Definição:
Perdão, remissão de pena ou de ofensa ou de dívida; desculpa, indulto; ato pelo qual uma pessoa é desobrigada de cumprir o que era de seu dever ou obrigação por quem competia exigi-lo; fórmula de civilidade com que se pede desculpa.
Ofensa, palavra que atinge alguém na sua honra, na sua dignidade, injúria, agravo, ultraje, afronta; ação que causa dano físico, lesão; ato de atacar, ofensiva; ato ou dito que lesa um sentimento respeitável ou legítimo, desconsideração, desacato, menosprezo; violação de uma regra, de um preceito, transgressão, pecado, falta, indelicadeza, injúria.
Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia. (são Mateus, cap. V, v. 7). – que é o esquecimento e o perdão das ofensas.
"Se perdoardes aos homens as ofensas que vos fazem,
também vosso Pai celestial vos perdoará os vossos pecados. Mas
se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará
os vossos pecados". (Mateus, VI: 14-15)
Se, pois, quando apresentardes vossa oferenda ao altar, vós vos lembrardes
que o vosso irmão tem alguma coisa conta vós, deixai a vossa dádiva
aí ao pé do altar, e ide antes conciliar-vos com o vosso irmão,
e depois voltai para oferecer vossa dádiva. (São Mateus, cap.
V, v. 23, 24).
O Apóstolo Paulo: Oh! Ai daquele que diz: “Eu nunca perdoarei”,
porque pronuncia a sua própria condenação.
A PARÁBOLA DO CREDOR INCOMPASSIVO
"E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor
mandou que ele, e sua mulher, e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto
tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então, aquele servo,
prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo,
e tudo te pagarei. Então, o Senhor daquele servo, movido de íntima
compaixão, soltou-o
e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou
um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lançado mão
dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu companheiro,
prostrando - se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para
comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis; antes, foi encerrá-lo
na prisão, até que pagasse a dívida. Então, o seu
senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te
toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente,
Ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia
de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até
que pagasse tudo o que devia.
Ao analisar a Oração Pai Nosso, está
nela implícito o perdão como a chave para a perfeita comunhão
com Deus, nela, Jesus assinala o perdão incondicional e quantas vezes
forem necessários perdoar. Nela, também, evidencia a mansuetude
e a brandura como componente fundamental para o exercício do amor a Deus
e ao próximo. Continua Jesus a nos exortar a praticar e pregar, não
só com palavras mas com exemplos, a tarefa começada desde o início
da humanidade e renovada por Jesus, há 2000 anos, quando estabeleceu
um novo paradigma incitando-nos a sermos caridosos, generosos, pródigos
mesmo de vosso amor, amparados na humildade e no perdão.
Quando Jesus nos informou sobre as várias moradas, nos sinalizava um
caminho a percorrer na medida que iríamos nos depurando das nossas imperfeições,
entre elas a ausência de mágoas e de rancor, ausência de
mácula na nossa consciência.
O que é Perdão?
Na visão espiritualista é o esquecimento
completo da ofensa ou injúria. Não devolver o mal com o mal, retribuir
o mal com o bem, não se alegrar pela dor do outro.
Na visão da psicologia profunda o perdão não tem nada a
ver com o esquecimento, pois se trata de um processo de memória, portanto
fisiológico, ele será registrado e o esquecimento depende da memória,
umas mais ou menos dotadas. Mas ao evoluirmos moralmente começamos a
entender que aquele que nos agride é que se encontra doente, pois sabemos
que conscientemente uma pessoa lúcida não agride o outro, razão
para então não nos tornarmos escravos dos sentimentos induzidos
pelo outro, é preciso sairmos da esfera de ação psíquica
do outro, buscando na paciência e na tolerância o antídoto.
