo a maior parte do dinheiro arrecadado vai para uma causa nobre, qual é a razão desse meu preconceito?
Se depois de tudo o que você ler neste artigo, concluir que o Bingo é um mal necessário, atenção: não utilize-o para angariar fundos. Pois, para nós espíritas, o fim nunca deve justificar o meio. Por outro lado, se após essa leitura você concluir que o Bingo, numa nova e criativa roupagem é um jogo de sorte e não jogo de azar, é porque conseguiu despir-se do seu preconceito e conscientizou-se que o Bingo – nessa nova roupagem – não é um mal, é sim um bem extremamente útil para ajudar a sairmos dessa dureza monetária sem ferirmos a pureza doutrinária.. Nesse caso utilize-o e seja o seu um dos Centros espíritas que, sem perder a pureza doutrinária, encontrará como sair da dureza monetária.
Costumo dizer que “ser espírita é a arte de sonhar com um mundo angelical, mas saber viver - sem ferir a ética espírita – num mundo de expiação e provas”.
Quando fizermos parte de um mundo angelical, ou mesmo de um mundo de regeneração, não precisaremos de Bingos para levar à frente nossos projetos no campo espiritual, mas por enquanto, ele é uma das maneiras mais simples e das mais produtivas. Se assim é, por que alguns espíritas são totalmente avessos ao uso do Bingo no meio espírita? Por uma só razão: sabem sonhar com um mundo angelical, o que é muito bom, mas não querem trabalhar com os instrumentos que esse mundo de expiação e provas nos proporciona.
Não. Esse caso não é uma questão de certo e errado. Pergunto: pode o ser que escolheu abolir a carne de sua alimentação criticar quem tem a carne como seu prato predileto? Não, não pode criticar. A escolha de alimentar-se ou não com carne é uma questão pessoal. O vegetariano está procurando viver como viveria num mundo mais evoluído ( e ele tem esse direito ), o carnívoro ( que somos a maioria ) está vivendo de acordo com suas necessidades orgânicas atuais ( e também temos esse direito ). Estamos errados por assim agirmos? Não. Nenhum dos lados está cometendo erro.
Errado seria um criticar o outro, não respeitando o direito de opção.
Cabem aos espíritas respeitarem-se em relação ao direito de opção no uso ou não do Bingo para angariar fundos.
De certa forma, os favoráveis ao Bingo são os “carnívoros”, os contrários são os “vegetarianos”, ambos filhos de Deus.
No livro Jesus no Lar, Editora FEB, o espírito Neio Lúcio nos traz uma belíssima história sobre o problema mais difícil de resolver nos serviços referentes à procura da Luz Divina ( leia o capítulo 36 do citado do livro ). Em síntese a história nos passa a seguinte mensagem: “o mais intrincado problema do mundo, é o de cada homem cuidar dos próprios negócios, sem intrometer-se nas atividades alheias. Enquanto cogitamos de responsabilidades que competem aos outros, as nossas viverão esquecidas”.
Enfim, vamos nós “os carnívoros”, que adotamos o Bingo, fazer bem nossa parte sem criticar “os vegetarianos”. Ao mesmo tempo que “os vegetarianos”, que não adotam o Bingo, que façam bem sua parte, sem criticar “os carnívoros”.
Os Centros Espíritas geralmente não têm estrutura financeira para, entre outras coisas, fazerem-se mais presentes na comunidade. Passamos – sem querer – a ser omissos. Essa omissão dos espíritas, essa nossa falta de audácia ( vide pergunta 932 d’O Livro dos Espíritos ) propicia espaço para que muito gente ainda acredite em Adão e Eva, para que muita gente ainda veja Deus como um ser antropomorfo, para que muita gente ainda creia que Deus castiga, para que muita gente ainda valorize mais o culto exterior do que o culto interior, para que muita gente, como disse André Luiz, valorize mais a letra do evangelho do que o evangelho da letra.
Quando Herculano Pires disse “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da terra”, deixou de forma implícita que estamos alongando nossa estrada. Estamos deixando de fazer obras de vulto para a divulgação do Espiritismo. E, em qualquer obra terrena, o dinheiro têm importância especial.
Sem ferir a ótica e a ética espíritas, saber utilizar com inteligência e criatividade dos recursos que nosso mundo oferece, despirmo-nos de preconceitos, sermos audaciosos, conscientizarmo-nos de nossa grande responsabilidade, são as formas de fazermos do Espiritismo o mais importante movimento cultural e espiritual da terra.
E para isto precisamos de dinheiro.
E qual é uma das formas mais simples de conseguí-lo? Utilizando do Bingo, o jogo da sorte.
Não.
Certamente, não.
Certa vez Galileu reuniu os principais professores da Universidade de Pizza à frente da torre homônima para provar, cientificamente, que dois objetos com pesos diferentes lançados de uma mesma altura e num mesmo momento, levariam o mesmo tempo para atingir o solo. Galileu conseguiu provar aos estupefatos professores que o peso do objeto não é preponderante. Isto é, que qualquer que fosse o peso de cada um dos objetos , eles chegariam juntos ao solo. Galileu provou tal fato. Sabe o que os professores continuaram lecionando? Continuaram por muitos anos ensinando aos seus alunos o contrário do que Galileu havia cientificamente provado.
Por que nós seres humanos somos resistentes às idéias novas. Veja o exemplo de Jesus quando veio à terra. Veja o exemplo de Kardec.
A Lei de Russel diz “a resistência à uma idéia nova aumenta na proporção do quadrado de sua importância”. E para quem têm uma forte opinião contrária – pré-concebida – em relação ao Bingo, esse artigo é uma idéia nova e sofrerá resistência. E, por não julgar-me dono da verdade, cabe-me respeitar as naturais resistências.
Escrevi esse artigo mais com o objetivo de desanuviar a mente daquele dirigente que hoje utiliza do Bingo, e não encontra apoio de muitos dos seus irmãos espíritas, do que para convencer a quem não aceita o Bingo no meio espírita. Cabe a nós humanos difundir novas idéias, mas sempre respeitar as opiniões contrárias.
Como Agir Contra os Ataques ao Espiritismo?
Ligue sua televisão pela madrugada. Com o seu controle escolha aquele canal em que um líder religioso está entrevistando uma pessoa do povo. Você vai ouvir mais ou menos o seguinte diálogo:
“- Então a senhora se arrependeu de ter sido espírita?
- Sim, me arrependi. Foi um dos momentos de minha vida em que tudo dava errado e eu não sabia porque.
- E agora que a senhora está em nossa Igreja, como está sua vida?
- Agora, com Jesus no meu coração, tudo mudou. Consegui emprego, consegui comprar minha casa própria e sou uma pessoa muito mais feliz.
- Então o Espiritismo prejudicou a senhora?
- Prejudicou. Hoje eu vejo que o Espiritismo é coisa de demônio. Se pudesse diria para todos os espíritas conhecerem a nossa Igreja onde Jesus é o nosso Mestre e Senhor. Os espíritas precisam enxergar que o seu mestre é o demônio.”
Depois de ouvir tudo isso, nós espíritas ficamos a imaginar:
“Que desconhecimento em relação ao Espiritismo!”.
Um parêntese: Você se lembra, caro leitor, quando chutaram em um dos programas de televisão a imagem católica de Nossa Senhora Aparecida? Você se lembra da intensa e imensa reação dos católicos de todo o Brasil? Você se lembra dos insistentes noticiários da televisão e dos inflamados artigos de jornais e revistas sobre o assunto?
A reação de todos foi impressionante!
Há tempos não se via tamanha comoção em nosso país. O chute na imagem de Nossa Senhora era assunto nas escolas, nos bares, em todos os lugares.
