Entrevista
Aos Ex-Presidentes da FEEES |
I - IDENTIFICAÇÃO
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1. Nome:
Marcelo Paes Barreto 2. Endereço eletrônico: mvixpaes@terra.com.br 3. Telefones: (27) 33377314 – 99.81.85.44 4. Onde Nasceu : Cachoeiro de Itapemirim – Estado do Espírito Santo. 5. Quando : 27 de setembro de 1952. 6. Profissão: Defensor Público Estadual e Professor Universitário. 7. Estado Civil: Casado com Rosa Julia Jorge Paes Barreto desde 1976, tendo três filhos: Marcela; Clarisse e Fabrício. |
II - VIDA ESPIRITA
1. O que levou você ao Espiritismo?
Numa noite do mês de maio de 1970, quando, eu e a minha então namorada Rosa Julia, hoje minha esposa, íamos para o Cinema Juparanã, assistir a um filme,no centro de Vitória, me convidou para conhecer a sua Religião. Aceitei! E, em vez do cinema, fomos para a reunião da União Espírita Cristã - UEC, em VV. Impressionado com a palestra, nunca mais deixei de seguir e estudar a Doutrina Espírita. Logo, foi o amor que me levou para o Espiritismo!
2. O que a Doutrina Espírita significa para você?
A Doutrina Espírita abriu para mim a porta do conhecimento das Leis Divinas, explicando-me uma série de coisas que, até então, não encontrava em outras linhas filosóficas. Foi a chave com que abri a porta e as janelas da ciência da vida! Ao estudar os postulados Espíritas, encontrei muitas explicações que a Ciência do Direito (minha profissão e carreira) não apresentava, tais como a origem da violência, a razão dos dois sexos, a origem da família, os conflitos conjugais, a dor, o sofrimento, a alegria, o princípio da Justiça, a equação da lei de causa e efeito. A Doutrina Espírita significa para mim a coisa mais importante que aconteceu em minha atual vida, abrindo as portas para a verdade, e, iluminando os meus sentidos para a perfeição.
III - INSTITUIÇÃO ESPIRITA
1. Qual a Casa Espírita que freqüenta?
Atualmente freqüento a Associação Jurídico Espírita do Espírito Santo – AJE-ES - e a Casa Espírita Ademar Grijó. Mas, freqüentei de 1970 a 1980 o Centro Espírita Maria Madalena em Jucutuquara; Depois o C.E. Allan Kardec, do bairro Alvorada, VV; Depois fiquei por nove anos consecutivos na Federação do Estado.
2. Há quanto tempo?
Freqüento as reuniões desde 1970.
3. Em que período você foi presidente
da FEEES?
Fui Vice-Presidente de 1992 a 1995, na gestão de meu amigo Julio David Archanjo. E presidente por dois períodos de três anos, de 1995 a 2001.
4. Você adotou algum lema ou alguma plataforma
de trabalho para a sua gestão?
Sim. Qual? O lema foi a Unificação dos Postulados e, fundamentalmente A União dos Espíritas. Mas, as dificuldades foram muito grandes. Os entraves são barreiras de difícil ultrapassagem. O desconhecimento dos postulados, dos pontos de unificação, acrescidos pelo orgulho, inveja, ciúmes, pelo personalismo, efetivamente são os principais pontos que atravancam o desenvolvimento da Doutrina Espírita em nosso Estado em também em nosso Brasil. Conheci os 27 Estados e quase todos os Movimentos Regionais. Todos tem problemas semelhantes e graves.
5. Quais as linhas de trabalho que mais desenvolveu
na FEEES?
