É no momento do sono que nosso espirito se desprende do corpo físico,
permanecendo ligado por um cordão fluidico, e assume suas capacidades
espirituais. Como está descrito no Evangelho Segundo espiritismo, “
O sono foi dado ao homem para a reposição das forças orgânicas
e morais. Enquanto o corpo recupera as energias que perdeu pela atividade no
dia anterior, o espirito vai se fortalecer entre outros espíritos “
Por isso a importância de termos uma conduta moral aplicada, com boas
companhias, leituras e músicas. Nossas companhias do dia serão
as da noite, ou seja, o nosso pensamento vai atrair espíritos que tenham
a mesma sintonia que a nossa.
Há diversos estudos sobre os sonhos na parapsicologia, tentando desvendar
esse enigma que nos afeta sempre que acordamos na intenção de
decifrarmos algo que às vezes é um sinal, outras vezes, não
passa de meras imagens sem significado. Antigamente, os sonhos eram considerados
visões proféticas e reveladoras do futuro, onde homens entravam
em contato com deuses e demônios. Muitas vezes, suas interpretações,
ligavam-se a superstições, numerologia, crendices, astrologia,
entre outros.
Ainda hoje, pessoas aproveitam da ignorância dos homens sobre o assunto
e ganham dinheiro fácil na interpretação dos sonhos de
quem as procura com o intuito de decifrá-los. Assim, tornam-se vulneráveis
nas mãos de gente insensata ou espíritos zombeteiros, levianos
e obsessores.
É através dos sonhos que temos contato com amigos, parentes, instrutores
e desafetos. Dessa forma, precisamos aproveitar o máximo para podermos
ser esclarecidos sobre as dificuldades que estamos passando. É através
dessa conversa que teremos com esses espíritos afins que poderemos, no
dia seguinte, estarmos aptos a tomar decisões mais precisas. Mesmo não
lembrando do sonho na maioria das vezes, através de uma visão,
uma frase ou uma conversa, podemos lembrar de algo que nos foi esclarecido durante
o sonho e, assim, podemos tornar a decisão certa.
Se soubermos
aproveitar nosso sono, podemos fazer coisas incríveis, como trabalhar
e estudar,. Na edição numero 11 da Revista Cristã de Espiritismo,
Reginaldo Leite disse em sua entrevista: “ nas poucas horas que durmo,
meu corpo fica repousando e vou para o mundo espiritual, estou fazendo cursos”.
Quando foi indagado se recordava nitidamente das passagens desses cursos, ele
respondeu: “ Muita coisa sim, outras ficam em meu subconsciente para que
oportunamente, falando ao público, o meu espirito possa buscar melhores
explicações.”
É claro que o aproveitamento desses momentos depende da evolução
e interesse de cada um. Em Missionários da Luz, André Luiz narra
o exemplo de uma escola no plano espiritual onde havia cerca de 300 alunos encarnados
matriculados, mas com um comparecimento constante de apenas 32 deles. Informa
que a lembrança do aprendizado variava de alma para alma e de acordo
com o estado produtivo que lhe é próprio.
Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec destaca o seguinte sobre os sonhos:”
As mais comuns manifestações aparentes ocorrem no sono, pelos
sonhos: são as visões. Não pode entrar em nosso plano examinar
todas as particularidades que os sonhos podem apresentar. Resumindo-nos dizendo
que eles podem ser: uma visão atual de coisas presentes ou ausentes;
uma visão retrospectiva do passado e, em alguns casos excepcionais, um
pressentimento do futuro.”
Até mesmo para evitar o aborto o sono tem um papel importante, pois é
através dele que os futuros pais são levados ao Departamento da
Reencarnação, onde é elucidado que o compromisso reencarnatório
deve ser cumprido. Nesses encontros, o espirito reencarnante é apresentado
e, muitas vezes, é conhecido de outras vidas. Luiz Sérgio, descreve
muito bem esse assunto no livro: Deixe-me Viver, como temos o livre-arbítrio,
cabe a nós a decisão final de praticarmos ou não o aborto.
Como sabemos o homem dorme aproximadamente um terço de sua vida terrestre.
Por isso, devemos nos esforçar para dormir bem, aproveitando esses momentos
sublimes para termos contato com espíritos afins, podemos trocar idéias,
visitarmos outras esferas, estudarmos e trabalharmos. Não devemos esquecer
jamais da importância da oração e meditação
ao deitarmos, para termos um sono tranqüilo.
Gostaria de terminar com uma oração do Evangelho Segundo o Espiritismo:
“ Minha alma vai se encontrar por instantes com outros espíritos.