Agora reflita comigo:
Você já imaginou que todos os dias determinados pastores chutam nossa Doutrina?
Por terem chutado uma única vez uma imagem, os católicos e toda a mídia brasileira prontamente reagiram.
E nós que estamos sendo chutados todos os dias, estamos reagindo?
Poderíamos pensar que existem duas alternativas para resolver essa crítica situação de ataque diário e persistente ao Espiritismo:
A primeira:
Culpar o pastor e procurar fazer com que o mesmo nos dê satisfação por publicamente desrespeitar de maneira infame e inculta a Doutrina que professamos.
A segunda:
Divulgar melhor nossa Doutrina.
Agirmos de acordo com a primeira alternativa geraria polêmica. E polêmica gera polêmica, que por sua vez gera polêmica...
Veja as palavras de Allan Kardec:
“Uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das idéias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião”.
Vale a pena também ler as palavras de Vianna de Carvalho, espírito:
“Na hora da informática com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretexto pueris, em que se disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação, porquanto o único antídoto à má Imprensa, na sua vária expressão, é a aplicação dos postulados espíritas, hoje ainda ignorados e confundidos com as superstições, crendices, sofrendo as velhas conotações infelizes com que o caluniaram no passado, aguardando ser despojado das mazelas que lhe atiraram os frívolos e os déspotas, os fanáticos e os de má fé, quanto os que se apoiavam nos interesses subalternos, inconfessáveis...
Hora de mentalidades abertas às informações de toda ordem, este é o nosso momento de programar tarefas, fomentar a divulgação por todos os meios, tornando-se cada companheiro honesto e dedicado, nova “carta-viva”, para a estruturação de um homem melhor, portanto, de uma sociedade mais justa, uma humanidade mais feliz”.
Complementa ainda Vianna de Carvalho “Como não é lícito fomentar debates ou gerar discussões improdutivas, cabem, freqüentemente, sempre que possíveis, as honestas informações entre Doutrina Espírita e Doutrinas Espiritualistas, prática espírita e práticas mediúnicas, opiniões espíritas e opiniões medianímicas...”
Kardec e Vianna de Carvalho nos mostram que gerar polêmicas, criar discussões improdutivas a nada levam.
Procurar discutir no mesmo nível dos detratores é agir como eles estão agindo. É errar como eles estão errando.
Nossa tarefa é melhor divulgar a Doutrina e respeitar todas as religiões.
Uma eficiente e eficaz divulgação do Espiritismo, como disse Kardec: “imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião”.
Portanto, qual deve ser nossa postura ao divulgar nossa Doutrina?
Ao procurar divulgar nossa Doutrina, devemos fazê-la sem proselitismo, com ousadia e sensatez, tendo sempre em mente que nossa postura tem que ser a postura do conhecimento, da ética, da dignidade e da boa ação.
Conseqüência do Relacionamento Desarmonioso: Divulgação Negativa do Espiritismo
Sou dos que acreditam que nós espíritas precisamos ser mais audaciosos, mais ousados (vide pergunta 932 d’O Livro dos Espíritos). Principalmente na divulgação da Doutrina Espírita, pois em outros campos até que estamos indo bem. Acontece que, infelizmente, alguns companheiros espíritas estão sendo ousados onde não deveriam ser.
Explico: existem veículos de divulgação espírita (jornais, revistas, televisão) que divulgam em seus artigos ou programas as divergências existentes entre os espíritas, seja no campo das idéias, seja no campo pessoal. Talvez, repito, “talvez” esses polêmicos artigos ou programas até pudessem ser úteis à divulgação de nossa amada Doutrina, se seus autores ou apresentadores soubessem colocar em seus textos o respeito e a caridade que devem existir também entre os espíritas. Mas o que se vê são palavras ferinas, pseudamente sustentadas em razões “lógicas”.
É verdade que existem no meio espírita muitos procedimentos que merecem correções ou mudanças. O Movimento Espírita comete erros, como qualquer outro movimento religioso. Por que? Porque somos seres imperfeitos, portanto, passíveis de erros. Mas, procurar corrigir, ou tentar corrigir erros dos outros com ofensas é, no mínimo, falta de bom senso e, pior, contraria o princípio harmônico do Espiritismo.
Há algum tempo li num jornal espírita um ferino e indelicado artigo com ferrenhas críticas a um proeminente espírita. Além de eu e muitas pessoas terem lido aquele artigo, alguns pastores protestantes também o leram. Foi um prato cheio para eles. Se, sem motivos, aquela facção do protestantismo gosta de criticar o Espiritismo, imagine só tendo fatos reais para criticar...
O que fizeram os pastores com aquele “rico” material em suas mãos? Pois bem, em rede nacional, divulgaram em seu canal de televisão o mencionado artigo enfatizando o fato que “nem os próprios espíritas se entendem”. Pena que o autor daquele artigo em jornal espírita não conhece e não aplica aquele antigo ditado: “roupa suja se lava em casa”. E por desconhecê-lo, prejudicou a divulgação do Espiritismo.
Algum tempo depois da ocorrência do incidente acima, uma das revistas espíritas mais tradicionais do país escreveu um belíssimo editorial enfocando os erros cometidos por alguns órgãos espíritas, em relação às críticas entre espíritas. Alertava aquele editorial sobre a necessidade de haver maior compreensão e bom senso entre os espíritas. Foi um texto respeitoso e muito bem escrito. Um alerta necessário.
Mas veja só, caro leitor, em abril de 1.999 tive o desprazer de ler nessa mesma conceituada revista espírita (que, lembro-lhe, havia alertado aos demais veículos de comunicação espírita sobre os malefícios da má imprensa) um artigo onde ela cometia o mesmo erro que antes condenara. Essa revista também esqueceu que “roupa suja se lava em casa”. Fez ela um desserviço à divulgação da Doutrina. E, pela sua importância e tradição no meio espírita, o desserviço dessa revista foi imenso.
Existem divergências entre padres, pois que são humanos.
Existem divergências entre pastores protestantes, pois que são humanos,
Existem divergências entre espíritas, pois que somos humanos.
Mas, você já leu em algum jornal ou revista católica ou protestante alguma crítica aos seus seguidores?
Certamente não.
Eles têm uma assessoria de imprensa que orienta-os: “roupa suja se lava em casa”. O que o leitor quer ler são textos consoladores e não discussões efêmeras onde o ego e a maledicência do autor predominam.
Diz nos Kardec, com sua sabedoria e bom senso (vide “O Livro dos Médiuns”, capítulo XXIX, item 348):
“As reuniões que se ocupem exclusivamente das comunicações inteligentes e as que se dedicam ao estudo das manifestações físicas, têm cada uma sua missão; nem umas nem outras estariam no verdadeiro espírito do Espiritismo, se se olhassem mal, e aquela que atirasse a primeira pedra na outra, provaria só com isso a má influência que a domina; todas devem concorrer, embora por caminhos diferentes, ao objetivo comum que é a procura e a propagação da verdade; seu antagonismo, que não seria senão um efeito do orgulho superexcitado, fornecendo armas aos detratores, não poderia senão prejudicar a causa que pretendem defender”.
Adaptando-se o texto de Kardec para a questão da má imprensa espírita, o que se vê hoje, com alguma freqüência, excetuando a boa imprensa espírita (que há. E em bom número), são autores ou apresentadores de televisão fornecendo armas aos detratores da Doutrina Espírita.