Quando Vice-Presidente e Diretor de Doutrina, visitamos todos os núcleos Espíritas, empreendendo somente no primeiro ano mais de quarenta viagens, chegando a rodar de automóvel mais de 32.000 Quilometros. Após verificar as primeiras carências, criamos um Fórum permanente dos Departamentos de Doutrina. Ou seja, um colégio de Dirigentes, onde se desenvolveria inúmeros trabalhos para a qualidade dos serviços da Casa Espírita. Foi, inclusive, depois de vários encontros, confeccionado um documento de orientação para as Reuniões Doutrinárias. (Vide este documento anexo) Demos, também, continuidade aos Congressos Estaduais (criado na gestão do Julio David), sempre com o intuito de melhor preparar os adeptos para as tarefas Espíritas. Demos início aos seminários da Família, estudada sempre como uma organização Divina, com objetivos sublimes. (Vide anexo uma apostila sobre a Família) Outro programa importante que tivemos a alegria de iniciar foi o Projeto Jesus Cristo, com várias programações de exposições para o incentivo do conhecimento de sua obra. E, para a incrementação do Estudo Sistematizado da Doutrina e da divulgação do Espiritismo, criamos os Cursos Básicos de Espiritismo (deveria ter um todo mês de março de cada ano...), e, também um programa de trabalho na área de preparação dos Divulgadores, com cursos para conhecimento da Doutrina e técnicas para a sua divulgação. (veja textos sobre a exposição em anexo). Outra área que nos preocupou muito foi a Mediunidade. Muito desconhecida pela grande maioria, incentivava muitos erros nos trabalhos realizados pelas Casas. Em função disso, iniciamos um trabalho junto à Federação Espírita Brasileira – FEB - para a criação de uma comissão de estudos nos encontros regionais, nascendo, tempos depois, a primeira apostila de estudos Mediúnicos da FEB, norteando, pedagogicamente, os trabalhadores daquele segmento.
6. Que Comparação você faria
entre o Movimento Espírita daquela época e do de hoje?
Ao nosso ver os problemas e os entraves são os mesmos. Não existe ainda uma efetiva união dos trabalhadores, (existe ainda muito divisionismo e exagerado personalismo...), talvez por não terem ainda entendido a razão pedagógica da vinda da Doutrina ao nosso planeta. Há ainda uma desunião entre os operadores, que, na verdade atrapalha a construção da obra, tornando-a vagarosa demais. Mas, Deus está no comando! E, devagar, vamos aperfeiçoando, seja pela dor, seja pelo amor, vamos edificando o edifício que ‘um dia irá reunir todos os homens num ambiente de harmonia e paz’.
7. O que falta, na sua opinião, ao movimento
Espírita para a sua melhor expansão, no Espírito Santo?
Falta, exatamente, uma efetiva compreensão dos Postulados Espíritas, (os divulgadores não são competentes...tem muito professor despreparado...) e, fundamentalmente, falta o seu exercício, colocando em prática as virtudes da tolerância, da paciência, da boa e saudável convivência...! Na época realizamos algumas pesquisas, e, verificamos que muitos dirigentes não tinham lido as obras básicas (logo não conheciam a Doutrina...), não sabiam o que era Unificação, e, como conseqüência, tínhamos e temos inúmeros trabalhos nas casas que se distanciavam e se distanciam do Verdadeiro Espiritismo. (vejam em anexo alguns textos escritos na época alertando sobre esses pontos...)
8. E às Casas Espíritas?
A Casa Espírita é a UNIDADE fundamental do Movimento. É nela que devemos ter um enraizamento da amizade, da união e da unificação, estudando o Espiritismo, e, o praticando na sua pureza, trabalhando corretamente para a Divulgação. Mas, infelizmente, ainda não é assim...Existe um sensível divisionismo, um exacerbado personalismo. Claro e óbvio que o trabalho da Federativa, com alguns poucos trabalhadores fiéis à planta de organização, está, cada vez mais, tomando o rumo certo e, progressivamente reunindo um número maior de aprendizes e qualificados trabalhadores. Durante a nossa administração lançamos o programa de Qualidade dos Serviços nas Casas.
9. Que prognóstico você faria para
o futuro do Movimento Espírita no Estado do Espírito Santo?
