Vitória\ES
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Therezinha Oliveira
Antes de abordarmos exemplos de curas feitas por Jesus, recordemos explicações da Doutrina Espírita sobre enfermidades e curas.
Pelo pensamento e a vontade, os espíritos agem sobre os fluidos, que ficam impregnados das qualidades (boas ou más) dos pensamentos e sentimentos que os fazem vibrar (quer encarnado ou não o espírito que sobre eles atua).
A atividade do espírito influi sobre os fluidos do seu perispírito. Quando intensa e reiterada, se reflete no corpo, de modo benéfico ou maléfico, segundo a natureza dos pensamentos e sentimentos.
Basicamente, é das lesões ou perturbações vibratórias do perispírito que se originam as doenças orgânicas ou psíquicas, bem como as deficiências funcionais sem causa aparente. A etiologia das doenças está, pois, nos distúrbios espirituais, da anual ou das anteriores existências.
Jesus afirma essa relação espírito-corpo nas enfermidades,
ao dizer, quando curava alguém: "Os teus pecados estão perdoados".
Obs: Existem também enfermidades causadas por influência de espíritos; sua cura será estudada na aula que falará sobre desobsessão no Evangelho.
Encarnados ou não, os espíritos têm no seu próprio perispírito um reservat6rio de fluidos (bons ou maus) e podem endereçá-los a outros seres. Os fluidos bons podem servir como agente terapêutico, para reparação perispiritual ou de reflexos no corpo.
O poder curativo dependerá:
"É muito comum a faculdade de curar pela influência fluídica e pode desenvolver-se por meio do exercício; mas, a de curar instantaneamente, pela imposição das mãos, essa é mais rara e o seu grau máximo se deve considerar excepcional" (item 34, cap. XIV, "A Gênese", de A-K-).
Jesus a muitos curou por ação fluídica ("ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças", Mt. 8:16/ 17) e recomendava aos discípulos que assim agissem: "Curai os enfermos" (Mt. 10:8).
A recepção e assimilação dos fluidos dependerá das condições no paciente e no ambiente (problemas cármicos e outras circunstâncias) que favoreçam ou não a permuta e assimilação fluídica.
"Com relação à corrente fluídica" o curador age como uma bomba calcante e o enfermo "como uma' bomba aspirante", esclarece Kardec ("A Gênese", XV, item li), acrescentando:
"Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das ações; doutras, basta uma só".
A fé, portanto, não é uma virtude mística mas uma força atrativa.
Quando o enfermo não tem essa fé, "opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou pelo menos uma força de inércia, que paralisa a ação".
Podemos entender, agora, porque Jesus, ao curar alguém, dizia: "Se tiveres fé" ou "A tua fé te salvou".
Algumas curas que Jesus fez por ação fluídica
Nestes casos, Jesus transmite magnetismo pelo olhar e motiva psicologicamente a pessoa pela palavra, além dos fluidos que emana e com sua vontade potente dirige para o enfermo, embora sem tocá-lo ou usar qualquer outro recurso material.
1 ) Ao paralítico, no tanque de Betesda, indaga (Jo. 5 :1/9):
- Queres ser curado?
Ante a resposta afirmativa, ordena:
- Levanta-te, toma o teu leito e anda.
Imediatamente o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar.
2) Age de modo semelhante com o paralítico de Cafarnaum (Mt. 9:2/8, Mc. 2:1/12 e Lc. 5:17/26).
- Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
E, levantando-se, partiu para sua casa.
1) "...todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias (lc 4:40) lhos traziam; e ele os curava, impondo as mãos sobre cada um".
2) Aproximou-se dele um leproso, rogando-lhe de joelhos:
- Senhor, se queres, podes tomar-me limpo. (Mc. 1:40/45) Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o, e disse-lhe:
- Quero, fica limpo1 (Mt. 8: IR.) No mesmo instante lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.
3) Em Jericó, Jesus passava acompanhado por uma multidão.
Um cego estava à margem do caminho. Ouvindo que era Jesus quem passava, pôs-se a segui-lo clamando para que o curasse.
(Mc. 10:46/52, Lc. 18:35/43 e Mt. 20:29/34.) Jesus parou e mandou chamá-lo.
- Que queres que eu te faça?
- Mestre, que eu tome a ver.
- Vai; a tua fé te salvou.
E imediatamente o cego tomou a ver, e seguia Jesus estrada afora. (Mateus diz que eram 2 cegos e que Jesus lhes tocou os olhos).
4) Quando iam prender Jesus no Horto das Oliveiras, Pedro sacou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
Mas Jesus acudiu, dizendo: Deixai, basta.
E, tocando-lhe a orelha (ao servo ferido), o curou. (Mt.
26:47/56, Mc. 14:43/50, Lc. 22:47/53 e Jo. 18:2/11.) Outros exemplos:
Jesus abençoa as criancinhas impondo-lhe as mãos.
(Mc.10: 13/16.) Jesus cura a sogra de Pedro, de febre muito alta: "tomou-a pela mão", e "repreendeu a febre". (Mt. 8:14/15, Mc. 1:29/31 e Lc. 4:38/39.) Cura de um hidrópico:
"E tomando-o o curou e o despediu". (Lc. 14:1/6.) Cura de dois cegos:
"Então, lhes tocou os olhos, dizendo: Faça-se conforme a vossa fé. E abriram-se-lhes os olhos". (Mt. 9:27/31.)
1) Então lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse a mão sobre ele. (Mc. 7:32/37.) Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá, que quer dizer: Abre-te.
Abriram-se-lhe os ouvidos e logo se lhe soltou o empecilho
da língua, e falava desembaraçadamente.
2) Então chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. (Mc. 8:22/26.) Jesus, tomando-o pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe:
- Vês alguma coisa?
Este, recobrando a vista, respondeu:
- Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando.
Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.
Destaquemos nestas duas passagens: usou o toque, a saliva (propriedades medicinais?), a oração e a palavra; retirou o enfermo para longe da multidão, porque poderia prejudicar a realização do fenômeno pela mentalização inferior.
1) Encontrando um cego de nascença, Jesus "cuspiu na terra, e tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego, dizendo-lhe:
- "Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado).
"Ele foi, lavou-se, e voltou vendo". (Jo. 9:1/12.) Se esta passagem está fiel ao acontecido, tentemos uma análise:
Por que usou terra? Talvez tivesse propriedades medicinais? Ou serviria para remover algo aderido ao globo ocular?
Por que usou saliva? Talvez por ser preciso fazer uma pasta para colocar nos olhos do cego e ali não devia haver água (jà que depois o cego precisou ir lavar-se no tanque de Siloé).
Por que ir lavar os olhos depois? Talvez a água do tanque também fosse medicinal, complementando o processo curador.
Ou porque, após curar, a lama deveria ser retirada e nada melhor do que a água para isso.
Jesus trabalhava assessorado por uma equipe espiritual.
Em certos casos, havendo vibrações e fluidos favoráveis dos participantes, era possível aos bons espíritos, a mando de Jesus, se dirigirem até onde o enfermo se encontrava e lá curá-lo.
Também podia ocorrer comunicação com espíritos que lá já se encontrassem, para realizarem a cura com o apoio dos fluidos e vibrações oferecidos.
Assim se explicam as curas seguintes, em que os enfermos, à distância, ficaram curados no mesmo momento em que Jesus assegurava isso.
l) Cura do criado de um centurião romano, em Cafarnaum. (Mt. 8;5/13.) O enfermo ficara em casa, o centurião foi até Jesus pedir a cura.
"Então, disse Jesus ao centurião: Vai-te e seja feito conforme a tua fé. E naquela mesma hora o servo foi curado".
2) Em Caná, um oficial do rei pede a Jesus a cura do filho que ficara em Cafarnaum, enfermo. (Jo. 4:46/54.) "Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra." "Vai, disse-lhe Jesus; teu filho vive." "O homem creu na palavra de Jesus e partiu" (para Cafarnaum) vindo a saber, depois, que o filho ficara bom exatamente na hora em que Jesus afirmara a sua cura.
"... punham os enfermos nas praças, rogando-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste; e quantos a tocavam saíam curados". (Mc. 6:55/56.) Não era o fato de lhe tocarem as vestes que os curava e, sim, o de entrarem em contacto com sua aura ou campo de irradiação fluídica.
E "todos " se curavam? Os que ofereciam condições para tanto.
É o que fica evidente no caso a seguir:
1) Cura de uma mulher hemorroíssa. (Mt. 9:19/23 e Lc.
8:42/48.) Há 12 anos tinha ela um fluxo sangüíneo e já se havia tratado com vários médicos, sem alcançar a cura e gastando tudo quanto possuía.
Tendo ouvido a fama de Jesus, a mulher veio por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste, porque dizia:
- Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada.
E logo se lhe estancou a hemorragia e sentiu no corpo estar curada.
Jesus perguntou:
- Quem me tocou?
Todos negavam que tivessem feito isso e os apóstolos, então, argumentaram com Jesus:
- Mestre, as multidões te apertam e te oprimem (ou seja, muitos estavam tocando em Jesus).
Mas Jesus insistiu:
- Alguém me tocou, porque senti que de mim saiu poder (ou virtude, força) (percebera que alguém atraíra seus fluidos).
E olhava ao redor para ver quem o tocara.
Então a mulher, vendo que não podia ocultar-se, cônscia do que nela se operara, trêmula se aproximou, prostrou-se diante de Jesus e declarou-lhe o que fizera e por quê.
Jesus lhe disse:
- Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre do teu mal.
A doença é uma terapêutica da alma, dentro do mecanismo da evolução humana. É a filtragem, no corpo, dos efeitos prejudiciais dos desequilíbrios espirituais. Funciona, também, como processo que induz à reflexão e disciplina das atitudes.
Enquanto não produziu seus efeitos benéficos, não deve ser suprimida.
De todos os enfermos que o procuravam, Jesus curou
somente aqueles em quem os efeitos purificadores da enfermidade já haviam atingido seu objetivo reequilibrante, ou aqueles que já apresentavam condições para receberem esse auxílio no corpo físico.
"Curai os enfermos", mandou ele aos seus discípulos, mas completou: "anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus" (Lc. 10-9). Não queria que apenas curassem corpos mas que orientassem os enfermos para o entendimento e cumprimento das leis de Deus, porque a verdadeira cura é a do espírito e esta não se dá apenas pela supressão dos sintomas da doença física, a qual é tão-somente uma conseqüência.
Para evitar as enfermidades, cuidemos não só do corpo mas do espírito, cultivando bons pensamentos e sentimentos, praticando o bem e não o mal.
Se, apesar de nossos cuidados, a enfermidade nos vier:
"Se, porém, malgrado os nossos esforços não o conseguirmos" (ficar curados), devemos "suportar com resignação os nossos passageiros males". ( "O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XXVIII, V, item 77), pois "lesões e chagas, frustrações e defeitos em nossa forma externa são remédios da alma que nós mesmos pedimos à farmácia de Deus ". (Emmanuel, em "Seara dos Médiuns", cap. "Oração e Cura").
Jesus havia curado um grupo de 10 leprosos. Apenas um retomou para agradecer. O Mestre indagou:
- Não foram dez os limpos? Onde estão os outros nove?
(Lc. 17:17.) Jesus não fazia questão do agradecimento pessoal. Mas quis ensinar: A cura sempre representa uma concessão da misericórdia divina, que permitiu recebêssemos de outrem recursos para nos refazermos e sairmos da situação dolorosa e prejudicial em que estávamos.