Diz o Espírito Fénelon (vide “O Livro dos Médiuns”, capítulo XXXI, item 13):
“Perguntastes se a multiplicidade de grupos, em uma mesma localidade, não poderia engendrar rivalidades desagradáveis para a Doutrina. A isso responderei que aqueles que estão imbuídos dos verdadeiros princípios desta Doutrina, vêem irmãos em todos os espíritas e não rivais; aqueles que vissem outras reuniões com olhos de ciúme, provariam que há entre eles idéia preconcebida de ciúme, provariam que há entre eles idéia preconcebida de interesse ou de amor-próprio, e que não estão guiados pelo amor da verdade. Asseguro-vos que se essas pessoas estivessem entre vós, aí semeariam logo a perturbação e a desunião. O verdadeiro Espiritismo tem por divisa benevolência e caridade, exclui toda outra rivalidade que não seja a do bem que se pode fazer; todos os grupos que se inscreveram sob a sua bandeira, poderão se estender a mão como bons vizinhos, que não são menos amigos, embora não habitem a mesma casa. Os que pretendem ter os melhores Espíritos por guia devem prová-lo, mostrando os melhores sentimentos; que haja, pois entre eles luta, mas luta de grandeza d'alma, de abnegação, de bondade e de humildade; aquele que lançasse a pedra em outro, provaria só por isso que é solicitado pelos maus Espíritos. A natureza dos sentimentos que dois homens manifestem a respeito um do outro, é a pedra de toque que faz conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem”.
Tomemos muito cuidado com a pedra que eventualmente atiramos nos nossos irmãos espíritas, pois, repetindo a frase final de Fenélon (do texto acima):
“A natureza dos sentimentos que dois homens manifestem a respeito um do outro, é a pedra de toque que faz conhecer a natureza dos Espíritos que os assistem”.
Cromoterapia, Florais de Bach... Nos Centros Espíritas?
Nós espíritas sabemos que existem Centros Espíritas ( que assim auto denominam-se ) que trabalham com cromoterapia, florais de Bach, etc. e que conseguem bons resultados de curas. Fazem os doentes saírem física e mentalmente recuperados. Cabe a nós, espíritas, respeitar as mais diversas modalidades e formas de cura. São meios úteis de minimizar o sofrimento alheio.
Se temos por obrigação respeitar a forma dos outros agirem ( não devemos respeitar o livre arbítrio? ) e, até elogiar por estarem aplicando mais uma maneira de ajudar a quem precisa, temos, por outro o lado, o direito de pedir ao líderes dessas instituições para não denominá-las de Centros Espíritas.
Releia Kardec.
Você, caro irmão, assim agindo, com o nobre propósito de ajudar o próximo, prejudica o foco do Espiritismo.
O bom líder sabe que determinar o foco é o passo fundamental para conseguir sucesso em sua empreitada.
Agindo assim, meu irmão, vão confundir Espiritismo com Casa de Recuperação, onde o doente vai com um mal do corpo ou do espírito, cura-se, e depois volta para sua residência esquecendo-se completamente da importância do Centro Espírita em sua vida, ou mesmo não tendo – esse doente recém curado - acesso à profundidade da Doutrina Espírita, que é o que ocorre na maioria das vezes.
Não pense que o Espiritismo não deixa de ser uma Casa de Recuperação. Ele o é, sim. Mas como um meio, não como um fim. A pessoa que enxergar o Centro Espírita principalmente como uma Casa de Recuperação, está tendo uma visão desfocada do Espiritismo.
Uma Casa de Recuperação atende um doente por um tempo determinado, até que ele se cure.
O Espiritismo não é uma Casa de Recuperação, apesar de poder e dever agir como tal ( mas repito, como um meio, não como um fim ). O Espiritismo é sim, uma Escola, que tem o objetivo de educar – para sempre, e não por um tempo determinado – o espírito imortal.
Por que hoje muitos indivíduos procuram o Centro Espírita para se curarem de um mal qualquer, curam-se e depois não voltam mais?
Porque o Espiritismo está, de forma errônea, vendendo essa imagem de Casa de Recuperação.
Insisto: adotar cromoterapia, florais de Bach, etc. é desfocar o Espiritismo. É não abrir os olhos do indivíduo ao profundo conhecimento e entendimento que a Doutrina Espírita pode a ele proporcionar por toda sua imortal vida, e não apenas por um momento em que precisou ser curado de determinado mal.
Se quiser, caro irmão, continue a adotar a cromoterapia, divulgue e aplique os florais de Bach, sabemos que existem muitas formas de sermos úteis à humanidade, mas, por favor, mude o nome de sua instituição. Para o bem da exata compreensão do que é o Espiritismo, não a chame de Centro Espírita.
Não prejudique o foco.
É Correto Utilizar no Meio Espírita Técnicas de Liderança Oriundas do Meio Empresarial?
Alguns espíritas sentem uma verdadeira ojeriza quando alguém coloca o estilo de liderança empresarial, como modelo à liderança espírita. Sentem-se, esses irmãos espíritas, indignados por justapor à uma entidade religiosa, técnicas empresariais que visam sobretudo o lucro financeiro.
Essa visão têm razão de ser.
Ou melhor, essa visão teve razão de ser.
Durante muito tempo a liderança empresarial foi calcada no respeito imposto, e não no respeito conquistado. Durante muito tempo o líder empresarial via cada funcionário como uma máquina útil à finalidade da empresa, e não como um ser humano merecedor de consideração. Durante muito tempo o líder não era líder. Era gerente. era chefe. Ele não liderava, ele mandava. Foram os tempos onde as idéias administrativas e gerencias de Frederick Taylor imperavam.
Hoje tudo mudou.
Ou melhor, hoje tudo está mudando numa velocidade impressionante.
Hoje os líderes empresariais descobriram que a única forma de manter a empresa viva e em crescimento, é valorizar o trabalho em equipe. E para valorizar o trabalho em equipe é preciso, por conseqüência, valorizar os integrantes da equipe, que são seres humanos, e não máquinas.
A visão de liderança sofreu uma mudança de 180 graus.
Era, no passado, sensatez do líder espírita sentir verdadeira ojeriza por alguém falar em adotar no seu Centro Espírita, modelo de liderança empresarial. Pensava sabiamente o líder espírita de ontem: “e o respeito ao ser humano como fica?”
Se, no recente passado, a citada prevenção do líder espírita, era sinal de sensatez, hoje essa prevenção, ou preconceito, não é mais sinal de sensatez. Mas sim, de desconhecimento. Desconhecimento dos procedimentos da atual liderança empresarial.
De forma tênue, mas gradativa e firme, os princípios do nosso Mestre Jesus estão começando a ser aplicados em muitas empresas.
Não ria.
É verdade o que estou dizendo.
Dentro de alguns anos muitos irão enxergar que as “modernas” técnicas de liderança nada mais são do que corolários dos princípios preconizados por Jesus.
Quer um exemplo?
Os pesquisadores e autores norte-americanos Kouzes e Posner, conforme relatado em seu livro O Desafio da Liderança, chegaram, depois de intensa e séria pesquisa, aos cinco procedimentos do líder eficaz, a saber:
Raciocine comigo: será que esses procedimentos, descobertos não por religiosos, mas sim por pesquisadores empresariais, não tem relação direta com o estilo de liderança do nosso Mestre Jesus?
Vejamos a correlação que há entre cada um dos procedimentos acima e a visão de liderança do nosso Mestre:
Se há um ser que tenha, de forma plena e concreta, desafiado o estabelecido, este ser foi Jesus.
Durante toda sua vida terrena Jesus conviveu de forma intensa com seus doze discípulos (sua equipe), para que todos adquirissem uma visão única do que é viver em plenitude. Jesus, em suas reuniões, tinha sempre o objetivo de inspirar uma visão compartilhada. E sua sede pela visão compartilhada ia muito além de estendê-la somente à sua equipe (seus discípulos). Sua idéia de visão compartilhada era universal, isto é, Seu objetivo (era e) é que toda a humanidade compartilhe com Ele sua visão de mundo.
