DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS

José Salviano Coelho


Das quatro raças humanas originais, primeiro a vermelha hoje representada pelos índios da América, a raça negra filha da África, a Ásia com a raça amarela representada pelos chineses, e a última a aparecer, a raça branca que saiu das florestas da Europa, todas as variedades humanas resultam de misturas, de combinações, de degenerescência ou de seleções dessas quatro grandes raças.
Segundo as tradições brâmanes, a civilização teria começado em nossa terra há cinqüenta mil anos, com a raça vermelha, sendo representada aí pelos egípcios. Em seguida veio o domínio da raça negra, a qual deixou como lembrança deste período o horror ao dragão que era o emblema dos seus reis e a idéia de que o diabo é negro. E foi nela que se desenvolveu uma religião onde imperava o terror, assim a natureza e Deus só apareciam na consciência desses povos sob a forma de dragão. Posteriormente aparece a raça branca vindo do polo ártico, já dotados de mulheres videntes, e foram eles que inventaram o culto ao sol e ao fogo sagrado e traria ao mundo a nostalgia do céu.
Como teria nascido a religião?, dizem que foi do temor do homem primitivo diante da natureza, mas vemos que isto nada tem de comum com o respeito e o amor. Ele não liga o fato à idéia, o visível ao invisível, o homem a Deus. É, somente quando o homem deixa de tremer diante da natureza, que surge o elo que liga o passado e o futuro a qualquer coisa superior e benfeitora, alvo de sua adoração, misterioso e desconhecido. É nesse período que a mulher se impõe, em conseqüência da sua sensibilidade nervosa permitir-lhe pressentir o oculto e afirmar o invisível, e assim cada vez mais vai desenvolvendo as aptidões mediúnicas, aprendendo a manipular certas forças da natureza e estabelecendo o culto aos seus ancestrais e adoração aos deuses.
Nascia a religião. Uma das mais antigas, a religião védica, praticada pelos Vedas sob o controle e jugo das profetizas que se corrompem e tornam-se ambiciosas e cruéis, transformando-se em feiticeiras.
Contrapondo a elas surge um jovem de nome Ram ou Rama, dotado de mediunidade ostensiva para vidência, psicofonia e outros dons que lhe permitia manipular as energias. Ele foi o responsável pela mudança, instituindo uma nova nação no coração da Ásia, regida por lei social como uma expressão da lei Divina. Conquistou o Irã, expulsando os negros, estabelecendo o cultivo da terra, criou castas segundo ocupações sem discriminação social, proibiu a escravatura e o assassinato, afirmando que a subjugação do homem pelo homem era a fonte de todos os males, deu à mulher um novo papel como esposa e mãe, fazendo-a sacerdotisa do lar, guardiã do fogo sagrado e com direitos iguais ao do esposo nas invocações da alma dos ancestrais.
Com este povo é estabelecido a importância da oração como instrumento de invocação às almas e a Deus, pois eles acreditavam na imortalidade da alma, portanto praticavam a doutrina da reencarnação como processo de aprendizado e evolutivo da raça humana.
Mas, sendo os filhos de Deus criados simples e ignorantes, não inferiores, mas sem consciência de si mesmo, comprometeram-se ao longo desta evolução. Assim, o que era simples, isto é básico, espontâneo, natural e primário; ignorante como aquele que não tem consciência de si mesmo, passam a desenvolver vínculos e sentimentos oriundos de experiências deletérias para o corpo e para a alma, tornando-os, como disse Jesus, os fracos, os escravos e os viciosos.
No Evangelho, Marcos, cap. X, v. de 13 a 16, Jesus nos disse: “Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais; porque o reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham. Eu vos digo em verdade, todo aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará”. Jesus nestas palavras, considera a pureza do coração inseparável da simplicidade e da humildade e exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho, que segundo ele, era visto na criança. Na verdade, ao dizer que se lhes assemelham, sabia Jesus que aquela criança assim se apresentava porque o corpo físico, bloqueava a manifestação do intelecto do espírito, permitindo a manifestação apenas dos instintos, necessários para desenvolver nos adultos a ternura que se expressa diante da ingenuidade e fraqueza verificadas nas crianças.
