Antônio Luiz, Medium Atuante no Grupo de Fraternidade Espírita Irmã Clotildes (Coordenador junto com Dr. Indoval do Grupo Mediunico das reuniões de Quinta-feiras )no Centro de Vitória/ES, entre outras muitas atividades...

O Amor Incondicional

Eu poderia falar todas as línguas que são faladas na terra e até no céu, mas, se não tivesse amor, as minhas palavras seriam como o som do gongo ou como o barulho de um sino.
Poderia ter o dom de anunciar mensagens de deus, ter todo o conhecimento, entender todos os segredos e ter tanta fé, a ponto de tirar as montanhas do seu lugar, mas, se não tivesse amor, eu não seria nada...
Poderia dar tudo o que tenho e até mesmo entregar o meu corpo para ser queimado, mas, se eu não tivesse amor, isso não me adiantaria nada.
Quem ama é muito paciente e bondoso.
Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso.
Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas.
Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada, mas se alegra quando alguém faz o que é certo.
Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência.
O amor é eterno.
Existem mensagens espirituais, mas durarão pouco.
Existe o dom de falar em línguas estranhas, mas acabará logo.
Existe o conhecimento, mas terminará também.
Pois, os nossos dons de conhecimento e as nossas mensagens espirituais são imperfeitos.
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança, falava como criança e pensava como criança.
Agora que sou adulto, parei de agir como criança.
O que agora vemos é como uma imagem imperfeita num espelho embaçado.
Mas, depois veremos face a face.
Tudo o quanto sei agora é obscuro e confuso...
Mas, depois verei tudo com clareza.
Tão claramente como Deus esta vendo agora mesmo o interior do meu coração.
Agora, portanto, permanecem três coisas:
A fé, a esperança e o amor.
Porém, a maior delas é o amor.


O amor (Coríntios 1, cap. 13:1)


“AMAI AO PRÓXIMO COMO A TÍ MESMO “ Jesus


Todos nós, em algum momento, já fizemos a mesma pergunta que todas as gerações fizeram:
Qual é a coisa mais importante da nossa existência?
Estamos acostumados a escutar que o tesouro mais importante do mundo espiritual é a Fé. Pois bem, estamos completamente errados.
Em uma das cartas de Paulo aos Corintios, ele afirma: “Agora, pois, permanecem a Fé, a Esperança, e o Amor. Estes três. Porém, o maior deles é o Amor.”
Vale ressaltar que não se trata de uma opinião superficial de Paulo, pois, afinal de contas, ele estava falando de Fé, quando dizia: “Ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver Amor, nada serei.”
Paulo não fugiu do assunto; pelo contrário, comparou a Fé com o Amor. E concluiu: “(...) o maior destes é o Amor.”
Além disso, esta carta aos corintios não é o único documento a mostrar o Amor como o SUMMUM BONUM, o Dom Supremo. Todas as obras-primas do Cristianismo concordam a este respeito.
Pedro diz: “acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados”.
E João vai mais longe: “Deus é Amor”.
Podemos ler, também, em outro texto de Paulo: “o cumprimento da Lei é o amor”.
Paulo começa a comparar o Amor com outras coisas, ele compara com a Eloqüência, e quando se refere aos grandes pregadores, diz: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o símbalo que retine.”
Paulo compra o Amor com a Fé, com a Caridade.
Porque que o Amor é mais importante que a Fé? Porque a Fé é apenas uma estrada que nos conduz até o Amor Maior.
Porque que o Amor é mais importante que a Caridade? Porque a Caridade é apenas uma das manifestações do Amor. E o todo é sempre mais importante que a parte.
Depois de comparar o Amor com tudo que já vimos, Paulo, faz uma surpreendente análise do que é este s
upremo.


Ele nos diz que o Amor é uma coisa composta de muitas outras. Como a luz, pois se fizermos com que um raio de sol atravesse um prisma, este raio se divide em sete cores. As cores do arco-íris.
Paulo, então, pega o Amor e faz com atravesse o prisma de sua sensibilidade, dividindo-o nos seus elementos.
E quais são estes elementos? São virtudes das quais ouvimos falar todos os dias, virtudes que podemos praticar em qualquer momento de nossas vidas.
São estas pequenas coisas, estas virtudes simples, que compõem o Dom Supremo.


O Amor é composto de nove ingredientes:

Paciência: “O Amor é paciente” ; Bondade: “é benigno”; Generosidade: “o amor não arde em ciúmes”; Humildade: “não se ufana nem se ensoberbece”; Delicadeza: “O amor não se conduz incovenientemente”; Entrega: “não procura seus interesses”; Tolerância: “não se exaspera”; Inocência: “não se ressente do mal”; Sinceridade: “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.”
Todos estes dons estão relacionados com a gente, com a nossa vida diária, com o hoje e com o amanhã, com a Eternidade.
O Amor é Paciência. Este é o comportamento normal do Amor, esperar com calma, sem pressa, sabendo que em determinado momento ele poderá se manifestar. O Amor é paciente. Agüenta tudo. Acredita em tudo. Porque o Amor é capaz de entender.
O Amor é Bondade.
Já repararam que Cristo utilizou grande parte do seu tempo no mundo sendo bom para os outros, deixando os outros contentes?
Procure olhar por este ângulo, e notará que, embora Cristo tivesse muito que fazer, não esqueceu de ser carinhoso para com o próximo.
Derrame generosamente seu amor sobre os pobres, o que é fácil; e sobre os ricos, que desconfiam de todos, e não conseguem enxergar o Amor de que tanto necessitam;e sobre seus semelhantes — o que é muito difícil, é com nossos semelhantes que somos mais egoístas. Muitas vezes tentamos agradar, mas o que precisamos fazer é dar alegria.
Dê alegria. Jamais perca a oportunidade de
dar alegria ao próximo, o mundo á sua volta ficará mais contente, e as coisas serão muito mais fáceis para você.