Durante toda sua vida terrena Jesus preparou sua equipe.
Jesus preparou os seus discípulos para que?
Para que agissem.
Jesus sabia: para que suas palavras e ações encontrassem eco, era necessário – e imprescindível - permitir que outros agissem. O objetivo de Jesus sempre foi descentralizar o Seu trabalho, tendo cada vez mais adeptos que agissem de acordo com o espírito humanitário que pregava e exemplificava.
Quando Jesus disse ser necessário “amar a Deus sobre todas as coisa, e ao próximo como a si mesmo”, ele soube apontar o caminho, e de forma magistral.
Jesus, em sua passagem terrena, amou a todos, em todos os instantes. Jesus pregou e viveu o amor em sua plenitude. Jesus, como ninguém, soube encorajar o coração de quem O seguia.
Bem, agora, vamos nos conscientizar de uma vez por todas, se antes era sinal de sensatez ter preconceito na utilização, dentro do Centro Espírita, dos procedimentos da liderança empresarial, hoje, já não é mais sinal de sensatez, mas sim, de desconhecimento (ou de teimosia!).
A diferença básica entre o líder empresarial e o líder espírita, é que aquele visa o lucro financeiro, e este – o líder espírita – visa o lucro do dever cumprido em relação aos objetivos do Espiritismo.
Portanto, leiamos, além dos livros espíritas, os bons livros não-espíritas sobre liderança. Iremos muito aprender.
É Possível Mostrar o que é o Espiritismo sem Desrespeitar as Demais Instituições?
Caro irmão espírita, o texto que você vai ler a seguir demonstra como é possível divulgar a nossa Doutrina, sem desrespeitar as demais instituições religiosas.
O objetivo do texto a seguir é mostrar ao não espírita: o que o Espiritismo “não é e não faz”.
Sabemos que o não espírita muitas vezes tem preconceitos em relação ao Espiritismo. Preconceitos estes que impedem-no de conhecer uma Doutrina essencialmente esclarecedora e, por conseqüência, consoladora e libertadora.
Este tesouro - o Espiritismo - não pode ficar só em nossas mãos.
É comum no nosso meio comentarmos a famosa frase de Emmanuel “A maior caridade que se pode fazer para a Doutrina Espírita é a sua própria divulgação”.
Se assim é, e se achar que o conteúdo do texto a seguir seja merecedor, divulgue-o. Procure, dentro de suas possibilidades:
O autor, e a Doutrina, agradecem
Espiritismo, coisa do demônio?
Sou espírita. Respeito todas as religiões que têm Deus como o Pai maior. Vejo os integrantes das demais religiões como diletos irmãos. Nem poderia ser diferente. Se somos filhos do mesmo Deus por que o fato de professarmos diferentes religiões impediria vermo-nos como irmãos?
E como irmão do caro leitor, aproveito desta oportunidade para trazer à tona alguns conceitos - ou preconceitos - equivocados em relação ao espiritismo.
Caro irmão-leitor, não tenho o intuito de convertê-lo ao espiritismo. Se você se encontrou no catolicismo ou no protestantismo para que mudar de religião?
Nós, espíritas, muito valorizamos o catolicismo. Podemos dizer que o catolicismo é a religião-mãe. Se não fossem a força, a coragem, a fé e a determinação dos primeiros católicos as palavras do nosso Mestre Jesus não teria chegado aos nossos dias. A humanidade muito deve ao catolicismo.
Também respeitamos e valorizamos o protestantismo. Quando o homem ficou mais preocupado com a religião externa, isto é, mais valorizava a forma do que o conteúdo, foi o protestantismo que chacoalhou uma situação de inércia e reavivou as palavras do Mestre.
Mas por que alguns - não todos - católicos e protestantes, nossos diletos irmãos, insistem em dizer que o “o espiritismo é coisa do demônio”?
Jesus disse “Pelos frutos conhecereis a árvore”.
Os espíritas, como outros religiosos, têm como sua principal meta procurar seguir, com as limitações próprias da natureza humana, os preceitos de Jesus em sua máxima “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
Que demônio é este que inspira aos espíritas o amor a Deus e ao próximo?
Os espíritas, como outros religiosos, acreditam na realidade maior da vida: “fora da caridade não há salvação”.
Que demônio é este que inspira aos espíritas fazer a caridade ao próximo?
Os espíritas têm por princípio a valorização e o respeito às demais religiões, todas consideradas como diferentes ferramentas idealizadas pelo mesmo Arquiteto.
Que demônio é este que inspira aos espíritas a fraternidade e a solidariedade entre integrantes de religiões muitas vezes sustentadas em dogmas ou em faces da verdade conflitantes entre si?
Que demônio é este que, onde há divergência de opiniões, procura unir em vez de semear a discórdia?
Os verdadeiros espíritas, aqueles que seguem os preceitos máximos da doutrina, tem como rotina em sua vida o esforço pela sua transformação moral. Isto é, conhece-se o verdadeiro espírita pelo seu contínuo esforço em transformar-se moralmente.
Que demônio é este que inspira aos espíritas constante preocupação com sua elevação moral?
Caro irmão-leitor, reflitamos:
Que demônio é este que fala em amor, caridade, solidariedade, fraternidade e em transformação moral?
Só não vê, como disse nosso Mestre Jesus, quem não tem olhos para ver.
Por favor, não entenda que o objetivo deste artigo é a sua conversão. Se é você um bom católico, continue a sê-lo. Se você professa uma das diversas religiões protestantes, continue na sua convicção. Mas se você é dos que dizem que “o espiritismo é coisa do demônio” procure - sem abandonar sua religião - pelo menos estudar alguns livros espíritas. A critica gratuita, sem análise, sem profundo estudo, não deve fazer parte de nossos atos. Dê a si mesmo o direito de conhecer melhor o seu objeto de crítica. Estude.
É importante dizer que a denominação “espiritismo” assumiu conotações que não correspondem à real essência da doutrina codificada pelo educador Allan Kardec, e que se sustenta no evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo.
No espiritismo não há queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, imagens ou outros rituais. Muitas pessoas, não espíritas, muitas pessoas mesmo, imaginam - sem antes pesquisar - que o espiritismo manifesta-se por tudo que nele não existe, como os exemplos citados ( queima de vela, incenso, “trabalhos”, magias, culto a imagens, rituais, etc. ).
Muitas religiões que se autodenominam Espiritismo, não o são de fato.
O templo do espiritismo é o templo do estudo, do amor e da caridade.
Outras pessoas, como você, também não acreditavam ou tinham uma opinião deformada do espiritismo.
William Crookes, o extraordinário pai da Física contemporânea, o homem que descobriu o tálio, a matéria radiante, a quem se deve os pródomos da Física Nuclear da atualidade chegou a dizer textualmente:
“Eu era um materialista absoluto e, depois de investigar em profundidade científica os fenômenos mediúnicos, eu afirmo que eles já não são possíveis: eles são reais!”
César Lombroso, depois de examinar a mediunidade de Eusápia Paladino disse estas palavras:
“Quando me lembro do que eu e meus colegas zombávamos daqueles que acreditavam no Espiritismo, coro de vergonha, porque hoje eu também sou espírita! A evidência dos fatos dobrou a minha convicção negativa”.