Que aqueles que são bons venham me ajudar com seus conselhos. Meu anjo
guardião, fazei com que, ao despertar, eu conserve uma durável
e salutar impressão desse convívio.”
FONTE: REVISTA CRISTÃ DE ESPIRITISMO ANO 02 NUMERO 12
PERGUNTA 400
O Espirito encarnado permanece voluntariamente em seu envoltório corporal?
É como se perguntasse se o prisioneiro se alegra com a prisão. O Espirito encarnado aspira sem cessar à sua libertação, e quando mais o envoltório é grosseiro, mais deseja estar dele desembaraçado.
PERGUNTA 401
Durante o sono, a alma repousa igual ao corpo?
Não, o Espirito jamais está inativo. Durante o sono, os laços que o unem ao corpo relaxam, e o corpo não necessita do Espirito. Então ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.
PERGUNTA 402
Como podemos apreciar a liberdade do Espirito durante o sono?
Pelos sonhos. Crede, enquanto o corpo repousa, o Espirito dispõe de mais
faculdades do que na vigília. Tem o conhecimento do passado e, algumas
vezes, previsão do futuro. Adquire maior energia e pode entrar em comunicação
com os outros Espíritos, seja neste mundo, seja em outro. Muitas vezes
dizes: Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem
nada de verossímil; enganas-te, é freqüentemente uma lembrança
dos lugares e das coisas que viste e verás em uma outra existência
ou em um outro momento. Estando o corpo adormecido, o Espirito esforça-se
por quebrar seus grilhões, procurando no passado e no futuro.
Pobres homens, que pouco conheceis os fenômenos mais simples da vida.
Acreditai-vos sábios e vos embaraçais com as coisas mais vulgares.
Ficais perturbados a esta pergunta de todas as crianças: que fazemos
quando dormimos, e que é o sonho?
O Sonho liberta, em parte, a alma do corpo. Quando se dorme, se está,
momentaneamente, no estado em que o homem se encontra, de maneira fixa, depois
da morte. Espíritos que se desligam logo da matéria, em sua morte
tiveram sonhos inteligentes; estes quando dormem reúnem-se à sociedade
de outros seres superiores a eles. Com eles, viajam, conversam e se instruem
trabalhando mesmo em obras que encontram prontas quando morrem. Isso deve nos
ensinar, uma vez mais, a não temer a morte pois que morreis todos os
dias, segundo a palavra de um santo. Isto para os Espíritos elevados.
Todavia, a massa dos homens que, na morte, deve ficar longas horas em perturbação,
nessa incerteza da qual vos falaram, esses vão, seja para mundos inferiores
à terra onde velha afeições os evocam, seja a procurar
os prazeres que podem ser mais inferiores que aqueles que têm ai.
Eles vão haurir doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais
nocivas que as que professam em vosso meio. O que gera a simpatia sobre a terra
não é outra coisa que o fato de sentirem-se ao despertar, ligados
pelo coração aqueles com quem vieram de passar oito ou nove horas
de felicidade ou de prazer. Isto explica também as antipatias invencíveis,
pois sabem no fundo do seu coração que essa pessoas de lá
tem uma consciência diversa da nossa e a conhecem sem as Ter visto jamais
com os olhos. Explica , ainda, a indiferença, visto que não se
deseja fazer novos amigos quando a gente sabe que existem outras pessoas que
nos amam e nos querem. Em uma palavra, o sono influi mais do que pensais sobre
vossa vida.
Pelo efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relacionamento
com o mundo dos Espíritos, e é isso que faz com que os Espíritos
Superiores consintam, sem demasiada repulsa, em encarnarem entre vós.
Quis Deus que durante o seu contato com o vicio eles possam ir se renovar nas
fontes do bem, para não falirem, eles que vêm instruir os outros.
O Sono é a porta que Deus lhes abriu até seus amigos do céu.
É o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação,
a liberação final que deve devolvê-los ao seu verdadeiro
meio.
O Sonho é a lembrança do que vosso Espirito viu durante o sono.
Notei, porém, que não sonhais sempre porque não recordais
sempre do que vistes, ou de tudo o que vistes. Vossa alma não está
em pleno desdobramento. Não é, muitas vezes, senão a lembrança
da perturbação que acompanha vossa partida ou vossa volta, a qual
se junta a do que fizestes ou do que vos preocupou no estado de vigília.
Sem isso, como explicareis esses sonhos absurdos que têm os sábios
assim como os mais simples? Os maus Espíritos também se servem
dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes.
De resto vereis dentro em pouco se desenrolar outra espécie de sonho,
tão velha quanto a que conheceis, mas vós a ignorais. O Sonho
de Joana, o sonho de jacob, o sonho dos profetas judeus e de alguns advinhos
indianos. Esse sonho é a lembrança da alma inteiramente desligada
do corpo, a lembrança dessa Segunda vida de que sempre vos falo.
Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos naqueles dos quais vos lembrais; sem isso caireis em contradição e nos erros que serão funestos à vossa fé.
Os Sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se estende aos lugares mais distantes, ou que jamais se viu e, algumas vezes, mesmo a outros mundos, assim como a lembrança que traz a memória os acontecimentos ocorridos na existência presente ou nas existências anteriores; a estranheza de imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeadas de coisas do mundo atual, formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não Ter nem sentido, nem ligação.
A Incoerência dos sonhos se explica, ainda, pelas lacunas que produz a lembrança incompleta do que nos apareceu em sonho.. Tal seria uma narração à qual se tenha truncado frases ao acaso, ou parte de frases; os fragmentos restantes reunidos perderiam toda significação razoável.
PERGUNTA 403
Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?
No que tu chamas de sono, só há o repouso do corpo, porque o Espirito está sempre em movimento. Ai ele recobre um pouco de sua liberdade e se corresponde com aqueles que lhe são caros, seja neste mundo, seja em outros. Todavia, como o corpo é matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões que o Espirito recebeu, porque este não a recebeu pelos órgãos do corpo.
PERGUNTA 404
Que pensar da significação atribuída aos sonhos?
Os Sonhos não são verdadeiros como entendem certos advinhos, porque é absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal coisa. Eles são verdadeiros no sentido de que apresentam imagens reais para o Espirito, mas que, freqüentemente, não tem relação com o que se passa na vida corporal. Muitas vezes, também, como nós o dissemos, é uma lembrança e pode ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou à visão do que se passa nesse momento em outro lugar; para onde à alma se transporte. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonho e vêm advertir seus parentes ou seus amigos do que lhes acontece? Que são essas aparições senão a alma ou o Espirito dessas pessoas que vêm comunicar-se com o vosso? Quando estais certos de que aquilo que vistes realmente se deu, não é uma prova de que a imaginação não tomou parte em nada, sobretudo se essa coisa não esteve de modo algum em vosso pensamento durante a vigília?
PERGUNTA 405
Vêem-se freqüentemente, em sonhos, coisas que
parecem pressentimentos e que não se cumprem; de onde vem isso?
Eles podem cumprir-se para o Espirito, se não para o corpo. Isto é,
o Espirito vê a coisa que deseja porque vai procura-la. É preciso
não esquecer que, durante o sono, a alma está sempre, mais ou
menos, sob a influencia da matéria, e que, por conseguinte, ela jamais
se liberta completamente das idéias terrenas. Disso resulta que as preocupações
da vigília podem dar, ao que se vê, a aparência do que se
deseja ou do que se teme; a isso, verdadeiramente, pode-se chamar um efeito
da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com
uma idéia, a ela se liga tudo aquilo que se vê.
PERGUNTA 406
Quando vemos em sonhos pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente,
realizando atos em que não pensam, de maneira alguma, não é
um efeito da imaginação?
Atos que não pensam, de maneira alguma? Que sabes tu? Seu Espirito pode
visitar o teu, assim como o teu pode visita-lo, e nem sempre sabes em que ele
pensa. Alias, freqüentemente, atribuis às pessoas que conheceis,
e segundo vossos desejos, o que se passou ou o que se passa em outras existências.
PERGUNTA 407
O Sono completo é necessário para a emancipação
do Espirito?
Não, o Espirito recobra sua liberdade quando os sentidos se entorpecem,
ele aproveita, para se emancipar, de todos os instantes de repouso que o corpo
lhe dá. Desde que haja prostração das forças fitais
o Espirito se desprende, e quando mais o corpo está enfraquecido, mais
o Espirito está livre.
É assim que a sonolência ou um simples entorpecimento dos sentidos apresenta, freqüentemente, as mesmas imagens de sonho.
PERGUNTA 408
Parece-nos ouvir, algumas vezes em nós mesmos,
palavras pronunciadas distintamente e que não tem nenhuma relação
com o que nos preocupa; de onde vem isso?
Sim, e mesmo frases inteiras, sobretudo quando os sentidos começam a
se entorpecer. E, algumas vezes, um fraco eco de um Espirito que veio comunicar-se
contigo.
PERGUNTA 409
Freqüentemente, em um estado que não é
ainda de sonolência, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas,
figuras das quais apreendemos os mais minuciosos detalhes; é isso um
efeito de visão ou de imaginação?
Estando o corpo entorpecido, o Espirito procura quebrar seus grilhões;
ele se transporta e vê, Se o sono fosse completo, isso seria um sonho.