O Amor é Generosidade. Deixe que os outros amem. E procure amar mais ainda. Sempre que você quiser praticar uma boa ação, encontrará pessoas que fazem a mesma coisa, às vezes de uma maneira muito melhor que a sua. Não os inveje. E a única maneira de escapar à inveja é concentrando forças no Amor.
Apenas uma coisa temos que invejar: a grande, rica e generosa alma daqueles que conhecem um Amor que “não arde em ciúmes”.
E então, depois de aprender tudo isto, temos que aprender mais uma coisa: Humildade. Colocar um selo em nossos lábios, e esquecer nossa paciência, nossa bondade, nossa generosidade. Depois que o Amor penetrou em nossas vidas, e realizou seu belo trabalho, devemos ficar quietos e não dizer nada.
O quinto ingrediente é algo que pode parecer estranho e inútil neste Arco-íris do Amor: Delicadeza. Não é verdade: delicadeza é o Amor manifesto nas pequenas coisas. Quem possui Amor em seu coração, não pode agir grosseiramente, ao passo que o falso nobre, aquele que é apenas esnobe, está preso a seus sentimentos e não consegue amar.
O Amor é Entrega. O Amor não procura seus interesses, não busca sequer aquilo que é seu. O Amor é algo tão profundo que quem ama ignora qualquer recompensa. A lição mais presente em todos os ensinamentos espirituais nos diz: não existe felicidade em ter e receber; apenas em dar.
O que quiser ser maior entre todos vocês, disse Cristo, que sirva a seu próximo. Quem quiser ser feliz deve colocar no Amor o seu encontro com a vida. O resto não tem importância.
O próximo ingrediente do Amor é a Tolerância.
Somos inclinados a julgar a intolerância como um defeito de família, uma característica da personalidade, uma distorção da natureza, quando na verdade deveríamos considera-la uma verdadeira falha do caráter do homem.
O que mais impressiona é que a intolerância, o preconceito, está sempre presente na vida das pessoas que se julgam virtuosas.

A suposta boa relação entre a virtude e a intolerância é um dos mais tristes problemas da raça humana e da sociedade.
Não falou o próprio Cristo, quando disse que as prostitutas e os pecadores entrariam primeiro no Reino dos Céus, na frente dos sábios escribas de sua época?
Não existe lugar no Reino para os preconceituosos e os intolerantes. Porque, para entrar no Reino dos Céus, o homem precisa carregar o Paraíso em sua alma.
Reparem! Enquanto falava, eu me exasperei. Cometi o vício de quem fala em virtude: a intolerância se manifestou.
Temos que ir até onde eles se escondem, mudar o que há de mais intimo em nossa própria natureza. Só assim os sentimentos de raiva morrerão por si mesmos.
O poder da vontade não transforma o homem. O tempo não transforma o homem. O Amor transforma. Portanto, deixem o Amor entrar em seus corações. Melhor não viver que não amar.
Completando os ingredientes do Amor, vamos falar um pouco de Inocência e Sinceridade. As pessoas que mais nos influenciam, mais nos tocam, são aquelas que acreditam no que dizemos. Num ambiente de mútua suspeita, as pessoas se retraem.
Diante da inocência, porém, todos nós crescemos. Encontramos coragem e amizade junto de quem acredita em nós. Quem nos entende, pode nos transformar.
Fazer com que as pessoas confiem em nós é estar muito perto do Amor. E só vamos conseguir isto se confiarmos nas pessoas. Se acreditarmos que uma pessoa pode melhorar, e esta pessoa sente que a consideramos igual a nós mesmos, terá ouvidos para nossas palavras.
Paulo disse: “o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.” Aquele que sabe amar, ama a Verdade.
Talvez a palavra Sinceridade não seja a melhor para explicar esta qualidade do Amor e não estou falando da sinceridade que humilha o próximo, aquela que usa o erro dos outros para mostrar o quanto somos bons. O verdadeiro Amor não consiste em expor aos outros a sua fraqueza, mas aceitar tudo, alegrar-se ao vê que as coisas são melhores do que os outros disseram.


Agora que conhecemos os ingredientes do
amor, temos que nos esforçar para que todos eles passem a fazer parte de nós mesmos. Isto é, precisamos aprender a amar. Pois a vida não é um longo feriado, mais um constante aprendizado. E a mais importante lição que temos é: APRENDER A AMAR. Amar cada vez melhor.
O Amor é muito mais que a soma de todos os seus ingredientes — é uma coisa viva, palpitante, divina.
Ao sintetizar todas as virtudes das quais falamos, podemos nos tornar virtuosos, mas não quer dizer que tenhamos aprendido a amar. Vamos tentar copiar os que aprenderam a amar.
Na Primeira Epístola de João, encontramos: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.” Em suma, somos todas manifestações do Amor.
Os consultórios médicos e psicológicos estão cheios de pessoas que se esqueceram das maravilhas que graciosamente o mundo nos oferece, se aprisionando a uma deturpada visão do mundo e completamente inconscientes de sua realidade espiritual. Esquecem-se de que o corpo é morada do espírito, e não ao contrário.
Aprendi com os mentores que normalmente repetimos as tarefas que não concluímos. Aprendi também que concluir tarefas só é possível com amor, e que mais cedo ou mais tarde, em qualquer dimensão é obrigação concluir a tarefa.
O perdão é a ausência de qualquer outro sentimento, é o deixar fluir. È mais que um ato de supremacia frente à dor e ao passado. Sabemos, no entanto que muitas vezes o desejo e perdoarmos alguém não basta, e acabamos nos envolvendo numa demonstração de orgulho e superioridade, que na verdade não nos liberta.
O perdão nos conduz a serenidade de não sentirmos mais abalados pelas diferenças, simplesmente deixamos de sofrer e o assunto cai no mais absoluto esquecimento, e que um dia voltará a tona.