E ainda Cronwell Varley, o que lançou sobre o mundo as linhas da telegrafia e da telefonia internacional, os cabos transoceânicos, teve a coragem de dizer:
“Somente negam os fenômenos espíritas, aqueles que não se deram ao trabalho de os estudar. Eu não conheço um só exemplo de alguém que os haja estudado, que não se tenha rendido à sua evidência”.
Não. Não precisa tornar-se espírita. Mas estude o espiritismo antes de criticá-lo.
E lembremo-nos que todos, independentemente de religiões, somos filhos do mesmo Deus e devemos irmanarmo-nos, unirmo-nos pelo bem comum, pelo amor ao próximo, pelos atos de solidariedade humana.
Ninguém é dono da Verdade Absoluta. Todas as religiões sérias são de Deus. Deus se manifesta de muitas formas e através de diversas religiões. Respeitemo-nos mutuamente, cheguemo-nos mais pertos um do outro, só assim seremos dignos de sermos chamados filhos de Deus.
Para encerrar, leiamos a letra abaixo, musicada pelo admirável católico-cantor Padre Zezinho, que é um hino ao respeito e à união dos seguidores das mais diversas religiões:
Espiritismo, o Mais Revolucionário dos Projetos
O Espiritismo é o mais revolucionário projeto filosófico-científico, com conseqüência religiosa, que o mundo já conheceu.
Nenhum acontecimento social, histórico, filosófico, científico, religioso pode se comparar, em termos de importância, com o advento do Espiritismo.
Alguém até poderia dizer: “A vinda de Cristo foi um advento mais importante do que o surgimento do Espiritismo”.
Será?
Será que para um construtor de prédios, a base sólida de sua obra, isto é, a estrutura de concreto que vai sustentar o edifício, é mais importante do que a obra final?
Será que se esse mesmo construtor, só assentar a sólida base, mas não concluir o edifício, este teria serventia?
Será que para nosso Mestre Jesus, a fundamental obra básica que Ele construiu com sua presença na Terra, é mais importante que Sua obra teórica completa, que é o Espiritismo?
Todos os adventos religiosos, filosóficos e científicos que implicaram numa maior compreensão da vinda de Jesus à Terra, foram importantes. Não vou tirar aqui o mérito de nenhum deles. A vinda de Jesus, por exemplo, foi um momento inesquecivelmente memorável para o nosso planeta. Mas a vinda de Jesus foi o necessário anteparo para o futuro surgimento da Terceira Revelação, pelo surgimento do Espírito Consolador, que é o Espiritismo. Em nada esta realidade tira méritos de Jesus, pois para quem no momento desta leitura começa a conjeturar conceitos ou preconceitos discordantes ao que estou dizendo, vale a pena relembrar: o Espiritismo é obra de Jesus.
O Espiritismo não é obra de Allan Kardec.
Kardec foi o eficiente e afinado instrumento da bondade e da vontade de Jesus.
Kardec foi o codificador do Espiritismo, não o criador.
Jesus é o Mestre.
Portanto, caro leitor, acredito que agora ficamos de bem, pois você percebeu que não estou desvalorizando Jesus, pelo contrário, estou reforçando a amplitude de Suas obras terrenas.
Mas a síntese dessa reflexão, é conscientizarmo-nos que o Espiritismo é o mais revolucionário projeto filosófico-científico, com conseqüência religiosa, que o mundo já conheceu.
Faça Uma Nova Polenta
Quando uma empresa implanta, por exemplo, o ISO-9000, ela passa – durante o processo de implantação – por uma saudável efervescência. Uma boa liderança sabe aproveitar do objetivo comum a ser alcançado e energizar todo o seu pessoal. Nessa fase a motivação costuma estar presente. É um momento de saudáveis, e às vezes ásperas, discussões, é o momento da visão compartilhada, é o momento de desafiar o estabelecido, é o momento em que todos sabem qual foi o caminho apontado, é o momento da motivação contínua. Até que, num dado momento, o processo se completa, o objetivo foi atingido, o ISO-9000 foi implantado.
A partir daí haverá um certo esmorecimento por parte do pessoal. A motivação desaparece, pois não há mais caminho sendo apontado. O objetivo já foi atingido.
Se a liderança não ater-se à essa questão, a tendência é a empresa começar a descer os degraus da competência, da criatividade e da produtividade.
O processo citado é semelhante ao ato de fazer polenta (ou angú, como a polenta é conhecida em alguns estados do nosso país).
É preciso colocar os ingredientes na panela, e então começar a mexer, mexer e mexer sem parar. Mexer a polenta é, de forma análoga, aquele momento em que a empresa está tendo todo o seu pessoal sendo energizado pelo fato de estarem unidos para atingir um objetivo comum.
Aí a polenta fica pronta.
O cozinheiro não tem mais o que mexer.
É o momento de aproveitar do que foi feito. É o momento de comer a polenta. Esqueça o que foi feito e coma a polenta. Pois se não comê-la, seis horas depois já não mais estará tão saborosa. No dia seguinte começara a azedar.
De forma semelhante, quando um determinado processo findar no seu Centro Espírita, coma-o, isto é, saboreie-o e esqueça-o. Não fique cantando os louros da vitória. É passado.
E invente alguma outra coisa.
Se não fizer isso, em pouco tempo sua instituição começará a ficar insossa e logo-logo irá azedar.
Faça uma nova polenta.
Seu Centro Espírita não pode deixar de fazer polenta. Ao acabar uma polenta, comece a fazer outra.
E agora, faça bastante polenta. E que seja numa panela bem grande. Assim você passará muito mais tempo tendo que mexer. Em outras palavras estabeleça uma meta audaciosa para seu Centro Espírita. Assim o seu pessoal ficará energizado muito mais tempo.
Nova (?) Missão dos Espíritas
"Ide a pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar, em favor da sua divulgação, hábitos, trabalhos, ocupações fúteis. Ide e pregai: os Espíritos elevados estão convosco."
Erasto, Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 20 - Os Trabalhadores de Última Hora - Missão dos Espíritas.
As palavras do espírito protetor Erasto, não só ressaltam a importância do espírita consciente em divulgar o Espiritismo, como nos faz refletir sobre um outro ângulo da necessária divulgação. Leva-nos, as palavras de Erasto, a indagar:
"Será que esse ‘Ide e pregai’ significa pregar as palavras divinas nas casas espíritas, apenas?"
"Será que Erasto não estava utilizando de uma amplitude maior, imaginando a importância de pregarmos as palavras divinas não somente nas casas espíritas?
É importante que conscientizemo-nos, que é missão dos espíritas, divulgar as palavras consoladoras não somente para os espíritas, mas para todas as pessoas. Não teremos dúvida quanto a essa dedução se atentarmos à seguinte frase contida no texto "Missão dos Espíritas": "Certamente falareis com pessoas que não quererão ouvir a palavra de Deus(...)". Se o espírito Erasto disse que falaríamos a quem não quer ouvir a palavra de Deus, certamente não estava se referindo aos freqüentadores da Casa Espírita. A boa lógica leva-nos a concluir que nossa missão vai além do que hoje estamos fazendo. Precisamos começar um verdadeira cruzada a favor da divulgação de nossa Doutrina. O culto ao bezerro de ouro precisa ser combatido com todas as forças.
Cruzada?
Combater o culto ao bezerro de ouro?
Ao leitor que assustou-se com as palavras "cruzada" e "combater o o culto ao bezerro de ouro", atenção: essas palavras não são do autor desse artigo. Estão no Evangelho Segundo o Espiritismo, nosso guia de vida. Essas palavras são de Erasto, que disse: "(...) parti em cruzada contra a injustiça e a maldade. Ide e aniquilai esse culto ao bezerro de ouro, que se expande dia após dia. Ide, Deus voz conduz!"