PERGUNTA 410
A Gente tem, algumas vezes, durante o sono ou a sonolência,
idéias que parecem muito boas e que, malgrado os esforças que
se faz para lembra-las, se apagam da memória; de onde provém essa
idéias?
Elas são o resultado da liberdade do Espirito, que se emancipa e goza
de mais faculdades durante esse momento. Freqüentemente, são conselhos
que dão outros Espíritos.
De que servem essa idéias e esses conselhos, uma vez que se perde a lembrança e não se pode aproveita-los?
Essas idéias pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos, que ao mundo corporal; mas, com mais freqüência, se o corpo esquece, o Espirito, se lembra, e a idéia revive no instante necessário como uma imaginação do momento.
PERGUNTA 411
O Espirito encarnado, nos momentos em que se desliga da
matéria e age como Espirito, conhece a época de sua morte?
Freqüentemente ele a pressente; algumas vezes tem plena consciência,
e é isso que, no estado de vigília, lhe dá a intuição.
Daí vem o fato de certas pessoas preverem algumas vezes, sua morte, com
grande exatidão.
PERGUNTA 412
A Atividade do Espirito durante o repouso ou o sono do
corpo, pode fazê-lo experimentar fadiga, quando retorna?
Sim, porque o Espirito tem um corpo, como o balão cativo tem um poste.
Ora. Da mesma forma que a agitação do balão abafa o poste,
a atividade do ,,Espirito reage sobre o corpo e pode fazê-lo experimentar
fadiga.
CAPITULO VI – DAS MANIFESTAÇÕES VISUAIS
100 – De todas as manifestações espíritas, as mais
interessantes, sem contestação possível, são aquelas
por meio das quais os Espíritos se tornam visíveis, P ela explicação
deste fenômeno se verá que ele não é mais sobrenatural
do que os outros, Vamos apresentar primeiramente as respostas que os Espíritos
deram acerca do assunto:
1] Podem os Espíritos tornar-se visíveis?
“Podem, sobretudo, durante o sono; Entretanto algumas pessoas os vêem quando acordadas, porém, isso é mais raro.”
NOTA: Enquanto o corpo repousa, o Espirito se desprende dos laços materiais; fica mais livre e pode mais facilmente ver os outros Espíritos, entrando com eles em comunicação. O Sonho não é senão a recordação desse estado; Quando de nada nos lembramos, diz-se que não sonhamos, mas, nem por isso a alma deixou de ver e de gozar da sua liberdade. Aqui nos ocupamos especialmente com as aparições no estado de vigília.
13] As pessoas que vemos em sonho são sempre as que parecem ser pelo seu aspecto?
“Quase sempre são mesmo as que os vossos Espíritos buscam, ou que vêm ao encontro deles.”
14] Não poderiam os Espíritos zombeteiros tomar as aparências das pessoas que nos são caras, para nos induzirem em erro?
“Somente para se divertirem à vossa custa tomam eles aparências fantásticas. Há coisas, porém, com que não lhes é lícito brincar.”
15] Compreende-se que, sendo uma espécie de evocação, o pensamento faça com que se apresente o Espírito em quem se pensa. Como é, entretanto, que muitas vezes as pessoas em quem mais pensamos, que ardentemente desejamos tornar a ver, jamais se nos apresentam em sonho, ao passo que vemos outras que nos são indiferentes e nas quais nunca pensamos?
“ Os Espíritos nem sempre podem manifestar-se visivelmente, mesmo em sonho e mau grado ao desejo que tenhais de vê-los. Pode dar-se que obstem a isso causas independentes da vontade deles; Freqüentemente, é também uma prova, de que não consegue triunfar o mais ardente desejo. Quanto às pessoas que vos são indiferentes, se é certo que nelas não pensais, bem pode acontecer que elas em vós pense; Alias, não podeis formar idéia das relações no mundo dos Espíritos. Lá tendes uma multidão de conhecimentos íntimos, antigos ou recentes, de que não suspeitais quando despertos.”
TITULO: CAPITULO XIII - SONHOS PREMONITÓRIOS, CLARIVIDÊNCIA, PRESSENTIMENTOS
Os Sonhos, em suas
variadas formas, têm uma causa única; a emancipação
da alma. Esta se desprende do corpo carnal durante o sono e se transporta a
um plano mais ou menos elevado do Universo, onde percebe, com o auxilio do seus
sentidos próprios, os seres e as coisas desse plano.
Podem dividir-se os sonhos em três categorias principais:
Primeiramente, o sonho ordinário, puramente cerebral, simples repercussão
de nossas disposições físicas ou de nossas preocupações
morais. E também o reflexo das impressões e imagens arquivadas
no cérebro durante a vigília; na ausência de qualquer direção
consciente, de toda intervenção da vontade, elas se desenvolvem
automaticamente ou se traduzem em cenas indecisas, destituídas de coordenação
e de sentido, mas que permaneceu gravadas na memória.