O que Jesus chamava a si era, portanto, a infância intelectual da criatura formada, os fracos, os escravos e os viciosos. E que estes homens viessem até ele com a confiança que as crianças têm quando se dirigem aos seus pais. Neste momento acreditamos que foi iniciado o Espiritismo, porque a nossa Doutrina tem como missão chamar não as “criancinhas”, mas, os homens de boa vontade, para que os erros as parábolas explicadas se tornem verdades. (João, o evangelista, Paris,1863).
Quem são estes os chamados? Segundo o espírito Hammed, em psicografia através de Francisco do Espírito Santo Neto, são os que vivem nos “sete pecados capitais” como as “dores da alma”. São eles o orgulho, a preguiça, a raiva, a inveja, a gula, a luxúria e a avareza.
Mas conforme o entendimento das doutrinas psíquicas e da psicologia espírita, esses pecados são considerados mais como desajustes, neuroses ou desequilíbrios íntimos, necessitando mais de auto-análise, reparação e tratamento do que de condenação, repressão ou castigo. Vejamos:
Orgulho - Sentimento de prazer, de satisfação sobre algo que é vista como alta honra; sentimento egoísta, excesso de amor próprio, arrogância, soberba, prepotência, vaidade, insolência.
Desprezar é sentir ou manifestar desconsideração por alguém ou por alguma coisa; portanto, é uma atitude sempre inadequada nas estradas de nossa existência evolutiva. Menosprezar é um sentimento através do qual nos colocamos acima de tudo e de todos, avaliando com arrogância os acontecimentos e os atos do alto da “torre do castelo” de nosso orgulho.
A nenhuma coisa ou criatura deve-se atribuir o termo de “desprezível”, pois tudo que existe sobre a Terra é criação divina; logo útil e proveitosa. Nós sempre influímos com os nossos pensamentos e atitudes na atmosfera espiritual, emocional, mental e física na comunidade em que vivemos. Nela, devemos estar atentos para evitarmos o julgamento com os conceitos apressados dos acontecimentos, considerando que os espíritos inferiores e superiores desempenham função útil no Universo, e apesar de sermos únicos, todos fomos criados para contribuir coletivamente no mundo e para usar as possibilidades de nossa singularidade.
Esse sentimento é próprio do nosso nível de evolução, e, nós como educadores dos que adentram o nosso Lar pela reencarnação temos que considerar que para sermos bom mestre, não é preciso fazer seguidores ou discípulos, nem mesmo possuir cortejos ou comitivas, mas simplesmente fazer com que cada ser descubra em si mesmo o seu próprio guia. Freqüentemente encontramos indivíduos que tentam cuidar de nosso desenvolvimento espiritual sem respeitar os limites da nossa compreensão e percepção da vida, os Censuradores Morais, seres incapazes de compreender as dificuldades alheias, pois, não entendem que cada alma apenas pode amadurecer de acordo com o grau de desenvolvimento de seu potencial interno.
Como combater o orgulho? Através do desenvolvimento da humildade e da bondade. A humildade é desenvolvida no silêncio na discrição do atendimento às pessoas que buscam auxílio de todas as formas, no desprendimento da doação de algo que possa ser útil, doação de seu tempo a uma instituição, varrer o centro espírita, fazer parte de grupos de visitação aos doentes, ser amigo de todas as horas no fazer e no ouvir. Desapegar-se das conquista externas para conquistar a si mesmo, cultivando a simplicidade, a posse do necessário, a consciência tranqüila e a fé no futuro, a modéstia, a submissão às leis de DEUS. A bondade é uma daquelas virtudes singelas e profundas ao mesmo tempo, isto é, temos facilidade para entender e certa dificuldade para realizá-la objetivamente, por conta de nossas imperfeições, e que a maneira de desenvolve-la, é vivenciá-la vinte e quatro horas por dia, todos os dias, nos pensamentos, no olhar, conselheiro nas dúvidas, a magnanimidade no perdão, a doçura nas palavras, a complacência no olhar e a caridade nas atitudes. E depois que o ser humano experimentar o elixir da bondade, ele jamais desejará retornar aos degraus da intemperança mental.