Talvez o leitor pense: "Será que essas novas atitudes não implicariam em pisarmos em terreno perigoso?"
Caro leitor, Jesus e Kardec, não pisaram em terrenos perigosos? Se Jesus e Kardec foram audaciosos, pisando em terreno "minado", sendo maltratados, criticados e ultrajados, por que nós espíritas devemos, tranqüilos, continuar sendo levados ao sabor do vento calmo?
Há um grande risco no ar!:
Somos humanos. Isso significa dizer, somos falhos.
E, de repente, ansiosos por seguirmos a sugestão de Erasto, ansiosos por sermos audaciosos, como foram Jesus e Kardec, podemos errar. Podemos colocar os pés pelas mãos. A nossa palavra, não obstante revestida da boa vontade, pode criar polêmicas inúteis. Pode desrespeitar as demais instituições, pode projetar uma imagem negativa do que é ser espírita, e do que é o Espiritismo. Por tudo isto, é importante que saibamos que, para fazer parte do grupo que divulgue o Espiritismo além das quatro paredes do Centro Espírita, é preciso que o espírita-divulgador tenha algumas especiais qualidades, dentre elas:
Sabemos que encontrar pessoas que reúnam todas as qualidades acima não é impossível, mas, também, não é fácil. A tendência natural é que acatem essa missão, os espíritas que mais abraçam as palavras do que os atos,. E o ideal seria que estivessem à frente dessa cruzada, aqueles espíritas que mais valorizam os atos do que as palavras. E geralmente, obviamente com exceções, falta a esses por demais sensatos e grandiosos espíritas uma qualidade extremamente necessária no mundo de hoje: falta audácia.
Temos aí um dilema! Os que, por direito adquirido (por serem espíritas exemplares) podem cumprir com essa missão, tendem a não cumprir. Os que, ainda não adquiriram o direito de cumprir com essa missão, querem cumpri-la.
Uma observação: a afirmação de que os espíritas exemplares tendem a não cumprir com essa missão, talvez leve a interpretações de que esses não trabalham a favor do Espiritismo. Não é isso.. Todos sabemos que cada vez mais os espíritas estão atuando a favor do Espiritismo, que cada vez mais surgem compêndios e livros esclarecedores, que cada vez mais a união e a unificação têm sido meta de muitas casas espíritas. Fácil fica entender a afirmação de que "os espíritas exemplares tendem a não cumprir com essa missão", se o leitor não esquecer que esse artigo faz referência à um outro ângulo da divulgação, que é a missão de levar o Espiritismo para fora da casa espírita. Caro leitor, esse artigo que você está lendo deixa de ter sentido caso você já tenha visto em sua cidade, através de cartazes, e também nos principais jornais, bem como no rádio e na televisão, a divulgação de uma palestra espírita, dirigida aos não espíritas, cujo tema seria (por exemplo) Conheça o Espiritismo e acabe com seu preconceito. Aí vem a pergunta: é comum ocorrerem palestras espíritas dirigidas aos não espíritas de sua cidade? A resposta, quase que geral, é "não". Se é assim é, estamos bem fazendo nossa parte em relação ao "Ide e Pregai"?
Não podemos postergar essa nossa missão de levar o Espiritismo além das quatro paredes do Centro Espírita.
O desafio aí está!
Joanna de Ângelis, de forma explícita, também reforça a necessidade de levarmos, a outros cantos, a essência da Doutrina Espírita. Nas páginas 175 e 176 do livro psicografado por Divaldo Franco, Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, Leal Editora, 1ª edição, Joanna de Ângelis diz "cabem neste momento graves compromissos que não podem e nem devem ser postergados". Essa tão querida educadora espiritual passa-nos os quatro procedimentos que cabem aos espíritas E que, repetindo, "não podem e nem devem ser postergados":
Joanna de Ângelis esclarece que os procedimentos acima devem ser demonstrados "pela lógica e pelo bom senso, assim como através da mediunidade dignificada". Alerta-nos ainda, que esses procedimentos devem ser executados pelos "espíritas conscientes das suas responsabilidades – aqueles mesmo que se equivocaram e agora recomeçam em condições melhores –". E ainda complementa, devemos agir "sem qualquer desconsideração pelos diferentes credos religiosos e filosofias existentes."
Como espíritas, não nos esqueçamos:
de nossa missão, segundo Erasto, e
dos nossos graves compromissos, segundo Joanna de Ângelis.
Mãos à obra!
Sejamos espíritas audaciosos: sem proselitismo e sem desrespeitar as demais instituições religiosas, levemos, além de nossas quatro paredes, as palavras consoladoras de nossa amada Doutrina.
O Dirigente Espírita Eficiente e o Dirigente Espírita Eficiente e Eficaz
De forma comparativa podemos dizer que, como nosso corpo humano, o Espiritismo tem cabeça, tronco, membros superiores (braços e mãos) e membros inferiores (pernas e pés).
A cabeça, por conter nosso cérebro, representa a iluminação. É ali que nossa mente utiliza do instrumento cerebral para – com o tempo – fazer brilhar nossa luz.
Num Centro Espírita a cabeça representa a evangelização.
O tronco, por conter nosso aparelho digestivo, representa a necessária assistência social.
Um parêntese: lembremos que a assistência social num Centro Espírita é importante e necessária, mas a evangelização, além de necessária é fundamental. Centro Espírita que presta assistência social, mas não evangeliza os assistidos, está cuidando apenas do importante, mas esquecendo-se do fundamental. E ambas (a importante assistência social e a fundamental evangelização) são necessárias.
Os membros superiores - nossos braços e mãos - por estabelecer o contato com o próximo (um aperto de mão, um abraço carinhoso), representa o necessário relacionamento harmonioso entre os integrantes de um Centro Espírita.
Os membros inferiores – nossas pernas e pés – por assegurar o nosso caminhar, representa a necessária divulgação da Doutrina Espírita. É preciso caminhar também fora do Centro Espírita. É fundamental fazer como Jesus fazia: levar a Boa Nova para outras terras.
O dirigente espírita que trabalha com a cabeça, o tronco e os membros superiores, mas não trabalha com os membros inferiores, é um dirigente eficiente.
O dirigente espírita que trabalha com a cabeça, o tronco, os membros superiores e também com os membros inferiores é um dirigente eficiente e eficaz.
A diferença básica entre um dirigente espírita eficiente e um dirigente espírita eficiente e eficaz é que esse último, ao contrário do primeiro, não se isola no seu Centro Espírita.
O dirigente eficiente e eficaz, além de procurar relacionar-se bem com o pessoal do seu Centro Espírita, preocupa-se em irmanar-se com os demais Centros Espíritas, e mais: divulga a Doutrina além-muro, isto é, divulga-a para toda a comunidade, inclusive para os não espíritas (sem proselitismo e com respeito às demais instituições).
O dirigente espírita eficiente cuida muito bem do Centro Espírita que dirige. Mas só do Centro Espírita que dirige.
O dirigente espírita eficiente e eficaz cuida muito bem do Centro Espírita que dirige e – ao mesmo tempo – procura integrá-lo com os demais Centros Espíritas.
O dirigente espírita eficiente não divulga o Espiritismo para os não espíritas.
O dirigente espírita eficiente e eficaz divulga o Espiritismo também para os não espíritas (respeitando, no entanto, a crença que professam).
O dirigente espírita eficiente preocupa-se com a união do pessoal do seu Centro Espírita.
O dirigente espírita eficiente e eficaz, além de preocupar-se com a união do pessoal do seu Centro Espírita, têm como uma de suas fundamentais metas a união do seu Centro com os demais Centros Espíritas (sobre o tema “união” vide, na página seguinte, texto de Bezerra de Menezes).