Quem é curado precisa reconhecer isso e ser grato pela colaboração prestada por quem se fez intermediário dessa bênção.
Não ser grato pela cura revela que a pessoa não entendeu quanto lhe foi concedido e, provavelmente, não saberá valorizar nem conservar a bênção recebida. A falta de gratidão ante a cura física revela que a pessoa ainda não alcançou a cura mais importante e definitiva: a do espírito.
Encontrando no Templo o paralítico que havia curado no Tanque em Betesda, Jesus lhe diz:
- Olha que já estás curado; não peques mais para que não te suceda alguma coisa pior. (Jo. 5:14.) De fato, restabelecido o equilíbrio fluídico, é preciso que a pessoa o mantenha pelos bons pensamentos, sentimentos e atos.
Senão, poderá gerar novas lesões orgânicas ou predisposição para enfermidades.
Estudos espíritas do Evangelho - EME Editora
Bismael B. Moraes
"Nenhum julgamento serviu, como o de Jesus, para uma negação tão insistente, obstinada e acatada de que foi um erro judicial e deu margem a um crime jurídico". (do Juiz Haim Cohn Hermann, ex-Presidente da Suprema Corte de Justiça de Israel).
SUMÁRIO: 1- Introdução. 2- Um Juiz em busca de respostas. 3. Confronto: Evangelhos x Fontes Jurídicas. 4- Datas dos Evangelhos e seus testemunhos. 5- Análise do Evangelho de Marcos. 6- Análise do Evangelho de Mateus. 7- Análise do Evangelho de Lucas. 8- Análise do Evangelho de João. 9- Jesus foi condenado por Tribunal Judeu? 10- Controvérsias Evangélicas e as Leis Romanas e Judias. 11- Mais coerente é o Evangelho de João. 12- Os relatos evangélicos e a realidade histórica.
Tenha sido por arraigada sedimentação religiosa e dogmática, ou por interesse de análise acadêmica da Teologia, ou por motivos políticos e ou filosóficos, a verdade é que as questões relacionadas à vida e à morte de Jesus, em regra, sempre foram objeto de discussão no mundo todo. (Houve até quem, de forma estapafúrdia, ousasse dizer que essa coisa de religião, no fundo, foi uma invenção do homem fraco e covarde, a fim de manietar e controlar os super-homens...).
Mas, aqui e agora, não vem ao caso eventual questionamento entre religiosos e ateus, entre fiéis e cépticos. Entretanto, na busca do conhecimento, todo trabalho sério, especialmente o de pesquisa, se faz merecedor de reflexão. E é isso o que se pretende: trazer, para reflexão, uma síntese sobre O JULGAMENTO DE JESUS, O NAZARENO.
O tema decorre da leitura do livro de autoria do magistrado Dr. Haim Cohn Hermann, nascido em 1911, ex-Presidente da Suprema Corte de Justiça de Israel, publicado em Inglês, em 1967, com o título "REFLECTIONS ON THE TRIAL AND DEATH OF JESUS", e traduzido para o Português, por Maria de Lourdes Menezes, como "O JULGAMENTO DE JESUS, O NAZARENO", já em 5ª edição, publicação da Imago Editora, Rio de Janeiro, 1990.
Trata-se de uma pesquisa científica do Juiz Haim Cohn, de forma criteriosa e sem pender para discussões doutrinário-religiosas, apenas com o intuito de levantar – como bem esclarece - a verdade da mácula que historicamente pesa sobre os judeus pela morte de Jesus, apontados, em regra, como responsáveis por aquele evento, tão somente com base em registros evangélicos.
Essa empreitada é levada a efeito pelo magistrado Cohn, através da exegese do Direito da época em que Jesus viveu, na busca de respostas para questões como estas: - Que crime praticou Jesus? Quem foi o responsável por Sua prisão? Qual a Lei ou o Direito que Ele violou – da Judéia ou de Roma? Por quem foi Ele julgado e condenado? Quem ordenou a Sua crucificação? A quem imputar a Sua morte – aos judeus ou aos romanos?
Para essa obstinada pesquisa jurídica, sociológica e de costumes, de quase vinte séculos passados, o Dr. Haim Cohn analisou e comparou e Velho Testamento e o Novo Testamento da Bíblia, os antigos Talmudes Jerosolimitano e Babilônico, citando 92 obras de autores diversos, em latim, inglês e, principalmente, em alemão (talvez pela forte influência da Igreja sobre povo germânico), e mais 12 fontes hebraicas, 10 fontes judias, 6 fontes cristãs e 21 fontes romanas, todos da antigüidade, indo ainda à exegese da Mishná ou Michna (codificação da lei oral pós-bíblica realizada pelos sábios, após a queda do Estado judeu, para, a despeito da perda da independência política, preservar a estrutura nacional jurídica) e do Tora (lei mosaica em pergaminho). Dissecou, com apoio no material pesquisado e com base em deduções lógicas, as formas de julgamento do Sinédrio, Tribunal Judeu, com 71 membros, formado por sacerdotes, anciãos e escribas, (para julgar questões criminais e administrativas, bem como delitos de ordem política), ao qual Jesus foi submetido.
O Juiz Cohn, depois de registrar que, somente neste Século XX, já foram escritos mais de 60.000 (sessenta mil) livros sobre Jesus, e, dentre eles, vários sobre o Seu julgamento, mostra que o trabalho em tela tem por meta a tentativa de encontrar uma explicação convincente para os fatos e acontecimentos que foram descritas em fontes não-jurídicas (os Evangelhos), indo buscar tal explicação no acúmulo de conhecimentos que "possuímos sobre as instituições e os conceitos jurídicos que existiam naquela época e lugar". E esclarece que, para o empreendimento, "e valor dessas fontes, seja como fontes sagradas (teológicas) ou factuais (históricas), está fora de discussão"; não serão convertidos em fontes jurídicas. A idéia da pesquisa é confrontar os fatos (descritos nos Evangelhos e noutras fontes) à luz do Direito Romano e sua aplicação, bem como diante das leis judias em vigor por volta daquela época.
Na introdução do seu livro, aquele magistrado faz uma advertência: "Não podemos afirmar que a nossa atitude seja compartilhada por todos os juristas que já se ocuparam desse tema até agora. Muito ao contrário: tenho diante de mim quatro livros, de juristas ingleses e norte-americanos – Lord Shaw, Taylor Innes, Powell e MacRuer, todos eles cristãos fervorosos... Eles consideram tudo que está escrito no Novo Testamento como material jurídico por excelência, uma espécie de testemunho válido sobre o que não pode haver dúvidas".
Em sua pesquisa científica dentro do Direito, o Dr. Cohn mostra que nenhum dos quatro Evangelhos (de Marcos, Lucas, Mateus e João) inclui depoimentos de testemunhas presenciais dos eventos que descrevem. Com base no livro "Jesus and the Origins of Christianity", de Goguel, está demonstrado que o Evangelho de Marcos foi escrito por volta do ano 70 da Era Cristã (do nascimento de Cristo); o Evangelho de Lucas data, aproximadamente, do ano 85; e o Evangelho de Mateus veio à luz, mais ou menos, no ano 90; e o Evangelho de João, por volta do ano 110.
Assim, tomando como fonte o pesquisador Winter, em seu livro "On the Trial of Jesus", escreveu o Juiz Haim Cohn: "Logo, o Evangelho de Marcos foi escrito cerca de quarenta anos após a crucificação de Jesus, e Lucas escreveu, mais de duas gerações depois desses acontecimentos. Disso se depreende que os depoimentos ali existentes não correspondem a testemunhas presenciais". E acrescenta ser possível que os relatos dos Evangelhos "sejam uma tradição conservada pela congregação de crentes e transmitida de geração em geração. Mas, se serviam para saciar a curiosidade biográfica dos crentes sobre a morte de Jesus, não continham nenhum tipo de documentação jurídica". Os Evangelhos, assim, não foram escritos como bases históricas, mas como meio de difundir o cristianismo, aí recorrendo, por vontade do evangelista – como é o caso de João – a utilização livre de sua imaginação, "para acrescentar detalhes e melhorar a descrição, não aceitando limitações antiquadas ao apresentar, não história mas teologia".
Consta da pesquisa de Dr. Haim Cohn o registro de um dos mais antigos escritores, que teria vivido entre o ano 55 e o ano 115, de nome Tacitus, o qual, em seu "Annales", com tradução de Dvoretzky, em 1962, "relata de passagem, para explicar o significado do nome Cristão (de seita perseguida durante o reinado de Nero), que Cristo é o pai de todos os cristãos e que foi executado na época do Imperador Tibério pelo Governador Pôncio Pilatos".
Diz o magistrado Cohn: alguns pesquisadores sustentam que "de tudo que está escrito nos Evangelhos, só podemos aceitar que Jesus viveu e foi crucificado, sendo o resto meros adornos para maior glória da fé". E acrescenta que "a interpretação dos acontecimentos descritos nos Evangelhos é uma questão aberta, e todo aquele que os ler ou analisar poderá fazer a sua própria interpretação... No que diz respeito às causas do julgamento de Jesus e à sua condenação, como também às circunstâncias, ao fundamento e ao objeto do julgamento, não aceitaremos o que está escrito nos Evangelhos como testemunhos indubitáveis; nossa atitude para com eles será a de um juiz cuidadoso e neutro, com a liberdade absoluta de quem tem diante de si um livro aberto".
Na análise dos quatro Evangelhos, começa pelo Evangelho de Marcos, registrando, em síntese, o seguinte:
O Evangelho de Mateus, nesse episódio, em linhas gerais, repete o que diz o Evangelho de Marcos, acrescentando, porém, o seguinte:
Já o Evangelho de Lucas traz algumas diferenças marcantes, tais como as seguintes:
No Evangelho de João, há outras diferenças, como podem ser observadas a seguir:
Com essas e outras observações, confrontando os quatro Evangelhos – de Marcos, Mateus, Lucas e João -, o juiz Haim Cohn procura mostrar as informações, em alguns casos, até contraditórias entre os evangelistas, cada um deles escrevendo sobre os mesmos fatos em épocas diferentes, para concluir que esses escritos não podem ter valor científico como história.
Numa análise mais profunda do Direito antigo, para verificar se os judeus – embora tendo suas próprias normas, mas achando-se sob o domínio romano – tinham o poder de aplicar a pena de morte, o magistrado Cohn leva-nos a melhor refletir sobre a condenação e crucificação de Jesus. Mostra, por exemplo, os seguintes registros:
Assim, o autor Haim Cohn conclui: se, quarenta anos antes da destruição do templo, já se havia tirado os judeus o direito de julgar questões penais de vida ou morte, não poderia ter sido um tribunal judeu que condenou Jesus à pena capital.
Foi, segundo o Dr. Cohn, de acordo com registros da tradição babilônica e jerololimitana, que "os cristãos começaram a publicar e difundir textos de propaganda e apologia, na segunda metade do século II, para sublinhar e realçar as diferenças entre eles e os judeus, não apenas no que se refere à fé, como também à fidelidade política aos governantes romanos".
"Já haviam sido publicados os Evangelhos, nos quais a tendência a desprestigiar os judeus encontrou um fundamento de peso. Se o fundador da religião cristã e seu criador. (Jesus) era inocente aos olhos do governador romano, que não encontrou mácula nele nem em sua religião, isso aparentemente comprovaria que a dita religião pode coexistir com a fidelidade ao Império". (grifos nossos). E conclui o magistrado Haim Cohn: "E se apesar de tudo Jesus foi crucificado como um criminoso, isso se deve apenas à maldade dos judeus e de seu Sinédrio, que sabiam muito bem como era grande para eles o perigo implícito na nova religião, que terminaria acabando com a religião dos judeus".
