José Salviano Coelho
Das quatro raças humanas originais, primeiro a vermelha hoje representada
pelos índios da América, a raça negra filha da África,
a Ásia com a raça amarela representada pelos chineses, e a última
a aparecer, a raça branca que saiu das florestas da Europa, todas as
variedades humanas resultam de misturas, de combinações, de degenerescência
ou de seleções dessas quatro grandes raças.
Segundo as tradições brâmanes, a civilização
teria começado em nossa terra há cinqüenta mil anos, com
a raça vermelha, sendo representada aí pelos egípcios.
Em seguida veio o domínio da raça negra, a qual deixou como lembrança
deste período o horror ao dragão que era o emblema dos seus reis
e a idéia de que o diabo é negro. E foi nela que se desenvolveu
uma religião onde imperava o terror, assim a natureza e Deus só
apareciam na consciência desses povos sob a forma de dragão. Posteriormente
aparece a raça branca vindo do polo ártico, já dotados
de mulheres videntes, e foram eles que inventaram o culto ao sol e ao fogo sagrado
e traria ao mundo a nostalgia do céu.
Como teria nascido a religião?, dizem que foi do temor do homem primitivo
diante da natureza, mas vemos que isto nada tem de comum com o respeito e o
amor. Ele não liga o fato à idéia, o visível ao
invisível, o homem a Deus. É, somente quando o homem deixa de
tremer diante da natureza, que surge o elo que liga o passado e o futuro a qualquer
coisa superior e benfeitora, alvo de sua adoração, misterioso
e desconhecido. É nesse período que a mulher se impõe,
em conseqüência da sua sensibilidade nervosa permitir-lhe pressentir
o oculto e afirmar o invisível, e assim cada vez mais vai desenvolvendo
as aptidões mediúnicas, aprendendo a manipular certas forças
da natureza e estabelecendo o culto aos seus ancestrais e adoração
aos deuses.
Nascia a religião. Uma das mais antigas, a religião védica,
praticada pelos Vedas sob o controle e jugo das profetizas que se corrompem
e tornam-se ambiciosas e cruéis, transformando-se em feiticeiras.
Contrapondo a elas surge um jovem de nome Ram ou Rama, dotado de mediunidade
ostensiva para vidência, psicofonia e outros dons que lhe permitia manipular
as energias. Ele foi o responsável pela mudança, instituindo uma
nova nação no coração da Ásia, regida por
lei social como uma expressão da lei Divina. Conquistou o Irã,
expulsando os negros, estabelecendo o cultivo da terra, criou castas segundo
ocupações sem discriminação social, proibiu a escravatura
e o assassinato, afirmando que a subjugação do homem pelo homem
era a fonte de todos os males, deu à mulher um novo papel como esposa
e mãe, fazendo-a sacerdotisa do lar, guardiã do fogo sagrado e
com direitos iguais ao do esposo nas invocações da alma dos ancestrais.
Com este povo é estabelecido a importância da oração
como instrumento de invocação às almas e a Deus, pois eles
acreditavam na imortalidade da alma, portanto praticavam a doutrina da reencarnação
como processo de aprendizado e evolutivo da raça humana.
Mas, sendo os filhos de Deus criados simples e ignorantes, não inferiores,
mas sem consciência de si mesmo, comprometeram-se ao longo desta evolução.
Assim, o que era simples, isto é básico, espontâneo, natural
e primário; ignorante como aquele que não tem consciência
de si mesmo, passam a desenvolver vínculos e sentimentos oriundos de
experiências deletérias para o corpo e para a alma, tornando-os,
como disse Jesus, os fracos, os escravos e os viciosos.
No Evangelho, Marcos, cap. X, v. de 13 a 16, Jesus nos disse: “Deixai
vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque o reino dos
céus é para aqueles que se lhes assemelham. Eu vos digo em verdade,
todo aquele que não receber o reino de Deus como uma criança,
nele não entrará”. Jesus nestas palavras, considera a pureza
do coração inseparável da simplicidade e da humildade e
exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho, que segundo ele, era
visto na criança. Na verdade, ao dizer que se lhes assemelham, sabia
Jesus que aquela criança assim se apresentava porque o corpo físico,
bloqueava a manifestação do intelecto do espírito, permitindo
a manifestação apenas dos instintos, necessários para desenvolver
nos adultos a ternura que se expressa diante da ingenuidade e fraqueza verificadas
nas crianças.
