Vitória\ES
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Bibliografia
de Maria de Lourdes Cordeiro e Silva |
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Lulu
Silva |
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LULU SILVA RETORNA À
PÁTRIA ESPIRITUAL
No dia 29 de setembro de 2005, aos oitenta e nove anos de
idade, desencarnou em Vitória a querida companheira Maria de Lourdes
Cordeiro e Silva, Lulu Silva, carinhosamente chamada por todos, de todas as
idades de Tia Lulu.
Primeira dos cinco filhos do casal Anselmo Ribeiro Silva e Jovelina Ribeiro
Silva, nasceu em 23 de março de 1916, em Cachoeiro do Itapemirim, E.E.
Santo.
Médium de grandes possibilidades dividiu sua vida entre a família
que criou, por adoção: filha, neta e bisneto sem se descurar da
Doutrina Espírita que soube respeitar e cultivar, onde se empenhou como
evangelizadora de infância, coordenadora de grupos de jovens, professoras
em cursos de preparação de evangelizadores de Infância e
de Mocidades Espíritas, no Estado e fora dele, atuando no Centro Espírita
Jeronymo Ribeiro, na Associação Beneficente e Instrutiva Jeronymo
Ribeiro, no antigo Asilo Deus Cristo e Caridade, no C. E. Pedro da Rocha Costa
em Cachoeiro de Itapemirim; também, durante longos anos na Casa Espírita
Cristã, do IBES, além do Complexo Educacional Cristão e
no Grupo Sinfonia do Amor, em Vila Velha. Na Casa Espírita Cristã,
em profunda sintonia mediúnica com o companheiro, já desencarnado,
Julio Cezar Grandi Ribeiro, o Julinho, psicografou os livros Jornada de Amor
e Seara da Esperança, por diversos espíritos.
Na tarefa mediúnica conviveu com a psicofonia, psicografia inclusive
nas especialidades de receituário mediúnico e poesia e, com relação
aos fenômenos de efeitos físicos possibilitou as materializações
de espíritos; há ainda registros de premonição e
retrocognição. Sua acuidade intuitiva permitiu o auxílio
a centenas de pessoas, acrescida das mensagens de consolo, reconforto e orientações
seguras que se estenderam às muitas casas espíritas.
Alegre, embora discreta, sempre guardou profundo senso de gratidão àqueles
que, de alguma forma, a acompanharam.
Sua vida foi marcada por imensas dificuldades, desde a renda familiar destinada
ao sustento. Foi professora Primária (hoje Ensino Fundamental) muito
competente, mas, por perseguição política à sua
família, por causa da Revolução de 1930, foi transferida,
com outras colegas, para o Interior, para um colégio da Fazenda do Caiado,
na região de Lajinha, Marapé para onde só se podia ir pelo
trem Noturno da Estrada de Ferro Leopoldina Railway, ou a cavalo numa viagem
que durava três horas e meia.
Por volta de 1939 retornou à sede do município para lecionar no
Grupo Escolar Graça Guardia, no Valão. Por essa época passou
a sofrer forte perturbação espiritual que a deixava com terríveis
dores de cabeça, nesses instantes ela enxergava duas pessoas em vez de
uma. Apesar dos dois anos de tratamento os médicos não atinaram
com as causas. Uma amiga da família, Assunção Moreira informou
que no Mercado havia um homem que talvez pudesse ajudar a Lulu. O senhor Mariano
era espírita e médium de grandes méritos, no C. E.Pedro
da Rocha Costa e, nos primeiros contactos, informou que iria ver de que jeito
poderia auxiliá-la.
Suas irmã, Conceição Aparecida, a Cissa, treze anos mais
nova passou a acompanhá-la com muita responsabilidade. Ainda por ação
espiritual Lulu ficou estrábica sem conseguir tirar licença médica
para tratamento, uma vez que para isso o documento exigido deveria estar acompanhado
de fotografia e todas as vezes que tirava as fotos os olhos voltavam para o
lugar, voltando, a seguir ao estrabismo.
Com a assistência espiritual nas reuniões do senhor Mariano Lulu
melhorou consideravelmente passando a fazer parte do corpo mediúnico
da Casa. Tempos depois o Sr. Mariano adoeceu e desencarnou o que levou Lulu
a ficar novamente desorientada e em pior situação. Embora lúcida,
sem perder a memória mantinha diálogos de alto nível com
seu médico e amigo Dr. José Moisés evidenciando muita inteligência.