O livro mostra que não havia sido encontrada prova de que as autoridades romanas tivessem alguma vez concedido autoridade judicial ao Sinédrio de forma explícita, fosse genericamente para o direito penal ou fosse para certos delitos em casos particulares. "O Sinédrio nada mais era do que um tribunal local em sua terra ocupada, que atuava apenas sob a autoridade do governador (romano) e segundo a sua vontade".
"Em resumo",- esclarece o autor-, " o Sinédrio só estava autorizado a julgar delitos segundo a lei judia, assim como o governador romano só estava autorizado a julgar delitos segundo o Direito Romano".
Por exemplo, profanar o templo não representava delito, de acordo com o Direito Romano, mas o era segundo o Direito Judeu: nesse caso, o governador romano poderia entregar o assunto para o Sinédrio.
No Evangelho de Lucas, quando a multidão (de judeus) levou Jesus a Pilatos, depois de o terem interrogado (os principais sacerdotes e anciãos), foi o Nazareno acusado: "Perverte a nação e proíbe de dar tributo a César, dizendo que ele mesmo é um rei". Aí, pelo evangelista Marcos, Jesus estaria sendo acusado pelos judeus como tendo infringido a lei romana, pois se colocava como rei e desafiava o Imperador Romano. Já no Evangelho de João, quando Pilatos entrega Jesus aos judeus, dizendo: "Tomai-o e crucifica-o, porque eu não achei nenhum delito nele", os judeus responderam: "Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei, ele deve morrer, porque fez a si mesmo Filho de Deus". Aqui, evidentemente, por esse relato de João, Jesus teria infringido a lei judia!
Aliás, o registro do Evangelho de João vai mais longe: quando Pilatos tentou pôr Jesus em liberdade, os judeus gritaram (preferindo que Barrabás fosse solto): "Se este soltas" (referindo-se a Jesus), "não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei se opõe a César". Assim, depois que João escreveu que, segundo a lei judia, Jesus deveria morrer, "porque fez a si mesmo Filho de Deus", procura mostrar que os judeus, vendo a intenção de Pilatos em soltar Jesus, teriam como que colocado o governador contra a parede: "se soltas um homem (Jesus) que se faz rei e se opõe a César, então não és amigo de César!"
Por outro lado, o Evangelho de Marcos registra que Jesus praticou blasfêmia diante do sumo sacerdote, quando este o interrogou; "És tu o Cristo Filho de Deus?", e o Nazareno respondeu: "Eu sou". E o sumo sacerdote, diante do concílio, interrogatório em sua casa, disse: "Ouvistes a blasfêmia?" (E colocar-se na posição de Filho de Deus, para a lei judia, era delito de blasfêmia, que podia levar à morte!) É claro que os interlocutores ou não entendiam ou não queriam entender o que Jesus dizia!
Embora de relance, pelo Evangelho de Mateus, Jesus também teria praticado delito contra a lei judia, quando registra que duas testemunhas afirmaram que, no interrogatório noturno, na casa de Caifás, o Nazareno teria dito que podia "derrubar o templo de Deus e em três dias reedificá-lo".
O livro do Dr. Haim Cohn, para demonstrar uma espécie de tendência não discutida quanto à responsabilidade dos judeus pela morte de Jesus, cita inclusive a existência de dois outros personagens com o nome JESUS: um teria sido bruxo e instigador (bruxaria e instigação tinham a pena de morte pela lei judia), sendo a sua morte por lapidação, às vésperas da páscoa (conforme registro do Talmude Babilônico); chamava-se Ben Setda ("Ben", no hebraico, é Filho; "Setda", segundo os sábios amoraítas, é pseudônimo talmúdico de Maria, mãe de Jesus). É registro do século III, d. C., refletindo uma tradição equivocada, pois tal personagem foi preso e morto na cidade de Lod; e outro, que existiu aproximadamente entre os anos 150 a 100 a.C. também instigou os judeus à idolatria e, por isso, foi condenado à morte por lapidação (apedrejamento) pelo tribunal, às vésperas da páscoa, sendo depois o seu corpo colgado (pendurado na madeira) e, no mesmo dia, enterrado. Esse segundo Jesus teria sido aluno de Joshua Ben Perahya. O autor registra, até, que o nome de Nazaré (de Jesus de Nazaré) teria nascido de um acréscimo, por desconhecimento de cronologia histórica, apenas porque no Talmude Babilônico há o relato de que Joshua Ben Perahya "empurrou Jesus de Nazaré com ambas as mãos". Teria vivido antes do Cristo. Não há fonte talmúdica que afirme o julgamento de Jesus de Nazaré.
O magistrado Haim Cohn, depois de analisar tantos documentos e de confrontar as inúmeras versões sobre o julgamento de Jesus, pondo inclusive por terra a eventual conspiração de Judas, que teria ajudado, por moedas, na busca e prisão do Nazareno (porque Jesus era sumamente conhecido, e os seus percursos em Jerusalém e nos arredores eram de conhecimento geral, não havendo objetivo real e justificativa plausível para a traição, nem razão histórica para isso), mostra-se propenso em aceitar que o relato do Evangelho de João é o mais coerente: segundo esse evangelista, Jesus foi preso por "um tribuno romano no comando de sua corte, toda ou parte dela, em presença da guarda do templo". Entende que o relato merece fé, e já foi aceito pela maioria dos pesquisadores, "porque, de todos os evangelistas, é João o que mais exagera na defesa dos romanos e na crítica aos judeus".
Os livros de Marcos, Mateus e Lucas são chamados de Evangelhos sinópticos (porque permitem uma visão de conjunto de suas versões) pelo Dr. Haim Cohn, pois, dentre outros registros, falam que, no momento da prisão de Jesus, a multidão estava armada com espadas e garrotes ou porretes, enquanto João fala de velas, tochas e armas, não restando dúvidas de que as armas eram dos soldados romanos.
Com base do Direito Judeu, o autor entende que nos registros dos Evangelhos há muita coisa irreal e impossível, especialmente em relação ao Sinédrio:
Se o julgamento assim se deu, "foi ilegal desde o início até o fim", e "Jesus foi vítima de um assassinato judicial".
Depois de provar que os relatos evangélicos não servem como relatos válidos para a história como ciência, o magistrado Haim Cohn explica que "as perseguições aos judeus, judiciais e extraconjugais, todas elas se produzem no fundo da fonte consciente ou inconsciente, como castigo pela "culpa deles" na crucificação de Jesus. Isso porque, o interesse dos Evangelhos era eminentemente religioso e missionário, e sua tendência era apologética com respeito ao Império Romano. Essa descrição intencional e equivocada obteve difusão mundial, convertendo-se em dogma e conquistando a metade do orbe. Foi apagada e esquecida a verdadeira realidade histórica".
É um livro que exige do leitor muita reflexão, sem preconceito.
(*) Bismel B. Moraes, Mestre em Direito Processual pela USP, Professor da Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra" de São Paulo e da Faculdade de Direito de Guarulhos, é ex-Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.
Caírbar Schutel
"Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião e rogou-lhe: Senhor, o meu criado az em casa paralítico, padecendo horrivelmente. Disse-lhe: eu irei curá-lo. Mas o centurião respondeu: Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas dize somente uma palavra e o meu criado há de sarar. Porque também eu sou homem sujeito à autoridade e tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: vai ali, e ele vai; a outro: vem cá, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz. Jesus ouvindo isto admirou-se e disse aos que o acompanhavam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé. E digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente, e hão de sentar-se com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos Céus; mas os filhos deste reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes. Então disse Jesus ao centurião: Vai-te, e como crêste, assim te seja feito. E naquela mesma hora sarou o criado."
(Mateus, VIII, 5-13.)
Cafarnaum, era uma das grandes cidades da Galiléia, muito próxima à foz do Rio Jordão, onde João Batista costumava fazer suas pregações, convidando o povo ao arrependimento dos pecados.
E como ficava na estrada comercial que ia da cidade de Damasco ao Mar Mediterrâneo, o governo romano tinha lá uma milícia composta de cem soldados, sob a direção de um comandante.
Esse comandante tinha o titulo de centurião, justamente porque comandava cem soldados. Pelo que se compreende do trecho que acabamos de ler, logo que o centurião teve conhecimento da entrada de Jesus na cidade de Cafarnaum, sem mais detenças fardou-se e foi à procura do Moço Nazareno, e, encontrando-o logo, queixou-se do mal de que sofria o seu Criado: "O meu criado jaz em casa paralítico, padecendo horrivelmente."
Ora, sendo Cafarnaum uma cidade populosa, de certa importância, a ponto de ser guardada por uma milícia de cem soldados, comandada por um centurião, havia forçosamente alguns "médicos" ali residentes—pois naquele tempo já os havia; tanto assim que um deles, Lucas, se tornou apóstolo de Jesus.
Pelo que diz o Evangelho, podemos ainda ficar sabendo que a moléstia que acometera o criado do Centurião era paralisia, e paralisia que ocasionava grandes sofrimentos; sabemos ainda mais, que a moléstia do homem era grave, e que esse servo do centurião, segundo afirma Lucas, que era médico, estava até moribundo, nas vascas da agonia, às portas da morte é impossível, pois, que o centurião, que era pessoa de recursos, e que muito estimava o seu servo, não houvesse chamado médicos para tratá-lo!
O doente não podia ter ficado até aquele momento sem medicação, embora a medicação não lhe tivesse dado melhoras .
Provavelmente desanimado com o tratamento da Ciência daquele tempo, o centurião, homem instruído, sabendo das curas que Jesus havia operado, pois, pouco antes de entrar em Cafarnaum, o Mestre tinha curado um leproso, deliberou valer-se do Grande Médico Espiritual para curar o servo.
E sabiamente agiu o centurião, porque seu pedido foi recebido com toda a consideração:
“ Eu irei curá-lo", disse Jesus. Admirável frase esta: "Eu irei curá-lo"!
Qual é o médico que, sem ver o doente, sem perscrutar, sem examinar; sem ver os olhos, tocar o ventre, o fígado, o peito ou as costas; sem auscultar o coração ou os pulmões; sem fazer análise de urina, ou de escarros, ou de fezes; sem inquirir do doente, ou da pessoa que o assiste, onde sente dor; se come, se bebe, se tem febre, pode dizer categoricamente a qualquer que o chama para socorrer um sofredor: "Eu irei curá-lo"?
Sabemos que todos os médicos podem dizer, ao serem chamados para assistir um doente: "Eu irei tratá-lo", mas dizer: "eu irei curá-lo"?!
Só houve um na Terra que, sem tomar pulso, sem pôr termômetro, sem perguntar sintomas e sem ver o doente, nem lhe saber o nome, nem lhe indagar a idade, pode afirmar sábia e categoricamente, quando lhe pediram auxilio: "Eu irei curá-lo"!
Eis porque sempre afirmamos que Jesus foi o maior de todos os médicos e que ninguém foi, nem é tão sábio quanto ele. O Mestre não tratava de doente, não alimentava moléstias; curava os doentes, matava as moléstias. A sua ação no mundo foi verdadeiramente estupenda, extraordinária, maravilhosa. Só ele era capaz de fazer o que fez; só ele é capaz ainda hoje de fazer o de que nos precisamos; e o fará, se, como o centurião, soubermos implorar-lhe assistência.