JESUS, jamais impôs cobranças para o crescimento das almas; ensinou-nos o caminho para a serenidade e harmonia, para entrarmos em comunhão com “DEUS em Nós”, deixando que a natureza agisse no comportamento humano, porque entendia Ele que o progresso é irreversível e que “nunca amadureceremos enquanto delegarmos a terceiros a determinação de nossas escolhas”. No episódio da mulher adúltera, Jesus exemplifica a caridade e a humildade, não a condenando, “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?” E ela disse: “Ninguém Senhor.” E disse-lhe Jesus: “Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais.”
Egoísmo – Amor exagerado aos próprios valores e interesses a despeito dos de outrem; paixão humana fundamental, que consiste na submissão do dever ao interesse particular em detrimento da obediência à lei moral; atitude ética em que só visa o próprio interesse em detrimento do próximo.
O egoísta é o cidadão que atravessa a vida física num estado de espírito predominantemente pessoal e comodista, administrando exclusivamente seu próprio mundo. Trata-se de manifestação inferior da vida animal. Porém, toda alma do Universo tem como objetivo desenvolver o Amor, no sentido Fraterno/Universal, a começar por amar a si mesmo em primeiro lugar, é egoísmo, porém, inspirado no Amor de DEUS que está latente em toda a sua obra. É este egoísmo inicial que faz o homem concentrar em si mesmo para o seu auto conhecimento, porém, torna-se patológico (doente) se insistir em manter-se fechado em si mesmo quando cessa sua função criativa.
Como combater o egoísmo? Os Espíritos superiores, Semeadores da Era Nova respondendo a Kardec como extirpar o egoísmo, disseram: “...o egoísmo é mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação. (...) O egoísmo assenta na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade...”.
Buscando na consciência as Leis de DEUS, através da prática do altruísmo, desenvolvendo os sentimentos superiores que se originam na razão e no discernimento, firmeza ante os objetivos morais a serem conquistados, eliminando ciúmes ou disputa que possam ferir susceptibilidades ou causar ressentimentos, tratando a todos como gostaríamos que nos tratassem e cultivando o desapego.
Vaidade – qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória, valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros, avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo.
Esta fraqueza atinge toda e qualquer classe social, desde as paupérrimas até as que atingiram o cume da independência econômica, e segundo o escritor francês Francisco VI do século XVII, “ficaríamos envergonhados de nossas melhores ações, se o mundo soubesse o que as motivou”, É uma idéia que se justapõe ao orgulho, e vivemos nos travestindo de criaturas impecáveis, porém, sempre valorizando as posses e propriedades e cultivando o prazer da notoriedade, para tanto, casamos sem amor em busca de posição social elevada, direcionamos os filhos para cursos universitários que nem sempre espelham a vocação deles. Permitimos que a mídia crie um mercado de personalidades prósperas e influencie em nossos lares os indivíduos imaturos, os quais passam a se comparar e competir com os modelos aí colocados, sejam no jornais, revistas e televisão, esquecendo que as almas não são clichês umas das outras; todos temos características individuais e próprias. E assim, se Deus nos criou para sermos “mangueiras”, não devemos querer produzir como as “laranjeiras”.
Como combater a vaidade? À medida em que os homens tomarem consciência do seu próprio mundo interior, reconhecerem-se filhos do Poder do Universo e instruírem-se sobre as infinitas possibilidades da vida eterna, deixarão a doentia preocupação com as aparências, a frustração crônica que possuem por imitar os outros e a “atitude de camaleão” que cultivam com uma auto-imagem para agradar o mundo em seu redor.