O que Jesus chamava a si era, portanto, a infância intelectual da criatura
formada, os fracos, os escravos e os viciosos. E que estes homens viessem até
ele com a confiança que as crianças têm quando se dirigem
aos seus pais. Neste momento acreditamos que foi iniciado o Espiritismo, porque
a nossa Doutrina tem como missão chamar não as “criancinhas”,
mas, os homens de boa vontade, para que os erros as parábolas explicadas
se tornem verdades. (João, o evangelista, Paris,1863).
Quem são estes os chamados? Segundo o espírito Hammed, em psicografia
através de Francisco do Espírito Santo Neto, são os que
vivem nos “sete pecados capitais” como as “dores da alma”.
São eles o orgulho, a preguiça, a raiva, a inveja, a gula, a luxúria
e a avareza.
Mas conforme o entendimento das doutrinas psíquicas e da psicologia espírita,
esses pecados são considerados mais como desajustes, neuroses ou desequilíbrios
íntimos, necessitando mais de auto-análise, reparação
e tratamento do que de condenação, repressão ou castigo.
Vejamos:
Orgulho - Sentimento de prazer, de satisfação sobre algo que é
vista como alta honra; sentimento egoísta, excesso de amor próprio,
arrogância, soberba, prepotência, vaidade, insolência.
Desprezar é sentir ou manifestar desconsideração por alguém
ou por alguma coisa; portanto, é uma atitude sempre inadequada nas estradas
de nossa existência evolutiva. Menosprezar é um sentimento através
do qual nos colocamos acima de tudo e de todos, avaliando com arrogância
os acontecimentos e os atos do alto da “torre do castelo” de nosso
orgulho.
A nenhuma coisa ou criatura deve-se atribuir o termo de “desprezível”,
pois tudo que existe sobre a Terra é criação divina; logo
útil e proveitosa. Nós sempre influímos com os nossos pensamentos
e atitudes na atmosfera espiritual, emocional, mental e física na comunidade
em que vivemos. Nela, devemos estar atentos para evitarmos o julgamento com
os conceitos apressados dos acontecimentos, considerando que os espíritos
inferiores e superiores desempenham função útil no Universo,
e apesar de sermos únicos, todos fomos criados para contribuir coletivamente
no mundo e para usar as possibilidades de nossa singularidade.
Esse sentimento é próprio do nosso nível de evolução,
e, nós como educadores dos que adentram o nosso Lar pela reencarnação
temos que considerar que para sermos bom mestre, não é preciso
fazer seguidores ou discípulos, nem mesmo possuir cortejos ou comitivas,
mas simplesmente fazer com que cada ser descubra em si mesmo o seu próprio
guia. Freqüentemente encontramos indivíduos que tentam cuidar de
nosso desenvolvimento espiritual sem respeitar os limites da nossa compreensão
e percepção da vida, os Censuradores Morais, seres incapazes de
compreender as dificuldades alheias, pois, não entendem que cada alma
apenas pode amadurecer de acordo com o grau de desenvolvimento de seu potencial
interno.
Como combater o orgulho? Através do desenvolvimento da humildade e da
bondade. A humildade é desenvolvida no silêncio na discrição
do atendimento às pessoas que buscam auxílio de todas as formas,
no desprendimento da doação de algo que possa ser útil,
doação de seu tempo a uma instituição, varrer o
centro espírita, fazer parte de grupos de visitação aos
doentes, ser amigo de todas as horas no fazer e no ouvir. Desapegar-se das conquista
externas para conquistar a si mesmo, cultivando a simplicidade, a posse do necessário,
a consciência tranqüila e a fé no futuro, a modéstia,
a submissão às leis de DEUS. A bondade é uma daquelas virtudes
singelas e profundas ao mesmo tempo, isto é, temos facilidade para entender
e certa dificuldade para realizá-la objetivamente, por conta de nossas
imperfeições, e que a maneira de desenvolve-la, é vivenciá-la
vinte e quatro horas por dia, todos os dias, nos pensamentos, no olhar, conselheiro
nas dúvidas, a magnanimidade no perdão, a doçura nas palavras,
a complacência no olhar e a caridade nas atitudes. E depois que o ser
humano experimentar o elixir da bondade, ele jamais desejará retornar
aos degraus da intemperança mental.
