Fazer aos outros
o que queremos
que os outros nos façam.


Parábola dos credores e
dos devedores – ESE: XI, 1 a 4

 

José Salviano Coelho
Kmkcoelho@intervip.com.br
Fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam
Parábola dos credores e dos devedores – ESE: XI, 1 a 4


SLIDE 1
*“os Fariseus, tendo sabido que ele tinha feito calar a boca aos Saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, veio lhe fazer esta pergunta para o tentar: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e todo o vosso espírito; é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que é semelhante àquele: Amareis vosso próximo como a vós mesmos. Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos, (São Mateus, cap. XXII, v. 34 a 40)”(ESE cap. XI pag. 143)

*“fazei aos homens tudo o que quereis que ele vos façam; porque é a lei e os profetas”. (idem, cap. VII, v. 12,idem)

*“tratai todos os homens da mesma forma que quereríeis que eles vos tratassem” (Idem)

Com relação a “amar o próximo como a si mesmo: fazer para os outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, está aí a maior expressão de caridade, por que resume todos os deveres para com o próximo, que deve ser de indulgência, benevolência e o perdão. Portanto, uma lei que destruirá seguramente o estado de egoísmo, assim os homens se conduzirão pela justiça, sentimento colocado em nossos corações por Deus.(ESE cap. XI, pag. 144; LE,873)

SLIDE 2
*O que é Lei segundo Rios (2000), portanto, segundo os homens?
“lei é um dever imposto que regula os direitos e deveres dos cidadãos, segundo a norma ou costume de uma população. As leis impõem limites sobre várias formas de comportamento” (Tratamento de feridas, Adriani G. Ribeiro, cap. I pag. 8)

*O que é lei Natural? Ou lei divina?(LE, 614)
“é a lei de Deus e a única verdadeira para felicidade do homem. Ela lhe indica o que deve fazer e o que não deve fazer, e ele não é infeliz senão quando se afasta dela”-

A lei natural deveria bastar, porém, em virtude dos homens não a entenderem de forma correta , isto é, livre das imperfeições dos homens, estes fizeram leis humanas compatíveis com o seu grau de evolução, portanto, mutáveis conforme a época. No tempo da barbárie, elas eram feitas pelos mais fortes, a seguir foram sendo modificada conforme o senso de justiça evoluía e acreditamos que ela tende a se identificar com a lei natural por conta da lei de evolução (LE, 795). A lei natural é imutável, porém apropriada a natureza de cada mundo, proporcional ao grau evolutivo de seus habitantes e ela está escrita na consciência humana (LE, 621), cabendo aos profetas, espíritos superiores que encarnaram e encarnam com a missão de nos revelar a Lei inspirados por Deus.

*Jesus, profeta maior, com a máxima “Daí a César o que é de César”, nos ensinava a Ter para com o próximo as mesmas atitudes que deveríamos esperar que tivessem para conosco, evitando sobre todas as formas prejuízos material e moral para o outro. Evidentemente, está aí uma definição de justiça (LE, 875), em que os direitos são determinados pela lei humana e pela lei natural.
Mas, a estrada evolutiva do homem está repleta de atitudes contrária as lei divinas, por conta das paixões e vícios, e em todos os tempos e crenças, o homem tem procurado prevalecer o seu direito pessoal, contrapondo ao ensinamento cristão que é de tomar o direito pessoal por base do direito do próximo, fundamentado no questionamento dos registros inseridos na consciência de cada e assim, conforme sua experiência e grau evolutivo ele se manifestará, se dentro ou fora da lei divina, da lei de amor, da lei de progresso cristão. (LE, 876)

SLIDE 3
*Na questão 881 do LE pergunta-se o direito de viver dá ao homem o direito de ajuntar o que necessitar para viver e repousar, quando não puder mais trabalhar? Sim, por um trabalho honesto e em família, distribuindo a riqueza conforme a necessidade, e não amontoar como um egoísta.

*Na questão 882 do LE pergunta-se o homem tem o direito de defender o que ajuntou pelo trabalho? A resposta foi dada por Deus: não furtarás e por Jesus: daí a César o que é de César Este desejo de possuir faz parte da natureza do homem e ele pode assim proceder dentro de limites razoáveis para que não o transforme em um egoísta, e sua aquisição redunde em prejuízo para o próximo, sendo assim, motivo de ilegitimidade.