Ilusão – erro de percepção ou de entendimento; fantasia da imaginação; devaneio, sonho; confusão de falso com verdadeiro; tendência a iludir a si mesmo ou alguém; promessa de felicidade, de prazer, etc. que se revela decepcionante, dolorosa ou efêmera.
Como combater a ilusão? Quando nós modelamos nossas reações emocionais através dos critérios dos outros, estabelecemos para nós mesmos, metas ilusórias na vida tendo como subproduto um estado de desencontro e aflição, e de forma consciente ou inconsciente recusamos aceitar a verdade, invariavelmente a fim de amortecer nossa alma das sobrecargas emocionais. Na medida em que se tornam sonhos mais ilógicos, nos tornamos prisioneiros de um círculo vicioso e, como resultado sofremos constantes frustrações e uma decepção crônica. Assim, ser supercrítico, perfeccionista é mera ilusão, e o resultado é catastrófico, quando interfere no relacionamento humano. A ação de controlar os outros leva-nos a nos distanciar de nós mesmos e dos outros, permanecendo ao nosso lado por fidelidade, jamais por carinho e prazer. Outras vezes acreditamos que podemos iludir o outro por conta de nosso interesse, e quando somos descobertos nos mostramos indignados, incoerentes, contra a pessoa e não contra a nossa auto-ilusão; no amor e na amizade, não analisando as limitações e possibilidades de doação de afeto e sinceridade pelo outro, julgamos quando não nos correspondem, alvos da ingratidão e da traição, culpamo-los. Certamente, esquecemo-nos de que somos nós mesmos quem nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam como imaginamos que devam agir.
Solidão – Estado de quem se acha desacompanhado ou só; isolamento; sensação ou situação de quem vive afastado do mundo ou isolado em meio a um grupo social; local isolado ou despovoado; retiro; estado ou condição de duas pessoas, geralmente casadas, que, não obstante vivem juntas, não se intendem nem se comunicam uma com a outra.
Sofremos solidão toda vez que desprezamos as inerentes vocações e naturais tendências de nossa alma, Ao negarmos o que somos, criamos um autodesprezo, passando, a partir daí, a desenvolver um sentimento de solidão, mesmo rodeado das pessoas mais importantes e queridas de nossa vida. E nesta auto-rejeição, esquecemos de perceber a presença de Deus vibrando em nossa alma; logo anulando nossa força interior. É como se esquecêssemos a consciência de nós mesmos e nos idealizamos, criamos uma fantasia mental, uma imitação baseado sobre a combinação de dois básicos comportamentos neuróticos: adotar padrões existenciais super rígidos, impossíveis de serem atingidos, e alimentar o orgulho de acreditar-se onipotente, superior e invulnerável, desenvolvendo assim estados de solidão, o exemplo seria tristeza habitual e sentimentos mútuos de vazio e aborrecimento na vida afetiva de um casal. Acreditando não sermos suficientemente bons para sermos amados pelo que somos, procuramos igualar-nos a uma imagem que criamos de como deveríamos ser, gerando os conflitos de relacionamento conosco e com os outros.
Como modificar este estado d’alma? Amando e respeitando a nós mesmos, criamos uma atmosfera, própria, para a identificação de nossa verdadeira natureza e facilitando nosso crescimento espiritual, aprendendo a respeitar o direito que cada um tem de ser ele mesmo, sem mudar suas predileções, idéias e ideais, porque cada um tem “direitos individuais” de manter sua privacidade e preferências. Não confundir os diretos como atitudes individualistas, com vulgaridade, com cobrança e leviandade, mas, fazendo a renúncia dos caprichos, mantendo a lealdade e o diálogo.
Os dissabores verificados em muitos casamentos se devem com freqüência, exatamente a não valorização dos verdadeiros sentimentos, os quais forçam um dos parceiros, ou mesmo ambos, a contrariar a sua natureza para satisfazer as opressões, intolerância e imposições do outro.