Vimos que Jesus se prontificou imediatamente a ir à casa do centurião para curar o enfermo. Mas, que pensou o centurião sobre a resposta do Mestre?
"Senhor! Não sou digno de que entres em minha casa; porém dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Porque também sou homem sujeito à autoridade e tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: vai ali, e ele vai; a outro: vem cá, e ele vem; ao meu servo: faze isto, e ele o faz."
Quantos ensinamentos se tiram destas palavras, que, não sendo de Jesus Cristo, foram, entretanto, proferidas diante dele e mereceram a sua aprovação! "Eu não sou digno de que entres em minha casa." É esta a frase que todos nós deveríamos sempre, em nossas preces, em nossos rogos e de todo o coração, dizer ao Mestre, quando, todos os dias, lhe solicitamos graças e benefícios: "Senhor ! dá-nos isto ou aquilo; faze-nos este ou aquele beneficio, mas não venhas a nossa casa, porque não somos dignos de que entres em nosso lar. Nossas paixões, nossos vícios, nossa inferioridade e o nosso coração pequenino nos fazem envergonhar em tua presença."
Mas, infelizmente, não é isso o que dizemos. Todos chamam a Jesus em suas casas, todos querem vê-lo a seu lado; e alguns há que pretendem encerrá-lo em armários, ou então devorá-lo, metê-lo no ventre!(*)
Vede que iniqüidade, que natureza avara de humildade tem a criatura humana!
O criminoso se constrange diante do magistrado: o réu se envergonha em face dos juizes; a criatura humana, negra de ignorância, asquerosa de orgulho e de vaidade, horrenda de egoísmo, julga-se tão iluminada, tão casta, tão pura, a ponto de se dizer irmã do Coração de Jesus; desse Coração Imaculado, puríssimo, que não palpita senão para fazer sentir o amor; que não movimenta as suas aurículas senão para transmitir, aos sofredores, uma parcela do seu puríssimo afeto; que não fala senão para abençoar e ensinar; que não brilha senão para arrancar as almas das trevas, da devassidão, das mentiras e dos enganos!
Não, não era preciso que o Espírito Puríssimo entrasse em casa do centurião para que o servo desse comandante ficasse livre da enfermidade; assim como não era preciso que o centurião fosse pessoalmente abrir as "portas do cárcere" para libertar dele um prisioneiro que desejasse soltar.
"Também eu sou um homem sujeito à autoridade, Senhor; não és só tu que estás sob o domínio da autoridade; eu também o estou; com a diferença de que a minha autoridade é da Terra e a tua é do Céu. O meu chefe é o governador romano; o teu chefe é o Governador do Universo. Mas, apesar disso, eu tenho soldados à minha disposição; assim como também sei que tu tens legiões de Espíritos santificados pela tua Palavra, que estão sob o teu domínio. Eu digo a um dos meus soldados: vai para lá, e ele vai; a outro: vem para cá, e ele vem; a outro: faze isto ou aquilo, e ele o faz; tu, pela mesma forma, mandas na tua milícia; teus soldados e teus servos fazem tudo o que tu ordenas, assim como os meus fazem tudo quanto eu ordeno. "Dize só uma palavra, e o meu criado há de sarar", porque eu também, quando quero fazer qualquer coisa, seja prender um turbulento ou libertar um prisioneiro, digo só uma palavra, e são cumpridas imediatamente as minhas ordens!
E Jesus, maravilhado ante a fé que amparava o centurião, cheio de alegria diante das palavras do soldado romano, vira-se para seus discípulos e lhes diz: "Em verdade vos afirmo, que nem mesmo em Israel achei tamanha fé!"
A luz não foi feita senão para iluminar, assim como a Verdade para libertar, a Esperança para consolar e animar, a Caridade para amparar e purificar, e a Sabedoria para guiar e engrandecer!
Todas estas virtudes, todos estes dons celestiais, que enchem a criatura de bem-estar e de paz, são raios coloridos de um mesmo Sol, são reflexos multicores de uma mesma Estrela, que orienta os povos, que encaminha as nações, que eleva a dignidade humana, e cujas luzes penetram no coração, sobem ao cérebro e se expandem na alma. Essa venturosa claridade dos céus a que nós chamamos Fé, implantada no Espírito humano, nasce como o grão de mostarda da parábola, cresce e torna a crescer; cresce sempre sem parar, e, quando lhe chega o momento feliz de não mais elevar suas hastes, de não mais alongar seus galhos, de não mais engrossar seu tronco, de não mais estender suas raízes; quando chega esse momento, em que a nossos olhos parece completada a conta de seus dias, concluído o seu itinerário, finda a sua vida, é então que lhe é chegado o momento de maior crescimento, de maiores trabalhos, de mais produtiva Vida, porque é então que ela vai frutificar, para, depois, estender-se em ramificações cada vez mais consideráveis e crescentes, a ponto de se fazer seara e cobrir extensão considerável de terreno! Foi esta a Fé que Jesus saudou com alegria, quando a viu cultivada pelo soldado romano; foi esta a Fé, engrandecida pelos conhecimentos, purificada pela humildade, santificada pela prece na pessoa do centurião, que o Mestre justificou, dizendo: "Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei tamanha fé!"
Além de dizer aos seus discípulos perto do centurião: "Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé", o Mestre acrescentou, ainda, como para servir de incentivo àqueles que o ouviam, para que estudassem, para que fizessem também crescer a fé que possuíam:
"Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e hão de sentar-se com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos Céus; mas os filhos deste reino serão lançados nas trevas exteriores e ali haverá choro e ranger de dentes."
Aqueles que estiverem fora das Igrejas que paralisam o crescimento da Fé; aqueles que têm a felicidade de não pertencer a esse Reino do Mundo, onde os sacerdotes aprisionam as almas, a política deprime o caráter e a ciência balofa entenebrece; aqueles que estão no Oriente ou no Ocidente, de um lado ou de outro, mas não estão dentro do Reino do Farisaísmo; aqueles que não são filhos desse reino, porque só têm como paternidade, como domínio o Reinado de Deus—esses hão de subir às regiões da felicidade e da luz, onde estão os Espíritos Puros, que viveram outrora neste mundo—Abraão, Isaac e Jacó! Hão de sentar-se à mesa espiritual, onde lhes serão oferecidos novos e ainda mais saborosos manjares, para engrandecerem mais ainda a sua Fé, para tornarem-na maior, mais robusta, mais viva, mais luminosa, mais sábia, mais divina! E os filhos deste reino, deste reino da mentira, da mercância, do orgulho, da hipocrisia, das exterioridades e da idolatria, ficarão imersos nessas mesmas trevas por eles criadas; estagnaram a crença, como uma poça d’água na estrada; abdicaram os direitos do crescimento, do engrandecimento, da floração dessa plantinha cuja semente Jesus lhes colocara no coração; não terão nem árvore para sombra, nem flores para perfume, nem frutos para alimento; e chorarão de fome, e quebrarão os próprios dentes ao rangê-los no sofrimento, nas trevas!
E havendo Jesus dado todos esses ensinamentos a uns, e bênçãos a outros, pois que tanto os ensinamentos, como os aplausos do Mestre, são bênçãos de perfeição, ou seja, de aperfeiçoamento, depois de Jesus haver exaltado a Fé do Centurião, concluiu a sua lição dizendo ao comandante da milícia:
”Vai-te, e como creste, assim te seja feito!"
"Como creste, assim te seja feito" e o centurião foi e, encontrou o seu criado curado, são.
Como creu o centurião?
Por que forma acreditava ele que a cura de seu servo se devia operar?
Naturalmente que, com a autorização e a mandado de Jesus, alguns dos Espíritos que acompanhavam o Mestre, na sua Missão, iriam à casa do centurião e a cura se operaria. Porque, como disse ele ao nazareno, "não precisas vir a minha casa, Senhor, mas com uma palavra tua meu servo há de sarar"; pela mesma forma que com uma palavra minha, os prisioneiros são postos em liberdade."
Foi assim que o centurião creu, e foi assim que seu servo foi curado; e assim foi que Jesus afirmou ter ele de sarar, quando disse: "Como creste, assim te seja feito!"(*) Alusão à ingestão da óstia, que, segundo o catolicismo, encerra o próprio Jesus.
(Parábolas e Ensinos de Jesus – Caírbar Schutel)
Sergio Fernandes Aleixo
Em meio à crescente proliferação de doutrinas exóticas no seio mesmo do nosso movimento, sobremodo nos preocupam aquelas cujo resultado é a deturpação da legitima visão espírita de Jesus de Nazaré.
Ao contrário do que a negligência de muitos confrades pode supor, Allan Kardec deixou-nos bem definida a concepção espírita sobre a natureza do Cristo, quer física, quer, sobretudo, espiritualmente.
No comentário ao nº 226 de O Livro dos Espíritos, o codificador estabelece que, quanto ao estado no qual se encontram, os espíritos podem ser encarnados, errantes ou puros. Acerca dos puros, dizem os espíritos superiores: "Não são errantes... Esses se encontram no seu estado definitivo."
Tal é a condição espiritual de Jesus: a dos espíritos puros, ou seja, a dos espíritos que "percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria" (Ob.cit.,nº 113). Apesar de integrar o número dos que "não estão mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis", dos que "realizam a vida eterna no seio de Deus" (id. Ibid.), entre nós, por missão, o mestre encarnou-se. Conforme o nº 233 de O livro dos espíritos esclarece, "os espíritos já purificados descem aos mundos inferiores", a fim de que não estejam tais mundos "entregues a si mesmos, sem guias para dirigi-los".
É bem verdade que no comentário ao nº 625 da mencionada obra, Allan Kardec apresenta Jesus como "o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra", em quase exata conformidade com o que diz sobre os espíritos superiores, os quais, segundo ele: "Quando, por exceção, encarnam na Terra, é para cumprir missão de progresso e então nos oferecem o tipo da perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo" (nº 111).
Cumpre-nos salientar que na doutrina espírita o rigor do conceito de pureza se concentra na expressão "puro espírito", que Kardec explicou ser o estado dos seres que tradicionalmente são chamados "anjos, arcanjos ou serafins"; entretanto, com isso, não quis o codificador estabelecer a existência de gradações no estado de pureza espiritual; basta confrontarmos o item 111 com o item 226 de O livro dos espíritos.
Contudo, o sacrifício tipicamente missionário de um retorno à Terra, mesmo quando já não há necessidade desse tipo de experiência para evoluírem, é meritório aos espíritos superiores, do ponto de vista de sua progressão, pois não integram ainda a classe dos puros espíritos, não se encontram ainda no seu "estado definitivo".
Alguns entendem que este seria o caso de Jesus de Nazaré. Ele teria atingido a perfeição, ou, quiçá, um grau evolutivo mais alto entre os filhos do homem somente após o cumprimento de sua missão, o que, alias, é sugerido pelo autor da Epístola aos hebreus, o qual entende que Jesus, por seus sacrifícios, teria passado, de `sacerdote', à condição de `sumo sacerdote' da ordem de Melquisedeque.
Não desposamos essa idéia, embora admitamos que não confronta com o ensino de O livro dos espíritos, no qual, de fato, Jesus figura ainda como espírito superior; passível seria ele, portanto, de aperfeiçoamento.
A codificação espírita, todavia, não termina em O livro dos espíritos, começa nele. Allan Kardec desenvolveu e aprimorou o conceito espírita sobre a condição espiritual de Jesus como fez com relação a outros temas. Se não, vejamos.