Nos disse Leon Denis que o Espiritismo será o que fizerem os Espíritas. É verdade. Se, somos os operários da última hora, incumbidos da construção da obra, e, se não nos qualificamos para prestarmos um trabalho com qualidade...a obra será prejudicada pela nossa própria inércia, pelo nosso relaxamento, pela demora que estamos emprestando na execução das tarefas. O Espiritismo está sendo atacado por uma infinidade de obras literárias de péssima qualidade, escrita por pessoas despreparadas, sem o devido conhecimento estrutural da Obra, sem o devido respaldo moral e ético para prestar testemunhos, e conseqüentemente sem a competência para uma eficiente divulgação. Veja isso na área Doutrinária, onde pessoas que não entenderam os objetivos da Doutrina...desejam ensinar. Querem ser orientadores, sem estarem preparados, sem exemplos próprios, na área da família (onde muita gente quer ser mestre sem ter sido discípulo...), na área da mediunidade, onde o próprio livro dos Médiuns nunca foi estudado, querem ensinar a prática da comunicação, na área da infância e juventude, com jovens que não freqüentam as reuniões Doutrinárias, não fizeram os ESDE. São, em muitos casos deseducados, querendo ensinar nas salas de aulas dos Centros...! Logo, o futuro depende de nós! Mas, para isso deveremos nos entender, sermos unidos em torno de um ideal comum! E, principalmente implementarmos um trabalho de qualidade em nossos serviços, para nos tornarmos competentes e eficientes operadores desta Doutrina! Enquanto houver a desunião, os cismas, os grupos separatistas, os personalismos, e uma crônica má vontade para estudar e exercitar, estaremos, com essas posturas, atravancando o andamento dos trabalhos. Estaremos sendo os escolhos da Doutrina!
10. O que você teria a recomendar para o Espírita,
em geral, no Espírito Santo?
Uma vez, tendo chegado de uma grande viagem no interior do Estado, e, incomodado com os problemas que vivenciamos, depois de chorar muito em meu quarto de dormir, de meditar e orar muito, escrevi um texto sobre o Trabalho Espírita, que tomo a liberdade de disponibilizá-lo no final desta entrevista. Ou seja, como um modesto trabalhador, entusiasmado e abraçado, em definitivo, com esta Doutrina, desde 1970, pelo amor, recomendaria simplesmente que todos os interessados estudassem as Obras Básicas, relendo-as, pelo menos de dois em dois anos, e, com serenidade, disciplina e força de vontade procurassem colocar em suas vidas íntimas esses ensinamentos maravilhosos, trazidos em terceira revelação pelos Espíritos Superiores.
11. Considerações Finais.
Em primeiro lugar quero agradecer a gentileza da direção deste Site em me proporcionar esta oportunidade. Raras são as pessoas que não esquecem dos que passaram...! Em segundo lugar, preciso registrar que nos idos dos anos sessenta, conheci um homem sensacional. Um homem que autorizou-me ser seu amigo, seu aprendiz e seu discípulo. Trata-se do Dr. Antonio Lugon. Nas várias horas que passávamos conversando por certos dias da semana, aprendia com ele o que era a substância da vida...aprendia com ele as lições do verdadeiro Espírita...aprendia os postulados da moral cristã, da ética, da simplicidade, da humildade, da serenidade, da paz interior. Tive a honra de ser um dos seus auxiliares na FEEES, o acompanhando, por muitas vezes na observação do andamento da construção da sua sede... aprendendo (sem saber que um dia seria seu Presidente) também as linhas da administração do Movimento Espírita Capixaba. Quantas e quantas história me contava! A ele, devo a maior parte dos meus ensinamentos! Depois dele tive a alegria de conhecer e trabalhar com o Dr. Gélio Lacerda, Alcino Pereira, Adelino , Hugo Azevedo e Julio David Archanjo, que, com certeza foram também amigos-professores, me ofertando a oportunidade de conhecer e trabalhar no Movimento Espírita de nosso Estado. Devo a eles grande parte dos trabalhos que desenvolvemos em nossa gestão à frente da FEEES!
E, finalmente, agradeço a Deus e aos meus amigos
espirituais, por ter tido uma namorada consciente e responsável, hoje
minha esposa Rosa Julia Jorge Paes Barreto, por ter me levado a UEC-VV, ‘naquela’
memorável noite do mês de maio do ano de 1970, para conhecer a
coisa mais importante da minha vida intelectual e moral, oportunizando-me, assim,
o direito de trabalhar no meu interior a verdadeira liberdade para conquistar
a perfeição!
Vitória, 10 de fevereiro de 2005.
Marcelo Paes Barreto
Estudos Espíritas Com Dr. Marcelo Paes Barreto Na Página do AJE-ES