A dissolubilidade do casamento é uma lei humana contrária a Lei da Natureza, mas ela se torna compreensível e razoável, quando, este casamento foi realizado pelas convenções sociais, pelo interesse material e pela busca egoística do sexo e prazer, quando o cônjuge é alvo de violência e de desrespeito, impedindo o crescimento do outro, assim é melhor que se separem do que viver uma união conjugal hipócrita e tormentosa. Considerar que toda união conjugal deve ser realizada na lei do amor e não pela intimidação, pelo medo do futuro ou pelas convenções sociais. Não rejeitarmos o que de fato sentimos não quer dizer viver com liberdade indiscriminada e sem controle, permitindo que eles sejam donos da nossa vida.
Há um outro tipo de solidão, que é aquela em que nos voltamos para o nosso interior, em busca da “quietude íntima” para buscar na nossa autoconsciência a motivação necessária para restabelecer o caminho verdadeiro que devemos trilhar para o amadurecimento espiritual e moral. Segundo o filósofo Pascal (século XVII) “a verdadeira natureza do homem, seu verdadeiro bem, sua verdadeira virtude e a verdadeira religião são coisas cujo conhecimento é inseparável”, diz ainda, que o âmago do ser está intimamente ligado ao bem, à virtude e
à religião e seria nas épocas de solidão que afloraria a verdade dos fatos. As opções pela vida exclusivamente material, comprometida pelas paixões, vícios e ilusões, fazem com que o indivíduo não faça uma interação entre o meio ambiente e o seu mundo interno, gerando desarmonias e conflitos. Para abrirmos um canal receptivo a Consciência Divina é preciso o “silêncio” onde criamos uma sustentação interior, que nos permite sintonizar com as leis divinas e com os valores reais da consciência cristã, e refletir sobre a nossa essência.
Jesus Cristo tinha como hábito o retiro para orar e refletir, entendendo Ele, que na “privacidade da solidão” elevava sua a alma ao Pai e no silêncio no coração e no intelecto, estariam estabelecidas as bases seguras da relação entre a criatura e o Criador, proporcionando a percepção de que somos unos com a vida e unos com todos os seres e que somente cada um pode interpretar as razões da Vida em si mesmo.
Culpa – Responsabilidade por dano, mal, desastre causado a outrem; falta, delito, atitude ou falta de atitude de que resulta, por ignorância ou descuido, dano, problema ou desastre para outrem; no sentido religioso, responsabilidade por ato de transgressão e/ou pecado, que torna o agente ofensor de Deus, indigno de sua misericórdia; psicologicamente é consciência mais ou menos penosa de ter descomprido uma norma social e/ou um compromisso (afetivo, moral, institucional) assumido livremente.
As religiões foram criadas para retirar as criaturas da convenção e transporta-las à espiritualização, mas, na atualidade, algumas religiões se transformam nas próprias convenções sociais, e suas inúmeras crenças têm sido imensamente nocivas ao desenvolvimento das criaturas, pois usam freqüentemente a culpa com forma de atemorizar, com isto, obtêm a submissão dos indivíduos, conduzindo-os a seu bel-prazer.
Baseando-se em crenças punitivas, apregoam que a Divina Providência age através do castigo e da vingança e de que Deus, quando se decepciona conosco, impede-nos de desfrutar e participar das benesses do Reino dos Céus. “Esquecendo”, propositadamente, que a doutrina do fogo eterno não produzirá bom resultado, ensinando coisas que mais tarde a razão venha a repelir. Assim, de forma consciente ou inconsciente, como meio de produzir temor nos fiéis, para gerar dependência religiosa e determinar comportamentos e posturas de vida que acreditam ser corretas e convenientes às suas nobres “causas missionarias”.
Não observam que cada ser tem uma idade astral, que lhe permite ver e compreender a existência de forma específica e privativa, não sendo a culpa o fator que modifica o homem e sim a sua transformação interior com mudança de entendimento e de atitude. Assim, exemplos como: “vocês não entrarão na Casa de Deus, a menos que se sacrifiquem pelos necessitados”, isto pode constituir um equívoco, pois o indivíduo, que mesmo com boa vontade, estando ele fragilizado, não consegue ajudar nem a si mesmo, e desenvolve a culpa por valorizar em excesso o que os outros dizem e pensam.
