Inseridas na Lei Divina ou Natural, acham-se inúmeras outras
leis menores, mas não menos importantes que regem o universo
e, por extensão, a todos os seres que nele habitam. Busquemos
estudá-las à luz dos conhecimentos espíritas, trazendo-as
para os limites do globo terrestre por se constituir no contexto onde
vivemos e lutamos.
A Lei Divina, em sua perfeição e harmonia, possui mecanismos
que são acionados, naturalmente, na educação dos
seres rebeldes que não conseguem vencer seus vícios milenares
para libertar-se das amarras que os prendem às paixões
e gozos terrestres e que agem como imã de atração
poderosa e irresistível.
Em oposição a essa força negativa que acorrenta
o ser ao solo das sensações físicas e degradantes,
das quais não conseguirá libertar-se, sozinho, se por
si só não acionar o poder da “vontade”, a
Lei utiliza-se de inúmeras prerrogativas a fim de atrair a criatura
para posição oposta. O pólo positivo deste imã,
que age dentro da Lei de Atração, possui o poder de quebrar
as grades da prisão que ele, inconscientemente, impôs a
si mesmo. Objetivando despertá-lo, é acionado esse imã
divino, aqui conhecido como Lei do Determinismo cujo objetivo é
impulsionar/atrair os seres em sua caminhada rumo à Luz e à
Verdade. E é, então, nesta etapa, aplicado o último
recurso da Lei Divina capaz de despertá-lo para que ele inicie
seu processo de transformação: a Dor, inserida na Lei
de Causa e Efeito.
A partir da consciência de sua existência e da ação
e reação que a influenciam, determinando seu destino de
colheitas férteis ou improdutivas, o ser imortal passa a seguir
outro caminho, rumo à porta estreita que o conduzirá ao
término dos sofrimentos e, conseqüentemente, à felicidade
que tanto almeja.
O sofrimento, em forma de expiações e resgates, não
pode, entretanto, ser escolhido, voluntariamente, se não houver
transformações morais envolvidas na ação.
Um sofrimento escolhido como “auto-punição”
só terá valor se servir de exemplo para outrem e conseguir
transformar outras criaturas para melhor. Sofrer, gratuitamente, culminando
com esse ato na destruição do corpo físico, que
se constitui em instrumento sublime de crescimento, será considerado
um ato de rebeldia contra as Leis Cármicas, porquanto tais criaturas
retornarão ao plano invisível como suicidas.
O Espiritismo veio desvendar para a humanidade essas leis que sempre
existiram e que, no entanto, foram compreendidas apenas por algumas
poucas criaturas que já traziam de outras existências o
germe desses conhecimentos e que vieram à face da Terra, como
missionários, no papel de filósofos, religiosos, pesquisadores
e outros, a fim de abrirem, para nós, as portas da iluminação
através da qual, em determinada época da história
humana, nós já estaríamos aptos a adentrar.
Após séculos de perseguições e lutas fratricidas,
onde o foco central dessa luz, que se constituiu no Evangelho de Jesus,
foi inteiramente desviado e abafado pelas hostes contrárias que
? utilizando como palco de suas ações macabras, a própria
religião que deveria ligar os homens a Deus ? arduamente se empenharam
para vedar seus raios iluminadores e confortadores, ingressou nos fluidos
escuros do planeta, o intrépido e iluminado espírito de
Allan Kardec cujo excelente trabalho de codificação da
Doutrina Espírita permitiu fosse, finalmente, erguido o véu
do obscurantismo facultando, a todos, o conhecimento da Verdade.
Conhecedores das Leis que regem nossas existências milenares,
devemos nos empenhar para nos desgarrar das teias pegajosas que nos
atam a nosso pretérito de quedas e erros. Essas leis atuam em
nós, respondendo às nossas ações no Bem
ou no mal. Somente por opção ou falta de vontade, iremos
repetir os mesmos erros, uma vez que não teremos desculpas para
nossa permanência nos mesmos trilhos que nos afastaram do caminho
reto que conduz a Jesus e que nos causaram, nos causam e nos causarão
danos difíceis de serem reparados. Esses estragos que fizemos
em nossos espíritos atuarão como uma das modalidades da
Lei de Destruição que funcionará como purificadora
e renovadora, uma vez que, conforme nos ensina O Livro dos Espíritos,
é necessária a destruição para que tudo
renasça renovado e aperfeiçoado.
Nossa única opção é o Evangelho de Jesus
que deverá nortear nossos passos e a nossa ponte para adentrarmos
no reino de amor e luz, que começa dentro de nós, é
o próximo. Sem a prática da caridade, não seremos
salvos, como assevera Kardec.
A fé, raciocinada, que faculta o conhecimento do destino humano,
é o meio de nos ligarmos ao Criador. Ela tem como instrumento
a prece constante, profunda e confiante, diante das dificuldades ou
das alegrias, prece que nos eleva as vibrações sintonizando
nosso ser espiritual com as mentes, mais puras do que a nossa, dos mentores
e trabalhadores da espiritualidade que em nome do Mestre estão,
constantemente, a nos intuir para nossas realizações no
Bem.
Quando as adversidades baterem à nossa porta, quando as desilusões
e a mágoa atingirem nossos espíritos, quando o sofrimento
nos alcançar e nossas esperanças nos baquearem, busquemos
no “trabalho constante a força permanente” para prosseguir
a marcha ascensional, tão árdua, mas que nos trará
a paz buscada. E caso, nossas forças físicas não
permitirem a ação direta renovadora junto ao próximo,
utilizemos o recurso consolador da prece que nos trará imediato
alívio e renovada coragem para prosseguir.
Em qualquer situação, quando que as tempestades do mundo
levarem nosso barco para o mar alto e o cercarem das altas ondas dos
obstáculos, não nos desesperemos, vigiemos, oremos e confiemos
porquanto não devemos, jamais, nos esquecer de que Jesus está
no leme!
Giselda Azevedo Rodrigues