“A VIDA NÃO MUDA; NÓS MUDAMOS FRENTE À VIDA”.


Quando alguém vê as pétalas espalhadas de uma rosa, não duvida que um dia essa bela flor teve aroma, forma, perfume e a função de enfeitar, onde quer que ela tenha nascido. Assim deve ser o amor que devemos cultivar em nossos corações, ou seja, de uma forma incondicional.
O homem tem o sentido da cura. Vocês podem me perguntar porque o amor cura, eu explico: porque o amor eleva, o amor sublima, o amor compreende, o amor
explica, o amor sente, o amor se espalha. O homem entende sua capacidade de amar como a capacidade de construir família, de amar como pai, como irmão ou como amigo.
Amem. Amem quem quer que seja, seja onde for. Apenas por sentir esse sentimento que eleva.
Fagulhas de seu espírito se ascendem quando permite que o amor queime em vocês.
Existe uma química que afeta não somente o corpo sutil, não apenas o corpo vibracional, não apenas a sua aura, mas também o seu copo físico, a sua emoção, a sua mente. Esse é o amor que eleva.
Esse mundo, o planeta Terra, foi construído pela energia amorosa que permeia todo o Cosmo, através dos fluídos energéticos, do Amor, da Sabedoria, e da Fé. E como há uma verdade espantosa no espírito, no qual não existem diferenças, credos,crenças ou seres diferentes de outros seres, nem homens nem mulheres , criou-se esse mundo pela espantosa semelhança ente pensamento e sentimentos, que pode ser chamado de COESÃO DA ALMA ( os afins se juntam).
E a espiritualidade superiora quer dizer: ‘amem com coesão, use o amor incondicional que o Cristo pregou ; esqueçam-se dos rótulos; esqueçam-se de compartimentar o amor.
LEMBREM-SE:
Quem é capaz de amar o filho e não amar o Pai, não amo;
Quem é capaz de amar o amante, e não amar a si mesmo não ama;
Quem é capaz de amare o amante, e não amar o próximo, não ama.

Amemos a Ele, amemos a nós mesmos, amemos a todos.
Seja qual for sua crença, ou sua Fé, busque primeiro o Amor. E o resto lhe será acrescentado. O Amor é o mandamento que justifica todos os outros mandamentos. Pois o AMOR INCONDICIONAL, precisa ser eterno. Porque Deus o é.

QUE A PAZ CRÍSTICA E A ENERGIA ROSA DO AMOR POSSA ENVOLVER NOSSOS CORAÇÕES.


Antonio luiz

A SENDA DO MÉDIUM


O que vou comentar aqui não é pretendido como mensagem de pessimismo e desânimo aos que, como eu, trabalham em parceria com a Espiritualidade em prol da felicidade no coração das pessoas; mas sim, e antes, aviso de perseverança e otimismo, e de que jamais nos veremos apartados do amparo daqueles que nos assistem a partir do invisível, desde que saibamos cerrar defesas, sem descambar irreversivelmente para um estado depressivo crônico, toda vez que a vida nos colher, a nós, médiuns, que possuímos um tipo de sensibilidade "diferente" e mais exacerbada, com imprevistos e com contrariedades.

A missão daquele que se comprometeu, anteriormente à reencarnação, com este tipo de trabalho peculiar, costuma ser melindrosa e cheia de nuances de molde a colher em cheio os próprios médiuns, em qualquer instante em que se ache desprevenido. E, creiam, é mais do que comum, por mais preparado que se encontre, tendo em vista os sobressaltos e o stress das múltiplas tarefas cotidianas na vida moderna.

Ocorre que, dado este mesmo estado de turbulência da fase evolutiva atual na face do orbe, o trabalho do médium desagrada a muitos - de ambos os lados da vida - e se faz imperativo que este se ponha em guarda contra as emissões de negatividade que o vão atingir maciçamente, no decorrer do seu desempenho, tão logo se veja disposto, decididamente, a por "mãos à obra" na grata, porém séria missão de servir de instrumento para que a Espiritualidade - empenhada no auxílio ao avanço evolutivo dos seres - manifeste sua palavra de inestimável valor.

Hostes do invisível, engajadas na obscuridade espiritual da humanidade, visando a manutenção do poder tacanho que rege a materialidade mais grosseira, se levantam em massa contra os que se empenham neste labor. Com tanto mais vantagem em termos de ação, exatamente por agirem do invisível.

Ora, ocorre que há médiuns e médiuns; mais ou menos imunes à influência direta do astral mais denso, quanto mais ou menos se empenhem em afinizar suas próprias vibrações espirituais com a faixa mais seletiva da esfera invisível, por meio do próprio burilamento íntimo, no esforço contínuo de realizar e trilhar na matéria o excelso caminho que tantos sábios do passado nos legaram como bússola inigualável, a exemplo do próprio Jesus.