Já mesmo em O livro dos médiuns, obra que constitui, segundo o próprio codificador, a seqüência de O livro dos espíritos, Allan Kardec passou a classificar Jesus como espírito puro. Na nota que escreve à dissertação IX do cap. XXXI, distingue, com absoluta clareza "os espíritos verdadeiramente superiores" daquele que representa "o espírito puro por excelência", por desvelada menção a Jesus Cristo.
Ora, Allan Kardec diz que tais espíritos, mesmo superiores, não têm as qualidades do Cristo; de novo estabelece, portanto, diferença entre Jesus e os espíritos superiores, como fez em O livro dos médiuns, na aludida nota à dissertação IX do cap. XXXI. Isso tão- só porque os espíritos superiores ainda não são puros.
Do livro: "Reencarnação – Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus." - Sergio Fernandes Aleixo, ed. Lachâtre
Extraido do site www.ade-rj.org.br
Ricardo Engel
O século dezenove, foi, depois do Cristo, do ponto de vista espiritual, um século especial para a humanidade. A razão que justifica tal avaliação, tem suas raízes entranhadas num espaço de tempo assinalado no cronômetro da eternidade, quando na Terra viveu por trinta e três altos, o mais influente dos reformadores de conceitos relacionados ao ético, ao social e ao espiritual e, sobretudo ao futuro da criatura humana.
Nos apenas três anos de peregrinação pelas aldeias e vilarejos, seus passos deixaram marcas luminosas que, ao invés de se apagarem com as investidas avassaladoras das forças do negativismo, (inclusive, agasalhadas nos templos religiosos) mais nítidas e seguras se tornaram para quantos, ao longo do tempo se renderam ao convite da rota evangélica, nela vislumbrando o meio de vencer os obstáculos impostos pelo reinado das sombras e, assina, alcançar no futuro o condado da paz e do amor.
A sua presença se fez sentir mais dinâmica e portentosa após o seu desenlace, quando sua semente, representada por seus exemplos e ensinamentos, depositada no aconchego do terreno fértil de muitos corações e mentes humanas, passeio a germinar, a florescer, a produzir frutos. Tal foi o alcance provocado pela substância de suas máximas que, a era que sucedeu ao seu nascimento passou a ser conhecida como Era Cristã.
Jesus Cristo, cujo viver constituiu uma revolução no contexto político e social de seu tempo não deixou nada escrito para seus seguidores. Apenas palavras e exemplos. As anotações dos chamados evangelhos, a ele atribuídas, são produto do trabalho de seus seguidores, inventariadas alguns anos após sita crucificação.
Do que disse, conquanto pudesse ser entendido como pertinente ao lugar e ao momento, continha a virtude de uma transcendência que desconhecia limites de lugar e tempo. Constituía proposta de mão única com vistas ao futuro.
Os séculos sucederam-se, uns aos outros, contabilizando bem mais turbulências do que momentos de paz
É Neste entrevero que a França, a partir do século 18, se viu acalentada pela brisa da liberdade de pensamento. Em breve tempo, o pensamento, livre, tornou-se uma vertente, através da qual a cultura ganhou substância e fluiu para o mundo.
Tremulando bem alto, sobranceira, a bandeira da Liberdade, Igualdade e Fraternidade era objeto do interesse de quantos, no mundo, tinham por estas divisas, devoção .
Com este farol iluminando-lhe a rota escolhida , a nação francesa fez-se credora de abrigar o evento profético anunciado por Jesus, e anotado no Evangelho de João, XIV, vrs. 15 a 17 e 26.
Era chegada a hora de reavivar a plenitude da Boa Nova, sobretudo, de lançar as sementes de novas e atais profundas lições.
Assim começou o evento assinalado no Evangelho.
Ainda que a fenomenologia psíquica tenha pipocado em todos os tempos ao longo do caminho das criaturas humanas, o episódio, cujo apogeu ocorreu em 31 de março de. 1848, com a família Fox, no vilarejo de Hysdeswille, Nova York, Estados Unidos, provocou interesse de tal monta que, a partir dele, o conceito da vida e da morte , até então predominante, assumiu novos contornos.
A comprovação inequívoca de que o corpo físico - em estado dinâmico- é animado por um espírito que lhe sobrevive a morte, e que, além do sepulcro mantêm-se intocável em sua individualidade, podendo, não só intercambiar experiências saudáveis, construtivas, conto, também, enredar no cipoal de influências malévolas, os que permanecem incrustados no corpo carnal, dimensiona com eloqüência o evento que teve como principais protagonistas a família Fox, com especial destaque, as irmãs (médiuns) Kate e Elizabetli Fox.
A pequeníssima fresta aberta tio reposteiro que se interpõe entre o mundo tísico e o extra físico, pelo espírito de Charles Rosna, no lar dos Fox, permitiu ao primeiro bisbilhotar o segundo, além ele nocautear os conceitos arcaicos até então defendidos em relação ao destino das almas, ao se defrontarem com a visita da morte.
Irrequietos, os fenômenos cada vez mais presentes e atrevidos, mostrando-se inteligentes, como que, a espicaçar a curiosidade de gregos e troianos, brincam com leis físicas e químicas consagradas, quando agem produzindo fenômenos de: tiptologia, levitação, transporte, materialização, odores, voz direta , ...
Ante desafios tão perturbadores quanto persistentes, aos eminentes guardiões da ciência, não cabia outra medida senão a de atrair o impertinente fenômeno para a intimidade do laboratório, na esperança de que, aí, encurralado, com armas adequadas, pudessem por fim ao que consideravam a maior farsa da moda.
Entretanto, contra todas as expectativas reinantes, nenhum dos artifícios científicos postos em ação pelos insignes cientistas na intimidade de laboratórios, cercados do que de melhor se possuía em matéria de segurança, impediu que o fenômeno comparecesse exuberante, despindo-se de sua invisibilidade, para ser visto, tocado, medido, pesado e fotografado, identificando-se, enfim, para os Tomés de então, como Espírito Imortal.
Ao mesmo tempo que o interesse pelo fenômeno deslanchava, alvoroçando o cotidiano da sociedade, ou como recreação, ou, em acalorados debates nas tribunas da ciência, da filosofia, da religião, a equipe de espíritos missionários convocada por Jesus, e por ele nomeada de "Espírito de Verdade" ponha em ação o passo mais importante do plano em andamento, ou seja: Dar corpo a uma doutrina em cuja estrutura estivesse inserido um fanal doutrinário, de tal modo representativo dos ensinamentos de Jesus, que dele haveria de fluir água viva para dessedentar a sede de soerguimento espiritual de quantos a fonte buscassem.
A magnitude da tarefa impunha, como previra Jesus, manter seu centro dinâmico situado na esfera espiritual fora do alcance das influenciações políticas, imposições dogmáticas, interesses imediatistas, instabilidade emocionais, próprias das forças representativas do reinado de César.
Com Jesus no comando, o colegiado de Espíritos iluminados, dividiu-se em duas frentes de trabalho: o físico e o extra físico..
Para que os postulados da Nova Doutrina, - cujas raízes permaneceriam radicadas na seara espiritual, sob os cuidados do "Espírita de Verdade"- fossem transferidos com a garantia de que nenhuma interferência indevida e menos digna pudesse as macular, foi destacado para reencarnar no âmbito terrestre um membro da equipe, que assumiria a tarefa na condição de Codifcador.
Com o nome de Denizard Hippolyte Léon Rivail, o edificador reencarnou na cidade de Lion, na França em 3 de outubro de 1804. Ainda muito jovem, pontificava como um dos primeiros de sua classe, no renomado Instituto Pestallozzi, sendo sempre o escolhido para substituir, quando ausente, o emérito Professou Pestallozzi Desempenhou até os 50 anos de idade, o ofício de pedagogo, com o afinco e o amor de quem anseia pelo progresso de seus alunos. Do seu ardente desejo de ensinar, resultou inúmeras obras pedagógicas, cobrindo diversas disciplinas.
Aos 50 anos de idade soou o alarme A hora havia chegado. Daí em diante, seu tempo foi entregue a tarefa da codificação. Durante os 15 anos seguintes, sua pena colaborou ininterruptamente com a equipe "Espírito de Verdade"
tempo suficiente para consolidar a 3º Revelação, ou Doutrina; Espírita, através das revelações contidas nas obras que escreveu e assinou com o pseudônimo de Allan Kardec, com especial ênfase para o "O LIVRO DOS ESPÍRITOS.", entregue, -sua primeira edição,- ao público, em 18 de abril de 1 857.
A Doutrina Espírita, fundada na argamassa do "O Livro dos Espíritos" e suas obras complementares , corporifica e desdobra os ensinamentos do Cristo em toda a sua inteireza e profundidade Conduz-nos, a doutrina, qual guia fiel,' através do tempo e do espaço cósmico, situando-nos como filhos do Arquiteto Divino no seio da Morada Universal.
Não somos, ensina-nos a doutrina, os que estagiam nas criptas do primitivismo; os que se degradam nos labirintos dos vícios e da paixões; os que perambulam pelos vales da sombra e da dor; os que vagueiam pelos corredores da angústia e da desesperança, seres separados ou diferentes, a não ser quanto ao grau evolutivo,- daqueles que, vestidos com a túnica da virtude, semeiam exemplos de trabalho e amor santificado.
Somos, todos, filhos e herdeiros do Pai Maior, tendo a nos aureolar a fronte, a tiara divina, que é idêntica em lados, mas que, em cada um de nós será mais luminosa quanto mais espiritualizados conseguimos Ser.
(Informativo Cesme – Março e Abril de 2000)
Antonio Paiva Rodrigues
“” Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, eu nada serei”
“Jesus”.
Quando se fala na vida do Mestre, um frenesi percorre a nossa mente em busca de inspiração para expormos algo, do que, aprendemos sobre a sua vida no orbe terrestre, através das religiões que praticamos. Só que, os teólogos, os religiosos, procuram ficar somente na parte literal, esquecendo ou escondendo nuances, que só aprenderemos através dos exegetas e de pesquisas profundas, feitas com amor e dedicação. Esconder para que? A vida de Jesus é contada de diversas maneiras, se assim ou assado não interessa; o que vale são os preciosos ensinamentos que ele nos deixou e que muita gente não os seguem, por ignorância, preguiça ou falta de fé. Vem de longa data a controvérsia sobre a vida de Jesus. Certas religiões o consideram Homem-Deus ou mensageiro do alto. Outras o julgam, filosofo ou líder de massa e dominador de multidões, um homem de gênio, um homem prodigioso, um revolucionário e a até quem o julgue como o pior dos anarquistas (Aníbal Vaz de Melo). O teólogo francês Alfred Loisy, o classifica de um camponês medíocre. Eu, não chegaria a tanto. Digo que, sigo seus ensinamentos, o considero Meu Irmão Maior, amigo de todas as horas e o único Espírito Puro que pisou a face da terra. Além, dessas aberrações teológicas, existem aqueles, espíritos inferiores que negam a sua existência, o filosofo alemão Arthur Drews, escreveu, um livro, cujo título é “O Mito de Cristo” e J. Brandes em sua catilinária, afirma que Cristo nunca existiu.