JESUS, jamais impôs cobranças para o crescimento das almas; ensinou-nos
o caminho para a serenidade e harmonia, para entrarmos em comunhão com
“DEUS em Nós”, deixando que a natureza agisse no comportamento
humano, porque entendia Ele que o progresso é irreversível e que
“nunca amadureceremos enquanto delegarmos a terceiros a determinação
de nossas escolhas”. No episódio da mulher adúltera, Jesus
exemplifica a caridade e a humildade, não a condenando, “Mulher,
onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?”
E ela disse: “Ninguém Senhor.” E disse-lhe Jesus: “Nem
eu também te condeno; vai-te e não peques mais.”
Egoísmo – Amor exagerado aos próprios valores e interesses
a despeito dos de outrem; paixão humana fundamental, que consiste na
submissão do dever ao interesse particular em detrimento da obediência
à lei moral; atitude ética em que só visa o próprio
interesse em detrimento do próximo.
O egoísta é o cidadão que atravessa a vida física
num estado de espírito predominantemente pessoal e comodista, administrando
exclusivamente seu próprio mundo. Trata-se de manifestação
inferior da vida animal. Porém, toda alma do Universo tem como objetivo
desenvolver o Amor, no sentido Fraterno/Universal, a começar por amar
a si mesmo em primeiro lugar, é egoísmo, porém, inspirado
no Amor de DEUS que está latente em toda a sua obra. É este egoísmo
inicial que faz o homem concentrar em si mesmo para o seu auto conhecimento,
porém, torna-se patológico (doente) se insistir em manter-se fechado
em si mesmo quando cessa sua função criativa.
Como combater o egoísmo? Os Espíritos superiores, Semeadores da
Era Nova respondendo a Kardec como extirpar o egoísmo, disseram: “...o
egoísmo é mais difícil de desenraizar-se porque deriva
da influência da matéria, influência de que o homem, ainda
muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se e para
cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização
social, sua educação. (...) O egoísmo assenta na importância
da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas
de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo,
diante da imensidade...”.
Buscando na consciência as Leis de DEUS, através da prática
do altruísmo, desenvolvendo os sentimentos superiores que se originam
na razão e no discernimento, firmeza ante os objetivos morais a serem
conquistados, eliminando ciúmes ou disputa que possam ferir susceptibilidades
ou causar ressentimentos, tratando a todos como gostaríamos que nos tratassem
e cultivando o desapego.
Vaidade – qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência
ilusória, valorização que se atribui à própria
aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais
fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas
pelos outros, avaliação muito lisonjeira que alguém tem
de si mesmo.
Esta fraqueza atinge toda e qualquer classe social, desde as paupérrimas
até as que atingiram o cume da independência econômica, e
segundo o escritor francês Francisco VI do século XVII, “ficaríamos
envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse o
que as motivou”, É uma idéia que se justapõe ao orgulho,
e vivemos nos travestindo de criaturas impecáveis, porém, sempre
valorizando as posses e propriedades e cultivando o prazer da notoriedade, para
tanto, casamos sem amor em busca de posição social elevada, direcionamos
os filhos para cursos universitários que nem sempre espelham a vocação
deles. Permitimos que a mídia crie um mercado de personalidades prósperas
e influencie em nossos lares os indivíduos imaturos, os quais passam
a se comparar e competir com os modelos aí colocados, sejam no jornais,
revistas e televisão, esquecendo que as almas não são clichês
umas das outras; todos temos características individuais e próprias.
E assim, se Deus nos criou para sermos “mangueiras”, não
devemos querer produzir como as “laranjeiras”.
Como combater a vaidade? À medida em que os homens tomarem consciência
do seu próprio mundo interior, reconhecerem-se filhos do Poder do Universo
e instruírem-se sobre as infinitas possibilidades da vida eterna, deixarão
a doentia preocupação com as aparências, a frustração
crônica que possuem por imitar os outros e a “atitude de camaleão”
que cultivam com uma auto-imagem para agradar o mundo em seu redor.