Quanto mais se mantenha o médium imune a estes ataques, pelo sucesso da sua compatibilidade com as áreas mais seletas da espiritualidade, no entanto, mais se lhe exigirá cautela: um estado de alerta constante para consigo mesmo, pois que, muitas vezes não alcançando atingi-lo diretamente, pelo preparo interior de que dispõe, combinado com o amparo e a defesa dos guias e dos mentores, estes irmãos espirituais menos felizes buscarão acertá-lo "por tabela", usando de medidas paralelas que alcancem minar-lhe o ânimo no trabalho realizado; tentando enfraquecer-lhe a fé naquilo que realiza, e, por vezes, comprometer-lhe a credibilidade perante sua própria consciência e perante o próximo.

E como isto se dá? No uso de terceiros, como armas de tiro indireto.

Na nossa convivência diária com uma enorme variedade de pessoas, existem muitos que pouco se dão conta destas coisas, ou que, se algo percebem, nem que intuitivamente, não lhe atribuem o devido peso, descuidando de si mesmos e da qualidade de seu estado espiritual, e mantendo, com isso, portas abertas a todo tipo de influência do astral por intermédio de aborrecimentos por coisas menores; ódios; desavenças; malícia descuidada e xucra; maledicência, e todo um cortejo de estados íntimos indesejáveis que baqueiam drasticamente a nossa condição vibratória, proporcionando lamentável acasalamento de energias com estes seres da invisibilidade que, assim, encontram situação ideal para usarem um sem número de criaturas desavisadas como "massa de manobra", a fim de atingirem aqueles que, mais despertos, e de antemão comprometidos com o serviço de saneamento evolutivo do mundo, oferecem maior resistência em desertar e mergulhar nas condições lamentáveis que dominam a atmosfera espiritual terrena nos dias de hoje.

Por isto é tão comum toda sorte de reveses e contratempos se abaterem sobre os médiuns durante a realização dos trabalhos de ordem espiritual. Mil escolhos: desavenças familiares graves; doenças imprevistas; contratempos lastimáveis de ordem profissional; empecilhos justo no momento de se engatar um novo projeto mediúnico, ou um trabalho de profilaxia espiritual em Casas Espíritas; um sem número de contratempos inexplicáveis, mobilizados contra o médium, mais das vezes, justo por aqueles que se lhe achem mais próximos: o filho que não compactua com a atividade espírita do pai; o marido incompreensivo e difícil; o chefe do trabalho intransigente, imerso na valorização doentia das miudezas transitórias do poder. Críticas inclementes de onde menos se contava, e daqueles de quem mais esperávamos compreensão e empatia; ironias impiedosas; palavras ferinas; calúnias...

Todo médium preparado, pois, sabe, ou deveria saber, que se empenhar na causa Espiritualista, e na transmissão das Verdades eternas, implica em missão delicada e árdua, e não em exibição de fenômenos espetaculares que alimentam o ego e propiciam apresentações na televisão.

Como irmã de causa, e discorrendo de cima da própria experiência, é a estes, em especial, que dirijo este lembrete. Aos que me acompanham de há algum tempo na senda escolhida, seja de qual vertente religiosa ou filosófica forem; aos simpatizantes e estudantes do assunto que, no ardor do entusiasmo do princípio, apenas iniciam um caminho cheio de felicidade imperecível, mas também repleto de desafios inevitáveis.

Já Jesus alertava que os discípulos fossem mansos como as pombas, mas, também, alertas como as serpentes.

O recado é oportuno também aos discípulos de hoje, porque não foi outra a razão, de dentro das circunstâncias daquela época recuada, para que o Mestre da Luz de todos os tempos, certamente sabedor destas coisas, alertasse os que então se empenhavam no trabalho em favor das claridades espirituais no mundo.

A SENDA DO MÉDIUM - AS ARMADILHAS


Guia ou mentor espiritual nenhum gosta de ser posto à prova. Isto é coisa sabida, difundida na Doutrina, e transmitida a todo e qualquer médium de boa vontade. Porque é alerta precioso ao seu caminho: o de se por de guarda contra as "armadilhas", arquitetadas por aqueles que ainda não tem alcance, compreensão, ou que agem mesmo à sorrelfa, no intuito de desmoralizar os médiuns e a divulgação benéfica da revelação de uma realidade à qual não se dão, nem mesmo, o trabalho do estudo, antes do ataque cego e destituído de base fundamentada.

Os mentores repetidamente mencionam que colocá-los à prova por meio do médium, a fim de provarem a veracidade da sua existência, é para eles tão absurdo, e merecedor, senão de lástima, de profunda piedade, para com os que lançam mão deste esforço despropositado, quanto será para qualquer um que, uma vez transpondo o limiar entre as duas dimensões da Vida, depois da desencarnação, se veja submetido ao mesmo constrangimento, na sua tentativa de se comunicar com os que por aqui ainda se demoram, e aos quais estimam com sinceridade. Será, também para estes, desagradabilíssimo, o ter que provar que "são quem são", ou seja: os mesmos que por aqui, encarnados, eram, sem tirar nem por uma só nuance, em função do ceticismo preconceituoso que ainda grassa no mundo, em pleno século 21!

As "armadilhas", neste contexto, são bem conhecidas de qualquer médium prevenido e experiente: cansa de acontecer, e para isto forneço meu próprio testemunho. Por vezes vindas mesmo de conhecidos, ou parentes, na consagração do legendário dito de que "santo de casa não faz milagre".

Por vezes conhecidos, amigos e familiares dispõe estranhamente da maior facilidade em depor confiança num médium completamente desconhecido - mas repentinamente consagrado pela mídia, no verdadeiro estardalhaço que só a mídia sabe promover - , do que no que faz parte do seu círculo íntimo, embora anônimo, e de quem conhecem, por convivência, a idoneidade, a retidão de caráter e de propósitos, na vida, como na profissão da fé.