Agnósticos com certeza. Uma vez elaborei uma matéria contando a vida de Jesus dos 13 aos 30 anos, só que alguns companheiros julgaram e disseram, que eu, estava cometendo uma heresia. Julgar por julgar, nada vale. No Novo Testamento, a vida do Mestre sofre um hiato entre sua infância e a maturidade, dos 13 aos 30 anos, como citei anteriormente. A Bíblia não esclarece nada a respeito desse período, e os nossos irmãos de crenças acreditam que ele esteve trabalhando com seu Pai José. Alguns estudiosos dizem que quando Jesus estava com catorze anos seu pai desencarnara e acrescentam: Tomou para si, a pesada tarefa do filho primogênito, qual a de sustentar a família. Há quem afirme que Jesus levou uma vida de pobre, Daniel Rops, ajudava sua mãe nas tarefas diárias. Vale ressaltar que a profissão de carpinteiro, não era executada por pessoas tão humildes assim como nos dias de hoje, a de pescador também, que era a de Pedro seu discípulo, a maioria desses pescadores possuíam muitas embarcações e não simples jangadas. “Os galileus eram pessoas honradas, menos formalistas, que os povos da Judéia, corações simples, um pouco rudes. Jesus tomou deles sua linguagem, seus costumes e muitas imagens de suas palavras”. Não é esta minha opinião, Jesus como espírito puro, buscava conhecimentos e por isso sua ausência e tão decantada em prosa e versos. Ernesto Renam talvez seja o estudioso mais sensato, quando fala da vida de Jesus de Nazaré. Nesta cidade veio a sua primeira glória, se foi carpinteiro ou não, é menos importante, a sua vida mística que muitos condenam existe um ar de veracidade, condenar o misticismo para que: João Evangelista era místico e até o nosso grande Bezerra de Menezes também. Para quem quer estudar mais amiúde o Dr. Francisco Klors Werneck, conta com detalhes à vida do Cristo e o que ele fez na sua ausência. Falar também que Jesus aprendeu e pertencia à seita dos essênios para muitos é uma aberração, o problema é que nós seres humanos não somos donos da verdade.
O que acontece a mais de dois mil anos atrás se dissolveu no tempo, acho até que apesar destes percalços existe uma biblioteca extensa a disposição dos estudiosos. Jesus era conhecido também como o Santo Issa, de acordo com os escritos tibetanos, tendo vivido entre os brâmanes e budistas. José de Arimatéia teria viajado com Jesus e chegado até o estreito de Gibraltar onde lá construíram um templo, que existe até os dias de hoje. Aprendeu falar através de parábolas com os budistas e com os indianos, levitação. O que muita gente não aceita é que Jesus tenha sido professor; em Benares estudou ética, física, gramática, matemática e outras disciplinas. Esteve também no Egito, estudou no Oriente com os seus discípulos; Eduardo Schuré disse o que Jesus queria saber só, os Essênios podiam ensinar. Não sou quem afirmo; Annie Besant outro estudioso diz que Jesus aos dezenove anos entrou para o mosteiro essênio das proximidades do Monte Serbal.
Até os muçulmanos acreditam que Jesus morreu em Kashmyr, na Índia. Como citei antes Jesus esteve na Inglaterra com José de Arimatéia, fato citado pelo Sr. André Cehesse. E ainda existe a polêmica dos manuscritos do Mar Morto, aprofundando cada vez mais o mistério, do maior símbolo da humanidade de todos os tempos. São mistérios que não devemos discordar e sim tomar ciência da personalidade de Jesus, pois seu mistério vai ao infinito como afirma nosso irmão Aureliano Alves Neto. A sinagoga era o centro da vida religiosa, a casa onde se ouvia a palavra de deus e onde se rezava. Em uma antiga inscrição numa sinagoga, lê-se que a casa fora construída “para a leitura da Lei e para o ensinamento dos preceitos”.
Segundo a tradição, só podia ser usada para a leitura da Lei escrita (a Torá), para transmissão da leitura oral (as tradições e interpretações efetuadas pelos rabinos) para pesquisa e para o desenvolvimento da Lei e sua aplicação na vida prática. A sinagoga constitui ainda o centro da vida cultural de Israel.
A tentativa de reconstruir o mundo cultural de Nazaré e de Jesus segue, assim, um caminho que nos leva à sinagoga e se perguntássemos o que lia Jesus, a resposta seria: “o que lia na sinagoga”. Se Jesus conheceu e manuseou escritos, estes foram, sem dúvida, os textos das sinagogas: a Torá, os Profetas, os Salmos, as traduções em aramaico dos livros sagrados, as diversas orações.
Não cabe a eu julgar, e sim repassar aquilo que aprendi através de pesquisas e estudos, já os que procedem ao contrário nada vão acrescentar aos seus alfarrábios intelectuais.
Albino A. C. de Novaes
Os pseudo-epígrafos do Velho Testamento, os Manuscritos do Mar Morto, os Códices Nag-Hammadi, um manuscrito árabe que contem uma versão do testemunho do historiador judeu Josefo sobre Jesus, as escavações arqueológicas na Palestina, especialmente em Cafarnaum e Jerusalém, levam-nos a especular sobre um Jesus histórico que supera o Jesus Mítico em sabedoria, espiritualidade e divindade.
“(...) agora já não podemos conhecer qualquer coisa sobre a vida e a personalidade de Jesus, uma vez que as primitivas fontes cristas não demonstram interesse por qualquer das duas coisas, sendo alem disso, fragmentarias e muitas vezes lendárias; e não existem outras fontes sobre Jesus”
Assim se expressou RUDOLF BULTMANN, consagrado professor da Universidade de Marburg.
Mas, em nossos dias, a opinião que predomina é que podemos conhecer muito bem o que Jesus queria fazer, podemos saber muito sobre o que ele disse.
R. BULTMANN, na primeira pagina da sua THEOLOGY OF NEW TESTAMENT, fez uma afirmação ao mesmo tempo audaz e sucinta:
“A mensagem de Jesus é antes um pressuposto para a Teologia do Novo Testamento do que uma parte dessa Teologia (...). Assim, o pensamento teológico- a Teologia do Novo Testamento- tem inicio com o QUERIGMA da igreja primitiva, e não antes”.
Esclarecemos que o temo QUERIGMA é o mesmo que mensagem, proclamação, pregação. Mais tarde este termo passou a designar a pregação da Cristandade Primitiva a respeito de Jesus.
Num esboço da Teologia do Novo Testamento, ainda não encontramos elementos que permitam omitir de seu contexto a Mensagem de Jesus. Não podemos reduzir a vida e o pensamento de Jesus, a um contexto estritamente histórico.
Os sonhos, as idéias, os símbolos e os termos de seus primeiros seguidores foram certamente herdados por Jesus de um modo direto. Vemos tais sonhos, idéias, símbolos e termos profundamente entranhados no mundo e no pensamento do Judaísmo Antigo.
Vejamos a seguir a abordagem de BULTMANN logo ao inicio da Teologia do Novo Testamento:
“é de importância primordial para a tradição do Evangelho a integração do ministério terreno de Jesus e do querigma, para que o primeiro se torne a base que sustenta o segundo. Essa “rememoracao” de Jesus permanece sendo, especialmente nos grandes Evangelhos, a intenção primaria (...). Se desejarmos representar a Teologia do Novo Testamento de acordo com sua estrutura intrínseca, temos então de começar com a questão do Jesus terreno”.
Os documentos do Novo Testamento, bem como suas Teologias e suas tendências não podem ser representadas sem considerarmos a vida singular de Jesus, um símbolo de autoridade, mais do que isto, um paradigma para escritores do Novo Testamento. O Novo Testamento e toda a Teologia Crista se desenvolveu da crise e da conseqüente tensão gerada no confronto entre tradição e adição, entre historia relembrada e fé articulada. Não temos medo em afirmar, ser a Teologia tradicional, firmada em bases dogmáticas e numa fé articulada para atender a interesses de grupos sectários.
Duzentos anos de pesquisa não foram suficientes para se produzir um Jesus histórico. Ao nosso ver uma biografia de Jesus é e será sempre impossível. As informações que nos tem chegado a respeito de Jesus são escassas, algumas são truncadas e os próprios evangelistas não se interessaram muito em Jesus como uma pessoa do passado ou como um homem do mundo.
Entre os Espíritas há os que não se interessam pela pesquisa do Jesus homem, do Jesus inserido no contexto do mundo, ou ainda, do Jesus histórico. Afirmam que seus ensinamentos devem ser o único alvo. Concordamos que a mensagem de Jesus deva ser tratada prioritariamente, mas se conhecermos uma pouco mais sobre o Mestre Nazareno, certamente seus ensinamentos serão melhor compreendidos.
Retornemos aos Historiadores.
Certos aspectos específicos da vida de Jesus eram essenciais para a vida e o pensamento quotidiano de seus primeiros apóstolos: conhecer Jesus era o primeiro passo para conhecer sua filosofia, seu posicionamento diante dos fatos sociais, políticos e religiosos da época.
A vida levada por Jesus somada a antigas tradições formativas fez com que seus seguidores aprendessem a pensar, ensinar e até suportar sofrimentos, até mesmo o martírio. No primeiro século reinava
entre cristãos e judeus a crença de que o presente estava impregnado de futuras expectativas.
As tradições sobre Jesus nos Evangelhos resultam de pregações, ensinamentos e polemicas conflitantes com os judeus.
Como foram escritos os Evangelhos?
Marcos, em algum instante por volta de 70 de nossa era, compôs o primeiro Evangelho, recorrendo a um complexo de tradições que refletia não apenas o que vinha ocorrendo desde a crucificação de Jesus no ano 30 d.C., mas também as ações lembradas e as palavras de Jesus anteriores ao ano 30.
Mateus e Lucas dependeram de Marcos, não do moderno e eclético texto grego de Marcos. João possivelmente, também conheceu Marcos e dele herdou a criação literária ou seja o gênero “evangelho”. Todos os evangelistas herdaram tradições, algumas das quais só pertenciam a um deles. Cada evangelista escreveu a partir de uma perspectiva sociológica e teológica distinta.
Mas podemos formular algumas outras perguntas para completar a primeira:
Que fontes estavam a disposição de Marcos e dos outros evangelista? Até onde eram autenticas? Como se pode confiavelmente distinguir entre o verdadeiro e o falso? O que é digno de confiança e o que é fabricado? Como foram significativamente moldadas as tradições dos evangelistas pelo processo de transmissão? Será que alguém durante a vida de Jesus deixou por escrito alguma coisa sobre o que ele ensinara?
Infelizmente estas e outras pergunta similares continuam sem respostas conclusivas. Mas isto não deve desanimar os historiadores.
Não devemos desavisadamente ignorar a mais simples das questões: como poderemos explicar o aparecimento de um evangelho? O que o precedeu? Como foi possível para Marcos fazer o que fez, se tudo o que o precedeu foram querigmas ou proclamações desprovidas de qualquer interesse ou conteúdo históricos?
O fato é que, desde as primeiras décadas do movimento associado a Jesus, houve algum interesse histórico no homem Jesus de Nazaré: isto o prova a mera existência dos Evangelhos- que incluem a celebração da vida e dos ensinamentos de Jesus anterior a Páscoa.
Os Evangelhos contam a historia dos feitos e dos ensinamentos de um homem. Não apenas Lucas (1:1-4) e João (21:25), mas também Marcos e Mateus indicam que o interesse no Jesus que precedeu a Páscoa lhe eram anterior.
Marcos dá ênfase a afirmação, herdada de Jesus, de que está agora começando o ato final no drama dinâmico em que Deus se move para uma humanidade imoral.