Não conseguia comer, ficou depauperada e os Raios-X indicaram forte lesão
pulmonar. Àquela época as doenças pulmonares eram de difícil
cura e até mesmo com a Estreptomicina de que fez uso . Cissa passou a
se dedicar, integralmente à irmã enferma. Nesse ínterim
alguém telefonou para o Rio de Janeiro a fim de conseguir internação
no Sanatório (particular) de Santa Tereza. Lulu que já contava
35 anos de idade e Cissa viajaram para o Rio de Janeiro, apesar de nada conhecerem
daquela cidade, e ao entrarem no trem todos os sintomas de perturbação
espiritual desapareceram. Não podiam pagar o sanatório, mas ali
permaneceram por dois meses até que se transferiram para a Beneficência
Portuguesa. A legislação permitia vaga para três professores
desde que apresentassem carta de um Senador autorizando a internação,
o que foi conseguido com o empenho da Cissa e a ajuda do Dr. José Moisés,
batendo em todas as portas possíveis. Quando a vaga foi obtida a Cissa
ficou enferma, também do pulmão e teve que voltar a C. de Itapemirim.
Em Lulu a lesão não fechou e foi necessário extirpar um
terço do lobo do pulmão. Lulu ficou internada por quatro anos
e lá ministrava consolo e reconforto a quantos pacientes podia, estudava
muito e passou a fazer toda a escrita do hospital. Nesta época conheceu
componentes da Mocidade Espírita Cristófilos tendo, assim, maior
contacto com o Espiritismo. Quando Lulu teve alta do hospital, ao sair cruzou
com a Cissa que estava entrando uma vez que o seu caso se agravara em virtude
da intensidade da asma crônica. Assim teve que perder um pulmão,
ficando no mesmo leito em que a irmã estivera. Novamente em Cachoeiro
de Itapemirim, já curada, conheceu o eminente espírita Dr. José
de Medeiros Correa Junior, orientar da Mocidade Espírita Jeronymo Ribeiro,
fundada em 1950 no Centro Espírita do mesmo nome.
No ano de 1991, já residindo em Vila Velha, sofreu mais uma cirurgia
em virtude de câncer nos intestinos, contudo logrou êxito para continuar
sua missão.
Com grande facilidade para a poesia, o que lhe facilitou a psicografia de poemas,
Lulu escreveu, entre outros:
Nem mesmo o outono da vida
Desfolha a nossa ilusão,
A própria folha caída
O vento a ergue do chão.
Para um amigo, o Dr. Simon que gostava de conversar com plantas
e que dizia não saber a arte da versificação ela escreveu:
É verdadeiro poeta
Quem vê do mundo a beleza,
Porque escreve os seus versos
Com tintas da Natureza.
No campo da mediunidade aconteceram fenômenos curiosos e, dentre eles
um conhecido como correspondência cruzada, um tanto raro. Em meados da
década de cinqüenta por várias vezes nas reuniões
de materialização de espíritos, em Cachoeiro de Itapemirim,
o espírito Palminha, por voz direta, ditava uma quadrinha pela metade
ou completa e dizia, a seguir, que o restante ditaria em Vitória, na
mesma noite, ao se materializar através da mediunidade de Julio Cezar
Grandi Ribeiro. De outras vezes a parte inicial das quadrinhas eram ditadas
em Vitória e complementadas em Cachoeiro. De fato tudo era comprovado,
no dia seguinte, por telefonemas. Já residindo em VilaVelha e participando
das atividades da Casa Espírita Cristã, durante as reuniões
públicas, Lulu e Julinho, na mensagem final após, o Receituário
mediúnico, psicografavam poemas sob diversas formas, inclusive sonetos
em que ora um recebia estrofes ímpares e o outro as estrofes pares. Nas
páginas psicografadas por Lulu, por exemplo, nos lugares dos versos ou
estrofes que faltavam existiam rabiscos correspondentes aos versos ou estrofes
que se encontravam nas páginas do médium Julio Cezar.
Outra ocorrência não menos interessante acontecia nas reuniões
de materialização de espíritos quando os dois médiuns
atuaram juntos, identificando perfeita sintonia mediúnica. Na sala já
em total obscuridade, nos momentos antes de se recolherem aos seus leitos para
o transe sonambúlico, os espíritos mostravam à vidência
de cada um dos dois médiuns, espécie de grandes cartazes com sonetos,
nas mesmas condições que na psicografia: os versos ou estrofes
que faltavam no cartaz mostrado a um estavam, sempre no cartaz mostrado ao outro.
Os médiuns liam e os ditavam para os registros dos presentes.
Assim podemos afirmar que a vida de Lulu Silva foi um exemplo de amor e abnegação
em que pode cumprir, fielmente, com a missão com a qual se comprometeu
antes de sua reencarnação.
Vitória, 20 de outubro de 2005.
Walace Fernando Neves