O sofrimento em geral e, particularmente, certas enfermidade, facilitando o
desprendimento do Espírito, aumentam ainda mais a incoerência e
intensidade dos sonhos. O Espírito, obstado em seu surto, empuxado a
cada instante para o corpo, não se pode elevar. Daí – o
conflito entre a matéria e o principio espiritual, que reciprocamente
se influenciam. As impressões e imagens se chocam e confundem.
No primeiro grau de desprendimento, o Espírito flutua na atmosfera, sem
se afastar muito do corpo; mergulha , por assim dizer, no oceano de pensamentos
e imagens, que de todos os lados rolam pelo espaço, deles se impregna,
e si colhe impressões confusas, tem estranhas visões e inexplicáveis
sonhos; a isso se mesclam às vezes reminiscências de vidas anteriores,
tanto mais vivazes quanto mais completo é o desprendimento, que assim
permite entrarem em vibração as camadas profundas da memória.
Esses sonhos de infinita diversidade, conforme o grau de emancipação
da alma, afetam sobretudo o cérebro material, e é por isso que
deles conservamos a lembrança ao despertar.
Por ultimo, vem os sonhos profundos, ou sonhos etéreos. O Espírito
se subtrai à vida física, desprende-se da matéria, percorre
a superfície da terra e a imensidade, onde procura os seres amados, seus
parentes, seus amigos seus guias espirituais . Vai, não raro, ao encontro
das almas humanas, como ele desprendidas da carne durante o sono, com as quais
se estabelece uma permuta de pensamentos e desígnios. Dessas práticas
conserva o Espírito impressões que raramente afetam o cérebro
físico, em virtude de sua impotência vibratória. Essas impressões
se gravam, todavia, na consciência, que lhes guarda os vestígios,
sob a forma de intuições, de pressentimentos, e influem, mais
do que se poderia supor, na direção da nossa vida, inspirando
os nossos atos e resoluções. Daí o provérbio: “
A noite é boa conselheira “
Na “ revue Spirite” de 1866, pag . 172, Allan Kardec fala do desprendimento
do Espírito de uma jovem de Lião, durante o sono, e de sua vinda
a Paris, em meio de uma reunião espírita em que se achava sua
mãe:
“ O Médium, em estado de transe, vai a Lião, a pedido de
uma senhora presente, ao aposento de sua filha, que descreve fielmente. A Moça
está adormecida; seu Espírito, conduzido por um guia Espiritual,
se aproxima de sua mãe, a quem vê e ouve.
É para ela um sonho, diz o guia do médium, de que, ao despertar,
não guardará lembrança clara; conservará apenas
o pressentimento do bem que se pode auferir de uma crença firme e pura.
Ela faz sentir a sua mãe que, se pudesse recordar-se tão bem de
suas precedentes encarnações, no estado normal, como se lembra
agora, não permaneceria muito tempo na situação estacionária
em que se encontra. Porque vê claramente e sente-se capaz de progredir
sem hesitação; ao passo que no estado de vigília nós
temos uma venda sobre os olhos “ obrigada – diz ela aos assistentes
– por vos terdes ocupado comigo “ . Em seguida abraça sua
mãe. O Médium acrescenta ao terminar: “Ela sente-se feliz
com esse sonho, de que se não há de lembrar, mas que nem por isso
lhe deixara de produzir salutar impressão. “
Algumas vezes, quando suficientemente purificada, a alma, conduzida por Espíritos
angélicos, chega em seus transportes a alcançar as esferas divinas,
o mundo em que se geram as causas. Ai paira, sobranceira ao tempo, e vê
desdobrarem-se o passado e o futuro. Se acaso comunica ao invólucro humano
em reflexo das sensações colhidas, poderão estas constituir
o que se denomina sonho profético.
Nos casos importantes, quando o cérebro vibra com demasiada lentidão
para que possa registrar as impressões intensas ou sutis percebidas pelo
Espírito, e este quer conservar, ao despertar, a lembrança das
instruções que recebeu, cria então, pela ação
da vontade, quadros, cenas figurativas das imagens fluidicas, adaptadas à
capacidade vibratória do cérebro material, sobre o qual, por um
efeito sugestivo, as projeta energicamente. E, conforme a necessidade, se é
inábil para isso, recorrerá ao auxilio dos Espíritos mais
adiantados, e assim revestirá o sonho uma forma alegórica.
