José Salviano Coelho
Slide: A perda da Honra
Emmanuel
Do Livro: Canais da Vida
Psicografia: Francisco Cândido Xavier
Editora: CÉU
O Livro dos Espíritos aborda o Duelo nas questões
757 a 759. Onde fica claro que este não pode ser considerado como um
caso de defesa, e sim de homicídio, de suicídio e quando as chances
são iguais é um ou outro. Os Espíritos consideram que aquilo
que se chama de o ponto de honra, é na verdade as duas chagas da Humanidade
que é o orgulho e a vaidade. São estes dois sentimentos, a verdadeira
questão que se apresenta como pano de fundo de todo ato que se torna
em duelo. As pessoas julgam-se traídas em seu orgulho por algo que outro
fez e que aparentemente lesou a sua honra. Aí querem revidar, tirar a
limpo, reagir de alguma forma. Os espíritos nos respondem: dependendo
dos usos e costumes, cada país e cada século tem a esse respeito
um modo de ver diferente. Quando os homens forem melhores e estiverem mais adiantados
em moral, compreenderão que o verdadeiro ponto de honra está acima
das paixões terrenas e que não é matando, nem se deixando
matar, que repararão agravos. Seríamos muito mais honrados admitindo
culpas e utilizando a prática do perdão, conforme praticou e ensinou
Jesus, amar os seus inimigos, isto é não ter para com eles o que
não se deseja para si, o ódio, a ira, a maledicência, a
má vontade, o desejo do mal e etc.
Santo Agostinho ainda nos lembra o momento em que Jesus é preso pelos
soldados romanos no Monte das Oliveiras. Um deles é atingido por Pedro
que lhe corta a orelha, e Jesus recompondo-a, adverte a Pedro, dizendo que ele
recolocasse sua espada na bainha, porque aquele que matar pela espada morrerá
pela espada.
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De onde provem o duelo? Duellum - é a forma antiga de Bellum cujo significado
é luta, guerra e disputa. Surgiu no auge da Inquisição
(século XI, XII) e foi até meados do século vinte. A Igreja
Católica no Concílio de Trento proibiu a prática do duelo
sobre pena de excomunhão. O duelo era a luta entre um ofendido e um ofensor,
com armas iguais (espada, florete e pistola), mas mesmo com essa proibição
vários países da Europa, principalmente a Espanha, ainda continuaram
com essa pratica. No Evangelho Segundo Espiritismo, Kardec, estudando o Capítulo
XII “Amai aos vossos inimigos”, dentre outros assuntos, dedicou
cinco itens ao tema duelo. Interessante que dos cinco, quatro foram tratados
por representantes da Igreja Católica: Adolf- Bispo de Argel, Francisco
Xavier - Sacerdote, Agostinho, o próprio Kardec e um Espirito protetor.
Com o progresso e a evolução dos costumes, a sociedade aboliu
a prática mecânica. Lembramos do comentário de Kardec, no
item 16, “ O Espiritismo fará desaparecer os últimos vestígios
do barbarismo, inspirando aos homens o espirito de caridade e de fraternidade.”
“...Só é verdadeiramente grande aquele que, considerando
a vida como uma viagem que deve conduzi-lo a um objetivo, pouco caso faz das
asperezas do caminho e não se deixa jamais desviar um instante do caminho
reto...”
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“...Expor seus dias para se vingar de uma injúria, é recuar
diante das provas da vida; é sempre um crime aos
olhos de Deus, e se não estivésseis iludidos, como estais por
vossos preconceitos, isso seria uma ridícula e suprema loucura aos olhos
dos homens...”
“...Há crime no homicídio pelo duelo...”
“...Enquanto uma gota de sangue humano correr sobre a Terra pela mão
dos homens, o verdadeiro reino de Deus não terá ainda chegado...”
“...O duelo pode, sem dúvida, em certos casos, ser uma prova de
coragem física, de desprezo pela vida, mas, incontestavelmente, é
a prova de uma covardia moral, como no suicídio...”
“...O suicida não tem a coragem de afrontar as vicissitudes da
vida; o duelista não tem a de afrontar as ofensas...”
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“...uma falsa aparência de honra, que não é senão
do orgulho e do amor-próprio...”
“...Para o duelista emérito, é um assassinato cometido a
sangue frio; para o adversário, é um suicídio...”
“...não basta interditar o mal e prescrever o bem, é preciso
que o princípio do bem e o horror ao mal estejam no coração
do homem...”
“...Quando a caridade for a regra de conduta dos homens, eles conformarão
seus atos e suas palavras a esta máxima: Não façais aos
outros o que não quiserdes que vos façam; então, sim, desaparecerão
todas as causas de dissensões e, com elas, as do duelo e das guerra,
que são os duelos de povo a povo...”
Slide: Eu e o Outro
Realmente, a civilização baniu o duelo das praças públicas
e não mais vemos espadas desembainhadas, suscitando aflição,
ferimento e morte.
Os códigos evoluídos reprimem hoje, nos povos mais cultos, semelhantes
manifestações de animalidade e selvageria.