Ilusão – erro de percepção ou de entendimento; fantasia
da imaginação; devaneio, sonho; confusão de falso com verdadeiro;
tendência a iludir a si mesmo ou alguém; promessa de felicidade,
de prazer, etc. que se revela decepcionante, dolorosa ou efêmera.
Como combater a ilusão? Quando nós modelamos nossas reações
emocionais através dos critérios dos outros, estabelecemos para
nós mesmos, metas ilusórias na vida tendo como subproduto um estado
de desencontro e aflição, e de forma consciente ou inconsciente
recusamos aceitar a verdade, invariavelmente a fim de amortecer nossa alma das
sobrecargas emocionais. Na medida em que se tornam sonhos mais ilógicos,
nos tornamos prisioneiros de um círculo vicioso e, como resultado sofremos
constantes frustrações e uma decepção crônica.
Assim, ser supercrítico, perfeccionista é mera ilusão,
e o resultado é catastrófico, quando interfere no relacionamento
humano. A ação de controlar os outros leva-nos a nos distanciar
de nós mesmos e dos outros, permanecendo ao nosso lado por fidelidade,
jamais por carinho e prazer. Outras vezes acreditamos que podemos iludir o outro
por conta de nosso interesse, e quando somos descobertos nos mostramos indignados,
incoerentes, contra a pessoa e não contra a nossa auto-ilusão;
no amor e na amizade, não analisando as limitações e possibilidades
de doação de afeto e sinceridade pelo outro, julgamos quando não
nos correspondem, alvos da ingratidão e da traição, culpamo-los.
Certamente, esquecemo-nos de que somos nós mesmos quem nos iludimos,
por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam como
imaginamos que devam agir.
Solidão – Estado de quem se acha desacompanhado ou só; isolamento;
sensação ou situação de quem vive afastado do mundo
ou isolado em meio a um grupo social; local isolado ou despovoado; retiro; estado
ou condição de duas pessoas, geralmente casadas, que, não
obstante vivem juntas, não se intendem nem se comunicam uma com a outra.
Sofremos solidão toda vez que desprezamos as inerentes vocações
e naturais tendências de nossa alma, Ao negarmos o que somos, criamos
um autodesprezo, passando, a partir daí, a desenvolver um sentimento
de solidão, mesmo rodeado das pessoas mais importantes e queridas de
nossa vida. E nesta auto-rejeição, esquecemos de perceber a presença
de Deus vibrando em nossa alma; logo anulando nossa força interior. É
como se esquecêssemos a consciência de nós mesmos e nos idealizamos,
criamos uma fantasia mental, uma imitação baseado sobre a combinação
de dois básicos comportamentos neuróticos: adotar padrões
existenciais super rígidos, impossíveis de serem atingidos, e
alimentar o orgulho de acreditar-se onipotente, superior e invulnerável,
desenvolvendo assim estados de solidão, o exemplo seria tristeza habitual
e sentimentos mútuos de vazio e aborrecimento na vida afetiva de um casal.
Acreditando não sermos suficientemente bons para sermos amados pelo que
somos, procuramos igualar-nos a uma imagem que criamos de como deveríamos
ser, gerando os conflitos de relacionamento conosco e com os outros.
Como modificar este estado d’alma? Amando e respeitando a nós mesmos,
criamos uma atmosfera, própria, para a identificação de
nossa verdadeira natureza e facilitando nosso crescimento espiritual, aprendendo
a respeitar o direito que cada um tem de ser ele mesmo, sem mudar suas predileções,
idéias e ideais, porque cada um tem “direitos individuais”
de manter sua privacidade e preferências. Não confundir os diretos
como atitudes individualistas, com vulgaridade, com cobrança e leviandade,
mas, fazendo a renúncia dos caprichos, mantendo a lealdade e o diálogo.
Os dissabores verificados em muitos casamentos se devem com freqüência,
exatamente a não valorização dos verdadeiros sentimentos,
os quais forçam um dos parceiros, ou mesmo ambos, a contrariar a sua
natureza para satisfazer as opressões, intolerância e imposições
do outro.