Evidentemente, que aqui é preciso sermos honesto diante do ofensor, se
estivermos com raiva, primeiro absorva e digira e não negue, basta dizer
não, neste momento estou magoado e não posso perdoar. A raiva
é um sentimento natural do ser humano no momento evolutivo em que vivemos,
o que é antinatural é faze-la instrumento do nosso rancor, este
sim é um sentimento ruim, antinatural porque nos dá prazer e como
conseqüência conforme sua intensidade e duração pode
desencadear conseqüências graves tanto na âmbito físico
como no psíquico ou em ambos, tanto do ofensor como do ofendido. Se ele
nos caluniou, tanto eu como ele sabemos que é mentira dele. Se nos traiu,
somos a vítima e ele sabe que é nosso algoz. Então o problema
é da consciência dele. Não devemos cultivar animosidade,
e sim perdoar. Não ficarmos manipulados, dominados pelo ódio,
odiando também. Não permitindo que um desequilibrado nos manipule
e nos conduza para o desequilíbrio. A atitude do outro pode nos incomodar
muito , mas, é importante considerarmos que o outro tem o direito de
ser como quer, ele agirá conforme a sua evolução consciencial
moral e espiritual. Quem rouba é que é o ladrão, quem mata
é que é o assassino.
A medida que formos trabalhando, a mágoa, a ofensa vai perdendo o significado.
A medida que vamos descobrindo nossos valores, ela vai desaparecendo. Quando
estamos de bom humor, ouvimos até desaforo e dizemos: "Sabe que
você tem razão?" Quando levantamos de mau humor, só
de a pessoa nos olhar, perguntamos: "Qual é o caso?" Portanto,
não é o ato em si; é conforme nós recebemos o ato.
Divaldo conta o caso de alguém que, na festa de aniversário, recebeu
de uma pessoa que não gostava dela, como presente, um vaso de porcelana,
com um bilhete: "Recebe o meu presente, e dentro dele o que você
merece". Dentro dele havia dejetos humanos. No aniversário da pessoa
que havia enviado tal "presente", o nosso personagem lhe enviou o
mesmo vaso, com os dizeres: "Estou devolvendo o vasilhame. O seu conteúdo
coloquei num pé de roseira, e estou lhe enviando as rosas que saíram
dali". É um ato de perdão, devolver em luz o que se recebe
em trevas.
Por quê então, é tão difícil perdoar?
Primeiro porque não conhecemos ou negamos nossas
imperfeições, mas, estamos sempre a identificar no outro os seus
defeitos, e estes quando nos fere, independente de como fazem nos causa desde
um desconforto até um sofrimento maior o que pode acarretar mágoas.
Freqüentemente, transferimos para o outro obrigações de nos
atender desde necessidades reais a verdadeiros caprichos, desconhecendo, seja
por conta do nosso egoísmo ou orgulho, a possibilidade do outro não
dispor dos recursos necessários para nos atender. Esquecemos que Jesus
na sua sabedoria nos alertava para não julgar o próximo, porque
seríamos julgados na mesma medida , que não devíamos atirar
pedra no telhado do outro, porque, o nosso é de vidro. Alertava, que
perdoar é um ato de justiça. É se deixar guiar pela consciência,
como tocou Jesus a consciência dos homens no episódio da mulher
apanhada em adultério: “Quem de vós nunca pecou atire-lhe
a primeira pedra”. Todos já haviam errado. Não perdoando,
incorre numa desobediência a ordem social de Deus, e, estaria estabelecido
o caos na terra. Vivemos durante inúmeras reencarnações
considerando o perdão, a indulgência, a bondade como expressões
de fraqueza, de covardia. Entendíamos, um dever vingarmo-nos sempre que
nos julgássemos ofendidos. Hoje, que a luz do evangelho de Jesus iluminou
nossos corações e nossas mentes; e que a lógica da doutrina
espírita nos mostra os elementos justificativos da necessidade do perdão,
queremos ser bons, perdoar, incondicionalmente, como exemplificou Jesus. Todavia,
sentimos dificuldade de libertarmo-nos dos hábitos "de defesa da
honra e da dignidade", do "ter vergonha na cara", "ter sangue
nas veias", do "não levar desaforo pra casa", porque "difícil
não é aprender coisas novas, difícil é desaprender
hábitos antigos". Melindramo-nos, tão facilmente, por tão
pequenas coisas, com as pessoas com as quais convivemos e até com as
que amamos!... Por quê?
Por quê devemos perdoar?