Entretanto, se as lâminas repousam ensarilhadas, não ocorre o mesmo
com os dardos envenenados da vida mental.
Muitas vezes, arremessamos raios de perturbação e indisciplina,
angústia e destruição para todos os ângulos da estrada
em que a nossa vida se movimenta.
São os pensamentos desvairados do psiquismo deprimente.
Não raro, arrojamo-los, desprevenidos, contra o amigo que não
nos compreende; endereçamo-los, sem piedade, para quantos nos desatendem
ao egoísmo; enviamo-los aos parentes que não se afinam com as
nossas maneiras e concepções; projetamo-los sobre aqueles com
quem não edificamos ainda os alicerces da simpatia; detonamo-los contra
as pessoas que não nos aceitam os padrões de vivência e
trabalho; arrojamo-los por prevenção, despeito, inveja, ira; e,
nessa provocação permanente, perante as inteligências desiguais
que nos cercam, improvisamos e permutamos males e enfermidades, problemas e
obstáculos que, indubitavelmente, se voltam depois contra nós.
Em razão disso, a vida na Terra ainda se encontra muito distante do roteiro
de harmonia e de amor que o céu espera de nossa conduta vulgar, apesar
das informações preciosas dos tratadistas da Higiene Mental, da
Psicoterapia, da Educação, o homem ainda prefere deter-se nas
baixas regiões em que intercambiam as vibrações tóxicas,
gerando psicosfera mefítica, deletéria. Slide: A Regressão
para a Benevolência
De quando a quando, guerras civis e internacionais são as crises nevrálgicas
dos nossos duelos cronificados do pensamento intemperante e insubmisso.
Mas, assim como as convenções impuseram o repouso da espada entre
amigos, na obra da civilização, o Evangelho consolidará
o serviço legítimo da educação espiritual, em cuja
grandeza aprendemos a ver circunstâncias e pessoas, no lugar que lhes
compete, encontrando a verdadeira felicidade no dever de servir com aquele que,
pelo Reino do Amor, não hesitou em aceitar o sacrifício e a cruz
por normas de aquisição da paz inextinguível.
Devemos considerar que, ao procurar em “nome da honra”, nos vingar,
estamos tomando em nossas mãos os instrumentos da justiça divina;
caracterizando que não confiamos nela, ignorando-a ou revelando a nossa
impaciência de esperar por ela, nos tornando prisioneiros de nós
mesmos, através da cólera e da frustração; e equivocadamente
acreditamos que através do duelo possamos aplacar o ódio, quando
na realidade, o alimenta e o mantém vivo. E envolvido nesse processo,
ele nem sequer admite o perdão, e assim permanecem por séculos
e séculos, ao longo de muitas vidas, tanto aqui, na carne, como no mundo
espiritual.
Se sai vitorioso de um duelo, a dor poderá libertar o ofensor e o ofendido
permanecer preso a sua historia, portanto às suas angustias e não
alcançando mais o alvo, mas com um passivo de faltas por resgatar.
Em mensagem transmitida a Chico Xavier, o “Irmão X” narra
um episódio desses, em que uma atrocidade praticada no ano 177, ao tempo
de Marco Aurélio, veio a ser cobrada pela lei, na tragédia o corrido
em um circo em 17 de dezembro de 1961, na cidade fluminense de Niterói,
portanto, quase 18 séculos após.
Jesus ao nos ensinar a oferecer o outro lado, quando se é esbofeteado
na face, é quase inverossímil para a cultura ocidental acostumada
ao revide pela honra, ao duelo, com armas no passado, verbal em todos os tempos,
através da justiça igualmente em todas as épocas, nos ensinou
que o Bem é mais forte do que o mal, que a não violência
é o antídoto para a ferocidade, a paciência é o remédio
para a irritação, a esperança é o recurso para o
desalento. Nos ensinou a nos libertar dos paradigmas psicológicos de
preservação da dignidade pessoal, evidenciando a coragem de desarmar
os sentimento de vingança para vivenciar o não matar, o não
ser violento, constituindo o mais grandioso desafio cultural e emocional que
a criatura humana pode experimentar. Vitorioso é somente aquele que se
vence interiormente, mesmo que vencido exteriormente, por isso amarás
o teu próximo como a ti mesmo.
Slide: A Teia da Aranha
Bibliografia
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. XII, 11 a 16
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, cap. VI. 757 a 759
Deise Bianchini,irc-Espiritismo,www.irc-espiritismo.org.br
Regina Peixoto,irc-espiritismo,www.irc-espiritismo.org.br
Aparecida Cruz,irc-espiritismo,www.irc-espiritismo.org.br
Lúcia Moreira,irc-espiritismo,www.irc-espiritismo.org.br
O duelo, Revista Espírita, novembro de 1862,(Bordeaux, 21 de novembro
de 1861. - Médium, Sr. Guipon.)
Hermínio C. Miranda, diálogo com as sombras, pag. 144
Joanna de Ângelis, Divaldo franco, Jesus e o Evangelho, pag. 99
Vianna de Carvalho, Divaldo Franco, Enfoques Espíritas, pag. 132