Trata-se de estranha tendência do ser humano, a de duvidar de seus próprios sentidos, em detrimento do conhecimento bastante confiável de que se dispõe em relação a um ente mais próximo, em favor da hipnose irrefletida, produzida pelo forte e trabalhado magnetismo com que o poder de divulgação comercial da ordem do dia seduz as pessoas, seja na direção do chester em promoção em determinado mercado, quanto na direção do médium que, por uma ou outra razão, atinge o conhecimento do grande público, não vindo ao caso, aqui, até que ponto é ou não preparado, ou bem intencionado.

É neste contexto, portanto, que menciono as "armadilhas". Na hora de se receber o telefonema do conhecido rogando alguma trivialidade: que o nosso mentor se disponha a dizer onde se encontra determinado objeto valioso que sumiu (o objeto simplesmente não existe); que, pelo amor de Deus, venha uma mensagem psicografada de um desencarnado (inventado, óbvio - inexistente, para se testar o médium, e fazê-lo cair em descrédito, se a dita mensagem vier), com o fim de diminuir a dor dos parentes e amigos; ou simplesmente relatando-se uma série de sandices "extra-psíquicas" - de uma infantilidade e puerilidade infinitas! - para avaliar se o incauto médium incorre no erro de proclamar desavisadamente este ser, que tantas mentiras relatou propositalmente, à conta de algum iluminado ou privilegiado das alturas, proporcionando assim que o autor da troça ria horrores com a resposta que, se viesse, de um médium bem despreparado se revelaria.

Não ocorre a estes zombadores da seriedade do Espiritismo que a Espiritualidade Assistente, à parte de suas crenças ou descrenças tolas, existe, e existe bem concretamente; e, tanto mais bem preparado seja o médium por intermédio do qual atua, mais chances existirão de que seja, em tempo real, intuído quanto ao que se esconde por detrás de cada solicitação que se lhe dirige. Nítidamente, de maneira cristalina, a "voz" iniludível do seu mentor espiritual particular lhe advertirá sobre cada solicitação sem cabimento, ou destituída de boa intenção, de verdade e de sinceridade, porque a tarefa de qualquer médium sério é bem específica; mais ainda a dos bondosos mentores desencarnados, que têm mais o que fazer em favor dos dotados de nobreza de coração, e de autenticidade de necessidades espirituais, do que perder tempo - e permitir que seus médiuns o percam - com "testes" e "armadilhas" que se lhes são dirigidos com finalidade maléfica, ou desejando-se adquirir provas de coisas que o correr da vida, facilmente, demonstrará implacavelmente a cada um, se não for hoje, mais um pouco amanhã

DO TRABALHO


Talvez tenha sido numa obra do espírito de André Luiz que certa vez deparei uma explicação oportuníssima a respeito da forma como se dá o trabalho mediúnico de assistência, tanto da parte do médium quanto dos espíritos de quem estes são intermediadores, bem como o modo como se organizam as múltiplas atividades nas esferas invisíveis da vida, nas cidades e colônias que infestam as dimensões várias em torno do nosso orbe.

Dizia respeito a método e organização, e com muita propriedade era exposto que, mesmo na variegada labuta de ocupações da vida material, há que existir ordem e bom senso; e que se cabia ao datilógrafo uma função específica, e ao pintor outra diversa, bem atrapalhadas ficariam as coisas se o pintor negligenciasse sua tarefa para meter-se na do datilógrafo, e este, de sua parte, lá fosse se intrometer na pintura da qual não detivesse a mínima familiaridade, em detrimento da função que lhe competia.

Quero me valer desta muito válida elucidação para ilustrar as razões pelas quais muitas pessoas por vezes se decepcionam ao buscarem os médiuns na ânsia da solução de problemas das mais variadas procedências. Efetivamente a decepção será grande e inevitável, se forem os médiuns tomados à conta de curandeiros ou mágicos que venham dar solução de continuidade a dilemas e desafios que, o mais das vezes, requerem iniciativa de renovação própria, e de modificação de atitudes do próprio interessado - a chamada transmutação íntima - e não sortilégios, fórmulas mágicas, ou evocações de qualquer espírito que, de dentro de uma suposição muito cômoda e ingênua, solucionariam situações intrincadas, cuja origem invariavelmente é encontrada nos dramas sombrios de convivência no passado milenar que a todos antecede, nas nossas vivências pregressas em companhia dos nossos semelhantes.

Há o médium psicógrafo - e mesmo entre estes ainda observamos graduações de tarefas. Um Chico Xavier foi um mestre da luz reencarnado: colaborador de elevada estatura espiritual, e de sensibilidade mediúnica apurada como em poucos foi e será observado no nosso mundo. Sua atuação – pública - reconfortou inúmeros com as mensagens recebidas das esferas invisíveis, no acalento de pessoas mergulhadas na dor da perda, que tanto disso se beneficiaram. Sua missão única difere, e muito, do trabalho modesto de um sem número de operários humildes da seara espiritualista que, diferindo do missionário iluminado, exercem a mediunidade mais restrita, visando, na medida de seus esforços no bom desempenho do que lhes cabe, não apenas o esclarecimento do próximo, na transmissão da palavra dos mentores desencarnados, mas também o próprio resgate do passado de enganos, renovando os seus dias no esforço fraterno que venha beneficiar, quem sabe, aqueles a quem sua palavra confundiu, no mau uso da inteligência, em dias obscuros do pretérito.