Acredito que a vida em sociedade só foi possível a partir do momento que se estabeleceu o perdão, sem o qual seria extremamente difícil a convivência, alinhado ao fato de evolutivamente o homem desenvolver o desejo de construir para si e sua família, condições ideais para a felicidade e harmonia, É na família que temos todas as oportunidades para o aprendizado do sentido do perdão, que é a indulgência, a benevolência e a abnegação, que é em última instância a caridade. A ação recíproca do perdão traz a paz para o seio da família e da sociedade. O perdão não deve estar condicionado a gravidade da ação, porque a margem de erro, ao julgar qual é o merecedor e quanto perdoar será grande, porque estará condicionada a muitos fatores, como o social, o econômico, o intelectual e ao moral. Outro fator a considerar é que pensamento é energia, e esta se colocará na freqüência conforme a qualidade do pensamento, atraindo assim, energias que se afinizam e como conseqüência agravamento ou melhora dos nossos sentimentos. . A mágoa, o rancor, a raiva, o desejo de vingança, que nos impedem de perdoar, nos priva também de atrair energias boas e agradáveis. Quando alguém nos magoa, nos agride, nos fere, o perdão é a nossa proteção contra o assédio das energias negativas. Façam este teste, exercite o perdão hoje e sintam a sensação de bem estar que lhe é próprio. Outro aspecto a considerar é o desenvolvimento de sentimentos nobres e de autoconfiança que passamos a manifestar em relação ao outro e ao mesmo tempo elevamos a nossa auto-estima, nos possibilitando a superação das dificuldades inerentes ao convívio com os seres humanos.
A quem perdoar?
Jesus, na Cruz em seus últimos momentos ele roga a Deus, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem”. Aí está implícito que ele estendia a todos o perdão, sem nenhuma discriminação. Em outra passagem perdoava a Pedro na sua indecisão, como perdoou também a Judas pelo seu ato irresponsável. E temos que considerar que isto ocorreu há 2000 mil anos. Mas observamos que a complexidade de nossas emoções ainda traduzem o quanto ainda temos que evoluir, para despertar a nossa consciência no sentido da vida em comum, o que nos obriga o exercício do amparo mútuo e da capacidade de perdoar. Não devemos esquecer que perdoar a todos também inclui – o Auto-perdão.
“Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo...” “... porque se sois duros, exigentes, inflexíveis, se tendes rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueça que, cada dia, tendes maior necessidade de indulgência?...” Apóstolo Paulo.
Sabemos que nossa conduta e a forma de sentir os fatos de nossa vida, depende como olhamos o mundo fora e dentro de nós, consciente e inconsciente, traduzindo uma sensação íntimas de realização ou de frustração, de contentamento ou de culpa, de perdão ou de punição, de acordo com o “código moral” modelado na intimidade de nosso psiquismo, conseqüência de nossa vida atual e de vidas passadas, no convívio com os pais, líderes religioso, com o médico da família, com as autoridades políticas, etc. assim podemos experimentar culpa e condenação, perdão e liberdade de acordo com os nosso valores, crenças, normas e regras vigentes, variando conforme o ambiente. Quando nos exigimos agir sempre de forma perfeita, criamos armadilhas que se tornam nossa inimigas, porque passamos a exigir capacidades e habilidades que ainda não possuímos. Criando filhos dentro de padrões muitos rígidos, seguramente teremos adultos rígidos e propenso a desenvolvimento de distúrbios psíquicos, quando confrontados com o lado inadequado dos ser humano, podendo desenvolver sentimentos inferiores. Não somos Deus, não somos oniscientes e todo-poderosos. Não aceitando nossas limitações, não enxergamos a “perfeição em potencial” que existe dentro de nós mesmos, perdemos assim a oportunidade de crescimento pessoal e de desenvolvimento natural, gradativo e constante, que é a técnica das leis do Universo. A desestima a nós nasce quando não nos aceitamos como somos e admitir e aceitar os outros como são nos permite que eles nos admitam e nos aceitem como somos e assim podemos nos perdoar e desenvolver amor a nós mesmos, não importando com o que fomos, mas o que somos e qual a nossa determinação de crescer moral e espiritualmente. Perdoar-nos é compreender que os que nos cercam são reflexos de nós mesmos, criações nossas que materializamos com nosso pensamentos e convicções íntimas. “Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si mesmo” – quer dizer: enquanto não nos libertarmos da necessidade de castigar e punir o próximo, não estaremos recebendo a dádiva da compreensão para o auto-perdão - bondade repara a falta, o remorso destrói a alma.
Como aprender a perdoar?