*Hammed diz que somos nós mesmos que nos iludimos, por querer que as criaturas dêem o que não podem e que ajam como imaginamos que devam agir.
E que por modelarmos as nossas reações emocionais através dos critérios dos outros, acabamos de nos direcionar para objetivos de aquisição de bens materiais, como forma de nos colocar em evidência perante uma sociedade, desconhecendo ou procurando não ver as conseqüências de dor e sofrimento que nos cercam por conta do nosso egoísmo. Levando freqüentemente, a nos tornarmos prisioneiro de um círculo vicioso, gerando frustrações, e atitudes cada vez mais distantes do dever e da justiça para com o próximo. O acúmulo se torna um verdadeira ilusão de que é possível adequarmos o meio e os que nele vivem como instrumentos de nossa necessidade, daí, um número cada vez maior de doentes da alma, porque não aceitam a possibilidade de uma outra realidade, que está registrada na nossa consciência, como uma lei natural a ser desenvolvida em nós, e assim obtermos uma mudança nos paradigmas materialistas, promovendo a independência de nossos pensamentos e viver com senso de realidade, que somos acima de tudo espíritos em processo evolutivo. Construindo um anel de amor, não permitindo nos cercar de atitudes de inveja e ódio, que seguramente responderá ao longo de séculos e séculos de reencarnações dolorosas. A indiferença e a frieza emocional, a apatia e o apego patológico, bem como o distanciamento das privações dos outros são características marcantes das criaturas que alimentam uma paixão egoística pelo bens materiais. São conhecidos como sovinas, mesquinhas ou usurárias, cercando-se dos bens materiais na ilusão de substituírem a escassez e a inibição da aproximação social e afetiva, que em última instancia enriqueceria a vida interior.

SLIDE 4
*Pascal (Sens,1862) nos diz “... O egoísmo é pois, o objetivo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem; digo coragem porque é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer os outros...”
As religiões antigas do oriente atribuíam ao desejo a causa básica do impedimento da conquista da espiritualidade. Afastar-se do “maya” que são as ilusões da existência, do nascimento e da morte era um imperativo, anulando o “ego” que é a individualidade exaltada.

*Jesus no sermão da montanha, quando falava sobre as Bem-aventuranças, ele nos sinalizava o caminho para a nossa iluminação, elevando-nos através da mansuetude, humildade e simplicidade, abandonando todo sentimento de personalismo.
Hammed nos diz que nas criaturas que desenvolvem seus primeiros passos no aperfeiçoamento ético-moral, a tendência egoística é um estado instintivo, próprio dos seu grau evolutivo não um defeito de caráter incompreensível, nem uma imperfeição inexplicável da índole humana...”esse sentimento, encerrado em seus limites, é bom em si; é o exagero que o torna mau e pernicioso...”.
E quando percebermos que ele transpõe este limite devemos usar o antídoto contra o egoísmo: “Não fazer aos outros o que não gostaríamos que os outros nos fizesse”.
SLIDE 5
*Quando Jesus coloca que o amor ao próximo é o denominador comum a todas as religiões, Ele sinaliza que no futuro todas as religiões se unirão, cumprindo a profecia de que “Haverá um só rebanho e um só pastor”.
A pluralidade das raças, das culturas e dos credos pode, apesar do progresso já presente, criar dificuldades, de difícil resolução se os detentores de maior conhecimento e de boa vontade permanecerem indiferentes ao próximo. Felizmente, hoje já é possível o ecumenismo, isto é a união entre as religiões, não considerando as manifestações de fundamentalistas que desviaram o entendimento para fins políticos e para as suas inadequações psíquicas, morais e espirituais. Não devemos esquecer que ao longo da caminhada da humanidade, tem havido encarnações de espíritos superiores em nosso meio para auxiliar na nossa união e evolução. Jesus ao nos orientar para só fazer ao outro o que gostaríamos que o outro nos fizesse, sinalizava uma lei de amor dotada de uma racionalidade que inegavelmente fez eco em todas as religiões importantes, vejamos:
*
a) entre os judeus: não fira teu irmão para não ser ferido;
b) entre os muçulmanos: o ponto de honra mais elevado deve ser aquele de só fazer ao outro o que não lhe causa sofrimento;
c) entre os budistas: esclarecemos que faça ao outro o que queremos que o outro nos faça;
d) entre os hindus: entendemos que não se deve fazer o mal para não receber o mal em nós próprios;
e) entre os povos que vivem em regime tribal: o mal feito ao outro voltará para quem o praticou.
Assim nesse contexto, podemos interpretar que o amor ao próximo está suficientemente apregoado entre os praticantes de diferentes seitas religiosas, e este fator será o determinante para consolidar um só Pastor. Façamos, pois a nossa parte, isto é fazer deste nosso planeta uma habitação de paz e de amor. (Reformador/abril 2003, pag. 154)