Você é um dirigente espírita eficiente ou um dirigente espírita eficiente e eficaz?
O Espírita "Fazedor" - Onde Estão os Espíritas?
Caro leitor, hoje muitos não espíritas têm uma idéia totalmente deformada do que é o Espiritismo. Associam-no com seitas outras, que as respeitamos, mas que, com exceção do natural fenômeno mediúnico, nada tem a ver com nossa Doutrina.
Hoje o verdadeiro Espiritismo (por que temos que escrever “verdadeiro” Espiritismo?) ainda é, sejamos sinceros, desconhecido pela maioria das pessoas.
Voltemos ao passado.
Qual era, nas primeiras décadas do século XX, a reação da população brasileira em relação ao Espiritismo?
Eu não estava lá. Mas dá para imaginar como era. Num país predominantemente católico, onde os preconceitos eram ainda mais evidentes e absurdos do que hoje, dizer-se “espírita” era, metaforicamente falando, colocar a corda no pescoço.
Imagine numa época como aquela alguém atrever-se a abrir uma Escola “Espírita” num país eminentemente católico. Imagine ainda, para ampliar a dificuldade, abrir esta Escola Espírita no estado – naquela época - mais católico do país, Minas Gerais. Imagine, vamos continuar ampliando a dificuldade, que essa pessoa resolvesse, de maneira ostensiva, colocar o nome de Allan Kardec na denominação da escola?
Um louco, muitos poderiam dizer.
Um “fazedor”, nós espíritas temos que afirmar.
Eurípedes Barsanulfo deu naquela época, com a criação do Colégio Espírita Allan Kardec, um exemplo do que é um espírita “fazedor”.
Espírita “fazedor” é aquele em que você consegue ler em sua testa a palavra: “resultados”.
Ele procura freneticamente alcançar: resultados.
Ele faz palestra, participa de Congressos espíritas, mas não desgruda-se da sua boa obsessão: resultados.
É o que proponho a você, caro leitor, seja um espírita “fazedor”.
O Espiritismo irá alcançar o espaço que merece não pelos espíritas participantes e organizadores de congressos ( que, diga-se de passagem, são necessários ), não pelos espíritas que proferem palestras interessantes e escrevem belos textos ( também necessários ). O Espiritismo irá alcançar o espaço que merece através dos espíritas “fazedores”.
Seja um espírita “fazedor”
No final de 1.998 li num jornal espírita a afirmação que “o Espiritismo é a doutrina que mais cresce em nosso país”!!!
Será?
Alguns meses antes havia conversado com uma irmã espírita, e exemplar batalhadora, que disse-me que em sua cidade (Jandira, na região do grande São Paulo), havia 70 igrejas evangélicas e 2 (dois!!!) Centros Espíritas.
Onde, de fato, estão os espíritas?
Abraham Lincoln, líder que a história o consagrou, disse que “se pudéssemos saber primeiramente onde estamos e para onde nos dirigimos, teríamos a noção do que fazer e poderíamos julgar a melhor maneira para tal”.
Que tal seguir o conselho de Abraham Lincoln?
Vamos lá. Vamos procurar saber primeiro “onde estamos”.
Primeiro, vamos partir de fato constatado em pesquisa feita pela TV Manchete nos idos de 1.997:
82% DOS BRASILEIROS CRÊEM NA REENCARNAÇÃO.
Depois dessa constatação, usemos da lógica:
SE 82% DOS BRASILEIROS CRÊEM NA REENCARNAÇÃO, ENTÃO A MAIORIA DOS BRASILEIROS PROFESSA O ESPIRITISMO OU OUTRA DOUTRINA REENCARNACIONISTA.
Mas a realidade é bem diferente do que a lógica nos dita:
A MAIORIA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA É CATÓLICA.
Interessante!!!
Estamos com a faca e o queijo na mão ( uma vez que a maioria da população crê na reencarnação ) mas não estamos sendo eficazes. Somos uma minoria. E bota minoria nisso!!! Constate, a seguir, como somos de fato uma minoria:
Um dos mais sérios institutos de pesquisas do país, o Datafolha, fez, em julho de 1.998, uma pesquisa para a revista Época com o objetivo de chegar ao número de seguidores das diversas religiões do país. Resultado da pesquisa:
Esse foi o resultado da pesquisa.
Epa? Mas, e os espíritas? Não apareceram na pesquisa?
Apareceram sim.
Onde?
No item “OUTRAS”!!!
Isso mesmo. No item “OUTRAS”.
Fazendo aqui um parêntese:
Você reparou que todas as vezes que há um fato religioso em destaque, a imprensa entrevista autoridades católicas, pastores evangélicos, rabinos, mas nunca entrevistam espíritas?
Preconceito da imprensa?
Não.
Os católicos, os evangélicos e os judeus têm ASSESSORIA DE IMPRENSA.
Os espíritas têm assessoria de imprensa?
É, meu irmão...,
num país onde, nas novelas das televisões, se ouve freqüentemente os artistas falarem “na minha próxima reencarnação..”.;
num país que tem Chico Xavier (um dos maiores vendedores de livros do mundo);
num país de Divaldo Pereira Franco (quem no Brasil leva aos auditórios mais público do que ele?);
num país onde a maioria das pessoas acredita na reencarnação, onde estão os espíritas?
Onde estão os espíritas?
O Que é Mais Importante, a Quantidade ou a Qualidade dos Centros Espíritas?
De vez em quando ouço um espírita dizer: “o importante não é a quantidade de Centros Espíritas, é a qualidade”.
Será que afirmar “o importante não é a quantidade de Centros Espíritas, é a qualidade” não é imaginar que o Espiritismo não veio para o mundo, mas sim para um grupo de privilegiados? Será que a Terceira Revelação é só para nós?
Será que não seria melhor dizer, pela importância (para o mundo) dos princípios espíritas, que “o importante é a qualidade e a quantidade”?
Outros argumentam: “é preciso esperar melhorar qualitativamente os Centros Espíritas, para só então divulgarmos intensamente nossa Doutrina”.
Será?
Penso que temos que trabalhar com o que temos. Uma coisa é pensar e sonhar com o “ideal”, outra é fazer o “possível”.
Pensar que primeiro é preciso melhorar a qualidade dos Centros Espíritas, para só depois melhor divulgar a Doutrina, é semelhante à atitude de um governador de estado que resolvesse oferecer vagas às escolas públicas só depois que todo o corpo docente melhorasse a qualidade! É semelhante ao fato de começarmos a ensinar às pessoas que é preciso primeiro esperar conseguir amar ao próximo como a si mesmo, para só depois começar a fazer a caridade!
Uma pergunta:
Sabendo que os discípulos de Jesus eram pessoas simples, comuns, sem destaque social ou cultural, pescadores, Jesus esperou que eles melhorassem qualitativamente para só depois convidá-los a seguí-Lo?
Esperar ficarmos prontos, para só então começar a trabalhar, é uma grande ilusão.
Nós nunca estamos - nem estaremos - “prontos”.
Nós nunca seremos um produto acabado.
E o mesmo ocorre com os Centros Espíritas: sempre haverá alguma deficiência. Mas é preciso trabalhar. É preciso divulgar nossa Doutrina.
E de forma ousada!
Recursos Financeiros Para o Movimento Espírita. Como conseguir?
Estamos vivendo um momento de júbilo no movimento espírita: vê-se há anos, no jornal de maior circulação do país, uma coluna periódica assinada por um dos mais renomados espíritas que o Brasil já conheceu. Frise-se: não é um jornal espírita. Fazer uma coluna periódica num jornal espírita é algo fácil e corriqueiro, mas conseguir espaço no jornal comercial de maior circulação do país, é trabalho somente para o espírita que sabe fazer acontecer.