A estes, portanto, de nada adiantará procurar para a solução de problemas de saúde, mais apropriada aos cuidados do trabalhador espiritual de cura - embora muitos médiuns possuam em si mais de uma aptidão na hora do serviço de assistência. Observa-se, contudo, que os conhecidos intermediadores do espírito do Dr. Fritz se dedicavam prioritariamente aos males do corpo, embora sempre enfatizassem a nascente destes males nas más condições espirituais dos pacientes, ressaltando a necessidade da reformulação íntima, de pensamentos e de atitudes, na renovação precisa da sua visão de vida.

Cada médium, portanto, possui seu próprio repertório de execução das tarefas de intermediação da assistência da Espiritualidade em favor dos reencarnados; mas, sobretudo nesta atuação especialíssima, há que existir método e organização.

As Casas Espíritas bem organizadas dispõem de trabalhadores das mais variadas especialidades, desde a escola de médiuns, preparadora dos candidatos a atuarem em parceria com a falange invisível da instituição, os evangelizadores que, dotados da facilidade da exposição oral, realizam as palestras esclarecedoras da palavra da espiritualidade, sob a inspiração dos Espíritos doutrinadores, os passistas, apropriados à aplicação energética que favoreça a limpeza áurica dos pacientes, até aos médiuns de cura propriamente, que trabalham em dias diversos, no tratamento dos males físicos dos assistidos. Todos amparados pela equipe do invisível condizente, numa tarefa cuidadosamente planejada e organizada pelos dois lados da vida.

Faz-se necessária esta exposição porque, no labor da palavra escrita e da difusão, por este método, das realidades da Vida Maior, inúmeras vezes somos questionados da razão de não podermos atuar em áreas não pertinentes à nossa realização específica, ocasionando irritação descabida toda vez que este ou aquele não entende porque o médium da palavra escrita que - como no meu caso pessoal - age em parceria com o invisível na produção literária, como articulista ou na publicação de livros psicografados, não proporciona a espécie de "consulta" satisfatória na solução dos mais intrincados problemas: "Por que tenho azar na vida? Por que meu emprego não dá certo? O que está perseguindo meu irmão cuja vida não progride em coisa nenhuma?"

Tento explicar a estes amigos o exposto acima; cada trabalhador da seara espiritualista tem a sua função, vinculada ao seu próprio histórico evolutivo, às suas necessidades de trabalho engatadas às alegrias do serviço ao próximo e do exercício da fraternidade no nosso mundo atual tão conturbado. Nada obstante, existem à mão cheia as instituições espiritualistas idôneas, de um sem número de vertentes filosóficas ou religiosas, que atuam de forma satisfatória para atender a cada necessidade individual. Questão apenas do próprio interessado procurar aqui o que não encontrou acolá, na devida compreensão de que também na área espírita há disciplina e atribuições; questão de um mínimo de esforço próprio, apenas, na direção da solução dos próprios interesses, porque, como foi explicado, cada qual na existência atende a um aspecto da vida peculiar.

Imprescindível que os companheiros de jornada que nos buscam não nos tomem erroneamente como feiticeiros produtores de resultados fáceis para problemas intrincados, que envolvem muitas vezes todo o passado evolutivo do interessado, ou como ditadores de "buena dicha”, da sorte do dia, como se o trabalho mediúnico semelhasse à cômoda leitura de cartas, que tira do consulente os méritos da iniciativa na mobilização da sua renovação interior e das suas vivências, rumo ao apuro espiritual que, este sim, em clareando-lhe o espírito em maturidade e em entendimento, o sintonizará finalmente com as esferas mais saneadas da existência onde todos os problemas atuais ficarão para trás!


IRMÃOS DO ALTO DA MONTANHA

A ausência de compreensão humana para muitos assuntos da espiritualidade provocou um desvio de entendimento para com tópicos cujas realidades se situam, naturalmente, para muito além das definições usadas por meio dos recursos de linguagem, inevitavelmente restritos para se compreender os assuntos transcendentes. O conceito de guias, mentores e instrutores espirituais descambou para este terreno.

Preferimos antes dizer que, em relação aos que amparamos durante o período de suas reencarnações, somos irmãos que se situam no "alto das montanhas", em relação aos que transitam "lá embaixo", dispondo de uma abrangência de visão limitada pelas próprias circunstâncias da sua situação passageira, de viajores da dimensão corpórea.

O que segue na estrada não tem condições de visualizar, antecipadamente, o que vai deparar depois da curva. Aquele que se acha do alto das montanhas e colinas próximas, todavia, dispõe de um campo de visão privilegiado em relação ao outro, e de condições melhores para avisá-lo de qualquer imprevisto na proximidade do caminho adiante, lançando mão, para isto, dos recursos cabíveis para o momento: um telefone celular, se for o caso, ou rádios transmissores de longo alcance, por exemplo, em se atendo aos que, como vocês, se situam nivelados em condições sensórias.

No que nos diz respeito, contudo, dispomos de outros meios mais eficientes, por lidarmos com o campo das energias mais refinadas: quem se lembrará da limitação sujeita a falhas de funcionamento dos aparelhos materiais, quando se conta com o poder de alcance transcendente da comunicação instantânea e límpida, ao fazer-se uso da linguagem do pensamento e da alma, cuja captação simultânea nos permite resultados incomparávelmente mais satisfatórios?