Mateus luta para provar que todas as profecias concebíveis foram cumpridas por Jesus:
Lucas tende a fazer a historia universal trifurcar em três períodos: o templo de Israel, o meio do tempo ou o tempo de Jesus, e o tempo da igreja. Ele também abranda a tendência de Marcos para dar ênfase ao presente como o fim do tempo e da historia e sua afirmação escatológica injusta de que Jesus regressará triunfantemente a qualquer momento. Considerando a tradição do Evangelho e sua transmissão, observamos que:
J. Herculano Pires
(I)
(Hoje constatamos) “um abismo entre o Cristo e o Cristianismo, tão grande quanto o abismo existente entre Jesus de Nazaré e Jesus Cristo nascido (...) na cidade do Rei Davi em Belém da Judéia, segundo o mito hebraico do Messias. Por isso a Civilização Cristã, nascida em sangue e em sangue alimentada, não possui o Espírito de Jesus, mas o corpo mitológico do Cristo, morto e exangue. Por isso o Padre Alta estabeleceu em Paris, a diferença entre o Cristianismo do Cristo e o dos seus vigários. Não podemos condenar o processo histórico que brotou, rude e impulsivo, das condições humanas de civilizações agrárias e pastoris, mas não é justo que conservemos em nosso tempo de abertura para novas dimensões da realidade humana a da realidade cósmica.
As atuais Teologias da Morte de Deus, nascidas da Loucura de Nietsche, provou a razão de Lutero. A Nova Teologia do Padre Teilhard de Chardian oferece-nos os rumos da renovação. E o Papa João XXIII, um camponês que voltou ao campo, tentou limpar a Seara. é o tempo de compreendermos que Jesus de Nazaré não voltou das nuvens de Betânia, mas em Espírito e Verdade, para conduzir-nos a toda Verdade Prometida”.
(II)
“Na Galiléia dos gentios, sob o domínio romano de Israel, as esperanças judaicas do Messias cumpriram de maneira estranha e decepcionante. Nasceu o menino Jesus em Nazaré, na extrema pobreza da casa de um carpinteiro, próximo a Decapolis impura, as dez cidades gregas que maculavam a pureza sagrada da terra que Javé cedera ao seu povo. Era penoso para os judeus aceitarem esse desígnio do Senhor, que mais uma vez lhe impunha terrível humilhação. José o carpinteiro casara-se com uma jovem de família pobre e obscura, com pretensas ligações com a linhagem de Davi. Jesus devia nascer em Belém de Judá, a Cidade do Rei cantor, poeta e aventureiro. E devia chamar-se Emmanuel segundo as profecias. Javé certamente castigava os judeus pela infidelidade do seu povo, que deixara a águia romana pensar no Monte Sião. Toda a heróica tradição de Israel se afogava na traição a aliança divina da raça pura, do povo eleito, com o poder impuro de César.
A decepção dos judeus aumentava ante a desairosa situação social de José, velho e alquebrado artesão, casado com uma jovem que já lhe dera vários filhos. Jesus não gozava sequer das prerrogativas de primogênito (alem de forjarem a condição de primogênito também forjaram a virgindade de Maria, do contrario as profecias não teriam se cumprido). Herodes, o Grande, que se contentava no ajuste com os romanos, a dominar apenas a Galiléia e alem disso construíra o seu palácio sobre a temível impureza das terras de um cemitério, tremeu ante esse novo desafio aos brios da raça e condenou os que aceitavam esse nascimento impuro como sendo o do Messias de Israel. Era necessário, para sua própria segurança, desfazer esse engano. O menino intruso devia ser sacrificado, e para isso bastava recorrer as alegorias bíblicas e espalhar a lenda da matança dos inocentes. Nos tempos mitológicos em que se encontravam era comum tomar-se a Nuvem por Juno. Mas o menino que nascera de maneira incomum, filho de família pobre (e por isso suspeita), cresceu revelando inteligência excepcional que provocava a admiração do povo. Submetido a sabatina ritual dos rabinos do Templo de Jerusalém, para receber a bênção da virilidade, assombrara os doutores da Lei com seu conhecimento precoce. Mas esse brilho fugaz era insuficiente para lhe garantir a fama messiânica. Logo mais ele se mostrava integrado na família humilde a condição inferior e aprendendo com o velho pai a profissão a que se dedicaria. Não obstante para a prevenção de dificuldades futuras, as raposas herodianas incumbiram-se de propalar a lenda da violação da honra conjugal de Maria pelo legionário Pantera. Com esse golpe decisivo, o perigo messiânico ficava definitivamente anulado.
Não seria possível que o povo aceitasse a qualificação messiânica para um bastardo.
(...) Jesus crescia e se preparava na obscuridade, para o cumprimento de sua missão. Quando se sentiu integrado na cultura hebraica, senhor das escrituras e das tradições da raça, iniciou as suas atividades publicas. Sua própria família então se revoltou contra o perigoso atrevimento daquele jovem delirante. Sua mãe e seus irmãos, como relatam os Evangelhos, tentaram fazê-lo voltar para casa e a oficina rústica do pai. Foi então que seu primo, João, o Batista, que já antecipara seu trabalho messiânico, preparou-lhe as veredas da sua semeadura revolucionaria. Na própria Galiléia Jesus encontrou os seus primeiros discípulos. Homens humildes, mas cheios de fé, de esperança, dispuseram-se a segui-lo. (...) Suas atitudes claras e enérgicas, seus princípios racionais, desprovidos das superstições rituais da tradição, assustavam e muitas vezes atendiam aquelas almas sedentas de luz e de prodígios messiânicos. Sua popularidade cresceu rapidamente no seio de um povo que sofria como jugo romano, a infiltração constante e irreprimível dos costume pagãos nas classes dominantes, sob a complacência covarde de um rabinato embriagado pelos interesses imediatistas. Renasceram então antigas lendas a seu respeito. Os que o aceitavam, levados pelas aspirações messiânicas, propalavam estórias absurdas sobre a sua infância e adolescência obscuras, com entusiasmo fanático da ignorância e do clima mitológico da época. Os que a ele se opunham, atrelados ao carro dos interesses romanos e dos seus aliados judeus, ressuscitavam as lendas do seu nascimento vergonhoso e das suas relações secretas com Satanás e com ordens ocultistas e mágicas, como a dos Essênios, geralmente temidas pelas atrocidades que praticavam em seus redutos indevassáveis.
A figura humana de Jesus de Nazaré, o jovem reformador do judaísmo, que pregava o amor e a fraternidade entre os homens, ia rapidamente se transfigurando num mito contraditório, ora de semblante celeste e atitudes amigas, ora de rosto irado e chicote em punho. Os discípulos procuravam enquadrá-lo nas profecias bíblicas certos de sua condição messiânica. A mentalidade mística, profundamente diversa de mentalidade racional que ele encarnava, naquela fase de transição histórica e cultural, aceitava mais facilmente a profecia como realidade dos próprios fatos reais. O sentido de suas palavras e até mesmo as expressões alegóricas, de que as vezes se servia, para se fazer mais compreensível, eram entendidas de maneiras diversas, segundo a capacidade de compreensão de certos indivíduos ou grupos. Esse é um processo de deformação bastante comum nos tempos de ignorância e que hoje se repete nos meios e regiões ainda não atingidos pelo progresso. Os fenômenos de fanatismo religioso e misticismo popular, ainda em nossos dias, revelam a mecânica emocional dessas estranhas, e não raro, bárbaras metamorfoses de interpretação popular de ensinos racionais e de fatos comuns transformados em acontecimentos misteriosos.
(...) na elaboração tardia dos textos evangélicos, em tempos e lugares diferentes, com os dados fornecidos pelos LOGIAS (anotações de apóstolos e discípulos) ou mesmo de informações orais, deturpadas pelo tempo, transfiguradas pelos sentimentos de veneração que crescera através dos anos, os elementos míticos se infiltraram no relato, amoldando a realidade distante as condições mitológicas da época.
Não consideramos o movimento cristão primitivo como constituindo um bloco monolítico de crenças e ritos e administrado por uma incontestável instituição. Entendemos o Cristianismo de hoje como originário de uma fusão de diversas crenças tendo o Judaísmo e o Mitraismo como pano de fundo, fragmentado, contraditório, tendo uma parte sob o jugo de um poder centralizador. Vemos um enorme abismo entre Jesus de Nazaré e Jesus Cristo: preferimos Jesus de Nazaré, este sim o anjo sideral. Mas isto não deve ser motivo de espanto, pois continuaremos (até que os espíritas possam compreender a diferença entre um e outro) nos referindo como Cristo ao Jesus de Nazaré.
Hermínio Miranda afirma que “Foi considerável o atrito entre as diversas correntes que disputavam a hegemonia do movimento cristão, como ainda hoje se pode observar dos veementes textos sobreviventes, de autoria de herisiologos de então, na defesa do que entendiam como princípios inegociáveis da única e verdadeira fé. O resultado de tais contendas ideológicas é que parece redobrar quando o debate combina as duas situações(...)”. Não podemos fugir do debate: a contenda intelectual ativa e equilibrada entre estudiosos sérios é imprescindível para evitarmos que irreparáveis equívocos sejam publicados em nome da Doutrina Espírita. Não podemos nos situar como donos da verdade: não queremos hegemonia.
Quando eu tinha cerca de 9 anos de idade, ao entrar na sala de aula do Instituto de Zootecnia, escola primaria agrícola ( SITUADA EM ITAGUAI-RJ) fiquei embaraçado e chocado ao mesmo tempo com um quadro retratando Jesus irado e com um chicote. Estava acostumado aos ensinamentos Espíritas de minha mãe a respeito do Mestre Nazareno, quando aprendi a vê-lo como exemplo de ternura e amor. Foi um momento importante: descobri que havia algo de errado com aquele “Cristo”.
Agradecemos a atenção.
Deus e o Mestre Jesus abençoe a todos.
Antonio Paiva Rodrigues
“Quando o homem valente, bem armado, guardar a sua casa, os
seus bens estarão seguros; mas quando sobreviver outro mais valente do que ele
o vencer, tirar-lhe-á toda a armadura em que confiava e repartirá os seus despojos”.
(Lucas, XI, 21-22.).
A vida de Jesus vendo causando controvérsias com o passar do tempo, visto que, a Bíblia, esconde o período em que o menino Jesus esteve neste orbe dos treze aos trinta anos. Na minha simplicidade, pois assim fui criado, procuro emitir um parecer que julgo plausível, respaldado pelo que tenho lido no decorrer de minha aprendizagem espiritual, através desta maravilha Doutrina, que é a Espírita.
Alguns exegetas, doutrinadores, escritores, oradores procuram expor opiniões, as mais diversas possíveis, mercê de suas “inteligências” e “conhecimentos”, pelos estudos auferidos da doutrina mais bela do mundo. Diante de tais fatos, quero salientar que não somos dono do mundo e a diversidade de deduções mostra ou denota que alguém está errado, ou interpretando a doutrina ao seu bel-prazer.
Outro assunto que tem causado um certo impacto e espanto é, o que se sabe, a respeito de Jesus e o Espírito da Verdade; muitos confrades afirmam ser Jesus o Espírito em alusão. Não concordo com esta afirmativa e os que assim procedem, apesar de mostrarem certo conhecimento do Espiritismo, estão distorcendo fatos. Já ouvi alguém de sã consciência afirmar que o Espírito da Verdade é Jesus e aí indago: é ou não é?