Não cremos que Deus nos fala diretamente, dispensando os intermediários, porque, não temos uma ampla fé no amor de Deus por nós e não acreditamos que ele habita em nosso âmago e sabe que somos tão bons e adequados quanto permite o nosso grau de conhecimento e de entendimento de nossa vida interior e exterior.
Como combater a culpa? Já dissemos, que quanto mais impedirmos as pessoas com as quais convivemos de agir e pensar por si mesmas, mais estaremos dificultando suas oportunidades de amadurecimento e de crescimento espiritual. Sábios são aqueles que acumulam conhecimento não somente através do estudo das ciências, mas também, pela pratica e pela observação, problemas são estímulos que a Vida nos apresenta para nos autoconhecer, e devemos entender que ser responsável pela felicidade de alguém, não significa uma postura de “tomar conta”, supervisionando, comandando, insistindo, seduzindo, chorando, acusando, subornando, espionando e consequentemente gerando culpas em nós e nos outros e pedindo intervenção milagrosa a fim de redimir e salvarmos as almas de nossos entes queridos.
Não estamos nos referindo a atos de verdadeira caridade, compaixão e bondade, em que realmente a assistência é requisitada e desejada , mas sim ao ato neurótico de “tomar conta” e subestimar a capacidade do indivíduo de crescer e evoluir.
Sexualidade - Outro aspecto importante a considerar é a culpa desenvolvida pela prática de nossa sexualidade, que por pouco sabermos sobre ela, ficamos a mercê das idéias e opiniões alheias, gerando dificuldades de admitir a adversidade de sentimentos e emoções afetivas e sexuais. O processo educativo é diferente do processo de orientação, porque o primeiro se faz sob responsabilidade do nosso Lar, trazendo a marca ou o caráter distintivo e particular dos pais, já a orientação é transmitida e/ou aplicada através de método de ensino, informações e notícias, pelos orientadores, psicólogos, religiosos, médicos e outros. Outro fato a se considerar é que as crianças são precocemente introduzidas nas esferas dos adultos pela mídia, provocando-lhes o desenvolvimento de uma malícia numa idade desprovida da lógica e do bom senso contra essa espécie de afronta sexual.
Noções, crendices, preconceitos e concepções já existem nas crianças, são frutos de suas vidas pretéritas e mais o aprendizado desta encarnação, faz-nos atentos para evitar os desvios e culpas, através da orientação de forma correta e cristã. Em determinadas circunstâncias evolutivas, o espírito pode vir ocupar uma vestimenta corporal oposta à tendência íntima que vivência, tanto masculino como feminino. Procuremos aceitá-la plenamente, visto que há sempre, em qualquer condição, a oportunidade de adquirirmos experiências e, por conseqüência, progredirmos espiritualmente, vencendo e promovendo desafios. Devemos compreender que o grau de responsabilidade está sempre coerente com a estrada evolucional por ande transitam as almas.
Como conviver com a sexualidade? Podemos julgar a promiscuidade sexual moralmente errada, mas não podemos julgar o indivíduo promíscuo, por desconhecermos sua necessidade evolutiva e seu “coeficiente de maturidade”. Querer ser iguais aos outros e nos comparar sexualmente indicam ausência de peças importantes em nossa consciência profunda, o que nos torna incapacitados para perceber a extensão das Leis Divinas que regem a todos nós.

Bibliografia


Os Grandes Iniciados,1889, Édouard Schuré, pag.28 a 49.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec (S.Gentile ) cap. VIII, itens 18 e 19.
As Dores da Alma, Francisco do Espirito Santo Neto, pelo espírito Hammed, pag. 29 a 36, 53 a 60, 89 a 98, 99 a 110, 119 a 127.
Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Inst. Antônio Houaiss.
Oswaldo Cruz, irc-espiritismo.org.br, palestra em 17/12/99.

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