Entre os deste gênero, há alguns célebres, como, por exemplo,
o sonho do Faraó, interpretado por josé[88]
Muitas pessoas têm sonhos alegóricos, os quais nem sempre traduzem
as impressões recebidas diretamente pelo Espírito do indivíduo
adormecido, mas, na maior parte das vezes, revelações provenientes
das almas, que todos temos, prepostas a nossa guarda.
Achando-me gravemente enfermo e quase desenganado, obtive, sob significação
figurada, o aviso de minha própria cura. No sonho, eu percorria com muita
dificuldade um caminho coberto de escombros; à medida que me adiantava,
os obstáculos se me acumulavam sob os pés. Súbito, um riacho
largo e profundo surge a minha vista, e sou obrigado a interromper a marcha.
Sento-me, cheio de angustia, à beira d!agua; mas da outra margem, mão
invisível estende-me uma prancha, cuja extremidade se inclina a meus
pés. Não tenho mais que me firmar nela e, por esse meio, consigo
transpor o curso da água. Do lado oposto o caminho é livre e desembaraçado,
e eu sigo com o passo mais firme, em meio de aprazível planície.
Eis aqui o sentido desse sonho:
Informado, algum tempo depois, por uma mulher imersa em sono magnético,
da causa de minha enfermidade, causa assaz vulgar, com que nenhum médico
havia podido atinar, nem com os remédios aplicáveis, readquiri
pouco a pouco a saúde e pude recomeçar os meus trabalhos.
Nos sonhos são, com freqüência, registrados fenômenos
de premonição, esto é, comprova-se a faculdade que possuem
certos sensitivos de perceber, durante o sono, as coisas futuras. São
abundantes os exemplos históricos;
Piutarco [“vida de Júlio césar”] faz menção
do sonho premonitório de Calpúrnia, mulher de César. Ela
presenciou durante a noite a conjuração de Brutus e Cassius e
o assassínio de César, e fez todo o possível por impedir
este de ir ao Senado.
Pode-se também ver em Cícero [ “ Divinations I, 27 ] o sonho
de Simónides; em Valerio Máximo [VII, par I, 8] o sonho premonitório
de Atério Rufo e do rei Creso, anunciando a morte de seu filho Athys.
Em seus “Comentários”, refere Montiue que assistiu, em sonho,
na véspera do acontecimento, à morte do rei Henrique II, traspassado
por um golpe de lança, que num torneio lhe vibrou Montgommery.
Sully, em suas “ Memórias” [VIII 383], afirma que Henrique
IV tinha o pressentimento de que seria assassinado em uma carruagem.
Fatos mais recentes, registrados em grande numero, podem ser comprobatoriamente
mencionados;
Abraão Lincohn sonhou que se achava em uma calma silenciosa, como de
morte, unicamente perturbada por soluços ; levantou-se, percorreu salas
e viu, finalmente, ao centro de uma delas, um catafalco em que jazia um corpo
vestido de preto, guardado por soldados e rodeado de uma multidão em
pranto. “ Quem morreu na Casa Branca?” – Perguntou Lincohn.
“ O Presidente; - respondeu um soldado – foi assassinado! “
Nesse momento uma prolongada aclamação do povo o despertou. Pouco
tempo depois morria ele assassinado[89]
Em seu livro “O Desconhecido e os Problemas Psíquicos “,
C. Flammarion cita 78 sonhos premonitórios, dois dos quais por sua mãe
[ cap. IX]. Na maior parte revestem eles o caráter da mais absoluta autenticidade.
Um dos notáveis é o caso do Sr. Berard, antigo magistrado e deputado
[cap.IX]. Obrigado pelo cansaço, durante uma viagem, a pernoitar em péssima
estalagem, situada entre montanhas selváticas, ele presenciou, em sonho,
todos os detalhes de um assassínio que havia de ser cometido, três
anos mais tarde, no quarto que ocupava, e de que foi vitima o advogado Vítor
Arnaud. Graças à lembrança desse sonho é que o Sr.
Berard fez descobrir os assassinos.
Esse fato é igualmente referido pelo Sr. Goron, Chefe de Policia, em
suas “Memórias”[t, II pag. 338]
Pode também citar:
O Sonho da mulher de um mineiro, que vê cortarem a corda do cesto que
servia para descerem os operários aos poços de extração.