Nossa posição em relação aos nossos assistidos é bem de acordo com o exemplo citado - ressaltando, contudo, a necessidade do exercício de sintonia da parte dos nossos tutelados, chamando-nos, sempre que possível, com a "voz" dos pensamentos, o que criará um "fio condutor" que os permitirá, assim, atender ao nosso "chamado telefônico" (telepático) com maior facilidade; também não somos seres melhores do que vocês, senão mais experientes e, como foi dito, situados em patamares melhores de observação, de vez que não contamos com as barreiras de tempo e de espaço. Dispomos de um ângulo de visão privilegiado em relação aos acontecimentos que os aguardam, e é tudo. E é também verdade que - como muitos argumentam na obstinação da incredulidade pessimista, e na conveniente ignorância do melhor no coração e nas intenções do próximo - que, de um certo ponto de vista, todos "podem muito bem pegar de uma caneta e sairem escrevendo qualquer coisa, apregoando depois serem médiuns, e que tais mensagens são de espíritos".

Nós lhes asseguramos a integral veracidade desta assertiva - em relação aos bondosos de coração e de intenções, e aos dotados de nobreza de alma e de generosidade na finalidade das suas atitudes, normalmente voltadas para a irradiação de maior claridade no mundo. Não quanto aos que, de má fé, venham a fingir intencionalmente que algo receberam da nossa dimensão de vida, na intenção de desmoralizar a iniciativa dos intermediadores de boa fé. Não aos debochados, e aos antecipadamente céticos, que espalham de maneira lamentável o pessimismo destruidor da esperança e das luzes nas almas dos seres humanos. A estes, deixamos entregues à Providência que, por intermédio das experiências imperceptíveis do dia-a-dia, os encaminha infalívelmente ao aprendizado inevitável a todos, à convicção pelo amadurecimento, no tempo certo. Aos puros de coração, contudo, acorremos instantaneamente, sim; com alegria, entusiasmo e afeto, como assim o fazíamos, enquanto encarnados, por aqueles que ocupavam nossos corações com as mais santas expressões de afetividade.

"Pedi, e obtereis"...Estejam certos os irmãos, portanto, de que aí estaremos, à revelia mesmo da sua percepção mais objetiva, inspirando-os, senão pela psicografia, através da intuição, ou por qualquer método disponível para cada caso particular; sempre que necessário, ou que a nós dirigirem seus pensamentos em busca de orientação, e de reconforto naqueles momentos de maior solidão.

Deixamos a Terra um dia com nossos amigos e familiares, que nos acompanharam durante o período de experiência corpórea; deixamos também o universo invisível, na direção das vivências na vida física, repleto de amigos amorosos que, orando em nossa intenção, ou acompanhando-nos os passos como amigos devotados, na mesma manifestação terna de carinho com que por aqui dividimos horas inesquecíveis, nos seguem os passos nas provas da materialidade, devotadamente, e independentemente de crença ou descrença, compreensivos das condições transitórias de esquecimento às quais todos nos submetemos no empenho da solução das pendências de ordem material.

Sigam, então, na certeza de que mãos invisíveis entrelaçam as suas a cada lance de alegria ou de tristeza, de temores ou de aflição. Um dia celebraremos novamente, em paragens maravilhosas, as alegrias do amor e da comunhão de almas, em plenitude de serenidade e de paz.

Indubitavelmente, alguém vela por vocês, "do alto das montanhas"...

Irmão Marcus
Pela psicografia de Lucilla


DA LINGUAGEM


A linguagem no terreno da mediunidade é o instrumento de troca, de intercâmbio, não apenas entre o médium e os espíritos desencarnados, mas, como muitos deixam de perceber, também com quem se encontra aqui, na mesma esfera de existência corpórea momentânea. É a linguagem da alma, do pensamento, que percorre eternidades instantaneamente. A que passa praticamente desapercebida das nossas realidades imediatas na matéria, por ainda constituir a vivência mais expressa de poucos, relativamente à totalidade dos povos em movimento sobre o orbe. Nada obstante, sempre se faz presente de maneira involuntária, e, na maior parte das vezes, tomada à conta de coincidências, e relegada rapidamente ao esquecimento, naquelas vezes em que alguém nos telefona justo quando o mentalizávamos; quando adiantamos em palavras o que um amigo presente pensava, sem ter este tido tempo de falar; quando, de uma cidade para outra, pressentimos a morte de um ente querido, antes que nos chegue a notícia da mesma...São muitos os exemplos.

No médium desenvolvido, este mecanismo de intercâmbio via pensamento acha-se exacerbado, principalmente nas modalidades mediúnicas avançadas da psicografia intuitiva ou inspirativa, mediante a influenciação pura da mente do intermediário reencarnado pelo espírito que lhe transmite a mensagem, que ele externa instantaneamente, sem a própria participação, ou com o mínimo de interferência, quando dos casos em que pinta com "cores próprias" o conteúdo do que lhe dita a Espiritualidade assistente.

Esta linguagem intuitiva nada mais é que a linguagem do futuro, que a todos nós está destinada nas esferas mais depuradas de vida, e na própria Terra, em futuro talvez não tão distante, de vez que todos somos médiuns mais ou menos conscientes desta capacidade inerente a todo ser humano tanto quanto as particularidades dos outros cinco sentidos. Para tanto que, no indivíduo menos consciente do intercâmbio com as energias que nos cercam, tais ocorrências se dão, para este, quase que num estado onírico, no qual ele não se dá conta suficiente dos fatores outros que estão contribuindo para que, vez por outra, ocorram os exemplos acima, - aparentemente destituidos de importância ou de significado, - da "transmissão do pensamento", ao se adivinhar, como acontece, quem nos está ligando, antes que atendamos ao telefone.