A dissolubilidade do casamento é uma lei humana contrária a Lei
da Natureza, mas ela se torna compreensível e razoável, quando,
este casamento foi realizado pelas convenções sociais, pelo interesse
material e pela busca egoística do sexo e prazer, quando o cônjuge
é alvo de violência e de desrespeito, impedindo o crescimento do
outro, assim é melhor que se separem do que viver uma união conjugal
hipócrita e tormentosa. Considerar que toda união conjugal deve
ser realizada na lei do amor e não pela intimidação, pelo
medo do futuro ou pelas convenções sociais. Não rejeitarmos
o que de fato sentimos não quer dizer viver com liberdade indiscriminada
e sem controle, permitindo que eles sejam donos da nossa vida.
Há um outro tipo de solidão, que é aquela em que nos voltamos
para o nosso interior, em busca da “quietude íntima” para
buscar na nossa autoconsciência a motivação necessária
para restabelecer o caminho verdadeiro que devemos trilhar para o amadurecimento
espiritual e moral. Segundo o filósofo Pascal (século XVII) “a
verdadeira natureza do homem, seu verdadeiro bem, sua verdadeira virtude e a
verdadeira religião são coisas cujo conhecimento é inseparável”,
diz ainda, que o âmago do ser está intimamente ligado ao bem, à
virtude e
à religião e seria nas épocas de solidão que afloraria
a verdade dos fatos. As opções pela vida exclusivamente material,
comprometida pelas paixões, vícios e ilusões, fazem com
que o indivíduo não faça uma interação entre
o meio ambiente e o seu mundo interno, gerando desarmonias e conflitos. Para
abrirmos um canal receptivo a Consciência Divina é preciso o “silêncio”
onde criamos uma sustentação interior, que nos permite sintonizar
com as leis divinas e com os valores reais da consciência cristã,
e refletir sobre a nossa essência.
Jesus Cristo tinha como hábito o retiro para orar e refletir, entendendo
Ele, que na “privacidade da solidão” elevava sua a alma ao
Pai e no silêncio no coração e no intelecto, estariam estabelecidas
as bases seguras da relação entre a criatura e o Criador, proporcionando
a percepção de que somos unos com a vida e unos com todos os seres
e que somente cada um pode interpretar as razões da Vida em si mesmo.
Culpa – Responsabilidade por dano, mal, desastre causado a outrem; falta,
delito, atitude ou falta de atitude de que resulta, por ignorância ou
descuido, dano, problema ou desastre para outrem; no sentido religioso, responsabilidade
por ato de transgressão e/ou pecado, que torna o agente ofensor de Deus,
indigno de sua misericórdia; psicologicamente é consciência
mais ou menos penosa de ter descomprido uma norma social e/ou um compromisso
(afetivo, moral, institucional) assumido livremente.
As religiões foram criadas para retirar as criaturas da convenção
e transporta-las à espiritualização, mas, na atualidade,
algumas religiões se transformam nas próprias convenções
sociais, e suas inúmeras crenças têm sido imensamente nocivas
ao desenvolvimento das criaturas, pois usam freqüentemente a culpa com
forma de atemorizar, com isto, obtêm a submissão dos indivíduos,
conduzindo-os a seu bel-prazer.
Baseando-se em crenças punitivas, apregoam que a Divina Providência
age através do castigo e da vingança e de que Deus, quando se
decepciona conosco, impede-nos de desfrutar e participar das benesses do Reino
dos Céus. “Esquecendo”, propositadamente, que a doutrina
do fogo eterno não produzirá bom resultado, ensinando coisas que
mais tarde a razão venha a repelir. Assim, de forma consciente ou inconsciente,
como meio de produzir temor nos fiéis, para gerar dependência religiosa
e determinar comportamentos e posturas de vida que acreditam ser corretas e
convenientes às suas nobres “causas missionarias”.
Não observam que cada ser tem uma idade astral, que lhe permite ver e
compreender a existência de forma específica e privativa, não
sendo a culpa o fator que modifica o homem e sim a sua transformação
interior com mudança de entendimento e de atitude. Assim, exemplos como:
“vocês não entrarão na Casa de Deus, a menos que se
sacrifiquem pelos necessitados”, isto pode constituir um equívoco,
pois o indivíduo, que mesmo com boa vontade, estando ele fragilizado,
não consegue ajudar nem a si mesmo, e desenvolve a culpa por valorizar
em excesso o que os outros dizem e pensam.