Essa coluna de grande repercussão nacional vêm ao encontro do desejo de Kardec, que em "Obras Póstumas" – Projeto 1.868, diz "...Uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados, levaria ao mundo inteiro, e até aos lugares mais recuados, o conhecimento das idéias espíritas, faria nascer o desejo de aprofundá-los, e, multiplicando os adeptos, imporia silêncio aos detratores que logo deveriam ceder diante do ascendente da opinião".
Percebeu, caro leitor, que Kardec, valorizando a importância da divulgação, reforça a necessidade de "uma publicidade, numa larga escala, feita nos jornais mais divulgados" ? Felizmente, isso está ocorrendo. Estamos divulgando nossa Doutrina no jornal de maior circulação do país.
Você, caro leitor, talvez esteja perguntando "mas onde está essa coluna espírita, que não vejo?" , "qual é esse jornal, a Folha de São Paulo? O Estado de São Paulo?", "quem é esse renomado colunista espírita?"
São reflexões coerentes e lógicas. Mas, por mais que você não viu essa coluna espírita em nenhum jornal de grande circulação nacional, a informação acima é verdadeira. Ou melhor, foi verdadeira. É preciso deslocarmo-nos no tempo e no espaço para que essa informação passe a ser realidade:
Na cidade do Rio de Janeiro, nas últimas décadas do século XIX, o jornal de maior circulação do país chamava-se "O País" (seria a Folha de São Paulo de hoje). Naquela época Bezerra de Menezes teve, nesse jornal de grande circulação, uma coluna espírita periódica por vários anos seguidos. Era uma coluna de grande repercussão nacional.
A triste realidade de hoje é que o feito de Bezerra de Menezes não está se repetindo. Não temos mais colunas espíritas periódicas no jornal de maior circulação do país. Será que não está faltando em nosso movimento espírita o espírito empreendedor de um Bezerra de Menezes, de um Eurípedes Barsanulfo, de um Cairbar Schutel?
Tive, caro leitor, que utilizar do artifício acima para relembrar, a todos nós espíritas, alguns itens fundamentais para o pleno desenvolvimento do nosso movimento:
Além de Kardec, André Luiz, no livro "Conduta Espírita", diz "Divulgar em cada programa de rádio, televisão, ou programas outros de expansão doutrinária, conceitos e páginas das obras fundamentais do Espiritismo. A base é indispensável em qualquer edificação".
Sobre o mesmo tema – divulgação – diz o espírito Vianna de Carvalho em seu livro "Reflexões Espíritas": "Na hora da informática com os seus valiosos recursos, o espírita não se pode marginalizar, sob pretexto pueris, em que se disfarça a timidez, o desamor à causa ou a indiferença pela divulgação..."
Mas como voltarmos a cumprir com a missão deixada por Kardec? Como passarmos a divulgar, semanalmente, por exemplo, uma coluna periódica no jornal Folha de São Paulo, no Estadão e em outros jornais de grande circulação?
A resposta todos nós sabemos: somente com muito dinheiro conseguiremos tal intento, pois, inserções periódicas num jornal de grande porte, é um investimento muitíssimo alto (e necessário, se quisermos seguir a orientação passada por Kardec).
Mas como conseguirmos dinheiro, se os espíritas, em relação a esse tema (dinheiro), são extremamente conservadores? Isto é, sabemos que qualquer sugestão de como conseguirmos dinheiro, que fuja da ineficiência atual, é categoricamente rechaçada.
Como criarmos uma nova ordem, novos procedimentos, para aproveitarmos da força do dinheiro?
A resposta a essas perguntas é dada pelos Espíritos quando Kardec, no O livro dos Espíritos, na pergunta 932 questionou: "Por que no mundo, os maus tão freqüentemente sobrepujam os bons em influência?" Resposta dos espíritos: "Pela fraqueza dos bons, os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. quando estes o quiserem dominarão."
Numa dedução lógica podemos concluir que falta a nós, espíritas, audácia. Precisamos ser audaciosos. No tocante a como arrecadar dinheiro, somos muito de apenas aperfeiçoar processos que já existem. Isto é erro estratégico. Ao mesmo tempo em que se aperfeiçoa o que precisa ser aperfeiçoado, é preciso dedicar tempo a novas idéias. Quem gasta energia aperfeiçoando apenas os seus processos e produtos, perde o tempo que deveria estar sendo dedicado a novas idéias. Júlio Ribeiro em seu livro "Fazer Acontecer", Editora Cultura, diz que "alguém pode até aperfeiçoar a vela, deixá-la mais translúcida, deixá-la com maior poder de luminosidade, mas ela nunca substituirá a lâmpada". Em outras palavras, aperfeiçoar o que deu certo e o que foi bom no passado é - geralmente - perda de tempo. Nós espíritas, em relação, a como arrecadar dinheiro, estamos aperfeiçoando a vela. Esquecemos que estamos na era das lâmpadas!
Quando Herculano Pires disse "Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da terra", deixou de forma implícita que estamos alongando nossa estrada. Estamos deixando de fazer obras de vulto para a divulgação do Espiritismo. E, em qualquer obra terrena, o dinheiro têm importância especial.
Sem ferir a ótica e a ética espíritas, saber utilizar com inteligência e criatividade dos recursos que nosso mundo oferece, despirmo-nos de preconceitos, sermos audaciosos, conscientizarmo-nos de nossa grande responsabilidade, são as formas de fazermos do Espiritismo o mais importante movimento cultural e espiritual da terra.
E para isto precisamos da força do dinheiro.
Os Centros Espíritas geralmente não têm estrutura financeira para, entre outras coisas, fazerem-se mais presentes na comunidade. Passamos – sem querer – a ser omissos. Essa omissão dos espíritas, essa nossa falta de audácia, propicia espaço para que muitas pessoas ainda acreditem em Adão e Eva, para que muitas pessoas ainda vejam Deus como um ser antropomorfo, para que muitas pessoas ainda creiam que Deus castiga, para que muitas pessoas ainda valorizem mais o culto exterior do que o culto interior, para que muitas pessoas, como disse André Luiz, valorizem mais a letra do evangelho do que o evangelho da letra.
Costumo dizer que "ser espírita é a arte de sonhar com um mundo angelical, mas saber viver - sem ferir a ética espírita – num mundo de expiação e provas".
Quando fizermos parte de um mundo angelical, ou mesmo de um mundo de regeneração, não precisaremos da força do dinheiro para levarmos à frente nossos projetos no campo espiritual, mas por enquanto, ele, o dinheiro, é a ferramenta que Deus nos deu.
No meio espírita, contracenando lado a lado com a pureza doutrinária, há a realidade da dureza monetária. Ambas implacáveis.
Há uma única forma de acabar com a dureza monetária sem afetar a importância da pureza doutrinária. Essa única forma chama-se CRIATIVIDADE.
Minha sugestão, que é o objetivo principal deste artigo, é que, em seu Centro Espírita, você utilize de uma das melhores ferramentas para aflorar a criatividade, e então implantar novos procedimentos para conseguir dinheiro. Essa ferramenta maravilhosa é denominada Brainstorming. Mas, o que é Brainstorming? É uma reunião onde, após o levantamento de um problema (no caso, "como arrecadarmos dinheiro?"), os participantes passam a dar sugestões as mais diversas possíveis visando solução (ou soluções ) para o problema.
Os seguintes critérios devem ser obedecidos:
Se for conveniente a avaliação e seleção poderão ser processadas em outra futura reunião, onde, então, aquelas idéias realmente absurda