Para os que já possuem a faculdade desenvolvida, cresce o grau de responsabilidade, de vez que, com a chamada "terceira visão" praticamente descerrada, e em pleno florescimento, irá desfrutar da capacidade, por vezes incômoda, de ver às claras o que vai por detrás do mais inocente dos discursos que se lhe dirijam. A intenção se revela à descoberto por detrás das palavras pronunciadas, o mais das vezes, na mais completa ignorância de que alguém possa estar a desvendar o móbil verdadeiro que as determina. Se ao médium preparado que, ainda mesmo aqui, na vida corpórea, alguém profere a frase: - "não posso lhe emprestar um real porque não tenho" -, quando, na realidade, não empresta o um real por preguiça de procurar na carteira, sabendo que o tem na carteira, o que ocorrerá é que o sensitivo em questão, dotado da visão de dentro aberta, ouvirá, na verdade, o genuíno "não empresto porque não estou com paciência para procurar na minha carteira" - a verdadeira mensagem, em consonância com a autenticidade da intenção - e não o articulado falsamente pela fantasiada palavra oral.

É esta a única razão pela qual, nas paragens espirituais, após o instante rápido na vida física, o nosso destino está estritamente condicionado ao nosso estado íntimo. Porque, uma vez vivendo na intimidade real da nossa existência, no mundo das energias, torna-se impossível expressar-se algo que não seja rigorosamente o extrato de nós mesmos. Com o fim da vida material, extingue-se a possibilidade da dissimulação, usada com tanta e tão desapercebida frequência no nosso "baile de máscaras" reencarnatório.

Assim que, uma vez desencarnados, na vida mais autêntica, e em acordo absoluto com o nosso estado evolutivo, as manifestações iluminadas do amor agrupam os verdadeiramente afins a esta expressão íntima, assim como, irresistívelmente, aqueles nos quais ainda prevalecem as sensações mórbidas dos ódios e das emoções deprimentes assim se revelarão inapelávelmente, sem subterfúgios, indo ter naquelas estâncias afins, energéticamente, a todos os que compactuam com estes padrões baixos de estado de espírito.

A linguagem da alma é, pois, indefectível, e é ela a nossa inconfundível impressão digital nas dimensões da eternidade, que nos irá situar, inapelávelmente, naquele setor da vida compatível, e de molde a nos acomodar no nosso "habitat", na atmosfera condizente com as nossas necessidades e cores internas, pela lei da atração entre os semelhantes, assim como, ainda por aqui, nos é dado atestar, diáriamente, que poetas de gênio se afinizam para produzirem, irresistívelmente poesias; que os pessimistas de plantão acordam na condenação dos outros e de si próprios, por antecipação; e que os chacais jamais se sentirão à vontade na convivência dos animais marinhos.

Se ansiamos luz e harmonia, portanto, que a cultivemos primeiramente em nós mesmos, para que a nossa linguagem interna cristalina não nos venha, de futuro, a trair, na revelação impoluta da nossa própria essência. Porque não foi outro o sentido do sublime "Reino de Deus em nós", anunciado pelo Mestre Jesus - e a linguagem da alma será sempre, obediente a isto, o mais incorrupto Julgamento de nós mesmos!


Que a Paz Crística esteja com vocês.


IRMÃO X

Antônio Luiz

 

A mulher que queria ser médium

"Chegara-se a nós e declarou que vinha de outro Centro; por anos tinha sido assídua à mesa mediúnica, e nada de desenvolver a mediunidade de incorporação; e agora viera tentar conosco.
Passaram-se meses e nem sinal de incorporação de Espíritos. Findo o tempo experimental, chamamo-la e lhe dissemos:
— Parece-nos que seu caso não é de incorporação. Tentemos a mediunidade passista.
Um pouco a contragosto, concordou. Logo suas mãos benfazejas estavam a serviço dos sofredores que acorriam em busca de alívio.
Todavia, continuava inconformada; queria a todo custo ser uma médium psicofônica, desejava receber Espíritos sofredores; como passista, parecia-lhe não produzir nada, clamava ela; e lhe perguntamos:
— E os Espíritos sofredores encarnados que se curam com seus passes?
Uma noite, antes do início da sessão, conversava comigo, quando entrou uma senhora que se dirigiu diretamente a ela, e com a alegria estampada no rosto, tomando-lhe as mãos, disse-lhe:
— Quero agradecer-lhe o passe que a senhora me deu na semana passada. Que Deus a recompense. Este braço há anos estava um pouco amortecido; fiz muitos tratamentos inutilmente. Depois de seu passe meu braço ficou bom.
A médium passista bem compreendeu o olhar que lhe lancei; e esqueceu-se da mediunidade de incorporação."



2. Desconfiança gratuita



"E aconteceu comigo no Hospital Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, em São José do Rio Preto. Jamais faltava às sessões o Afonso, um senhor que muito me estimava, médium passista. Não sei porque, eu não confiava em seus passes, era uma desconfiança gratuita, e na distribuição dos trabalhos de passes, eu o preteria; humilde, mantinha-se no seu lugar, orando.
E fui acometido de uma dor martirizante na perna direita. Os remédios que o Dr. Orlando me receitou revelaram-se inócuos.
E, certa vez, no Hospital, tornando-se a dor mais intensa, meu protetor intuiu-me:
— Suplique ao irmão Afonso a caridade de um passe.
E Afonso transmitiu-me um passe tão amorosamente que fiquei curado; e ao apertar-lhe a mão amiga, abaixei a cabeça envergonhado."

Estendendo tua mão a sarar as enfermidades, e a que se façam maravilhas e prodígios em nome de teu santo filho Jesus.
Atos, 4:30


Autor desconhecido

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