Não cremos que Deus nos fala diretamente, dispensando os intermediários,
porque, não temos uma ampla fé no amor de Deus por nós
e não acreditamos que ele habita em nosso âmago e sabe que somos
tão bons e adequados quanto permite o nosso grau de conhecimento e de
entendimento de nossa vida interior e exterior.
Como combater a culpa? Já dissemos, que quanto mais impedirmos as pessoas
com as quais convivemos de agir e pensar por si mesmas, mais estaremos dificultando
suas oportunidades de amadurecimento e de crescimento espiritual. Sábios
são aqueles que acumulam conhecimento não somente através
do estudo das ciências, mas também, pela pratica e pela observação,
problemas são estímulos que a Vida nos apresenta para nos autoconhecer,
e devemos entender que ser responsável pela felicidade de alguém,
não significa uma postura de “tomar conta”, supervisionando,
comandando, insistindo, seduzindo, chorando, acusando, subornando, espionando
e consequentemente gerando culpas em nós e nos outros e pedindo intervenção
milagrosa a fim de redimir e salvarmos as almas de nossos entes queridos.
Não estamos nos referindo a atos de verdadeira caridade, compaixão
e bondade, em que realmente a assistência é requisitada e desejada
, mas sim ao ato neurótico de “tomar conta” e subestimar
a capacidade do indivíduo de crescer e evoluir.
Sexualidade - Outro aspecto importante a considerar é a culpa desenvolvida
pela prática de nossa sexualidade, que por pouco sabermos sobre ela,
ficamos a mercê das idéias e opiniões alheias, gerando dificuldades
de admitir a adversidade de sentimentos e emoções afetivas e sexuais.
O processo educativo é diferente do processo de orientação,
porque o primeiro se faz sob responsabilidade do nosso Lar, trazendo a marca
ou o caráter distintivo e particular dos pais, já a orientação
é transmitida e/ou aplicada através de método de ensino,
informações e notícias, pelos orientadores, psicólogos,
religiosos, médicos e outros. Outro fato a se considerar é que
as crianças são precocemente introduzidas nas esferas dos adultos
pela mídia, provocando-lhes o desenvolvimento de uma malícia numa
idade desprovida da lógica e do bom senso contra essa espécie
de afronta sexual.
Noções, crendices, preconceitos e concepções já
existem nas crianças, são frutos de suas vidas pretéritas
e mais o aprendizado desta encarnação, faz-nos atentos para evitar
os desvios e culpas, através da orientação de forma correta
e cristã. Em determinadas circunstâncias evolutivas, o espírito
pode vir ocupar uma vestimenta corporal oposta à tendência íntima
que vivência, tanto masculino como feminino. Procuremos aceitá-la
plenamente, visto que há sempre, em qualquer condição,
a oportunidade de adquirirmos experiências e, por conseqüência,
progredirmos espiritualmente, vencendo e promovendo desafios. Devemos compreender
que o grau de responsabilidade está sempre coerente com a estrada evolucional
por ande transitam as almas.
Como conviver com a sexualidade? Podemos julgar a promiscuidade sexual moralmente
errada, mas não podemos julgar o indivíduo promíscuo, por
desconhecermos sua necessidade evolutiva e seu “coeficiente de maturidade”.
Querer ser iguais aos outros e nos comparar sexualmente indicam ausência
de peças importantes em nossa consciência profunda, o que nos torna
incapacitados para perceber a extensão das Leis Divinas que regem a todos
nós.
Bibliografia
Os Grandes Iniciados,1889, Édouard Schuré, pag.28 a 49.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec (S.Gentile ) cap. VIII, itens
18 e 19.
As Dores da Alma, Francisco do Espirito Santo Neto, pelo espírito Hammed,
pag. 29 a 36, 53 a 60, 89 a 98, 99 a 110, 119 a 127.
Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Inst. Antônio Houaiss.
Oswaldo Cruz, irc-espiritismo.org.br, palestra em 17/12/99.