Lendo um artigo de um confrade Fernando A. Moreira, concordo com ele eu gênero, número e grau, senão vejamos: “Não consigo imaginar Jesus, por três horas seguidas dando pancadas na parede do escritório de Kardec, para lhe avisar que, na trigésima linha de seu trabalho havia cometido um erro”. Ora, se Jesus quisesse participar com representatividade da Codificação, o faria dando todas as mensagens durante todo o tempo, de maneira clara, insofismável e com inigualável alumbramento em todas elas, como sempre fez, como lhe seria permitido como Governador deste planeta.
Existem os mais exaltados que não admitem sequer uma opinião, o que dizer? Tenho que engolir sem contestar? Não. Não é o meu caso, pois apesar dos meus parcos conhecimentos procuro unir o útil ao agradável. Jesus não teria nenhuma razão para esconder-se sob qualquer denominação.
Faltaria o motivo da incógnita, como frisa muito bem nosso confrade em alusão. Lembremo-nos que quando o Mestre aqui esteve, não deixou nenhum escrito ou mensagem, delegando poderes a seus apóstolos, confiando-os que eles seriam capazes de transmitir condignamente seus ensinamentos, as futuras gerações.
“Sob o nome de Consolador, de espírito da Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera, nada ficaria esquecido, como também o que poderia ser desvirtuado com o passar do tempo e a falta de interesse da população, daquela época e de hoje”. Por ele foi dito que, o Espírito da verdade viria tudo restabelecer e de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinamentos”.
A polêmica causada e as dúbias interpretações de alguns de nossos irmãos, talvez, tenham origem numa mensagem recebida por Kardec, em que, o emissor teria assinado a mesma com o nome de Jesus, outros afirmam que essa mensagem está verdadeiramente assinada por Jesus de Nazaré. Esta mensagem foi guardada por muito tempo, já que, merecia um estudo mais aprofundado, para certificação de sua autenticidade e posterior divulgação.
Lembremo-nos de uma passagem bíblica que afirma, Jesus se recolheu ao deserto e jejuou por quarenta dias e quarenta noites, foi tentado por um espírito inferior (demônio, satanás), induzindo o mestre a cometer certos atos indignos a sua pessoa, oferecendo-lhes coisas impossíveis, que Jesus na sua qualidade de Espírito Puro jamais poderia aceitar. Entendo que este acontecimento é mais uma alegoria que verdade, já que, sendo Jesus um Espírito Puro jamais poderia ser tentado por um espírito inferior. Onde ficaria a lei de causa e efeito, e de ação e reação?
O Espiritismo realiza, todas as condições do Consolador que ele prometeu, quem ler João XIV em todos seus versículos, não poderá afirmar ou chegar a conclusão absurda que Jesus prometeu que mandaria ele mesmo como Consolador. Jesus claramente indica que o Consolador não é ele, e tais afirmações são de Kardec, são do codificador, alguns estudiosos conhecidos afirmam com uma certa veemência, que a idéia do consolador prometido saiu da própria consciência de Kardec, não vou embarcar nesta nau, pois corro o risco de naufragar.
Para os neófitos queria esclarecer o seguinte O Espírito São Luiz participou com mais dezesseis colaborações, Santo Agostinho, com onze, O Espírito Protetor com oito, o Espírito da Verdade com oito (Usando as denominações seguintes: Espírito da Verdade, Espírito-Verdade, na maioria das vezes Espírito de Verdade), das Obras Básicas podemos extrair mais de cinqüenta comunicações espirituais.
Sobre o que falei anteriormente a mensagem publicada no L.M: cap XXI, pág 450(publicado em 1861, diz Kardec): “Esta comunicação foi assinada com um nome que o respeito não nos permite reproduzir, senão sob todas as reservas, esse nome é o de Jesus de Nazaré”.
Como já dissemos, quanto mais elevados são os espíritos na hierarquia, com tanto mais desconfiança deve seus nomes ser acolhidos nos ditados. Para um bom entendedor duas palavras bastam. Ou não?
Porém uma coisa deve reconhecer: a superioridade incontestável da linguagem e das idéias, deixando que cada um julgue por si mesmo se aquele de quem ele traz o nome não a renegaria. Para ilustrar esta posição: queria contar um fato narrado por nosso irmão Chico Xavier que nos fala de um cachorro obsessor.
Se for verdade ou apenas um fato hilariante não me cabe julgar. Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito. A frase em alusão denota claramente a intenção de Kardec e do Espírito Superior em não revelar a identidade do Espírito. É uma grande responsabilidade, Kardec jamais poderia cair numa esparrela, apesar de seus conhecimentos e poderes também fazia parte do rol de Espíritos imperfeitos.
Aqui não vai nenhuma crítica, apenas um alerta, pois dar identidade aos espíritos, querendo suplantar-lhe o desejo de permanecer desconhecidos é cair num grande processo de adivinhação, processos estes em sua maioria fadados ao erro, se temos o direito de desrespeitá-los!
O Espiritismo, A Doutrina Espírita, esta doutrina maravilhosa, o presente mais valioso que Deus nos deu, não foi colocar em evidencia o revelador, mas A Revelação, quer queiram, quer não, é de origem divina; A Verdade foi mais importante do que, revelar o Espírito. Sabemos que ele está presente em toda obra da Codificação. É polêmico? Talvez.
É muita antiga nossa preocupação em conhecermos qual teria sido a aparência real de nosso Irmão Maior, Jesus Cristo e principalmente uma mensagem “repassada por Ele”. O nome de Jesus vem do hebraico; Ieschuach, cujo significado é “Salvador”. Sua vida pública começou pelos trinta anos como nos contam os inúmeros livros escritos por experts no assunto.
Os exegetas não são unânimes em determinar a duração da pregação evangélica de Jesus Cristo. O Islamismo considera-o um grande profeta como Moisés, mais inferior a Maomé. Quanto à comparação a Moisés não concordo, já que Jesus jamais dizimou um ser humano sequer, Moisés em seu furor, ordenou a seus seguidores dizimarem mais de três mil judeus, na busca da terra prometida.
O sinal secreto dos primeiros cristãos, erro o peixe em Roma, no tempo das perseguições, os irmãos de fé eram conhecidos por este símbolo. “Ichthys” “Iesus Chistós Theou Yós”, em português, língua mãe Jesus Cristo, Filho de Deus. Para encerrar esta matéria queria dizer que o profeta Daniel, que conheceu Cristo afirmou: “seus cabelos eram brancos como a neve”.
Deixo aqui mais uma interrogação: Já outros estudiosos dizem o contrário; o cabelo do Mestre é da cor de fogo. Resolvi me prolongar mais um pouco na minha exposição, dando um enfoque especial ao título desta matéria que leva o título de Jesus, nosso Irmão Querido.
Hon. Harry Fogle
Editado por Frederick Graves, JD
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Há tanto misticismo e confusão acerca da crucificação e ressurreição que acabamos perdendo de vista o fato de que Jesus de Nazaré foi julgado como homem diante de uma corte de homens sob as leis dos homens, condenado e executado como homem, e que como drama, o julgamento de Jesus supera quaisquer dos grandes julgamentos da história da justiça humana.
Abordarei esse assunto como advogado, não como teólogo. Recomendo a pesquisa dos aspectos teológicos dos eventos por conta de cada um. Creio que ter o ponto de vista de um advogado sobre os processos da lei que culminaram na morte de Jesus na cruz cruel do Calvário pode levar a uma melhor compreensão espiritual.
De início eu quero enfatizar que não considero que uma raça inteira de pessoas (os Judeus) tenha causado a morte de Jesus. E também não creio que nenhum Cristão inteligente pensaria isto.
Minha opinião é que apenas uns poucos homens poderosos em Israel - principalmente os sacerdotes superiores daquela nação - foram os responsáveis pela injustiça que ocorreu. Para entender quão grande foi essa injustiça, vamos examinar a lei Judaica como ela existia na época... um verdadeiro e magnífico sistema de justiça criminal.
Sob as provisões da lei Judaica não poderia haver condenação por um crime capital baseado no testemunho de menos que duas pessoas. Uma testemunha era considerada a mesma coisa que nenhuma testemunha. Se houvessem apenas duas testemunhas, ambas teriam que concordar em todos os particulares até os mínimos detalhes.
Sob a lei rabínica, o acusado tinha o direito de ter um defensor (o precursor da garantia de ter um advogado em processos criminais que é definido pela Sexta Emenda da Constituição dos Estados Unidos). Se o acusado não pudesse pagar pela defesa, um defensor seria escolhido para ele. Alguém poderia pensar no caso Gideon versus Wainwright, que deu origem ao sistema de defensores públicos como uma inovação. Mas na realidade essa era a prática das cortes desde há 2000 anos atrás!
Sob a lei Mosaica, um acusado não poderia ser obrigado a testemunhar contra si mesmo. Esse era o espírito da Quinta Emenda (dos EUA): "Ninguém deve ser obrigado a servir de testemunha contra si próprio em nenhum caso criminal." Eis o conceito de "apelo a Quinta Emenda", que fez parte da justiça criminal desde os tempos de Moisés!
Uma confissão voluntária não era suficiente para a condenação sob a lei Judaica. O ônus da prova ainda era do Estado, que tinha que provar que a confissão, se houvesse sido feita, teria sido feita livremente, de forma voluntária e de plena consciência.
Hoje em dia, os policiais norte-americanos são obrigados a ler os "direitos Miranda" ("Você tem o direito de ficar calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você.", etc ...) para os acusados de forma que a Corte possa determinar que uma confissão seja feita livremente, voluntariamente e conscientemente.
Se uma confissão é feita depois que a lei Miranda foi ouvida e compreendida, a confissão pode ser admitida. Mas não era assim nos tempos de Jesus. A lei Judaica não admitia confissão, sob a crença de que o Estado jamais poderia se basear no que uma pessoa disse de sua própria boca para condená-la.
Uma evidência circunstancial é aquela que não está diretamente ligada ao crime, mas sim relacionada à outras evidências, que juntas, servem para que se deduza como um crime foi realizado. Em um julgamento, as impressões digitais da pessoa (evidência circunstancial) servem para deduzir que o acusado esteve em tal local e tocou em tal objeto, mesmo que ninguém tenha visto o acusado.
No caso em que uma testemunha diz "ouvi um tiro e quando cheguei à cena segundos depois, vi o acusado com uma arma na mão", essa evidência é circunstancial. O problema é que o acusado pode ter disparado um tiro contra o agressor que fugiu após o crime ou o acusado pode ter sido apenas alguém que pegou a arma depois que o agressor a jogou no chão.
Pois bem, as evidências circunstanciais também não eram admitidas. Hoje em dia, raramente se vê um caso nas cortes onde as evidências circunstanciais não sejam usadas. Atualmente, em muitos casos as únicas evidências existentes são totalmente circunstanciais.
Os depoimentos do tipo "ouvi fulano falar isso" (o "ouvir dizer") também não eram admitidos na época. Ainda temos essa regra contra admitir depoimentos de testemunhas que não estão no tribunal e que não podem ser examinadas pessoalmente, mas as exceções à essa regra têm demolido as proteções originais aos acusados.
A regra "inocente até prova em contrário" que nossas leis reconhecem hoje (isto é, um acusado é presumido inocente até que sua culpa tenha sido estabelecida por evidências e pela eliminação de qualquer dúvida razoável) também vem da lei Judaica e essa era a regra quando Jesus foi injustamente crucificado.
O acusado de um crime capital só podia ser julgado durante o dia e em público. Esse era o precursor da garantia constitucional de um julgamento em público.
Nenhuma evidência poderia ser apresentada se o acusado não estivesse presente. Isso deu origem ao atual direito que os acusados têm de estarem face