Logo no dia seguinte o fato se verificou, e muitos mineiros deveram a vida a
esse sonho [cap.IX]
Uma jovem irmã de caridade [Niévre] viu em sonho o rapaz, para
ela então desconhecido, com quem depois haveria de casar-se. Graças
a esse sonho ela se tornou M.me. De la Bédoliêre [ cap. IX]
Conscritos vêem em sonho os números que tiraram no dia seguinte
ou dias depois [ cap. IX]
Muitas pessoas vêem em sonho cidades, sítios, paisagens, que realmente
visitaram mais tarde[cap.IX]
O Sr. Henri Horet, professor de Música em Estrasburgo, viu certa noite,
em sonho, saírem cinco féretros de sua casa. Pouco depois deu-se
ai um escapamento de gás e cinco pessoas morreram asfixiadas [ cap. IX]
Aos sonhos etéreos pode-se juntar o fenômeno de êxtase ou
arroubo. Considerado por certos sábios, pouco competentes em matéria
de Psiquismo, como estado mórbido, o êxtase é em verdade
um dos mais belos apanágios da alma afetuosa e crente, que, na exaltação
de sua fé, reúne todas as energias, se desembaraça momentaneamente
dos empecilhos carnais e se transporta às regiões em que o Belo
se ostenta em suas infinitas manifestações.
No êxtase, o corpo se torna insensível; a alma, libertada de sua
prisão, tem concentradas toda a sua energia vital e toda a sua faculdade
de visão em um ponto único. Ela não é mais deste
mundo, mas participa já da vida celeste.
A felicidade dos extáticos, o júbilo que experimentam, contemplando
as magnificência do Além, seriam só por si suficientes para
nos demonstrar a extensão dos gozos que nos reservam as esferas espirituais,
se as nossas grosserias concepções nos não impedissem muitíssimas
vezes de os compreender e pressentir.
A clarividência ou adivinhação é essa faculdade,
que possui a alma, de perceber no estado de vigília os acontecimentos
passados e futuros, no mundo intelectual como no domínio físico.
Esse Dom se exerce através do tempo e da distância, independentemente
de todas as causas humanas de informação.
A adivinhação foi praticada em todos os tempos. Seu papel na antigüidade
era considerável e, qualquer que seja a parte de alucinação,
de erro ou fraude que se lhe deva atribuir, já não é possível,
depois das recentes comprovações da psicologia transcendental,
rejeitar em massa os fatos dessa ordem atribuídos aos profetas, aos oráculos
e às silabas.[pags161-162]
Essas estranhas manifestações reaparecem na Idade Media; João
Huss anuncia, do alto da fogueira, a vinda de Lutero.
Joana d’Arc havia predito desde Domrémy, o livramento de Orleães
e a sagração de Carlos VII. Anuncia também que será
ferida defronte de Orleães.
Uma carta escrita pelo encarregado de negócios de Brabant, a 22 de abril
de 1429, quinze dias antes do acontecimento e conservada nos arquivos de Bruxelas,
contém está passagem: ‘ Ela predisse que será ferida
por uma seta durante o assalto, mas que não morrerá; (90). Profetiza
seu encarceramento e morte. Junto aos fossos de Melun, suas “vozes”
a haviam advertido de que seria entregue aos ingleses antes do dia de São
João(91), Durante o processo, anuncia a completa expulsão dos
ingleses, antes de sete anos. Sucedem-se depois, em toda essa vida maravilhosa,
profecias de ordem secundária; em Chinon, a morte de um soldado que a
escarnecia, o qual, na mesma noite, se afogou no riacho de Vienne; em Orleães,
a morte do capitão Glasdale; o livramento de Compiègne antes de
Saint-Martin-d’Hiver, etc.
Os casos de clarividência são numerosos em nossa época.
Citaremos alguns deles.
Os “Annales des Sciences Psychiques”(1896, pagina 205) refere-se
que Lady A., tendo sido vitima de um roubo em Paris, consegui descobrir, por
intermédio de uma vidente, o autor do delito, que ela estava longe de
suspeitar, com todas as particularidades complicadíssimas do fato. O
culpado não era outro senão Marchandon, um de seus criados que,
por suas boas maneiras, havia captado a inteira confiança de sua patroa,
e que veio a ser mais tarde o assassino da Sra. Cornet.
(90) “Dicionário Larousse”
(91) Henri Martin – “Hist. De France “, tomo VI, pag 226
O pressentimento
é a vaga e confusa intuição do que vai acontecer.
J. de Maistre fez notar que “ O homem é informado naturalmente
de todas as verdades úteis. “
Soldados e oficiais têm, na manhã do dia em que se vai travar uma
batalha, o nítido sentimento de sua morte próxima. Por uma averiguação
procedida em tal sentimento, ficou provado que uma religiosa de S. Vicente de
Paulo, na véspera do incêndio do Bazar de Caridade, havia predito
que ai morreria queimada.