Conhece te a ti mesmo, é um começo. A noção
das nossas imperfeições nos faz ver que muitos atos que nos magoam
partem de pessoas desatentas, ou em desequilíbrio emocional, ou motivadas
pelos seus sentimentos de orgulho, egoísmo e vaidade. Quando analisamos
a nossa origem e o nosso destino, principalmente os espíritas, pois estes,
sabem com muita propriedade que a nossa condição de espírito
encarnado, tem como objetivo maior o nosso desenvolvimento, que em última
instancia é o desenvolvimento do amor fraterno. Como amar ou admitir
ser irmão em Deus, quando o nosso coração está cheio
de mágoas e de rancor? Quando vemos sempre o ofensor como um inimigo?.
Precisamos olhar o ofensor como um espírito desajustado e inclusive permitindo-lhe
que ele expresse o seu sentimento, porque poderá nos facultar na observação
a compreensão de que na verdade fomos nós a causa da sua perturbação
mental.
Precisamos desenvolver o hábito do perdão e para isto é
a prática sistemática que trará resultados satisfatório,
pois iremos fundo, no fundo da alma para emergir com o perdão verdadeiro,
aquele capaz de mudar todo o contexto emocional e consequentemente a relação.
A repetição do hábito de perdoar é que vencerá
a resistência que nossos sentimentos inferiores, como o orgulho, egoísmo,
vaidade, violência e ressentimentos, inerentes ao nosso estágio
evolutivo e portanto ainda bem enraizados em nossos corações,
esta prática e que permitirá ver e ser visto com o coração
sinais de gentileza e desta forma criar predisposição para o perdão.
Segundo Robin Casagian, autora do livro O Livro do Perdão, toda a pessoa
tem sua história de raiva, de ressentimento e de tristeza, passando cada
pessoa pelas fases de desgosto, ingratidão, ofensas, separação
de casais, agressões diversas, adultérios, intrigas e demais conflitos
que provocam as mágoas nas profundezas do espírito. Todos já
tiveram, portanto, motivos para se sentirem ressentidos, tristes e raivosos.
Portanto, todos nós estamos aptos a perdoar.
Quantas vezes e quando devemos perdoar?
Se vosso irmão pecou contra vós, ide lhe exibir sua falta em particular, entre vós e ele; se ele vos escuta, tereis ganho o vosso irmão. Então Pedro se aproximando, lhe disse: Senhor, quantas vezes perdoarei ao meu irmão, quando ele houver pecado contra mim? Será até sete vezes? Jesus lhe respondeu: Eu não vos digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. (São Mateus, cap. XVIII, v. 15, 21, 22).
Reconciliai-vos o mais depressa com o vosso adversário,
enquanto estais com ele no caminho, a fim de que vosso adversário não
vos entregue ao juiz, e que o juiz não vos entregue ao ministro da justiça,
e que não sejais aprisionado. Eu vos digo em verdade, que não
saireis de lá, enquanto não houverdes pago até o último
ceitil. (São Mateus, cap. V, v. 25, 26).
Jesus ao dizer setenta vezes sete, sinalizava que o perdão deve ser uma
prática constante e que não haveria limites. Considerava-nos como
capazes de perdoar, não sendo uma prerrogativa de espíritos puros.
Este ato nos eleva moral e espiritualmente além de realizar a higiene
espiritual. Nos recomendava ainda que devíamos fazer enquanto estivéssemos
a caminho. Emmanuel nos orienta para “desinibir o coração
de qualquer ressentimento”, para que o nosso processo evolutivo se concretize
mais rapidamente, evitando múltiplas reencarnações depurativas.
Efeito do perdão, segundo Jason de Camargo:
O ódio gera doenças e afeta a longevidade, Os sentimentos de paz, amor e alegria geram a produção de endomorfinas, Os complexos de culpa e remorso de longo curso e falta de Auto-perdão, As artrites.
Bibliografia:
Educação dos Sentimentos, Jason de Camargo,
pag. 97.
Evangelho Segundo o Espiritismo, pag. 136, itens 14 e 15.
O Perdão, Leda de A. R. Ebner, site Portal dos Espíritos.
Renovando Atitudes, Francisco do E. S. Neto, por Hammed, pag. 35 e 223.
Sobre o Perdão, José Argemiro da Silveira, site Portal dos Espíritos.
José Salviano Coelho – kmkcoelho@intervip.com.br