Em psicografia de Divaldo P. Franco no dia 27/05/2001 em Assis; uma entidade que assinou como Irmão X, relata que estando perambulando em torno da Catedral de Assis, se deparou com Francisco de Assis e outros companheiros e dirigindo-se a eles respeitosamente disse ser repórter e gostaria de entrevistá-lo e este anuiu. As respostas de Assis nos revela acima de tudo uma natureza verdadeiramente humilde e contagiante, ele afirmava que periodicamente ali estava para auscultar aqueles romeiros para auxiliá-los no despertamento, ajudando-os conforme as suas necessidades e de acordo com o seus apelos e preces, admitindo que não cabia a ele censurar o comportamento dos irmãos no agitado mundo atual, e alegava que havia outros recursos para contrabalançar o mercado que ali se praticava, com isto se evitaria o desenvolvimento de crendices e superstições que contribuem para auxiliar na transferência das responsabilidade da transformação interior para o Bem, pela magnetização de objetos e adoração de símbolos. Afirmava Assis, a mensagem de Jesus não era para um tempo, para uma nação, nem mesmo é uma proposta figurativa que deve ser interpretada conforme a comodidade dos cristãos, mesmo naquela época se afirmava ser difícil viver conforme o Evangelho: com despojamento, com humildade, com renúncia, com amor total pelo próximo deserdado... Mais de uma vez esclareci que, ou o Evangelho deveria ser seguido conforme fora pregado, e o luxo, a ostentação, o orgulho banidos da Igreja e dos corações, ou se deveria viver conforme as vaidades terrenas , as ambições de classes e de poder, estando a Palavra totalmente errada... Na conjuntura, era inevitável que o Evangelho triunfasse, embora nem todos tivessem a coragem de abandonar o século para seguir Jesus... Considerava ainda ser irrealizável a paz, enquanto a criatura se mantiver encarcerada na cela dourada dos presídios da posse e das paixões mais degradantes, mas dizia Assis que a única posse que liberta é não Ter nada além do essencial, que favorece a construção da vida feliz, e que despojar-se de tudo não é atirar fora as conquistas já realizadas, mas aplicá-las em favor de todos e não apenas de alguns poucos; quem se despoja fica livre para amar e para servir, bases da vida em toda parte. Assis concluía, ao dizer: A mensagem que me envolve o Espírito e que faz parte de todo o meu processo de evolução é seguir Jesus e viver os seus feitos. Mas, se me fosse facultado sintetizar tudo quanto eu gostaria de repetir aos meus irmãos terrestres neste momento de glórias e de sofrimentos, de grandezas e de misérias, eu diria: fazer aos outros somente aquilo que deseje que os outros lhe façam, e em qualquer circunstância, amar e amar até sentir as dores que o amor muitas vezes experimenta quando direcionado ao próximo.

Bibliografia

Allan Kardec, ESE(S. Gentile) cap. XI, itens 1 a 4.
LE, questões: 614, 615, 619, 621, 622, 794 796, 882 a 885.
Adriani G. Ribeiro, Tratamento de Feridas, pag. 8.
Francisco do E. Santo, Renovando Atitudes, pag 117 e 203.
As dores da alma, pag 53, 125.
Divaldo P. Franco, Reformador/outubro 2001, pag 296.
Fred Figner (espírito), Reformador/abril 2003, pag. 154.

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