Essa faculdade se encontra com frequenci9a em certos países, como, por
exemplo, nas regiões altas da Escócia, na Bretanha, na Alemanha,
na Itália. Um pouco, porém, por toda a parte, em torno de nós,
podemos coligir fatos de pressentimentos, baseados em testemunhos inequívocos.
São tão numerosos que julgamos supérfluo insistir nisso.
Citemos apenas os três seguintes casos: estou na pag.163
PAGINA 255
[27]A visão espiritual é necessariamente incompleta e imperfeita
entre os Espíritos encarnados, e, por conseqüência, sujeita
a aberrações. Tendo a sua sede na própria alma, o estado
da alma deve influir sobre as percepções que ela dá. Segundo
o grau de seu desenvolvimento, as circunstâncias e o estado moral do indivíduo,
ela pode dar, seja no sono, seja no estado de vigília; 1] a percepção
de certos fatos materiais reais, como o conhecimento de acontecimentos que se
passam ao longe, os detalhes descritivos de uma localidade, as causas de uma
doença, e os remédios convenientes; 2] a percepção
de coisas igualmente reais do mundo espiritual, como a visão dos Espíritos,
3] imagens fantásticas criadas pela imaginação, análogas
às criações fluidicas do pensamento [ ver item 14]. Estas
criações estão sempre em relação com as disposições
morais do Espírito que as crias. É assim que o pensamento de pessoas
fortemente imbuídas e preocupadas de certas crenças religiosas
lhes apresenta o inferno, suas fornalhas, suas torturas e seus demônios.
Tal como as sejam figuradas: As vezes, é toda uma epopéia; os
pagãos viam o Olimpo e o tártaro, como os cristãos viam
o inferno e o paraíso. Se, ao despertar, ou sair do êxtase essas
pessoas conservam uma lembrança precisa de suas visões, elas as
tomam por realidades e confirmações de suas crenças, ao
passo que isso não é senão um produto de seus próprios
pensamentos[1]. Há pois uma escolha muito rigorosa, a fazer nas visões
extáticas, antes de aceitá-las. O remédio para a demasiada
credulidade, sob esse aspecto, é o estudo das leis que regem o mundo
espiritual.
[28] Os sonhos propriamente ditos, apresentam as três naturezas de visões descritas acima. É as duas primeiras que pertencem os sonhos de previsões, pressentimentos e advertências[2]; é na terceira, quer dizer, nas criações fluidicas do pensamento que se pode encontrar a causa de certas imagens fantásticas, que nada têm de real com relação à vida material, mas que têm, para o Espírito; uma realidade por vezes tal que o corpo sofre o contra-golpe, e que se tem visto os cabelos embranquecerem sob a impressão de um sonho. Estas criações podem ser provocadas: pelas crenças exaltadas, por lembranças retrospectivas; pelos gostos, os desejos, as paixões, o medo, os remorsos; pelas preocupações habituais; pelas necessidades do corpo, ou um embaraço nas funções do organismo; enfim, por outros Espíritos, com um fim benevolente ou malévolo, segundo a sua natureza[3]
[1]É assim
que se podem explicaras visões da irmã Elmerich, que, se reportando
ao tempo da paixão de Cristo, disse Ter visto coisas materiais que nunca
existiram senão nos livros que ela leu; as da senhora Cantanille[Revista
Espirita, agosto 1866 pagina 240] e uma parte das de Swedenborg.
[2] Ver adiante, capitulo XVI, teoria da presciência números 1,2,3
[3]Revista Espírita, junho 1866 pagina 172 – setembro de 1866 –
pagina 284 – O Livro dos Espíritos, capitulo VIII NUMERO 400
PAGINA 271 - SONHOS
[3] José, diz o Evangelho, foi advertido por um anjo que lhe apareceu em sonho, e lhe disse para fugir para o Egito com o Menino [ São Mateus, capitulo II v. de 19 a 23]
As advertências,
pelos sonhos, desempenham um grande papel nos livros sagrados de todas as religiões.
Sem garantir a exatidão de todos os fatos narrados, e sem discuti-los,
o fenômeno em si mesmo nada tem de anormal, quando se sabe que o tempo
do sono é aquele em que o Espírito, se desligando dos laços
da matéria. Entra momentaneamente na vida espiritual, onde se encontra
com aqueles que conheceu. É neste momento, freqüentemente, que os
Espíritos protetores escolhem para se manifestarem aos seus protegidos
e dar-lhes conselhos mais diretos. Os exemplos autênticos de advertências
por sonhos são numerosos, mas disso não se poderia inferir que
todos os sonhos sejam advertências, e ainda menos, que tudo o que se vê
em sonho tem o seu significado. É preciso classificar entre as crenças
supersticiosas e absurdas a arte de interpretar os sonhos [ Capitulo XIV, 27
E 28]